Os moradores de Mato Grosso do Sul estão presos na Penitenciária Feminina do Distrito Federal e no Centro de Detenção Provisória II, em Brasília. Além dos presidiários, alguns golpistas do estado foram soltos mediante o uso de tornozeleiras eletrônicas
Ao todo, 24 moradores de Mato Grosso do Sul seguem presos após os ataques terroristas à Praça dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro. Os dados são do secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) e foram divulgados neste domingo (22).
Golpistas vandalizam prédio público em Brasília durante ataques às sedes dos três poderes neste domingo (8) — Foto: Adriano Machado / Reuters
Além dos 24 moradores que permanecem presos, outros oito sul-mato-grossenses foram liberados mediante o uso de tornozeleira eletrônica. Os homens estão detidos no Centro de Detenção Provisória II e as mulheres na Penitenciária Feminina do Distrito Federal. Veja as listas com os nomes abaixo:
As golpistas que seguem presas:
Ceila Michelle Pilocelli
Debora Candida Gimenez
Edna Dias Sales
Franceli Soares da Mota
Marilete Pires Cabreira
Regina Maria Fidelis da Silva
Sidneia Xavier Gomes
Zilda Aparecida Correia de Paula
Os golpistas que seguem presos:
Alcebiades Ferreira da Silva
Alexandre Henrique Kessler
Carlos Roberto Silva Santos
Daniel Rodrigues Machado
Diego Eduardo de Assis Medina
Djalma Salvino dos Reis
Eliel Alves
Ilson Cesar Almeida de Oliveira
Ivair Tiago de Almeida
Jairo de Oliveira Costa
João Batista Benevides da Rocha
Joci Conegones Pereira
José Paulo Alfonso Barros
Misael da Gloria Santos
Rodrigo Ferro Pakuszewski
Vilson Rogério Santos Amorim
Golpistas liberados com tornozeleira eletrônica:
Elaine Ferreira Gonçalves
Jeferson Franca da Costa Figueiredo
Leandro do Nascimento Cavalcante
Madalena Severa dos Santos
Maria Aparecida Barbosa Feitosa
Mario José Ott
Ricardo Moura Chicrala
Valéria Arruda Gil
Crimes
A prisão em flagrante foi convertida em preventiva pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O ministro consideou que as condutas ilícitas são “gravíssimas”, e tiveram como objetivo “coagir e impedir o exercício dos poderes constitucionais constituídos”.
As pessoas que continuam presas respondem pelos crimes de:
atos terroristas, inclusive preparatórios
associação criminosa
abolição violenta do estado democrático de direito
Principal investigado é o ajudante de ordens do ex-presidente, mas materiais mostram que o político estava ciente de tudo
Investigações que correm no Supremo Tribunal Federal (STF), obtidas pelo Metrópoles, conectam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à suposta existência de um ‘caixa 2’ dentro do Palácio do Planalto e o ligam à realização de atos antidemocráticos.
Ajudante de ordens de Bolsonaro é suspeito de gerenciar um ‘caixa 2’ no Planalto; ex-presidente estaria ciente (REUTERS/Carla Carniel)
De acordo com a reportagem publicada pelos jornalistas Rodrigo Rangel e Sarah Teófilo, um homem de confiança de Bolsonaro gerenciava o suposto ‘caixa 2’, que funcionava com dinheiro vivo proveniente de saques feitos a partir de cartões corporativos da Presidência e de quartéis das Forças Armadas.
O dinheiro era usado, entre outras coisas, para pagar um cartão com despesas pessoais da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro – criado no nome de uma amiga dela, Rosimary Cardoso Cordeiro, funcionária do Senado – e para pagar contas pessoais do clã presidencial.
As investigações estão sob o comando do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Entenda
O tenente-coronel do Exército Mauro Cesar Barbosa Cid – conhecido como “coronel Cid” – é o personagem central das investigações. Homem de confiança de Bolsonaro, ele era:
Ajudante de ordens do ex-presidente até o final do mandato;
Guardião do celular de Bolsonaro, atendendo ligações e respondendo mensagens;
Responsável por tarefas corriqueiras da família, como pagar as contas – a mais sensível, no caso;
Ele também era encarregado de pagar contas pessoais da família de Michelle.
Muitas das operações realizadas pela equipe de Cid era com dinheiro em espécie, na boca do caixa de uma agência bancária localizada dentro do Palácio do Planalto.
Durante as investigações, os policiais identificaram que o modus operandi de Cid era parecido com o apurado nas rachadinhas que envolviam o atual senador Flávio Bolsonaro, filho 01 do ex-presidente. As ações envolviam:
Dinheiro manejado à margem do sistema bancário;
Saques em espécie;
Pagamentos em espécie;
Uso de funcionários de confiança nas operações.
A partir daí, os investigadores começaram a enxergar fortes indícios de lavagem de dinheiro. Além dos saques a partir de cartões corporativos, Cid supostamente recebia valores provenientes de saques feitos por militares ligados ao tenente-coronel e lotados em quartéis de fora de Brasília.
Os detalhes dessas transações estão mantidos sob sigilo absoluto.
Conexão com atos golpistas
As investigações acessadas pelo Metrópoles também indicam que o “coronel Cid” funcionava como um elo entre Bolsonaro e vários radicais que desejavam que a militância bolsonarista atacasse as instituições democráticas.
Um dos contatos frequentes de Cid, inclusive, era o blogueiro Allan dos Santos, foragido nos Estados Unidos que teve prisão decretada em 2021.
No material obtido por policiais, como uma série de áudios, fica claro que Bolsonaro tinha conhecimento e controle de tudo que Cid fazia – tanto nos pagamentos com dinheiro vivo, quanto na interlocução com bolsonaristas extremistas.
Inclusive, o próprio ex-presidente aparece como interlocutor em mensagens que Cid mantinha em seu aplicativo – com o qual conversava com os radicais.
O que dizem os envolvidos?
Interlocutores de Jair Bolsonaro e de Michelle Bolsonaro admitiram ao Metrópoles que houve “confusão” com os valores em espécie, mas negam que contas pessoais do clã e de parentes de Michelle fossem pagas com os saques corporativos do governo.
De acordo com eles, Cid precisava lidar com os valores em espécie, já que:
Muitas das despesas “tinham valor ínfimo”;
Portanto, precisavam ser pagas diretamente a fornecedores que “prestavam serviços informalmente”;
Não foi explicado o motivo pelos quais tais fornecedores precisavam receber em espécie em vez de transferência bancária, por exemplo.
Não houve resposta sobre:
Pagamento dos boletos, especialmente os do cartão cedido pela amiga de Michelle;
Contas de familiares da ex-primeira-dama;
O Metrópoles também entrou em contato com Rosimary, a amiga que cedia o cartão para Michelle. Ela, no entanto, se recusou a dar explicações, afirmou não ter sido notificada sobre as investigações e disse que trata-se de “um assunto pessoal” sobre o qual só falará com seu advogado.
São considerados financiadores pessoas que pagaram por transporte, alimentação ou outros itens usados pelos criminosos. Empresários e colecionadores de armas estão entre os identificados
As investigações sobre os ataques terroristas em Brasília apontam, até o momento, que Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo estão entre os estados com mais financiadores dos atos já identificados.
Bolsonaristas durante confronto com a polícia em atos terroristas contra os 3 Poderes em Brasília — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os dados estão sendo levantados pelo setor de inteligência do Ministério da Justiça e estão sendo compartilhados com investigadores da Polícia Federal.
São considerados financiadores pessoas que, entre outras ações, pagaram por transporte, alimentação ou outros itens utilizados pelos terroristas que, no último domingo (8), invadiram e vandalizaram o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.
A TV Globo apurou que empresários e colecionadores de armas estão entre os financiadores dos ataques terroristas.
Conforme apurado, até esta quarta-feira (11), os estados com mais financiadores já identificados são:
Paraná;
Mato Grosso do Sul;
São Paulo;
Santa Catarina;
Minas Gerais;
Mato Grosso;
Goiás
Há registros isolados de financiadores em outros três estados do país, totalizando 10 unidades federativas, conforme anunciado pelo ministro da Justiça, Flávio Dino, na última segunda-feira (9).
Para identificar os financiadores, os investigadores também estão se baseando nas mais de 60 mil denúncias recebidas pelo Ministério da Justiça. As informações podem ser enviadas para denuncia@mj.gov.br.
A Prefeitura de Ladário vai apurar, por meio de comissão de sindicância, as faltas injustificadas da fiscal de Posturas da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Leilane Santana.
Leilane, no domingo, dia da invasão, em Brasília
Segundo o diário corumbaense, ela aparece em vídeo postado em rede social por grupo que saiu de Corumbá e Ladário e participou de ato que acabou em invasão e vandalismo de extremistas bolsonaristas ao Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal, em Brasília, no último domingo (08).
Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Ladário, informou que “a servidora não está de férias, nem de licença. Está com faltas injustificadas. Após o fechamento do mês, as faltas serão encaminhadas para a comissão sindicante que irá apurar os fatos. A Prefeitura não entrou em contato com a servidora no período em que faltou”. A assessoria confirmou que Leilane voltou ao trabalho nesta quarta-feira (11).
Cerca de 125 pessoas de Mato Grosso do Sul estão presas na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, após participarem de ações consideradas antidemocráticas e depredarem o patrimônio público. Segundo informações do jornal O Estado, o número foi repassado por um manifestante de Campo Grande que não foi para o Distrito Federal.
Ao todo, segundo a PF, mais de 1,5 mil pessoas foram levadas para o ginásio Foto: Nayá Tawane
Entretanto, três nomes foram divulgados; são eles: o motorista Djalma Salvino dos Reis, 45 anos, morador de Itaporã, Diego Eduardo Assis Medina, 35 anos, morador de Dourados e um técnico em instalação e manutenção de ar-condicionado, Fabio Jatchuk Bullmann, 41 anos, morador de Campo Grande.
Ao todo, segundo informações da Polícia Federal, mais de 1,5 mil pessoas foram levadas para o ginásio. “No local, os detidos estão sendo submetidos aos procedimentos de polícia judiciária. Após os trâmites realizados pela Polícia Federal, os presos estão sendo apresentados à Polícia Civil do DF, responsável pelo encaminhamento dos detidos ao Instituto Médico-Legal e, posteriormente, ao sistema prisional”, afirmaram em nota.
Ainda conforme a PF, até às 16h de ontem (10), 527 pessoas foram presas e que, por questões humanitárias, foram liberados 599 detidos, em geral idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e mães acompanhadas de crianças.
Já a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal informou que não estão divulgando os dados por naturalidade dos manifestantes, mas que as pessoas detidas na Academia Nacional de Polícia já estavam sendo transferidas para as penitenciárias da cidade e que até as 14h de ontem (10) já haviam sido transferidas 447 pessoas, sendo 287 homens e 160 mulheres. “Em atendimento à determinação da Vara de Execuções Penais, as pessoas presas nos atos de invasão e depredação na Praça dos Três Poderes estão sendo transferidas para o Centro de Detenção Provisória II e a Penitenciária Feminina do Distrito Federal”, dizia um trecho da nota.
De acordo com o manifestante e vídeos que estão circulando nas redes sociais, o tratamento no local beira um “campo de concentração”, como aqueles usados na época do holocausto. A reclamação dos patriotas é a respeito da qualidade da alimentação que estão recebendo, do tempo para o recebimento da comida e do tempo de deslocamento, que de acordo com eles foi de cinco horas.
Em um desses vídeos publicados, uma mulher, não identificada, afirmou que não participou da depredação e estava apenas no QG, em frente da Praça dos Três Poderes, e mesmo assim foi levada. Outra denúncia é a respeito de pessoas passando mal e até mesmo de uma morte no local, informação que foi desmentida pela Polícia Federal.
A PF garantiu que todos os procedimentos realizados estão sendo acompanhados, ininterruptamente, pela Ordem dos Advogados do Brasil, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Saúde do DF, Samu e Defensoria Pública da União. E ainda que todos estão recebendo alimentação regular (café da manhã, almoço, lanche e jantar), hidratação e atendimento médico quando necessário.
O requerimento de criação da CPI dos Atos Antidemocráticos já possui assinaturas suficientes para ser lido no plenário do Senado. O último balanço apontava que 45 senadores já assinaram.
Edilson Rodrigues/Agência Senado
A senadora Soraya Thronicke (União-MS), que propôs a abertura da CPI, aponta a necessidade de apurar a responsabilidade pelos “atos antidemocráticos e terroristas”, eventuais omissões cometidas por administradores públicos federais, estaduais e municipais, no controle da segurança entre 7 e 8 de janeiro de 2023 e a existência de financiadores e difusores deste e outros “movimentos antidemocráticos e terroristas”.
Cabe ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD/MG), autorizar ou não a abertura do colegiado.
Confira a lista de senadores que assinaram o pedido de abertura da CPI dos Atos Antidemocráticos:
Agora, corporação busca políticos que estariam por trás do episódio
A Polícia Federal identificou um grupo de empresários responsáveis por financiar os atos terroristas promovidos por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no último domingo, em Brasília.
De acordo com informações do blog de Valdo Cruz, no portal g1, o grupo de financiadores foi encontrado após breve investigação da PF. Não foram reveladas, porém, as identidades dos envolvidos.
PF identifica empresários responsáveis por financiar a invasão terrorista de domingo (AP Photo/Eraldo Peres)
Até porque a corporação, agora, trabalha para aprofundar a apuração, uma vez que os tais empresários estariam ligados a lideranças políticas que teriam articulado a invasão aos prédios dos Três Poderes no fim de semana.
Lula também foi informado de influência política
Essa é uma informação obtida também pela Presidência da República. A equipe de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entende que políticos bolsonaristas mantinham contato com os empresários golpistas que bancaram a manifestação terrorista.
“Não podemos apenas punir quem invadiu, mas também quem financiou e quem articulou politicamente. Esse é um movimento golpista, político, não é algo de um grupo isolado que agiu espontaneamente”, afirmou um assessor de Lula ao blog de Valdo Cruz.
A avaliação de pessoas próximas ao petista é de que o movimento bolsonarista sai enfraquecido após os atos de vandalismo, uma vez que até antigos apoiadores do ex-presidente se manifestaram contra as cenas de violência vistas na capital federal.
Um dia após os atos golpistas que resultaram na depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF), governadores e governadoras e entre eles o de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB)se reuniram em Brasília, na noite desta segunda-feira (9), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para reafirmar a defesa da democracia e condenar tentativa de ruptura institucional no país.
Também estiveram no encontro os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado Federal em exercício, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), além da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, e de outros ministros da Suprema Corte.
“É importante ressaltar que este fórum [de governadores] se reúne respeitando as diversas matizes políticas que compõem a pluralidade ideológica e partidária do nosso país, mas todos têm uma causa inegociável, que nos une: a democracia”, destacou o governador do Pará, Hélder Barbalho, que articulou o encontro, e fez uma fala representando os governadores da Região Norte.
Durante a reunião, os líderes estaduais foram unânimes em enfatizar a defesa do estado democrático de direito no país. “Essa reunião de hoje significa que a democracia brasileira vai se tornar, depois dos episódios de ontem, ainda mais forte”, disse o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, em nome da Região Sudeste.
A governadora Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, falou da indignação com as cenas de destruição dos maiores símbolos da democracia republicana do país e pediu punição aos golpistas. “Foi muito doloroso ver as cenas de ontem, a violência atingindo o coração da República. Diante de um episódio tão grave, não poderia ser outra a atitude dos governadores do Brasil, de estarem aqui hoje. Esses atos de ontem não podem ficar impunes”, afirmou, em nome da Região Nordeste.
Pela Região Sul, coube ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, destacar algumas das ações conjuntas deflagradas pelos estados, como a disponibilização de efetivos policiais para manter a ordem no Distrito Federal e desmobilização de acampamentos golpistas nos estados. “Além de estar disponibilizando efetivo policial, estamos atuando de forma sinérgica em sintonia para a manutenção da ordem nos nossos estados”.
A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, disse que o governo da capital “coaduna com a democracia” e lembrou da prisão, até o momento, de mais de 1,5 mil pessoas por envolvimento nos atos de vandalismo. Celina Leão substitui o governador Ibaneis Rocha, afastado na madrugada desta segunda, por decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Ela aproveitou para dizer que o governador afastado “é um democrata”, mas que, “por infelicidade, recebeu várias informações equivocadas durante a crise”.
Desde ontem, o DF está sob intervenção federal na segurança pública. O decreto assinado pelo presidente Lula ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional, o que ocorrerá de forma simbólica, assegurou o presidente da Câmara dos Deputados. “Nós votaremos simbolicamente, por unanimidade, para demonstrar que a Casa do povo está unida em defesa de medidas duras para esse pequeno grupo radical, que hostilizou as instituições e tentou deixar a democracia de cócoras ontem”.
Financiadores
Em discurso aos governadores, o presidente Lula agradeceu pela solidariedade prestada e fez duras críticas aos grupos envolvidos nos atos de vandalismo.
“Vocês vieram prestar solidariedade ao país e à democracia. O que nós vimos ontem foi uma coisa que já estava prevista. Isso tinha sido anunciado há algum tempo atrás. As pessoas não tinham pautam de reivindicação. Eles estavam reivindicando golpe, era a única coisa que se ouvia falar”, disse.
O presidente também voltou a criticar a ação das forças policiais e disse que é preciso apurar e encontrar os financiadores dos atos democráticos. “A polícia de Brasília negligenciou. A inteligência de Brasília negligenciou. É fácil a gente ver os policiais conversando com os invasores. Não vamos ser autoritários com ninguém, mas não seremos mornos com ninguém. Nós vamos encontrar quem financiou [os atos golpistas]”.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou que que as investigações em curso devem resultar em novos pedidos de prisão preventiva e temporária, principalmente contra os financiadores.
Unidade
Presente na reunião, a ministra Rosa Weber, presidente do STF, também fez questão de enaltecer a presença dos governadores em um gesto de compromisso democrático com o Brasil. “Eu estou aqui, em nome do STF, agradecendo a iniciativa do fórum dos governadores de testemunharem a unidade nacional, de um Brasil que todos nós queremos, no sentido da defesa da nossa democracia e do Estado Democrático de Direito. O sentido dessa união em torno de um Brasil que queremos, um Brasil de paz, solidário e fraterno”.
Em outro gesto de unidade, após o encontro, presidente, governadores e ministros do STF atravessaram a Praça dos Três Poderes a pé, até a sede do STF, edifício que ontem também foi brutalmente destruído. A ministra Rosa Weber garantiu que o prédio estará pronto para reabertura do ano judiciário, em fevereiro.
Ministro da Justiça afirmou que 1500 pessoas foram detidas desde o último domingo, 8 e diz que caberá à Justiça determinar as prisões
O ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou nesta segunda-feira, 9, durante uma coletiva que 1500 pessoas foram detidas, desde domingo, 8, após os atentados terroristas no Distrito Federal. Deste número, 1200 estavam em frente ao QG do Exército, em Brasília. Dino disse que eles serão ouvidos até terça-feira, 10, e caberá ao Judiciário decidir se serão presos ou não.
Foto: Amanda Perobelli/Reuters
O Exército e a Polícia Militar do DF realizaram, nesta segunda, uma operação para desmontar o acampamento de bolsonaristas que participaram dos atos. O grupo foi encaminhado para a Polícia Federal.
“É claro que eles estão sendo ouvidos e as providência de polícia judiciária serão tomadas, inclusive com a posterior comunicação ao Poder Judiciário. Caberá ao Judiciário dizer o que vai acontecer com eles. Alguns serão submetidos à audiência de custódia, outros podem eventualmente receber o benefício da liberdade provisória. Então, não podemos dizer o que vai acontecer com cada um. Haverá encaminhamento ao Poder Judiciário, creio que hoje ou amanhã”, declarou.
Ele salientou que houve no domingo 209 prisões em flagrante, e que foram apreendidos, nos dois dias, 40 ônibus, inclusive em deslocamento, tentando sair de Brasília. “Em um desses ônibus havia arma de fogo”.
Segundo o ministro, 150 equipes participam da operação para identificar os responsáveis pelos atos terroristas, inclusive, aqueles que financiaram. “Já temos mandados de prisão expedidos, e outros serão expedidos, conforme a necessidade”, garantiu.
‘Tentativa de golpe de estado’ Dino classificou os atos como criminosos, e afirmou que o grupo de bolsonarista tentou “golpe de estado”, e praticou danos ao patrimônio público, já que invadiu e destruiu parte da área do Três Poderes, bem “formação de quadrilha” e promoção de “lesões corporais”, contra jornalistas que trabalhavam no local, e policiais.
O ministro também garantiu que as pessoas envolvidas serão punidas, não só no âmbito penal, como civil também, arcando com a depredação do patrimônio público que ocorreu no domingo. De acordo com ele, isso caberá à Advocacia-Geral da União (AGU).
“Faço questão também de mencionar que foram realizadas também as perícias pela Polícia Federal nos edifícios-sede do Executivo, no Congresso Nacional e do Supremo. Perícias essas visando os inquéritos que estão sendo instaurados na Polícia Federal e, também, para promoção da responsabilidade civil”, afirmou.
“Nós vimos a manifestação de um ódio contra instituições que foram duramente atacadas nos últimos anos, a exemplo do STF. Quem viu imagens, viu a materialização e o efeito do discurso de ódio, que não era anedótico, como nós alertamos esses anos todos. Palavras tem poder e essas palavras se transformaram em ódio e destruição. Mas essa é outra cadeia de responsabilidade jurídica ainda, é política”, completou.
‘Capitólio brasileiro’ Dino chamou o episódio extremista e criminoso que ocorreu no Distrito Federal de “Capitólio brasileiro”, em comparação com o ataque ao Congresso dos EUA, em 6 de janeiro de 2021, para impedir que Joe Biden assumisse a Casa Branca, após as eleições. O ataque foi liderado por apoiadores do ex-presidente Donald Trump.
“Deus abençoou o Brasil, porque não tivemos nenhuma morte. […] Nós ontem tivemos o ‘Capitólio Brasileiro’, com duas diferenças: a primeira, não houve óbitos e segundo, teve mais presos aqui do que lá, e com muita velocidade. O que mostra que as instituições sobreviveram a esse estresse a que foram submetidas. Mas não tenho dúvida que vivemos no ‘Capitólio brasileiro’.”
“Em primeiro lugar, quero afirmar que o nosso país caminha para a absoluta normalização institucional com muita velocidade. Hoje, o presidente Lula realizou reuniões com os Três Poderes da República e os comandantes das Forças Armadas de modo que, tanto no que refere às instituições civis quanto às militares, reina a plena compreensão quanto à importância da proteção da Constituição e da democracia”, disse.
Financiamento dos atos O ministro confirmou que a Polícia já busca por aqueles que financiaram os atos, embora, ainda não seja possível saber como isso se organizou. Agora, serão mapeados os contratantes de ônibus, e chamados para prestar depoimento.
“Não é possível ainda distinguir o financiamento. O que é possível dizer é que havia financiamento. Temos a relação de todos os contratantes dos ônibus, e eles serão chamados. Todos os que contrataram ônibus e vieram para Brasília nesse período serão chamados”, afirmou.
Reunião com governadores Agora à tarde, Lula deve se reunir com governadores dos estados, a fim de discutir medidas para que o movimento extremista não cresça novamente. Segundo Dino, a medida vai configurar a “união geral do país”.
“A reunião com os governadores já é fruto de uma ideia de união nacional para proteger a constituição e a democracia”, declarou.
A insurreição de ontem à tarde, que culminou na invasão dos edifícios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto, em Brasília (DF), foi condenada pelo deputado estadual Paulo Corrêa (PSDB), que classificou como deprimente os acontecimentos e ataques aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
“Foram invadidas por grupos de golpistas e promoveram a completa destruição do patrimônio público brasileiro”, afirmou.
Para o atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, o ato foi “página triste e lamentável na história brasileira escrita ontem em Brasília”, diz. “Um inadmissível ataque à Constituição que deve ser punido com o rigor da lei. Que os envolvidos nesse brutal ataque à democracia brasileira sejam identificados, devidamente julgados e exemplarmente punidos” afirmou o parlamentar eu sua página no Instagram.