Governo Lula barra transporte aéreo e fluvial em região de Yanomami

Em reunião com ministros, presidente pediu ações contra o garimpo ilegal

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou medidas para impedir o avanço do garimpo ilegal na região dos povos Yanomami em Roraima. Entre as ações está o impedimento de transporte aéreo e fluvial para interromper o abastecimento de grupos criminosos na área.

A medida foi anunciada em nota divulgada pelo Palácio do Planalto nesta segunda-feira, 30, após reunião de Lula com ministros.

Lula ainda determinou que as medidas saiam do papel no “menor prazo” para “estancar a mortandade Foto Wilton Junior/Estadão 

“As ações também visam impedir o acesso de pessoas não autorizadas pelo poder público à região buscando não apenas impedir atividades ilegais, mas também a disseminação de doenças”, diz a nota. “Dar assistência nutricional e de saúde ao povo Yanomami, com alimentos adequados aos seus hábitos, e garantir a segurança necessária para que equipes de saúde possam exercer suas atividades nas aldeias também estão entre as prioridades. Assim como garantir rapidamente o acesso a água potável por meio de poços artesianos ou cisternas e medir a contaminação por mercúrio dos rios e nas pessoas”.

Lula ainda determinou que as medidas saiam do papel no “menor prazo” para “estancar a mortandade e auxiliar as famílias Yanomami”.

Na reunião, Lula esteve com vários ministros, como da Casa Civil, Rui Costa; Justiça, Flávio Dino; Defesa, José Mucio; Povos Originários, Sônia Guajajara; Direitos Humanos, Silvio de Almeida; Minas e Energia, Alexandre Silveira; Relações Institucionais, Alexandre Padilha; o comandante da Aeronáutica, Marcelo Damasceno, com a presidenta da Funai Joenia Wapichana e com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa.

Fundo Amazônia

Mais cedo nesta segunda-feira, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse que os recursos do Fundo Amazônia serão utilizados para financiar ações emergenciais de combate à crise humanitária vivida pelo povo indígena Yanomami.

Em entrevista coletiva ao lado da ministra da Cooperação e Desenvolvimento Econômico da Alemanha, Svenja Schulze, em Brasília, Marina também acusou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro de crimes de lesa-pátria e lesa-humanidade contra as comunidades indígenas.

Durante sua gestão, Bolsonaro reduziu o financiamento de agências de combate a crimes ambientais, como o Ibama, e por várias vezes defendeu a exploração mineral em terras indígenas. O uso de mercúrio no garimpo de ouro contamina os rios e prejudica essas populações.

“Não tenho dúvida que foi uma atitude genocida em relação às populações indígenas brasileiras e que o governo federal está agindo emergencialmente diante de uma situação difícil em que temos que recuperar as políticas, as instituições, os equipamentos públicos e ao mesmo tempo dar essas respostas”, disse Marina na coletiva ao lado da ministra alemã.

“Tem havido também uma mobilização da sociedade civil brasileira, da comunidade científica, dos servidores públicos e, sobretudo, de vocês da imprensa, que têm cumprido um papel fundamental em tornar público para a sociedade brasileira o tamanho desse crime de lesa-pátria e de lesa-humanidade cometido pelo governo Bolsonaro”, acrescentou.

“A gente percebe no Governo Federal uma retomada de diálogo”, afirma Riedel

Durante o encontro com o presidente, Riedel assinou junto com os demais governadores uma carta em defesa da democracia

O governador Eduardo Riedel afirmou que as prioridades imediatas para Mato Grosso do Sul como os investimentos da rota bioceânica, relicitação da ferrovia Malha Oeste e concessão de rodovias foram bem recebidas pelo Governo Federal, que inclusive abriu uma linha direta para tratar destes assuntos por meio da Casa Civil.

“A gente percebe no Governo Federal uma retomada de diálogo. Isso é muito importante. Já se formou uma linha direta com a Casa Civil para que a gente possa avançar em grandes projetos como a concessão de rodovias federais, o acesso à ponte de Porto Murtinho com a Rota Bioceânica, que está sendo conclusa, assim como toda a relicitação da Malha Oeste e a retomada da UFN-III”, destacou o governador.

“É importante que a União se envolva nessa discussão porque ela afeta o pacto federativo”, diz Riedel Foto Eduardo Teles

Riedel participa desde ontem (26) de uma série de agendas em Brasília, sendo que nesta sexta-feira (27) se reuniu com o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva e os demais governadores. “Estamos defendendo os grandes projetos que vão transformar Mato Grosso do Sul”.

Ele ainda citou a parceria com o Estado do Paraná para viabilizar a “Nova Ferroeste”, que vai ligar Maracaju (MS) ao Porto de Paranaguá (PR). “O presidente Lula deve ir ao Paraná. Combinamos isso para que seja feita até abril. São projetos em parceria com os outros estados, sendo necessário que tenha diálogo, canal direto, bom planejamento, para que seja executado”, completou.

Outro assunto tratado com o Governo Federal foram as perdas dos estados com a redução das alíquotas de ICMS (imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e serviços) em diversos setores.

“É importante que o Governo Federal se envolva nessa discussão porque ela afeta diretamente o pacto federativo. São os 26 estados e o Distrito Federal nessa condição. Então, o ministro Fernando Haddad colocou que junto a AGU vai buscar uma solução definitiva dessas questões tributárias”.

Durante o encontro com o presidente, Riedel assinou junto com os demais governadores uma carta em defesa da democracia, reafirmando o compromisso com o Estado Democrático de Direito.

Em Brasília, governador de MS debate projetos estruturantes para o Estado

Governador Eduardo Riedel participou da reunião do Fórum Nacional de Governadores que tratou sobre a organização das pautas que serão debatidas com o Presidente da República nesta sexta-feira (27)

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, está em Brasília desde a tarde desta quinta-feira (26), onde participou da reunião do Fórum Nacional de Governadores, que foi realizada no Centro de Convenções Brasil, no final do dia, para debater assuntos como a reposição das perdas de arrecadação com ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incidente sobre combustíveis, energia elétrica, serviços de comunicação e transporte público. As pautas debatidas pelos 27 representantes dos governos estaduais e do Distrito Federal serão apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (27).

Fórum dos Governadores é realizado em centro de convenções em Brasília Foto: Guilherme Pimentel

“É de suma importância que o Governo Federal sinalize essa abertura de diálogo em torno de projetos estruturantes para cada um dos Estados”, disse Eduardo Riedel. O governador ainda enfatizou que no Fórum Nacional havia uma preocupação generalizada sobre as perdas de receitas de diversas formas. “Todos os governadores estão preocupados com as perdas de arrecadação incidente sobre combustíveis, energia elétrica, serviços de comunicação e transporte público, precisamos recompor as receitas porque se não todos os estados estão no caminho de sua inviabilidade econômica financeira. Os caminhos estão postos no STF, na renegociação com o Governo Federal para recomposição ou outros que possam aparecer dentro deste debate com o presidente”, explicou.

Sobre o cenário em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel disse que a perda é de R$ 1,2 bilhões para o ano de 2023 e que ainda não há uma proposta formal para esta reposição, por isso, a necessidade de aguardar o STF votar para que haja o resultado das discussões jurídicas.

“Muitos estados aumentaram a alíquota do ICMS. Mato Grosso do Sul ainda permanece em 17%, porém este cenário causa perda de receita e isso é uma dificuldade que enfrentaremos, por isso, a importância de encontrarmos os mecanismos e nós trouxemos nossos projetos prioritários para o Governo Federal para que essa situação seja estancada”, ressaltou.

Em relação aos projetos que foram levados para serem apresentados ao Governo Federal, Eduardo Riedel, disse que questões como a suspenção da venda da UFN-III (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3), em Três Lagoas, já estão colocadas e serão debatidas. “Nós trouxemos três projetos que são: a BR 262, a sua duplicação, construção da terceira faixa e toda a sua revitalização, que é um eixo central para o Estado; o acesso à ponte Brasil-Paraguai pela Rota Bioceânica; e a revitalização e nova concessão da Malha Oeste, ferrovia que liga Três Lagoas a Corumbá e Campo Grande até Ponta Porã, importante eixo de escoamento de produção do Mato Grosso do Sul”, concluiu.

A expectativa para a reunião com o presidente da República é que cada governador apresente ao menos três demandas de obras ou financiamentos de programas estaduais, além das propostas de âmbito regional. A reunião terá início às 9h30, nesta sexta-feira (27), no Palácio do Planalto.

Eduardo Riedel vai discutir com Lula a conclusão da obra da UFN-III

Após a Petrobras anunciar que não irá vender a UFN-III, o governador Eduardo Riedel afirmou já ter tratado da conclusão da obra com o Governo Federal e que voltará a falar sobre o tema na sexta-feira (27) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e Carlos Fávaro (Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

“O indicativo da Petrobras hoje é que eles vão concluir”, avalia Riedel Foto: Saul Schramm

“Foi tratado e vamos voltar a tratar agora na sexta-feira com a ministra Simone, com o presidente Lula, com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Tem interesse direto para todo o Centro Oeste a produção de nitrogenado aqui da UNF-III. Então, é um assunto que eu tenho tratado diretamente com o Governo Federal e com a própria Petrobras. Assim que tiver a diretoria nomeada pelo presidente Lula nós vamos ao Rio de Janeiro conversar com a diretoria da Petrobras”, afirmou Eduardo Riedel. A declaração foi feita à imprensa no fim da tarde de quarta-feira (25), após cerimônia de troca de comando da Polícia Militar.

Riedel disse acreditar que a construção da fábrica de fertilizantes nitrogenados em Três Lagoas será concluída pela estatal e que, o importante é a conclusão da obra e entrada de operação da unidade. “Temos que aguardar o posicionamento da Petrobras em relação a conclusão da UFN-III. A partir do momento que eles paralisaram o processo de venda nós estamos crendo, e é um desejo nosso, que a Petrobras assuma a obra para concluir a UFN-III e depois decida se vai vender ou operar o ativo. O mais importante para o Estado é que a UFN-III seja concluída e opere para gerar a produção de fertilizantes, gerar empregos não só para Mato Grosso do Sul, mas para todo o Centro-Oeste”.

“O indicativo da Petrobras hoje é que eles vão concluir. Com a paralisação da venda do ativo inconcluso eles estão dizendo: ‘olha, encerramos o processo de venda e agora a Petrobras assume o ativo novamente’. Estamos entendendo que agora o caminho é a construção por parte da própria Petrobras”, acrescentou.

Em nota, a Petrobras informou que avaliará seus próximos passos relacionados ao desinvestimento. A construção da UFN-III teve início em setembro de 2011, mas foi interrompida em dezembro de 2014, com avanço físico de cerca de 81%. Após concluída, a unidade terá capacidade projetada de produção de ureia e amônia de 3.600 toneladas/dia e 2.200 toneladas/dia, respectivamente.

Riedel detalha as demandas de MS que serão apresentadas ao presidente Lula

Governador vai discutir com Governo Federal investimentos em rodovias, Rota Bioceânica e UFN3 

Quatro demandas de Mato Grosso do Sul, de responsabilidade do governo federal, serão apresentadas pelo governador Eduardo Riedel (PSDB), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante reunião marcada para 27 de janeiro, em Brasília.

Na área rodoviária, Eduardo Riedel vai levar para a mesa a necessidade de investimentos em três eixos fundamentais para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul: as BRs 262, 163 e 267. Já no segmento de ferrovias, o tema é o “destravamento” da Malha Oeste, que é uma concessão federal.

 Riedel afirmou que continuará “estendendo as mãos” para Campo Grande  Foto Saul Schramm

Ainda em relação a área de infraestrutura logística, o governador de Mato Grosso do Sul pretende discutir com o Governo Federal a construção de uma alça de acesso da BR-267 até a ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta (PY). “É uma obra cara, mas extremamente importante para o pleno funcionamento da Rota (Bioceânica)”, afirmou Eduardo Riedel, em entrevista nesta segunda-feira (23) à rádio Blink.

O governador lembrou que o vice-presidente Geraldo Alckmin aceitou o convite para acompanhar de perto as obras da ligação, em março. “A Rota Bioceânica é um sonho que está se tornando realidade. Nós temos que envolver todos os atores que tem protagonismo nesse processo. Por isso o convite ao vice-presidente (Geraldo Alckmin). Conversei com ele por telefone. Foi feito um convite para estar aqui em março. Ele disse que viria. Ele já conhece o projeto. Estamos levando agora para o presidente Lula para que essa decisão seja tomada e a gente acelere esse processo. É muito importante estar lá no local. A ponte já está praticamente 20% concluída. Está dentro do prazo. Então, nós temos que acelerar a licitação, o início do acesso à ponte da Rota”, explicou.

Riedel também manifestou preocupação com o processo alfandegário ao longo do corredor logístico. “Tão importante quanto tudo isso são as estruturas alfandegárias: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal. Toda essa estrutura é uma negociação bilateral com o Paraguai. Então, a gente chama de cabeceira única para não ter uma estrutura aqui, uma estrutura lá. Estamos fazendo um formato diferenciado, desburocratizado. Temos que pensar nisso. A gente atravessa a Europa sem parar. Atravessamos países com tratados alfandegários sem ter que parar na barreira, fazer fila de caminhão. Temos que rever esses conceitos e é isso que a gente tem levado ao Governo Federal para não só entregar o eixo físico da Rota, mas tudo o que ela pode representar em torno do desenvolvimento”.

Outro tema de responsabilidade federal que será levado pelo governador sul-mato-grossense é a conclusão da UFN3. “Temos um ativo gigantesco que é a UFN3, que é da Petrobras, uma empresa que tem uma forte participação do Governo Federal e acreditamos que ele vai ajudar. O presidente já se manifestou nesse sentido, a ministra Simone (Tebet, do Planejamento e Orçamento) também. Temos o ministro da Agricultura (Pecuária e Abastecimento), conversei com ele essa semana, Carlos Fávaro, ele está bastante empenhado também na conclusão da UFN3. Isso é uma agenda de ordem federal que vamos discutir com o presidente Lula”.

Campo Grande

Ainda na entrevista, Riedel afirmou que continuará “estendendo as mãos” para Campo Grande. “O Governo do Estado será um grande parceiro da Prefeitura. Aquilo que o Governo do Estado tiver possibilidade, vamos fazer. Temos uma vertente muito grande com os municípios. Nós seremos grandes parceiros como sempre fomos”, disse.

Entre as obras emblemáticas em Campo Grande financiadas pelo Governo do Estado está a restauração e duplicação da Avenida Cafezais, na região Sul de Campo Grande, dando melhores condições para o tráfego e contribuindo com moradores de seis bairros.

Governo de MS prepara pauta para próxima reunião com presidente Lula

Com o objetivo de otimizar as demandas de Mato Grosso do Sul com o Governo Federal, o secretário da Casa Civil, Eduardo Rocha, foi nesta quarta-feira (18) ao Escritório de Representação de Mato Grosso do Sul, em Brasília, para dar início às atividades que serão desenvolvidas ao longo deste ano. Entre as pautas que devem fazer parte da reunião dos governadores com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, estão a conclusão da fábrica UFN3, em Três Lagoas, que está com 80% das obras prontas e deve gerar mais 7 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

Eduardo Rocha, esteve ontem no Escritório de Representação de Mato Grosso do Sul, em Brasília

A duplicação da BR-262, umas das principais via de escoamento da produção do Estado, também deve fazer parte da agenda. O projeto atende o trecho que liga Campo Grande a Três Lagoas, passando por Água Clara e Ribas do Rio Pardo. Com os projetos das novas fábricas de celulose, da Arauco e da Suzano, o volume de mercadorias será escoado pela rodovia. A estimativa é que apenas o projeto Cerrado, da Suzano, deva produzir de 4 a 5 milhões de toneladas por ano, que serão escoados por caminhões pela rodovia a partir de Ribas do Rio Pardo.

Com a assessora especial, Cecília Vale, o secretário organizou as prioridades de Mato Grosso do Sul que devem entrar na pauta da reunião dos governadores com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para acontecer ainda neste mês. “Vim com a incumbência de traçar já uma pauta das demandas do Estado para tratar com o Governo Federal. O governador Eduardo Riedel pediu para adiantarmos essa interlocução com a União, por meio do nosso escritório de representatividade de MS aqui em Brasília”, explicou Eduardo Rocha.

PF interrogou e prendeu 1.159 pessoas por atos golpistas

A Polícia Federal divulgou uma nota na noite desta quarta-feira, 11, informando que qualificou, interrogou e prendeu 1.159 pessoas pelos atos golpistas que aconteceram em Brasília no domingo (8), quando houve a depredação e vandalismo nos prédios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e no Palácio do Planalto. Essas prisões se somam a 209 efetuadas pelas polícias Militar e Civil do Distrito Federal no próprio domingo.

Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto.

Esses presos vão responder, na medida de suas responsabilidades, por crimes de terrorismo, associação criminosa, atentado contra o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, perseguição, incitação ao crime, dentre outros. Eles foram entregues para a Polícia Civil do Distrito Federal, responsável pelo encaminhamento ao Instituto Médico Legal e, posteriormente, ao sistema prisional.

Mais 684 detidos – idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e pais/mães acompanhados de crianças – também foram identificados e responderão em liberdade. No total, 1.843 pessoas foram conduzidas pela Polícia Militar do Distrito Federal para a Academia Nacional de Polícia, onde todos foram identificados pela Polícia Federal.

Segundo a nota, com isso, a Polícia Federal encerrou as atividades de polícia judiciária determinadas pelo STF após os ataques de domingo.

A PF destaca que, durante toda a ação, que durou 57 horas e mobilizou cerca de 550 policiais federais, os detidos receberam café da manhã, almoço, lanche e jantar e tiveram acesso a água. Eles também tiveram disponível erviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Defensoria Pública da União.

A operação, considerada a maior de polícia judiciária da história da PF, também teve a participação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania,  Ministério Público Federal, do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios, da Defensoria Pública do Distrito Federal, da Comissão de Ética e da Comissão de Direitos Humanos da OAB, da Polícia Rodoviária Federal, do Departamento Penitenciário Nacional, da Força Nacional, da Polícia Militar do Distrito Federal, da Polícia Civil do Distrito Federal, do Departamento de Trânsito do Distrito Federal, da Secretaria de Direitos Humanos do Distrito Federal, Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal, da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal,  do Conselho Tutelar, do governo do Distrito Federal, do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.

Bolsonaro divulga vídeo que questiona vitória de Lula e apaga postagem

Ex-presidente compartilhou fala de procurador que diz que voto eletrônico não é confiável

O ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue nos Estados Unidos desde o fim do ano passado, compartilhou um vídeo nesta terça-feira, 10, questionando o resultado da eleição presidencial de 2022, em sua primeira manifestação expressa em defesa da tese de fraude eleitoral após os atos golpistas do fim de semana, em Brasília. Ele apagou o conteúdo pouco mais de três horas depois.

Ex-presidente Jair Bolsonaro entra em residência em Kissimmee, na Flórida, após deixar hospital Foto: Reuters

O vídeo compartilhado por Bolsonaro mostra o trecho de uma entrevista do procurador Felipe Gimenez, do Estado de Mato Grosso do Sul, em que ele defende que a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva foi fraudada e que o voto eletrônico não é confiável. O recorte, com a logomarca de uma rede social que permite a edição de vídeos, mostra a legenda “Lula não foi eleito pelo povo, ele foi escolhido e eleito pelo STF e TSE”.

“Lula não foi eleito pelo povo brasileiro. Lula foi escolhido pelo serviço eleitoral, pelos ministros do STF e pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral”, diz Gimenez, acrescentando: “Porque se fosse uma escolha do povo, haveria poder do povo sobre essa escolha, poder do povo sobre o processo de apuração dos votos”.

A teoria conspiratória do vídeo compartilhado pelo ex-presidente é uma das narrativas usadas como fundamento pelos extremistas que invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal no fim de semana.

Acusado pelo presidente Lula e aliados de instigar os atos antidemocráticos em Brasília, Bolsonaro afirmou ainda no domingo que depredações e invasões de prédios públicos “fogem à regra” e repudiou as acusações feitas contra ele.

“Manifestações pacíficas, na forma da lei, fazem parte da democracia. Contudo, depredações e invasões de prédios públicos como ocorridos no dia de hoje, assim como os praticados pela esquerda em 2013 e 2017, fogem à regra”, escreveu em outra rede social.

O compartilhamento do vídeo pelo ex-presidente também ocorre um dia antes de novos atos, que, segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), estão sendo planejados para a quarta-feira, 11, em todas as capitais do País, incluindo Brasília.

Vídeo: Riedel é um dos 27 governadores que condenam atos no DF em reunião com Lula

Um dia após os atos golpistas que resultaram na depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF), governadores e governadoras e entre eles o de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB)se reuniram em Brasília, na noite desta segunda-feira (9), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para reafirmar a defesa da democracia e condenar tentativa de ruptura institucional no país.

Também estiveram no encontro os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado Federal em exercício, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), além da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, e de outros ministros da Suprema Corte.

“É importante ressaltar que este fórum [de governadores] se reúne respeitando as diversas matizes políticas que compõem a pluralidade ideológica e partidária do nosso país, mas todos têm uma causa inegociável, que nos une: a democracia”, destacou o governador do Pará, Hélder Barbalho, que articulou o encontro, e fez uma fala representando os governadores da Região Norte.

Durante a reunião, os líderes estaduais foram unânimes em enfatizar a defesa do estado democrático de direito no país. “Essa reunião de hoje significa que a democracia brasileira vai se tornar, depois dos episódios de ontem, ainda mais forte”, disse o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, em nome da Região Sudeste.

A governadora Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, falou da indignação com as cenas de destruição dos maiores símbolos da democracia republicana do país e pediu punição aos golpistas. “Foi muito doloroso ver as cenas de ontem, a violência atingindo o coração da República. Diante de um episódio tão grave, não poderia ser outra a atitude dos governadores do Brasil, de estarem aqui hoje. Esses atos de ontem não podem ficar impunes”, afirmou, em nome da Região Nordeste.

Pela Região Sul, coube ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, destacar algumas das ações conjuntas deflagradas pelos estados, como a disponibilização de efetivos policiais para manter a ordem no Distrito Federal e desmobilização de acampamentos golpistas nos estados. “Além de estar disponibilizando efetivo policial, estamos atuando de forma sinérgica em sintonia para a manutenção da ordem nos nossos estados”.

A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, disse que o governo da capital “coaduna com a democracia” e lembrou da prisão, até o momento, de mais de 1,5 mil pessoas por envolvimento nos atos de vandalismo. Celina Leão substitui o governador Ibaneis Rocha, afastado na madrugada desta segunda, por decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Ela aproveitou para dizer que o governador afastado “é um democrata”, mas que, “por infelicidade, recebeu várias informações equivocadas durante a crise”.

Desde ontem, o DF está sob intervenção federal na segurança pública. O decreto assinado pelo presidente Lula ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional, o que ocorrerá de forma simbólica, assegurou o presidente da Câmara dos Deputados. “Nós votaremos simbolicamente, por unanimidade, para demonstrar que a Casa do povo está unida em defesa de medidas duras para esse pequeno grupo radical, que hostilizou as instituições e tentou deixar a democracia de cócoras ontem”.

Financiadores
Em discurso aos governadores, o presidente Lula agradeceu pela solidariedade prestada e fez duras críticas aos grupos envolvidos nos atos de vandalismo.

“Vocês vieram prestar solidariedade ao país e à democracia. O que nós vimos ontem foi uma coisa que já estava prevista. Isso tinha sido anunciado há algum tempo atrás. As pessoas não tinham pautam de reivindicação. Eles estavam reivindicando golpe, era a única coisa que se ouvia falar”, disse.

O presidente também voltou a criticar a ação das forças policiais e disse que é preciso apurar e encontrar os financiadores dos atos democráticos. “A polícia de Brasília negligenciou. A inteligência de Brasília negligenciou. É fácil a gente ver os policiais conversando com os invasores. Não vamos ser autoritários com ninguém, mas não seremos mornos com ninguém. Nós vamos encontrar quem financiou [os atos golpistas]”.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou que que as investigações em curso devem resultar em novos pedidos de prisão preventiva e temporária, principalmente contra os financiadores.

Unidade
Presente na reunião, a ministra Rosa Weber, presidente do STF, também fez questão de enaltecer a presença dos governadores em um gesto de compromisso democrático com o Brasil. “Eu estou aqui, em nome do STF, agradecendo a iniciativa do fórum dos governadores de testemunharem a unidade nacional, de um Brasil que todos nós queremos, no sentido da defesa da nossa democracia e do Estado Democrático de Direito. O sentido dessa união em torno de um Brasil que queremos, um Brasil de paz, solidário e fraterno”.

Em outro gesto de unidade, após o encontro, presidente, governadores e ministros do STF atravessaram a Praça dos Três Poderes a pé, até a sede do STF, edifício que ontem também foi brutalmente destruído. A ministra Rosa Weber garantiu que o prédio estará pronto para reabertura do ano judiciário, em fevereiro.

Riedel vai a Brasília para reunião com Lula sobre reação a golpismo

No domingo, dia em que terroristas invadiram e depredaram as sedes dos três poderes em Brasília, Riedel emitiu nota de repúdio

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), vai para a capital federal, Brasília, na tarde desta segunda-feira (9). A viagem é para participar de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobre as providências para por fim ao movimento golpista vivido pelo país.

Governador cumpre agenda em São Paulo e a tarde participa em Brasília de reunião com o presidente

Riedel está em São Paulo nesta segunda-feira (9). A agenda não foi informada no site oficial do Governo de Mato Grosso do Sul. O anúncio foi feito pela rede social do governador.

“Domingo, seguindo para São Paulo para iniciar a semana importantes agendas”, disse o governador na postagem.

No domingo, dia em que terroristas invadiram e depredaram as sedes dos três poderes em Brasília, Riedel emitiu nota repudiando os fatos.

“É inaceitável na nossa democracia o uso da violência, o vandalismo e a depredação de patrimônio público e privado em quaisquer tipos de manifestações. Não podemos aceitar a afronta à democracia e ao Estado democrático de direito”, afirmou o tucano em postagem no Twitter.

O tucano apoiou Jair Bolsonaro nas eleições de outubro.

Depois dos acontecimentos deste domingo em Brasília, foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes a retirada de golpistas de qualquer acampamento no país. O governo de Mato Grosso do Sul ainda não se manifestou a respeito.