A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (25) em Três Lagoas, um mandado de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva em desfavor de indivíduos suspeitos de repassarem vasta quantidade de notas falsas na região circunvizinha de Três Lagoas.
As ações fazem parte da Operação Pecunia Coronam, deflagrada pela Polícia Federal.
Foram cumpridos mandados de busca e de prisão preventiva – Crédito: Divulgação
Um dos indivíduos, alvo de mandado de prisão, já foi investigado pela prática do crime de tráfico de drogas.
A investigação se originou com a aquisição, por parte dos investigados, de um veículo automotor mediante pagamento em espécie.
Quando a vendedora foi depositar o valor correspondente na instituição financeira, o caixa eletrônico indicou que as cédulas continham indícios de falsidade, o que foi confirmado com a análise pericial.
Com o decorrer das investigações foi possível identificar os autores, que são objeto das medidas judicias cumpridas na data de ontem, que prosseguirá com a finalidade de identificar outras pessoas envolvidas no esquema criminoso.
O nome da operação remete ao crime de moeda falsa e também porque a identificação dos autores decorreu de tatuagens de coroa que possuíam no pescoço.
A Polícia Federal divulgou uma nota na noite desta quarta-feira, 11, informando que qualificou, interrogou e prendeu 1.159 pessoas pelos atos golpistas que aconteceram em Brasília no domingo (8), quando houve a depredação e vandalismo nos prédios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e no Palácio do Planalto. Essas prisões se somam a 209 efetuadas pelas polícias Militar e Civil do Distrito Federal no próprio domingo.
Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto.
Esses presos vão responder, na medida de suas responsabilidades, por crimes de terrorismo, associação criminosa, atentado contra o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, perseguição, incitação ao crime, dentre outros. Eles foram entregues para a Polícia Civil do Distrito Federal, responsável pelo encaminhamento ao Instituto Médico Legal e, posteriormente, ao sistema prisional.
Mais 684 detidos – idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e pais/mães acompanhados de crianças – também foram identificados e responderão em liberdade. No total, 1.843 pessoas foram conduzidas pela Polícia Militar do Distrito Federal para a Academia Nacional de Polícia, onde todos foram identificados pela Polícia Federal.
Segundo a nota, com isso, a Polícia Federal encerrou as atividades de polícia judiciária determinadas pelo STF após os ataques de domingo.
A PF destaca que, durante toda a ação, que durou 57 horas e mobilizou cerca de 550 policiais federais, os detidos receberam café da manhã, almoço, lanche e jantar e tiveram acesso a água. Eles também tiveram disponível erviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Defensoria Pública da União.
A operação, considerada a maior de polícia judiciária da história da PF, também teve a participação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Ministério Público Federal, do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios, da Defensoria Pública do Distrito Federal, da Comissão de Ética e da Comissão de Direitos Humanos da OAB, da Polícia Rodoviária Federal, do Departamento Penitenciário Nacional, da Força Nacional, da Polícia Militar do Distrito Federal, da Polícia Civil do Distrito Federal, do Departamento de Trânsito do Distrito Federal, da Secretaria de Direitos Humanos do Distrito Federal, Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal, da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal, do Conselho Tutelar, do governo do Distrito Federal, do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.
André Luiz Miranda do Nascimento, o “Andrezão”, tem longo histórico de crime na região Sul
Um dos principais alvos da Polícia Federal, o brasileiro André Luiz Miranda do Nascimento, o “Andrezão”, foi preso na manhã de hoje (17) pelos agentes da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas), em sua residência no departamento de Ñeembucú, cidade que faz fronteira entre Argentina e Paraguai. De acordo com a polícia local, Andrezão integra uma organização criminosa e é procurado pela justiça brasileira por conta do narcotráfico.
A prisão ocorreu nas primeiras horas da manhã de hoje, quando os agentes da Senad entraram em condomínio na Villa Oliva, onde Andrezão morava. A ação dos policiais foi toda gravada, momento em que os agentes arrombaram a porta e encontraram o traficante dormindo no quarto.
Foto Divulgação/ SENAD
De acordo com a SENAD, Andrezão tem passagens pela polícia desde a década de 90, quando comandava uma organização criminosa e realizava o tráfico de drogas e também uma associação criminosa na região. O criminoso é procurado pela justiça de Santa Catarina, onde comandava o tráfico de armas e lavagem de dinheiro.
Foto Divulgação/ SENAD
O criminoso foi localizado através de um intercâmbio de informações entre a Polícia Federal brasileira e a Secretária Nacional Antidrogas.
Andrezão tem várias tatuagens pelo corpo e cabelos compridos, onde segundo a polícia paraguaia comparou o traficante com o ator norte-americano Danny Trejo pela sua aparência.
Foto Divulgação/ SENAD
Um dos principais alvos da Polícia Federal brasileira
No final da década de 90, André e sua esposa Sandra Vanderlini possuíam ligação política na cidade de Itajaí (SC), onde ambos ocupavam cargos de confiança na prefeitura local. Informações da imprensa local, Sandra chegou a ser candidata a vereadora pelo PSC (Partido Socialista Cristã), quando em 2020 o casal foi preso por lavagem de dinheiro e teve seus bens pessoais avaliados em R$ 14 milhões bloqueados pela justiça brasileira. Após anos de prisão, Andrezão ganhou liberdade para fugir para o Paraguai.
A Comissão Temporária sobre a Criminalidade na Região Norte aprovou, há pouco, o pedido do senador Nelsinho Trad (PSD-MS) de esclarecimento do diretor-geral da Polícia Federal, Márcio Nunes de Oliveira, sobre as operações realizadas na região da Amazônia. “Queremos informações se ocorreu intensificação das atividades nos últimos anos, em qual quantitativo e em quais áreas específicas, tendo em vista o aumento da criminalidade na região Norte”, explica o parlamentar que é relator da comissão.
O senador Nelsinho Trad questionou a Jader Marubo se é possível reverter a situação de sucateamento da FUNAI
Na justificativa do pedido, o senador Nelsinho Trad afirma que, embora o inquérito esteja em andamento, está cada vez mais evidenciada a relação dos homicídios do indigenista Bruno Araújo e do jornalista Dom Phillips com o crime organizado na região. “Sabe-se que a economia nessa região é, em grande parte, dominada pelo poder do tráfico de drogas e da exploração ilegal de recursos naturais das terras indígenas, tais como minerais, madeira, pescado e caça”.
Ainda na audiência pública desta quarta-feira, a viúva do indigenista Bruno Araújo, Beatriz Matos, pediu atenção maior à fragilidade da região e denunciou a falta da execução de um plano emergencial de segurança mais de um mês após os assassinatos. Beatriz também cobrou soluções a longo prazo.
“Que o Estado esteja presente de uma maneira, não só através da Força Nacional, mas através de ações de manejo do pirarucu ali para essas populações ribeirinhas, para que elas não sejam cooptadas pelo tráfico. Para que se tenha alternativa daquelas pessoas viverem sem ter que invadir a terra indígena, sem que a opção do crime seja muito mais atrativa e muito mais lucrativa,” disse a antropóloga à comissão.
Beatriz e o líder indígena e ex-coordenador da União dos Povos Indígenas do Vala do Javari (Univaja) Jader Marubo denunciaram ainda a desestrutura da Fundação Nacional do índio (Funai).
O senador Nelsinho Trad questionou a Jader Marubo se é possível reverter a situação de sucateamento da fundação e quais medidas seriam mais urgentes na região. Jader Marubo respondeu que é uma estruturação completa, haver um contingente maior de pessoas, e melhorias principalmente no que diz respeito à logística. “Nós não temos uma embarcação de grande porte, ao passo que os criminosos têm. (…) Nem fardamento temos para fazer a identificação que somos Funai, nem fardamento básico temos para os agentes que estão lá na ponta correndo perigo”.
A comissão cobra informações sobre as mortes recentes e o assassinato de outro funcionário da Funai, Maxciel Pereira, em 2019. O crime segue impune. “Nossa próxima reunião está prevista para agosto e, a partir desses esclarecimentos e do material levantado pela comissão até agora, pretendemos apresentar nosso relatório no próximo mês e levar as conclusões desse trabalho para o Parlamento Amazônico também.” O senador é presidente do Parlamaz, colegiado que reúne oito países que integram o território amazônico.