Lula derrota Bolsonaro e volta para o terceiro mandato de presidente

Com 77 anos, ex-presidente retorna ao Palácio do Planalto após campanha marcada pela polarização. Resultado foi confirmado com 98,81% das urnas apuradas, quando Lula tinha 50,83% dos votos válidos.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito o 39º presidente da República neste domingo (30), na votação do segundo turno. Lula derrotou o presidente Jair Bolsonaro (PL), que buscava a reeleição.

O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 19h57, quando 98,81% das urnas já tinham sido apuradas.

Àquela altura, Lula tinha 50,83% dos votos válidos e não poderia mais ser alcançado por Bolsonaro, que contabilizava os outros 49,17% de votos válidos.

Para vencer em segundo turno, o candidato à Presidência precisa superar os 50% de votos válidos – mesmo que seja por apenas um voto.

A diferença percentual a favor de Lula é a menor de um presidente eleito desde 1989.

Com o resultado, o Partido dos Trabalhadores volta à presidência após um intervalo de seis anos. O PT comandou o país por oito anos com Lula (de 2003 a 2010) e por seis anos com Dilma Rousseff (2011 até o impeachment em 2016).

Torneiro mecânico, líder sindical e membro fundador do PT, Lula foi eleito para seu terceiro mandato e deverá tomar posse no cargo em 1º de janeiro de 2023. Desta vez, o petista terá quatro dias a mais para governar o país – uma reforma eleitoral aprovada em 2021 definiu que, em 2027, a posse presidencial será em 5 de janeiro.

Ao votar mais cedo, em São Paulo, Lula disse que a eleição definiria o “modelo de Brasil” para os próximos anos. Ele falou também que era o dia mais importante da vida dele.

“Hoje, possivelmente, seja o dia 30 de outubro mais importante da minha vida. E acho que é um dia muito importante para o povo brasileiro porque hoje o povo está definindo o modelo de Brasil que ele deseja, o modelo de vida que ele quer”, declarou o agora presidente eleito.

Disputa voto a voto
A campanha do segundo turno durou quatro semanas. Lula e Bolsonaro percorreram o país em busca dos votos dos eleitores indecisos ou que tinham votado em outros candidatos no primeiro turno.

Em um cenário de forte polarização, Lula e Bolsonaro travaram uma “guerra santa” em busca de votos de fiéis religiosos, reuniram aliados e simpatizantes em comícios e caminhadas nas cidades consideradas cruciais para o resultado final e disputaram recordes de audiência em podcasts e emissoras de TV.

Chapa Lula-Alckmin
O vice-presidente eleito é Geraldo Alckmin (PSB), político que detém o recorde de maior tempo à frente do governo estadual de São Paulo – maior colégio eleitoral do país – desde a redemocratização.

A improvável aliança entre Lula e Alckmin foi confirmada em abril, poucos meses após o ex-governador deixar o PSDB, partido que ajudou a fundar e ao qual foi filiado por 34 anos. A campanha de Bolsonaro chegou a explorar a antiga rivalidade entre os políticos, mas não conseguiu reverter o resultado das urnas.

Ao longo da campanha, Alckmin agiu para reduzir a resistência de empresários e investidores à campanha de Lula. A ideia era sinalizar que um eventual terceiro governo Lula seria moderado, com viés de centro-esquerda e não buscaria “vingança” pela sequência de derrotas enfrentada pelo PT em anos anteriores.

Os últimos 12 anos
Ao fim do segundo mandato, em dezembro de 2010, Lula se preparava para entregar a faixa à sucessora Dilma Rousseff (PT) com uma aprovação recorde: 80% consideravam o governo bom ou ótimo, segundo o Ibope, e 87% avaliavam bem o próprio presidente.

Os anos seguintes, no entanto, seriam difíceis para o PT. Dilma se reelegeu em 2014 por uma margem apertada, com a pressão de uma crise econômica, e não chegou a concluir o segundo mandato – interrompido por um impeachment confirmado no dia 31 de agosto de 2016.

Em abril de 2018, Lula se tornaria o primeiro presidente pós-ditadura militar a ser preso, e o primeiro da história do país a ser preso por crime comum. O político tinha sido condenado em duas instâncias – em julho de 2017 e, depois, em janeiro de 2018 – por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

Lula passou 580 dias preso e só foi solto em novembro de 2019, quando o STF reviu o entendimento da prisão em segunda instância e determinou que os réus do país tinham direito a recorrer em liberdade até o trânsito em julgado.

Enquanto estava preso, Lula chegou a se apresentar como candidato para as eleições de 2018, mas foi obrigado a ceder espaço para Fernando Haddad – que chegou ao segundo turno, mas foi superado por Jair Bolsonaro no que seria a única derrota do PT em eleições presidenciais no século 21, até o momento.

Em março de 2021, o ministro do STF Luiz Edson Fachin anulou as condenações de Lula impostas pela Justiça Federal do Paraná no âmbito da Operação Lava-Jato. A decisão foi confirmada pelo plenário e, com isso, Lula hoje não tem qualquer condenação judicial.

Confiantes após voto, Bolsonaro e Lula citam ‘Deus’ e revelam expectativas para resultado

O presidente votou no Rio de Janeiro e o petista em São Bernardo do Campo

Os candidatos à Presidência da República votaram logo após a abertura das urnas, na manhã deste domingo, 30. Jair Bolsonaro (PL) chegou às 7h49, na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, Zona Oeste do Rio de Janeiro, sua seção eleitoral. Já Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exerceu o seu direito por volta das 9h15, na Escola Estadual Dr. Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo, Região Metropolitana de São Paulo.

Jair Bolsonaro e Lula votaram na manhã deste domingo, Pedro Ivo/Agência O Dia/ Nelson Almeida/ AFP

O presidente apareceu acompanhado de batedores, um helicóptero, PMs, integrantes da Polícia do Exército e da Polícia Civil, o candidato à reeleição votou com uma camisa amarelo com a inscrição “Brasil”.

Às 8h05, Bolsonaro deixou a escola acompanhado de dezenas de seguranças. O presidente não
deu entrevista à imprensa, e disse apenas que está confiante no resultado. “Expectativa de vitória pelo bem do Brasil. Só tivemos boas notícias nos últimos dias. Se Deus quiser seremos vitoriosos hoje à tarde. Ou, melhor Brasil será vitorioso hoje à tarde”, declarou.

Lula chegou vestindo uma camisa branca e entrou para votar sem falar com a imprensa. Ele deixou a residência onde mora, na Zona Oeste de São Paulo, por volta das 8h10 e chegou ao local de votação com centenas de apoiadores que o aguardavam na porta do colégio desde cedo, cantando e com flores para homenagear o candidato. Na urna, Lula repetiu o gesto que fez no primeiro turno e beijou o comprovante de votação.

Na saída, o ex-presidente fez uma declaração para quem estava no portão. “Hoje, possivelmente seja o dia 30 de outubro mais importante da minha vida e é um dia muito importante para o povo brasileiro, porque hoje o povo está definindo o modelo de Brasil que ele deseja, o modelo de vida que ele quer”, declarou o ex-presidente.

“As pessoas vão voltar a viver com cidadania e toda a decência que a cidadania deve ter. Uma nova vida será estabelecida nesse país para as pessoas voltarem a sorrir, a brincar, porque ser bom é melhor do que ser mau”, completou. “Peço a Deus que seja um dia de paz, um dia tranquilo para que as pessoas votem com tranquilidade e no final esperamos que possamos respeitar o resultado final”, finalizou.

O candidato ainda falou sobre a polarização política. “Eu quero que as famílias voltem a conversar, quero que os vizinhos voltem a conversar, as pessoas não precisam pensar politicamente do mesmo jeito, ter o mesmo time, a mesma religião, as pessoas precisam voltar a se olhar com respeito”, declarou.

Lula foi ao colégio eleitoral acompanhado de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), de sua mulher, Rosângela da Silva, a Janja, da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e do candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad. Janja estava com uma blusa branca de proteção à criança e ao adolescente.

A escola estadual é a mesma que ele vota desde sua primeira eleição direta, em 1989. Ele foi aclamado por apoiadores que gritavam seu nome e entoavam a música: “Olê, Olá, Lula”.

Novas Alianças
Lula declarou ainda que, caso vença as eleições, ele quer viajar para reestabelecer alianças. “Antes da posse eu também quero fazer viagens para países da América do Sul para reestabelecer uma aliança e para os Estados Unidos, por mais divergências que tenhamos, precisamos nos aproximar dos Estados Unidos, visitar a China, a União Europeia também”, disse.

“O que eu gostaria era que a transição fosse igual aquela que o Fernando Henrique Cardoso permitiu que nós fizéssemos. Mas, a transição é para você ter todas as informações do funcionamento da máquina do governo e eu espero que o governo seja civilizado para fazer uma boa transição”, concluiu.

Simone Tebet vota e desconversa sobre cargo em caso de vitória de Lula

A candidata a presidente derrotada do MDB, Simone Tebet, votou na manhã deste domingo (30) na Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, localizada no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande (MS).

Simone Tebet chegou à zona eleitoral pouco depois das 8h. Ela foi cercada por jornalistas que tentavam registrar seu voto.

Em entrevista coletiva, Tebet disse que este domingo é o dia mais importante para esta geração quando se refere à democracia. “Hoje nós estamos diante do dia mais importante, eu acredito que de toda a nossa geração, quando nós estamos falando de país, de democracia. Hoje, o povo soberanamente vem às urnas e, de forma democrática, escolhe o futuro que quer para si, para os seus filhos e, o mais importante, é esperar que esse dia seja sereno, de paz, que a vontade do eleitor seja acatada e, seja qual for o resultado, nós estamos prontos para defender a democracia, o país”, pontou.

Simone Tebet vota em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. — Foto: OsvaldoNóbrega/TVMorena

“Espero que a partir de amanhã nós tenhamos um país a ser reconstruído e um povo a ser novamente unido. Dito isso, fico muito feliz de ter a coragem de estar do lado certo da história. […] Eu não defendo Lula, nem PT, nem 13, eu defendo o Brasil de todos, inclusivo, generoso, solidário, um projeto de poder e de país que inclua os 210 milhões de brasileiros, um Brasil que não descrimine, que não seja homofóbico, não seja misógino, que não seja racista, que dê igualdade e oportunidade para todos”, afirmou Tebet.

Sobre um cenário em que o ex-presidente e candidato do PT ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva ganhe as eleições, Tebet disse que não tem pretensão a nenhum cargo. “O meu projeto, a minha intenção, eu sou candidata a servir ao Brasil, como sempre fiz. Então, diante dessa situação, desse momento, estou muito feliz de, como brasileira que sou e sul-mato-grossense, mesmo em um estado que pensa diferente de mim, estar aqui me posicionando com a coragem de uma mulher brasileira, de uma mulher sul-mato-grossense”.

A candidata à presidência derrotada ainda declarou apoio ao candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel. “No primeiro turno, eu sou MDBista, eu votei em André Puccinelli, agora no segundo turno eu acompanho o meu marido e estou com Eduardo Riedel”.

Depois de votar, Simone irá visitar a família e na sequência embarca para São Paulo, onde acredita que vai acompanhar a apuração junto a Lula.

Lula vence em Nova Zelândia, Austrália, Coreia do Sul e Singapura; Bolsonaro, no Japão e Taiwan

O petista recebeu, ao todo, 3.865 votos, contra 2.384 do atual presidente

Nova Zelândia, Austrália, Coreia do Sul, Singapura, Taiwan e Japão foram os primeiros países do exterior a encerrarem a votação do segundo turno das eleições no Brasil. Eleitores brasileiros que moram nesses locais foram às urnas neste domingo, 30, para escolher o próximo presidente do País.

Os resultados dos votos fora do País são enviados ao Tribunal Superior Eleitoral e contabilizados apenas após o encerramento da votação no Brasil, às 17h deste domingo.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) se enfrentam nas urnas neste domingo, 30
Reprodução/Facebook

Apesar disso, fotos dos boletins de urna, compartilhadas nas redes sociais pelos eleitores no exterior, antecipam essa contagem de forma extraoficial. Esses documentos mostram quantos votos cada candidato recebeu naquela seção eleitoral específica, bem como os votos para cada partido político, os votos nulos e os votos em branco.

De acordo com as imagens divulgadas, em Nova Zelândia, Lula recebeu 389 votos (70,34%) e Jair Bolsonaro, 164 votos (29,66%). Já na Austrália, foram 2.970 para o petista (63,76%), contra 1.688 do atual presidente (36,24%). Na Coreia do Sul, Lula teve 126 votos (64,29%) e Bolsonaro, 70 (35,71%). Em Singapura, o ex-presidente recebeu 230 votos (63,71%) e Jair Bolsonaro teve 131 (36,29%). O atual chefe de Estado venceu em Taiwan, com 132 votos (56,65%), enquanto o adversário teve 101 (43,35%), e no Japão, com 199 eleitores a seu favor (80,24%), contra 49 votos no petista (19,76%).

Em Wellington, capital da Nova Zelândia, o pleito foi concluído por volta de 1h da madrugada, no horário de Brasília. Já na Austrália, onde há cinco locais de votação neste ano – Sydney, Camberra, Melbourne, Perth e Brisbane – as urnas foram fechadas às 3h, também pelo horário da capital federal.

Além da Oceania, a votação para o 2° turno da eleição brasileira acontece ainda em outros continentes e regiões do mundo. Segundo o TSE, mais de 697 mil eleitores estão aptos a votar no exterior neste ano, um número 39,21% superior em relação a 2018, quando ocorreram as últimas eleições gerais. Fora do Brasil, não há votação para deputados estadual e federal, senador e governador. Quem mora no exterior ou está a passeio pode votar em trânsito, mas apenas para presidente da República.

Simone Tebet diz que não vai se omitir no 2º turno e pede definição de partidos aliados

Terceira colocada na disputa presidencial, a senadora Simone Tebet (MDB) afirmou neste domingo (2) que não vai se omitir e cobrou pressa das direções das legendas da sua aliança -MDB, PSDB e Cidadania- sobre quem apoiar no segundo turno.

Simone Tebet, que ficou em terceiro, na disputa pela Presidência Foto Divulgação

Em entrevista na noite deste domingo (2), a senadora pelo Mato Grosso do Sul adiantou que já tomou uma posição sobre quem endossar, em falas interpretadas como sinalização de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Não esperem de mim omissão. Tomem logo a decisão, porque a minha está tomada”, afirmou a jornalistas, em pronunciamento na sede do comitê de campanha em São Paulo.

Tebet terminou as eleições com cerca 4,1% das intenções de voto. O desempenho foi comemorado por sua campanha, principalmente porque ela ficou à frente do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que teve cerca de 3% dos votos válidos.

A senadora deixa o primeiro turno com uma fatia do eleitorado que será cobiçada pelas campanhas de Lula e do atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL), que disputarão o segundo turno.

O petista teve 48,8% dos votos válidos, contra 43,3% de Bolsonaro.

Apesar de os votos de Tebet serem cobiçados, a transferência desse capital político é incerta. Aliados de Bolsonaro, por exemplo, consideram que a maioria dos que hoje a apoiaram tem perfil conservador e tende a migrar para o mandatário.

Tebet iniciou a campanha contestada até mesmo por aliados e tentou se apresentar como o nome capaz de romper a polarização entre PT e bolsonarismo.

Ela reforçou a mensagem ao votar neste domingo, em Campo Grande (MS).

“Lamentavelmente, a polarização ideológica contaminou a alma do povo brasileiro. Nossa candidatura buscou o caminho do meio, com equilíbrio e soluções reais”, afirmou a candidata.

A senadora ainda classificou o pleito deste ano de atípico. “De alguma forma, o eleitor deu um voto no escuro, pois os líderes nas pesquisas não apresentaram o que vão fazer, e os debates foram marcados por ataques pessoais.”

Desde o início, a candidatura enfrentou resistências dentro do próprio MDB. Alguns membros do partido defendiam a desistência para que recursos e esforços fossem destinados à eleição de uma bancada forte no Congresso. Alas da sigla também pressionavam pelo apoio a um dos dois favoritos na corrida presidencial. O grupo mais forte e mais vocal era favorável a Lula.

Já durante a campanha, a senadora levantou o tom em relação aos correligionários que não a apoiavam, apontando que o MDB era “muito maior que meia dúzia de políticos e seus caciques”, e repetiu algumas vezes que tinham tentado “puxar o tapete” dela.

A emedebista enfrentou inicialmente dificuldades para subir nas pesquisas de intenção de voto. A situação mudou após o debate exibido na TV Bandeirantes, durante o qual foi atacada e protagonizou um confronto com Bolsonaro. A senadora também terminou se destacando nos outros dois debates sequentes.

Enquanto Ciro derreteu depois da campanha pelo voto útil, Tebet manteve índice próximo ao indicado pelas pesquisas, de cerca de 5%. A cifra vinha se repetindo em diferentes levantamentos.

Lula (PT) e Bolsonaro (PL) vão disputar segundo turno das eleições presidenciais

Com 96,93% das urnas apuradas, o petista tinha 47,85%, contra 43,70% do presidente

Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais no domingo de 30 de outubro. Com 96,93% das urnas apuradas, o petista tinha 47,85%, contra 43,70% do presidente.

O resultado das urnas confirmou a tendência apontada pelas pesquisas eleitorais desde o início da corrida presidencial. Foto Reuters

O resultado das urnas confirmou a tendência apontada pelas pesquisas eleitorais desde o início da corrida presidencial. O petista sempre apareceu na frente na preferência popular em todos os levantamentos, seguido pelo atual chefe do Executivo.

A corrida presidencial foi marcada por casos de violência devido à polarização entre apoiadores de Lula e Bolsonaro. Desde o assassinato de um apoiador de Lula em Foz do Iguaçu (PR), em julho, até à morte de um eleitor petista a facadas no interior de Mato Grosso durante o feriado de 7 de Setembro, os casos de agressões e mortes por motivação política aumentaram em todo o País.

Campanha de Lula
Nas Eleições de 2018, Lula foi impedido pela Justiça Eleitoral de disputar as eleições presidenciais por causa da Lei da Ficha Limpa. Na época, ele estava preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, onde cumpria pena pelas condenações da Operação Lava Jato.

Em novembro de 2019, após 580 dias de prisão, o petista foi solto por causa de uma decisão do STF que proíbe prisões em 2ª instância. Posteriormente, também por uma determinação da Corte, as sentenças ligadas à Lava Jato foram anuladas.

Apesar da forte oposição ao governo de Jair Bolsonaro, Lula evitou confirmar a sua intenção de disputar o Palácio do Planalto logo após deixar a prisão, quando ainda não tinha recuperado os direitos políticos. Somente no primeiro semestre deste ano, o petista se posicionou publicamente sobre o desejo de tentar um terceiro mandato presidencial.

“Se estou na melhor posição para ganhar as eleições presidenciais e gozo de boa saúde, sim, não hesitarei. Acho que fui um bom presidente”, declarou em entrevista para a publicação francesa Paris Match, em maio.

No lançamento de sua pré-candidatura, no dia 7 de maio, Lula criticou fortemente Jair Bolsonaro, celebrou a chapa com Geraldo Alckmin (PSB) – antigo adversário político em prol da democracia e falou em restaurar a soberania do Brasil e do povo brasileiro.

Durante toda a campanha, o petista fez críticas ao atual governo federal e disse que o povo brasileiro era mais feliz no seu mandato. Ele defendeu a parceria com Alckmin, disse que eles nunca foram inimigos, e sim, adversários políticos, e estão juntos agora para defender a democracia.

Campanha Bolsonaro
Buscando a reeleição, Jair Bolsonaro oficializou sua candidatura à reeleição no dia 24 de julho. O anúncio foi feito em um evento do PL montado no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, onde ocorreu a convenção do partido para o lançamento oficial da campanha eleitoral. Também foi chancelado o nome do general da reserva Walter Braga Netto como candidato a vice na chapa.

As celebrações do 7 de Setembro foram um ponto polêmico na campanha. Na ocasião, o presidente usou a data para o palanque eleitoral. Ele participou do desfile cívico-militar, fez um discurso em Brasília, no qual puxou o coro de “imbrochável”, e também marcou presença na orla de Copacabana, no Rio, onde também falou em cima de um trio elétrico.

Tanto Lula quanto Bolsonaro também foram destaques em debates presidenciais, como o da Band e o da TV Globo. Mas, no debate realizado por Terra, SBT, CNN, ‘Estadão’/Rádio Eldorado, Veja e Rádio Nova Brasil FM, Lula não compareceu e sua ausência virou tema entre os candidatos.

Lula focou em uma campanha com forte presença nas ruas e discursos em palanques, recusando alguns convites para entrevistas e sabatinas. Já Bolsonaro, além de eventos com os aliados, teve presença mais intensa na mídia, participando de podcasts e programas de televisão

Lula vota em SP e diz que bolsonarismo deve se adequar à maioria

Candidato do PT à Presidência vai acompanhar a apuração no Novotel Jaraguá, no centro da capital paulista

O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, votou na manhã deste domingo (2.out.2022) na Escola Estadual Dr. João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo (SP).

Ex-presidente votou na manhã deste domingo (2.out) em São Bernardo do Campo

O ex-presidente chegou à seção para votar às 08h45. Chegou ao local acompanhado da mulher, Rosângela da Silva, conhecida como Janja; do vice em sua chapa, Geraldo Alckmin (PSB); do candidato ao governo de SP Fernando Haddad (PT); o candidato ao Senado por SP Márcio França (PSB); e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

Lula deu uma entrevista a jornalistas que o aguardavam no local de votação. Disse que não votou nas eleições de 2018, quando estava preso em Curitiba, e que vota nesse domingo com “liberdade”.

Criticou o presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que mesmo vitorioso nas urnas, o bolsonarismo deve continuar. “Penso que os bolsonaristas mais fanáticos terão que se adequar a maioria da sociedade. A maioria da sociedade não quer confronto. A maioria quer paz. As pessoas não querem, na maioria, a venda de armas, querem distribuição de livros. Acho que a maioria das pessoas vai viver em paz. Quem não quiser, que desrespeitar a lei, vai ser um problema deles”, declarou.

Questionado sobre a relação de seu eventual governo com o Centrão, grupo de partidos sem coloração ideológica clara que adere aos mais diferentes governos, Lula afirmou que, se eleito, deve conversar com os partidos políticos que vão compor o Congresso Nacional.

“Ninguém precisa governar com o centrão. Você governa com os partidos que elegerem deputados e senadores. Vamos aguardar o resultado das eleições hoje. Você vai ver que tem muita gente diferente eleita. Então quando tiver a somatória das pessoas que foram eleitas você vai conversar com cada partido que estiver no Congresso Nacional”, disse.

No final da entrevista, Lula fez novamente um apelo para a população comparecer às urnas neste domingo. Nos últimos dias de campanha, o ex-presidente tentando reduzir a abstenção e conquistar os votos de eleitores que ainda estão indecisos.

Na saída do local de votação, Lula foi abraçado por apoiadores que o esperavam na frente da escola. O petista deve voltar para casa, onde deve ficar até a hora do almoço. Depois, vai para o Novotel Jaraguá, na região central de São Paulo. Acompanhará a apuração dos votos com familiares e aliados políticos mais próximos.

Lula também pretende realizar um ato público na Avenida Paulista quando o resultado da eleição for conhecido. No sábado (1º.out.2022), o candidato disse em entrevista a jornalistas que o ato independe de ele ganhar no 1º turno ou não.

 

Giselle Marques vota e está confiante na vitória de Lula no 1º turno

A petista Giselle Marques votou às 9h deste domingo (2), no Colégio Cristão Aliançados, Vila do Polonês, em Campo Grande. Ela acredita em vitória de Lula em primeiro turno e diz que a democracia sairá vitoriosa neste pleito.

Giselle Marques votou em Campo Grande – Foto Itamar Buzzatta

“Minha expectativa é muito favorável. Acredito que Lula ganha já nesse primeiro turno”, disse.

Na ida para a urna, ela disse que espera ir para a disputao do 2º turno e que acredita na transferência de votos do Lula.

Giselle Marques estava com a bandeira do Brasil e disse que a extrema direita tentou se apropriar do símbolo da nação.

Veja como eram os presidenciáveis quando crianças

Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) Foto: Reprodução

“Saiba! Todo mundo foi neném. Einstein, Freud e Platão, também”, diz Adriana Calcanhotto. Os quatro principais postulantes ao maior cargo do Executivo do país, assim como na música, têm uma história que precede a trajetória política. Lula nasceu no sertão pernambucano, onde permaneceu até o início da juventude. Bolsonaro cresceu no interior de São Paulo. Ciro Gomes, apesar de a família ter histórico em Sobral, Ceará, também é do interior paulista, Pindamonhangaba. E Simone Tebet foi criada no interior do Mato Grosso do Sul, quando a região ainda era parte de Mato Grosso.

A quatro dias das eleições e a duas semanas do dia das crianças, o GLOBO resgatou imagens dos principais candidatos à Presidência na infância. Registros de arquivos pessoais e fotos publicadas nas redes pelos próprios presidenciáveis mostram como eram alguns dos rostos que aparecerão nas urnas no dia 2 de outubro há 50, 60 e 70 anos.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Lula criança Foto: Reprodução

O ex-presidente Lula é o caçula de oito filhos da dona Lindu, como ficou conhecida sua mãe, Eurídice Ferreira de Melo. Lula compartilhou o registro da infância, em que originalmente aparece ao lado da irmã Maria, nas redes sociais em 12 de outubro de 2021. Pernambucano de Garanhuns, o petista se mudou para São Paulo com a mãe e os irmãos aos 10 anos. Em outra imagem, compartilhada no dia das mães deste ano, o candidato que é líder nas pesquisas aparece ao lado da mãe e de outros quatro irmãos.

Jair Bolsonaro (PL)

Jair Bolsonaro criança Foto: Reprodução

Foto compartilhada pelo presidente nas redes sociais mostra o candidato à reeleição aos sete meses de vida. Em outra imagem de 1961, Bolsonaro aparece com seis anos ao lado do pai, Percy Geraldo Bolsonaro, segurando um peixe, segundo ele, “uma traíra de uns 10kg” (veja fotogaleria). Nascido em Glicério, o presidente foi registrado em Campinas e criado em Eldorado, no interior de São Paulo. Jair Bolsonaro tem cinco irmãos e, na infância e juventude, pescava para ajudar no sustento da casa.

Ciro Gomes (PDT)

Ciro Gomes criança Foto: Reprodução

Ciro Gomes relembrou sua infância segurando um telefone no último dia das crianças, em 2021. O candidato pedetista, que disputa uma vaga no Palácio do Planalto pela quarta vez, nasceu em Pindamonhangaba, São Paulo, mas, assim como o pai, construiu a carreira política no Ceará. Ciro é o mais velho dos cinco filhos da paulista Maria José Ferreira Gomes e de José Euclides Ferreira Gomes Júnior, ex-prefeito de Sobral, no Ceará, que governou entre 1976 a 1983.

Simone Tebet (MDB)

Simone Tebet criança Foto: Reprodução

Em imagem de arquivo pessoal, a senadora Simone Tebet aparece ainda bebê, com três anos de idade. Nascida em Três Lagoas (MS), Tebet é a primogênita do casal Fairte Nassar e Ramez Tebet. O patriarca da família foi senador de 1995 a 2006 e governador do Mato Grosso do Sul na década de 1980. Em 2003, quando Lula (PT) assumiu a Presidência pela primeira vez, Ramez era presidente do Senado e foi responsável por comandar a cerimônia de posse do petista.

Convenções para escolha de candidatos começam na quarta-feira; veja datas

Confirmação da candidatura de Ciro Gomes deverá ser a primeira entre os presidenciáveis, na própria quarta-feira; a de Lula acontece na quinta, e a de Bolsonaro, no domingo

A partir de quarta-feira (20), os partidos políticos podem realizar suas convenções para escolher e oficializar suas candidaturas para as eleições de 2022.

Os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL) e Ciro Gomes (PDT) Arte CNN

Os encontros devem ocorrer até 5 de agosto, conforme calendário estabelecido na Lei da Reforma Política de 2015.

De acordo com levantamento da CNN com os partidos políticos, Ciro Gomes (PDT) será o primeiro a lançar sua candidatura à Presidência da República. A convenção nacional do PDT será na quarta-feira, primeiro dia do prazo, em Brasília.

Na sequência, oficializa sua campanha o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há previsão de que o evento ocorra em São Paulo, sem a presença do petista, na quinta-feira (21).

Datas e locais das convenções dos presidenciáveis, segundo os partidos

Ainda na primeira semana de convenções, formalizam suas candidaturas André Janones (Avante) e Jair Bolsonaro (PL). O deputado federal se reúne com sua sigla no sábado (23), em Belo Horizonte, e o presidente lança sua campanha à reeleição no domingo (24), no Rio de Janeiro.

A convenção partidária tem como objetivo a escolha pelos partidos dos candidatos a presidente, governador, senador, deputado federal, estadual e distrital.

Os eventos podem ser presencias, virtuais ou híbridos. As convenções das federações, que são a união de dois ou mais partidos por um período mínimo de quatros anos, devem ocorrer de maneira unificada, como a de um único partido.