Confira os 24 golpistas de MS que seguem presos após atos terroristas em Brasília

Os moradores de Mato Grosso do Sul estão presos na Penitenciária Feminina do Distrito Federal e no Centro de Detenção Provisória II, em Brasília. Além dos presidiários, alguns golpistas do estado foram soltos mediante o uso de tornozeleiras eletrônicas

Ao todo, 24 moradores de Mato Grosso do Sul seguem presos após os ataques terroristas à Praça dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro. Os dados são do secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) e foram divulgados neste domingo (22).

Golpistas vandalizam prédio público em Brasília durante ataques às sedes dos três poderes neste domingo (8) — Foto: Adriano Machado / Reuters

Além dos 24 moradores que permanecem presos, outros oito sul-mato-grossenses foram liberados mediante o uso de tornozeleira eletrônica. Os homens estão detidos no Centro de Detenção Provisória II e as mulheres na Penitenciária Feminina do Distrito Federal. Veja as listas com os nomes abaixo:

As golpistas que seguem presas:

  1. Ceila Michelle Pilocelli
  2. Debora Candida Gimenez
  3. Edna Dias Sales
  4. Franceli Soares da Mota
  5. Marilete Pires Cabreira
  6. Regina Maria Fidelis da Silva
  7. Sidneia Xavier Gomes
  8. Zilda Aparecida Correia de Paula

Os golpistas que seguem presos:

  1. Alcebiades Ferreira da Silva
  2. Alexandre Henrique Kessler
  3. Carlos Roberto Silva Santos
  4. Daniel Rodrigues Machado
  5. Diego Eduardo de Assis Medina
  6. Djalma Salvino dos Reis
  7. Eliel Alves
  8. Ilson Cesar Almeida de Oliveira
  9. Ivair Tiago de Almeida
  10. Jairo de Oliveira Costa
  11. João Batista Benevides da Rocha
  12. Joci Conegones Pereira
  13. José Paulo Alfonso Barros
  14. Misael da Gloria Santos
  15. Rodrigo Ferro Pakuszewski
  16. Vilson Rogério Santos Amorim

Golpistas liberados com tornozeleira eletrônica:

  1. Elaine Ferreira Gonçalves
  2. Jeferson Franca da Costa Figueiredo
  3. Leandro do Nascimento Cavalcante
  4. Madalena Severa dos Santos
  5. Maria Aparecida Barbosa Feitosa
  6. Mario José Ott
  7. Ricardo Moura Chicrala
  8. Valéria Arruda Gil

Crimes

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O ministro consideou que as condutas ilícitas são “gravíssimas”,  e tiveram como objetivo “coagir e impedir o exercício dos poderes constitucionais constituídos”.

As pessoas que continuam presas respondem pelos crimes de:

  • atos terroristas, inclusive preparatórios
  • associação criminosa
  • abolição violenta do estado democrático de direito
  • golpe de estado
  • ameaça
  • perseguição
  • incitação ao crime

Moraes libera 60, mas 1.399 seguem presos por atos extremistas

Já houve 1.459 audiências de custódia; ministro já analisou 200 casos: manteve 140 em prisão preventiva e só mandou soltar 60

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes proferiu 200 decisões sobre casos de presos envolvidos nos atos extremistas em Brasília no 8 de Janeiro. Ao longo de 3ª feira (17.jan.2023) 140 prisões em flagrante foram convertidas em preventivas.

Ministro Alexandre de Moraes (foto) deve analisar 1.459 atas de audiências de custódia realizadas de 13 a 17 de janeiro

Nos outros 60 casos, o ministro considerou que não foram juntadas provas das práticas de violência e vandalismo. Assim, decretou liberdade provisória com aplicação de medidas cautelares, como o uso de tornozeleiras.

Ao todo, 1.459 atas de audiências de custódia realizadas de 13 a 17 de janeiro serão analisadas pelo ministro. Ou seja, 1.259 ainda aguardam análise do ministro. A previsão de conclusão da análise de todos os casos é na 6ª feira (20.jan).

Nos casos já analisados, Moraes relatou os crimes de associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, ameaça, perseguição e incitação ao crime.

“O ministro considerou que as condutas foram ilícitas e gravíssimas, com intuito de, por meio de violência e grave ameaça, coagir e impedir o exercício dos Poderes constitucionais constituídos”, diz trecho da nota divulgada pelo gabinete do ministro.

As audiências de custódia foram realizadas de 13 a 17 de janeiro pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região e por juízes do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.

Todos os casos serão analisados pelo STF, que está responsável por decidir quem segue preso e quem eventualmente pode responder em liberdade e as decisões serão enviadas a direção do presídio da Papuda e à PF (Polícia Federal) para que sejam cumpridas.

PF interrogou e prendeu 1.159 pessoas por atos golpistas

A Polícia Federal divulgou uma nota na noite desta quarta-feira, 11, informando que qualificou, interrogou e prendeu 1.159 pessoas pelos atos golpistas que aconteceram em Brasília no domingo (8), quando houve a depredação e vandalismo nos prédios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e no Palácio do Planalto. Essas prisões se somam a 209 efetuadas pelas polícias Militar e Civil do Distrito Federal no próprio domingo.

Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto.

Esses presos vão responder, na medida de suas responsabilidades, por crimes de terrorismo, associação criminosa, atentado contra o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, perseguição, incitação ao crime, dentre outros. Eles foram entregues para a Polícia Civil do Distrito Federal, responsável pelo encaminhamento ao Instituto Médico Legal e, posteriormente, ao sistema prisional.

Mais 684 detidos – idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e pais/mães acompanhados de crianças – também foram identificados e responderão em liberdade. No total, 1.843 pessoas foram conduzidas pela Polícia Militar do Distrito Federal para a Academia Nacional de Polícia, onde todos foram identificados pela Polícia Federal.

Segundo a nota, com isso, a Polícia Federal encerrou as atividades de polícia judiciária determinadas pelo STF após os ataques de domingo.

A PF destaca que, durante toda a ação, que durou 57 horas e mobilizou cerca de 550 policiais federais, os detidos receberam café da manhã, almoço, lanche e jantar e tiveram acesso a água. Eles também tiveram disponível erviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Defensoria Pública da União.

A operação, considerada a maior de polícia judiciária da história da PF, também teve a participação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania,  Ministério Público Federal, do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios, da Defensoria Pública do Distrito Federal, da Comissão de Ética e da Comissão de Direitos Humanos da OAB, da Polícia Rodoviária Federal, do Departamento Penitenciário Nacional, da Força Nacional, da Polícia Militar do Distrito Federal, da Polícia Civil do Distrito Federal, do Departamento de Trânsito do Distrito Federal, da Secretaria de Direitos Humanos do Distrito Federal, Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal, da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal,  do Conselho Tutelar, do governo do Distrito Federal, do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.

MS está entre os Estados com mais financiadores dos atos terroristas

São considerados financiadores pessoas que pagaram por transporte, alimentação ou outros itens usados pelos criminosos. Empresários e colecionadores de armas estão entre os identificados

As investigações sobre os ataques terroristas em Brasília apontam, até o momento, que Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo estão entre os estados com mais financiadores dos atos já identificados.

Bolsonaristas durante confronto com a polícia em atos terroristas contra os 3 Poderes em Brasília — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os dados estão sendo levantados pelo setor de inteligência do Ministério da Justiça e estão sendo compartilhados com investigadores da Polícia Federal.

São considerados financiadores pessoas que, entre outras ações, pagaram por transporte, alimentação ou outros itens utilizados pelos terroristas que, no último domingo (8), invadiram e vandalizaram o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

A TV Globo apurou que empresários e colecionadores de armas estão entre os financiadores dos ataques terroristas.

Conforme apurado, até esta quarta-feira (11), os estados com mais financiadores já identificados são:

  • Paraná;
  • Mato Grosso do Sul;
  • São Paulo;
  • Santa Catarina;
  • Minas Gerais;
  • Mato Grosso;
  • Goiás

Há registros isolados de financiadores em outros três estados do país, totalizando 10 unidades federativas, conforme anunciado pelo ministro da Justiça, Flávio Dino, na última segunda-feira (9).

Para identificar os financiadores, os investigadores também estão se baseando nas mais de 60 mil denúncias recebidas pelo Ministério da Justiça. As informações podem ser enviadas para denuncia@mj.gov.br.

Cerca de 125 presos por atos terroristas no DF são de Mato Grosso do Sul

Cerca de 125 pessoas de Mato Grosso do Sul estão presas na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, após participarem de ações consideradas antidemocráticas e depredarem o patrimônio público. Segundo informações do jornal O Estado, o número foi repassado por um manifestante de Campo Grande que não foi para o Distrito Federal.

Ao todo, segundo a PF, mais de 1,5 mil pessoas foram levadas para o ginásio Foto: Nayá Tawane

Entretanto, três nomes foram divulgados; são eles: o motorista Djalma Salvino dos Reis, 45 anos, morador de Itaporã, Diego Eduardo Assis Medina, 35 anos, morador de Dourados e um técnico em instalação e manutenção de ar-condicionado, Fabio Jatchuk Bullmann, 41 anos, morador de Campo Grande.

Ao todo, segundo informações da Polícia Federal, mais de 1,5 mil pessoas foram levadas para o ginásio. “No local, os detidos estão sendo submetidos aos procedimentos de polícia judiciária. Após os trâmites realizados pela Polícia Federal, os presos estão sendo apresentados à Polícia Civil do DF, responsável pelo encaminhamento dos detidos ao Instituto Médico-Legal e, posteriormente, ao sistema prisional”, afirmaram em nota.

Ainda conforme a PF, até às 16h de ontem (10), 527 pessoas foram presas e que, por questões humanitárias, foram liberados 599 detidos, em geral idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e mães acompanhadas de crianças.

Já a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal informou que não estão divulgando os dados por naturalidade dos manifestantes, mas que as pessoas detidas na Academia Nacional de Polícia já estavam sendo transferidas para as penitenciárias da cidade e que até as 14h de ontem (10) já haviam sido transferidas 447 pessoas, sendo 287 homens e 160 mulheres. “Em atendimento à determinação da Vara de Execuções Penais, as pessoas presas nos atos de invasão e depredação na Praça dos Três Poderes estão sendo transferidas para o Centro de Detenção Provisória II e a Penitenciária Feminina do Distrito Federal”, dizia um trecho da nota.

De acordo com o manifestante e vídeos que estão circulando nas redes sociais, o tratamento no local beira um “campo de concentração”, como aqueles usados na época do holocausto. A reclamação dos patriotas é a respeito da qualidade da alimentação que estão recebendo, do tempo para o recebimento da comida e do tempo de deslocamento, que de acordo com eles foi de cinco horas.

Em um desses vídeos publicados, uma mulher, não identificada, afirmou que não participou da depredação e estava apenas no QG, em frente da Praça dos Três Poderes, e mesmo assim foi levada. Outra denúncia é a respeito de pessoas passando mal e até mesmo de uma morte no local, informação que foi desmentida pela Polícia Federal.

A PF garantiu que todos os procedimentos realizados estão sendo acompanhados, ininterruptamente, pela Ordem dos Advogados do Brasil, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Saúde do DF, Samu e Defensoria Pública da União. E ainda que todos estão recebendo alimentação regular (café da manhã, almoço, lanche e jantar), hidratação e atendimento médico quando necessário.

 

PF identifica empresários que financiaram atos terroristas no DF e mira políticos

Agora, corporação busca políticos que estariam por trás do episódio

A Polícia Federal identificou um grupo de empresários responsáveis por financiar os atos terroristas promovidos por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no último domingo, em Brasília.

De acordo com informações do blog de Valdo Cruz, no portal g1, o grupo de financiadores foi encontrado após breve investigação da PF. Não foram reveladas, porém, as identidades dos envolvidos.

PF identifica empresários responsáveis por financiar a invasão terrorista de domingo (AP Photo/Eraldo Peres)

Até porque a corporação, agora, trabalha para aprofundar a apuração, uma vez que os tais empresários estariam ligados a lideranças políticas que teriam articulado a invasão aos prédios dos Três Poderes no fim de semana.

Lula também foi informado de influência política

Essa é uma informação obtida também pela Presidência da República. A equipe de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entende que políticos bolsonaristas mantinham contato com os empresários golpistas que bancaram a manifestação terrorista.

“Não podemos apenas punir quem invadiu, mas também quem financiou e quem articulou politicamente. Esse é um movimento golpista, político, não é algo de um grupo isolado que agiu espontaneamente”, afirmou um assessor de Lula ao blog de Valdo Cruz.

A avaliação de pessoas próximas ao petista é de que o movimento bolsonarista sai enfraquecido após os atos de vandalismo, uma vez que até antigos apoiadores do ex-presidente se manifestaram contra as cenas de violência vistas na capital federal.

 

Vídeo: Riedel é um dos 27 governadores que condenam atos no DF em reunião com Lula

Um dia após os atos golpistas que resultaram na depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF), governadores e governadoras e entre eles o de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB)se reuniram em Brasília, na noite desta segunda-feira (9), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para reafirmar a defesa da democracia e condenar tentativa de ruptura institucional no país.

Também estiveram no encontro os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado Federal em exercício, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), além da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, e de outros ministros da Suprema Corte.

“É importante ressaltar que este fórum [de governadores] se reúne respeitando as diversas matizes políticas que compõem a pluralidade ideológica e partidária do nosso país, mas todos têm uma causa inegociável, que nos une: a democracia”, destacou o governador do Pará, Hélder Barbalho, que articulou o encontro, e fez uma fala representando os governadores da Região Norte.

Durante a reunião, os líderes estaduais foram unânimes em enfatizar a defesa do estado democrático de direito no país. “Essa reunião de hoje significa que a democracia brasileira vai se tornar, depois dos episódios de ontem, ainda mais forte”, disse o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, em nome da Região Sudeste.

A governadora Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, falou da indignação com as cenas de destruição dos maiores símbolos da democracia republicana do país e pediu punição aos golpistas. “Foi muito doloroso ver as cenas de ontem, a violência atingindo o coração da República. Diante de um episódio tão grave, não poderia ser outra a atitude dos governadores do Brasil, de estarem aqui hoje. Esses atos de ontem não podem ficar impunes”, afirmou, em nome da Região Nordeste.

Pela Região Sul, coube ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, destacar algumas das ações conjuntas deflagradas pelos estados, como a disponibilização de efetivos policiais para manter a ordem no Distrito Federal e desmobilização de acampamentos golpistas nos estados. “Além de estar disponibilizando efetivo policial, estamos atuando de forma sinérgica em sintonia para a manutenção da ordem nos nossos estados”.

A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, disse que o governo da capital “coaduna com a democracia” e lembrou da prisão, até o momento, de mais de 1,5 mil pessoas por envolvimento nos atos de vandalismo. Celina Leão substitui o governador Ibaneis Rocha, afastado na madrugada desta segunda, por decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Ela aproveitou para dizer que o governador afastado “é um democrata”, mas que, “por infelicidade, recebeu várias informações equivocadas durante a crise”.

Desde ontem, o DF está sob intervenção federal na segurança pública. O decreto assinado pelo presidente Lula ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional, o que ocorrerá de forma simbólica, assegurou o presidente da Câmara dos Deputados. “Nós votaremos simbolicamente, por unanimidade, para demonstrar que a Casa do povo está unida em defesa de medidas duras para esse pequeno grupo radical, que hostilizou as instituições e tentou deixar a democracia de cócoras ontem”.

Financiadores
Em discurso aos governadores, o presidente Lula agradeceu pela solidariedade prestada e fez duras críticas aos grupos envolvidos nos atos de vandalismo.

“Vocês vieram prestar solidariedade ao país e à democracia. O que nós vimos ontem foi uma coisa que já estava prevista. Isso tinha sido anunciado há algum tempo atrás. As pessoas não tinham pautam de reivindicação. Eles estavam reivindicando golpe, era a única coisa que se ouvia falar”, disse.

O presidente também voltou a criticar a ação das forças policiais e disse que é preciso apurar e encontrar os financiadores dos atos democráticos. “A polícia de Brasília negligenciou. A inteligência de Brasília negligenciou. É fácil a gente ver os policiais conversando com os invasores. Não vamos ser autoritários com ninguém, mas não seremos mornos com ninguém. Nós vamos encontrar quem financiou [os atos golpistas]”.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou que que as investigações em curso devem resultar em novos pedidos de prisão preventiva e temporária, principalmente contra os financiadores.

Unidade
Presente na reunião, a ministra Rosa Weber, presidente do STF, também fez questão de enaltecer a presença dos governadores em um gesto de compromisso democrático com o Brasil. “Eu estou aqui, em nome do STF, agradecendo a iniciativa do fórum dos governadores de testemunharem a unidade nacional, de um Brasil que todos nós queremos, no sentido da defesa da nossa democracia e do Estado Democrático de Direito. O sentido dessa união em torno de um Brasil que queremos, um Brasil de paz, solidário e fraterno”.

Em outro gesto de unidade, após o encontro, presidente, governadores e ministros do STF atravessaram a Praça dos Três Poderes a pé, até a sede do STF, edifício que ontem também foi brutalmente destruído. A ministra Rosa Weber garantiu que o prédio estará pronto para reabertura do ano judiciário, em fevereiro.

Dino faz balanço, cita 1500 detidos após atos terroristas no DF

Ministro da Justiça afirmou que 1500 pessoas foram detidas desde o último domingo, 8  e diz que caberá à Justiça determinar as prisões

O ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou nesta segunda-feira, 9, durante uma coletiva que 1500 pessoas foram detidas, desde domingo, 8, após os atentados terroristas no Distrito Federal. Deste número, 1200 estavam em frente ao QG do Exército, em Brasília. Dino disse que eles serão ouvidos até terça-feira, 10, e caberá ao Judiciário decidir se serão presos ou não.

Foto: Amanda Perobelli/Reuters

O Exército e a Polícia Militar do DF realizaram, nesta segunda, uma operação para desmontar o acampamento de bolsonaristas que participaram dos atos. O grupo foi encaminhado para a Polícia Federal.

“É claro que eles estão sendo ouvidos e as providência de polícia judiciária serão tomadas, inclusive com a posterior comunicação ao Poder Judiciário. Caberá ao Judiciário dizer o que vai acontecer com eles. Alguns serão submetidos à audiência de custódia, outros podem eventualmente receber o benefício da liberdade provisória. Então, não podemos dizer o que vai acontecer com cada um. Haverá encaminhamento ao Poder Judiciário, creio que hoje ou amanhã”, declarou.

Ele salientou que houve no domingo 209 prisões em flagrante, e que foram apreendidos, nos dois dias, 40 ônibus, inclusive em deslocamento, tentando sair de Brasília. “Em um desses ônibus havia arma de fogo”.

Segundo o ministro, 150 equipes participam da operação para identificar os responsáveis pelos atos terroristas, inclusive, aqueles que financiaram. “Já temos mandados de prisão expedidos, e outros serão expedidos, conforme a necessidade”, garantiu.

‘Tentativa de golpe de estado’
Dino classificou os atos como criminosos, e afirmou que o grupo de bolsonarista tentou “golpe de estado”, e praticou danos ao patrimônio público, já que invadiu e destruiu parte da área do Três Poderes, bem “formação de quadrilha” e promoção de “lesões corporais”, contra jornalistas que trabalhavam no local, e policiais.

O ministro também garantiu que as pessoas envolvidas serão punidas, não só no âmbito penal, como civil também, arcando com a depredação do patrimônio público que ocorreu no domingo. De acordo com ele, isso caberá à Advocacia-Geral da União (AGU).

“Faço questão também de mencionar que foram realizadas também as perícias pela Polícia Federal nos edifícios-sede do Executivo, no Congresso Nacional e do Supremo. Perícias essas visando os inquéritos que estão sendo instaurados na Polícia Federal e, também, para promoção da responsabilidade civil”, afirmou.

“Nós vimos a manifestação de um ódio contra instituições que foram duramente atacadas nos últimos anos, a exemplo do STF. Quem viu imagens, viu a materialização e o efeito do discurso de ódio, que não era anedótico, como nós alertamos esses anos todos. Palavras tem poder e essas palavras se transformaram em ódio e destruição. Mas essa é outra cadeia de responsabilidade jurídica ainda, é política”, completou.

‘Capitólio brasileiro’
Dino chamou o episódio extremista e criminoso que ocorreu no Distrito Federal de “Capitólio brasileiro”, em comparação com o ataque ao Congresso dos EUA, em 6 de janeiro de 2021, para impedir que Joe Biden assumisse a Casa Branca, após as eleições. O ataque foi liderado por apoiadores do ex-presidente Donald Trump.

“Deus abençoou o Brasil, porque não tivemos nenhuma morte. […] Nós ontem tivemos o ‘Capitólio Brasileiro’, com duas diferenças: a primeira, não houve óbitos e segundo, teve mais presos aqui do que lá, e com muita velocidade. O que mostra que as instituições sobreviveram a esse estresse a que foram submetidas. Mas não tenho dúvida que vivemos no ‘Capitólio brasileiro’.”

“Em primeiro lugar, quero afirmar que o nosso país caminha para a absoluta normalização institucional com muita velocidade. Hoje, o presidente Lula realizou reuniões com os Três Poderes da República e os comandantes das Forças Armadas de modo que, tanto no que refere às instituições civis quanto às militares, reina a plena compreensão quanto à importância da proteção da Constituição e da democracia”, disse.

Financiamento dos atos
O ministro confirmou que a Polícia já busca por aqueles que financiaram os atos, embora, ainda não seja possível saber como isso se organizou. Agora, serão mapeados os contratantes de ônibus, e chamados para prestar depoimento.

“Não é possível ainda distinguir o financiamento. O que é possível dizer é que havia financiamento. Temos a relação de todos os contratantes dos ônibus, e eles serão chamados. Todos os que contrataram ônibus e vieram para Brasília nesse período serão chamados”, afirmou.

Reunião com governadores
Agora à tarde, Lula deve se reunir com governadores dos estados, a fim de discutir medidas para que o movimento extremista não cresça novamente. Segundo Dino, a medida vai configurar a “união geral do país”.

“A reunião com os governadores já é fruto de uma ideia de união nacional para proteger a constituição e a democracia”, declarou.

Políticos de MS destacam a necessidade de punição aos envolvidos em atos golpistas

Políticos de MS se pronunciam sobre invasão de bolsonaristas radicais ao Congresso, Planalto e STF

Políticos de Mato Grosso do Sul se pronunciaram sobre a invasão de terroristas bolsonaristas ao Congresso Nacional, ao Planalto e ao Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo (8). Veja a repercussão:

Tereza Cristina (PP)
“Momento gravíssimo que exige equilíbrio e sensatez. Precisamos de muita responsabilidade para enfrentarmos os lamentáveis acontecimentos de hoje. Na democracia, não há espaço para atos de vandalismo e desrespeito às instituições”.

Soraya Thronicke (União Brasil)
“Minha assessoria já entrou em campo para escrever o pedido de abertura de CPI dos Atos Antidemocráticos. A democracia aceita tudo, menos que acabem com ela”.

Simone Tebet (MDB)
“A atitude criminosa e radical de golpistas, ao afrontarem os poderes, invadindo o Congresso Nacional e vandalizando o STF e o Planalto, precisa de punição exemplar. Os líderes políticos coniventes, bem como os financiadores dessa ação, devem ser responsabilizados com rigor. Nossa Constituição Federal dá respaldo aos nossos Ministros da Justiça e da Defesa no uso de todos os meios rigorosos e legítimos para a defesa da ordem, da sociedade e da democracia. Democracia para sempre!”

Adriane Lopes (Patriotas)
“As manifestações pacíficas são legítimas e precisam ser aceitas e respeitadas. Violência e depredação de patrimônio publico ou privado, e atos que coloquem a vida em risco, são inaceitáveis. É preciso respeitar as instituições, a democracia e o estado democrático de direito”.

Geraldo Resende (PSDB)
“As cenas lamentáveis que estamos assistindo no Brasil hoje são inadmissíveis, é uma barbárie terrorista que não pode ser aceita por nós que somos defensores da democracia. Nada justifica a depredação e a subversão a ordem. Esperamos que os culpados sejam punidos no rigor da Lei!”.

Beto Pereira (PSDB)
“Nada justifica o vandalismo e a baderna. A ação de terroristas, além de desrespeitar as instituições brasileiras, causam prejuízos incontáveis aos cofres públicos e a democracia. Uma luta se torna inglória quando há radicalismos, violência e destruição sem motivos. Lamentável.”

Vander Loubet (PT)
“Os atos terroristas bolsonaristas que testemunhamos hoje em Brasília deixaram um rastro de destruição do patrimônio público, sem falar nos furtos praticados dentro das sedes dos Três Poderes. É um prejuízo que pode chegar a dezenas, talvez centenas de milhões de reais. No caso das peças que fazem parte da história do Brasil, o prejuízo nem tem valor, é irreparável.”

Camila Jara (PT)
“A ação dos golpistas no dia da diplomação do presidente Lula foi praticamente um ensaio do ato de hoje. O que houve, @IbaneisOficial, não foi uma simples falha. Foi conivência, interesse e desrespeito às instituições brasileiras. Se você não limpar a sujeira, nós o faremos”.

Dagoberto Nogueira (PSDB)
“É inaceitável os atos de “vandalismo e terrorismo” nos três poderes da república. Muito longe de uma manifestação democrática, atos nunca vistos no Brasil. Ação orquestrada e premeditada por extremistas, destruição que diminui o País perante o resto do mundo e enfraquece a nossa democracia”.