Um acidente envolvendo uma motocicleta e uma carreta deixou três pessoas mortas na tarde desta terça-feira (16), na BR-163, em São Gabriel do Oeste a 137 quilômetros de Campo Grande. O trágico acontecimento ocorreu no quilômetro 626, em frente à antiga Produsoja, atualmente Coamo.
Partes dos corpos das vítimas ficaram espalhadas pela rodovia. (Foto: Sidney Assis)
Segundo informações iniciais, a família ocupava a motocicleta que foi atingida pela carreta que seguia sentido São Gabriel do Oeste. O veículo foi arrastado por cerca de 15 metros e sofreu um princípio de incêndio. As vítimas tiveram os corpos dilacerados.
A motocicleta ficou presa na frente da carreta, que foi queimada, e um dos corpos ficou enroscado embaixo de um dos pneus do veículo. As vítimas ainda não foram identificadas, mas seriam moradores de um assentamento na região.
Equipes da PRF e da Perícia de Coxim estão no local. O trânsito segue com desvios para quem precisa passar pela rodovia. O motorista da carreta não sofreu ferimentos, mas está muito abalado com o acidente.
Segundo a Polícia Militar, o suspeito afirmou que anda armado por defesa pessoal e ao retirar o objeto da cintura acabou disparando e atingindo a vítima. A criança segue internada em Campo Grande
Uma criança, de 7 anos, foi atingida com um tiro acidental na cabeça. O acidente aconteceu na madrugada desta quinta-feira (11), em Costa Rica, a 390 km de Campo Grande. O principal suspeito do disparo é o tio do menino. A vítima foi transferida para capital e permanece internada.
Arma usada pelo tio do menino, apreendida pela Polícia Militar. (Foto: Divulgação/PMMS)
Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM), a criança deu entrada no pronto-socorro da Fundação Hospitalar do município, acompanhado do padrasto e também do tio. No local, o homem contou às autoridades que anda armado para sua defesa pessoal e ao chegar em casa, foi retirar a arma da cintura, momento em que ocorreu o disparo.
O tio da criança apresentou a arma para polícia e foi encaminhado para a delegacia da região. O caso segue em investigação.
A vítima precisou ser encaminha para a Santa Casa de Campo Grande, onde permanece internada.
Polícia Militar esteve na escola; após ouvir relatos, mãe e filha foram encaminhadas à DPCA
A diretora de uma escola municipal na região do Moreninhas, em Campo Grande (MS), denunciou, nesta terça-feira, 09 de maio, situação de maus-tratos a uma aluna. A criança, de 5 anos, contou que a mãe a queimou com bitucas de cigarro e o tio a estuprou. A Polícia Civil investiga o caso.
As informações apontam que a criança compareceu à escola há alguns dias com ferimentos compatíveis a queimaduras de cigarro. A diretora questionou quem teria feito isso com ela e a aluna afirmou que foi a própria mãe. A responsável pela direção da escola relatou o caso ao Conselho Tutelar, o qual registrou o caso em ata.
Na manhã de ontem, a menina foi ao banheiro e, ao retornar, contou a uma professora que sentia dor nas partes íntimas e “não era de agora”. A docente perguntou se alguém teria tocado no local e a menina contou que foi o tio materno, o qual mora na casa dela.
A diretora aguardou a mãe comparecer à escola para buscar a menina e questionou sobre a reclamação de dor da criança. A genitora alegou que a menina se queixava de dor desde quando moravam em Santa Catarina.
O Conselho Tutelar foi acionado à instituição de ensino e as partes foram encaminhadas à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). A Polícia Civil investiga o caso.
O menino de 8 anos andava pela Avenida dos Cafezais quando foi atingindo pelo transporte coletivo
Um menino, de 8 anos, ficou gravemente ferido ao ser atropelado por um ônibus no início da tarde desta sexta-feira (14), no cruzamento da Rua Engenheiro Paulo Frontin com a Avenida dos Cafezais, na região do Bairro Jardim Los Angeles, em Campo Grande.
O menino estava pedalando sozinho, quando foi parar debaixo do veículo. A bicicleta ficou completamente destruída.
Testemunhas disseram à polícia que um passageiro que estava no transporte público chegou a gritar para o motorista, mas não deu tempo de parar.
Segundo a nota encaminhada pela assessoria de imprensa do Consórcio Guaicurus, o garoto foi atendido e a empresa continua acompanhando a evolução dele e disse que, no momento do acidente, ele não queria ser atendido, mas o motorista insistiu e acionou o socorro.
A criança foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada consciente e orientada para o hospital da Cassems.
A sentença foi assinada pelo juiz de direito Robson Celeste Candeloro
O fonoaudiólogo Wilson Nonato Rabelo Sobrinho, de 30 anos, foi condenado a 25 anos de prisão em regime fechado por ter estuprado um menino, de 8 anos, durante uma sessão, em Campo Grande.
Wilson foi preso em flagrante no dia 9 de março (Foto: Reprodução/TV Morena)
De acordo com a publicação, a sentença foi assinada pelo juiz de direito Robson Celeste Candeloro. Esta é a primeira decisão da Justiça, de seis denúncias de abuso sexual de vulnerável, feitas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Para tomar a decisão, além da confissão de Wilson, os depoimentos das vítimas e familiares do garoto foram “suficientes e seguros para confirmar autoria e ensejar um decreto condenatório”.
Os júris em relação as outras cinco vítimas ainda não foram marcados. Os casos seguem em segredo de Justiça.
Prisão
O fonoaudiólogo foi preso em flagrante no último dia nove de março de 2022 após um menino de 8 anos contar à mãe que estava sofrendo abusos sexuais. Após o primeiro caso ser divulgado, outras famílias procuraram a polícia. Ao todo, cinco casos foram confirmados. Segundo a polícia, as vítimas possuem de 4 a 8 anos.
As vítimas, conforme as investigações, eram “escolhidas” pelo suspeito. Geralmente, o fonoaudiólogo abusava das crianças com maior dificuldade em se comunicar e oferecia doces para ganhar a confiança delas. O crime sempre acontecia durante as sessões, que não podiam ser acompanhadas pelos responsáveis.
Wilson atuou em Campo Grande por pouco mais de um ano. Segundo a Polícia Civil, o fonoaudiólogo pode ter atendido pelo menos 200 crianças.
Relato de abuso
À época da denúncia, o g1 conversou com uma das mães das vítimas estupradas pelo fonoudiólogo. A mãe – que fez a primeira denúncia – de uma das vítimas relatou sobre os abusos sofridos pelo filho.
O menino, de 8 anos, começou os atendimentos de fonoaudiologia com o suspeito quatro meses antes dos primeiros abusos. Na primeira consulta, a mãe acompanhou a sessão, mas logo foi repreendida pelo fonoaudiólogo, que avisou que o segundo atendimento seria apenas entre ele e o paciente.
A empresária começou a reparar comportamento atípico no filho há um mês. Segundo a mãe da vítima, o garoto teria perguntado ao irmão mais velho se “era normal o tio [fonoaudiólogo] passar a mão no pipi” dele.
Chorando muito, o menino relatou os abusos à mãe. De pronto, a empresária mencionou que tentou abordar a situação com o filho mostrando que a culpa não era dele. Relatando à mãe, o menino disse que o fonoaudiólogo trancava a porta do consultório, colocava música, pedia para a criança subir na maca e iniciava os abusos.
“O fonoaudiólogo pedia para passar a mão no pipi dele. O abusador abaixava o short do meu filho, passava a mão e pedia para que o meu ele fizesse a mesma coisa com o fono, mas a criança disse que não sabia o que estava fazendo”, contou.
A Babá foi presa e a criança precisou ser transferida para a Santa Casa de Campo Grande, onde permanece internada
Uma criança, de três anos, se afogou na piscina de casa na tarde de domingo (19), em São Gabriel do Oeste (MS) – a 124 quilômetros de Campo Grande. De acordo com a Polícia Civil, a criança estava com dois irmãos, de 10 e 13 anos, e aos cuidados da babá quando se afogou.
Fachada da 1ª Delegacia de Polícia Civil de São Gabriel do Oeste. (Foto: Reprodução/Polícia Civil)
Segundo a investigação, a mulher de 41 anos teria saído para buscar roupas em outra casa. Assim, deixou as crianças sozinhas. Neste momento, a criança de 3 anos se afogou na piscina, sendo socorrida.
A criança foi encaminhada para o hospital da cidade e precisou ser transferida para a Santa Casa de Campo Grande, onde permanece internada.
O Conselho Tutelar também foi acionado e acompanha o caso. A mulher foi presa em flagrante pelo Grupo de Operações de Investigações (GOI) e responde pelo abandono de incapaz.
Eduardo Serina de Oliveira, de 50 anos, foi preso pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar na noite deste domingo, 19 de fevereiro. A prisão ocorreu durante patrulhamento na Vila Nasser, em Campo Grande.
Ele confirmou que tinha conhecimento que estava com mandado de prisão em aberto Foto: Batalhão de Choque
De acordo com informações policiais, a equipe visualizou um veículo transitando em via pública, ao checar a placa, constatou-se que o proprietário possui ordem judicial de prisão em aberto por Estupro de Vulnerável.
Os militares iniciaram acompanhamento do veículo, mas, segundo informações, perderam o suspeito de vista, pois o mesmo estava em alta velocidade. Após rondas pela região, a equipe encontrou o carro estacionado em frente à uma residência na Rua São Cristóvão e iniciou a abordagem com sinais sonoros e luminosos.
Ainda segundo os policiais, o suspeito tentou se evadir do local, mas foi capturado. A equipe informou que o motivo da abordagem era seu mandado de prisão em aberto, o suspeito disse ter conhecimento sobre a ordem judicial e foi encaminhado até a delegacia de polícia judiciária.
Caso ocorreu na tarde desta terça-feira (14) em Campo Grande. Polícia Civil investiga o caso e suspeita que os pais agrediram o menino.
Um bebê, de 1 ano e 27 dias, deu entrada na Santa Casa de Campo Grande em estado grave com traumatismo craniano e duas clavículas quebradas na tarde desta terça-feira (14). A mãe e o padrasto da criança deram versões contraditórias e, por isso, foram presos preventivamente. A Polícia Civil foi acionada para investigar o caso.
Em depoimento, a mãe do menino contou que tomava banho, quando o filho, que estava sozinho no quarto, caiu da cama. O primeiro atendimento foi em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), de onde a criança foi levada de ambulância para a Santa Casa.
Acionada pelos médicos, a polícia esteve no hospital e, em seguida, acompanhou mãe e padrasto até a casa do casal. No local, enquanto a perícia realizava atendimento, o companheiro da mulher chamou os policiais no canto e apresentou nova versão.
“Ele falou: ‘eu tinha saído para levar minha esposa, que é manicure, para fazer unha aqui perto e a criança estava sozinha. A queda aconteceu nessa hora’”, revelou o suspeito, segundo o delegado Roberto Morgado. O padrasto ainda contou à polícia que o suposto acidente aconteceu pela manhã, por volta das 7h. Porém, só no início da tarde, pouco depois das 13h, é que a mãe procurou o posto de saúde. Segundo ele, o menino não havia apresentado ferimentos, após a queda, mas que percebeu piora ao longo da manhã.
“Ele tentou justificar os ferimentos dizendo que fez massagem cardíaca e respiração boca a boca”, informou o delegado.
Roberto Morgado destacou que os exames periciais vão ajudar a polícia a entender o que aconteceu com o menino. Mãe e padrasto foram presos por abandono de incapaz e fraude processual, porque combinaram o depoimento deles. Caso agressões sejam identificadas, eles podem responder por maus-tratos.
Pai desconhece às agressões O pai da criança, que não foi identificado, esteve na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), na manhã desta quarta-feira (15), para prestar depoimento. O pai da criança está como responsável pelo bebê, após a mãe e o padrasto serem presos por abandono de incapaz.
Ele contou ter sido pego de surpresa com a ligação da mãe do filho, falando sobre os ferimentos. Na Santa Casa, ele foi alertado pelos médicos. “Na verdade ele [o médico] não usou a expressão espancamento, ele usou a expressão tortura. Meu filho está com marcas no pescoço, como se alguém tivesse enforcado ele”, revelou.
De acordo com o boletim médico, o bebê segue interno no leito da área vermelha da pediatria, sedado, respirando por ajuda de aparelhos, mas estável.
A urgência em melhorar a rede de proteção às crianças e adolescentes foi o ponto principal de Audiência Pública, promovida pela Câmara Municipal de Campo Grande na manhã desta quarta-feira (15). O debate sobre o tema veio à tona depois da morte da menina Sophia, aos 2 anos, no dia 26 de janeiro, depois de sofrer várias agressões. Foram encaminhadas dez providências para aperfeiçoar essa assistência e, desta forma, evitar a repetição de crimes semelhantes, que poderiam ter sido evitados.
A Audiência foi convocada pelo vereador Coronel Villasanti, presidente das comissões permanentes de Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente e de Segurança Pública, e da vereadora Luiza Ribeiro, presidente da Comissão Permanente de Políticas e Direitos das Mulheres, de Cidadania e Direitos Humanos. O debate foi secretariado pelo vereador Prof. André Luís. Bastante emocionado, o pai de Sophia, Jean Ocampos, declarou “agradeço por estarmos aqui e lutarmos por justiça para minha filha”. Ele acompanhou a audiência ao lado do companheiro, Igor Andrade. Eles e outros familiares assistiram o debate com camisetas com a foto da filha e dizeres de “Justiça por Sophia”.
Audiência foi convocada pelo vereador Coronel Villasant e pela vereadora Luiza Ribeiro
Representantes da Justiça Estadual, Defensoria Pública, Ministério Público Estadual, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Secretaria Estadual de Segurança Pública, Polícia Civil, Secretaria Municipal de Saúde, Assembleia Legislativa, Conselho Tutelar, Conselhos de Defesa das Crianças e Adolescentes e várias entidades representativas dos direitos da infância participaram do debate.
Ao final, o vereador Coronel Villasanti apresentou os encaminhamentos da Audiência, com base nas falas de todos os presentes: 1) melhoria da capacitação contínua dos profissionais da saúde, segurança, assistência social, educação e Conselho Tutelar; 2) melhoria da escuta especial; 3) ampliação do número de Conselhos Tutelares para pelo menos nove (atualmente são cinco); 4) criação do Centro Integrado da Criança e Adolescente, onde todos estarão atuando juntos no mesmo prédio acelerando atendimento. Os vereadores comprometeram-se a buscar recursos com a bancada federal para o prédio; 5) fiscalização frequente pela recém criada Comissão de Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente, composta pelos vereadores Coronel Villasanti (presidente), Clodoilson Pires (vice-presidente), Ayrton Araujo, William Maksoud e Paulo Lands; 6) solicitação à Delegacia Geral de Polícia Civil para plantão 24 horas na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente; 7) melhorar estrutura dos conselhos tutelares; 8) campanha para divulgar a rede de proteção; 9) criar alerta no sistema E-saj para garantir prioridade no sistema judicial nos casos de crianças de situação de risco; 10) Avaliar alteração na forma de escolha de conselhos tutelares, para que seja realizado concurso público.
“É preciso aumentar a rede de proteção para que casos como da pequena Sophia não voltem a acontecer”, disse Villasanti. No começo da Audiência, a defensora pública Neyla Mendes, presidente Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana, relatou as nove chances perdidas para que a vida de Sophia fosse salva, entre as buscas ao Conselho Tutelar, Polícia Civil, Defensoria Pública e os atendimentos médicos realizados. “É necessário que os órgãos que falharam estabeleçam protocolos internos para que isso não volte a ocorrer”, afirmou. Durante o relato, integrantes do Fórum Permanente pela Vida das Mulheres e Crianças, citaram as legislações pertinentes e as normas que deveriam ter sido seguidas em cada uma das situações.
A vereadora Luiza Ribeiro comentou que os serviços da rede de proteção à criança precisam estar mais bem articulados, mesmo que haja a necessidade de ampliar a estrutura. “A menina Sophia teve quase dez chances de ser salva porque o pai procurou os serviços adequadamente. Foi ao Conselho Tutelar duas vezes, procurou a Delegacia, juiz e promotor souberam do caso dela, assim como saúde, assistência social. E toda essa rede não foi capaz de salvar a vida dela. Precisamos entender as falhas da rede e assumir essa responsabilidade de proteção da criança”, disse.
Melhorias – O presidente do Conselho Municipal da Criança e Adolescente, Márcio Benites, reiterou que a rede toda tem que funcionar. “Temos problema da implantação da sala de escuta, prevista na lei Henry Borel, de 2022”, afirmou, mencionando a legislação que prevê essa rede de proteção e uma série de ações para garantir a proteção das crianças. Carla Rodrigues, representante o Conselho Estadual da Criança e Adolescente, cobrou que o “discurso da intersetorialidade vá além”, solicitando que a rede de proteção se coloque na posição do pai e da família.
Representando a Pastoral do Menor, Márcia Gomes, questionou as deficiências para proteção da criança. Lembrou ainda da menina Isadora, conhecida como Estrelinha, de apenas 11 anos, que foi estuprada e morta em Campo Grande em dezembro do ano passado. “Precisamos que seja efetiva a intervenção para não termos mais crianças com as vidas ceifadas”, afirmou. Ela questionou o fato de as duas vítimas recentes morarem em áreas urbanas, com vizinhança próxima. Ainda, a questão do curto atendimento e acompanhamento das denúncias realizadas.
Mateus Firmino, representando o Comitê da Enfrentamento à Violência Sexual, lembrou que os primeiros a identificarem a violação, podem ser o professor, o agente comunitário de saúde. “A família é responsável por garantir direitos sociais não está sozinha obrigação de proteger a criança”, afirmou. Ele lembrou ainda que tem toda uma estrutura nos bairros, de assistência e qualidade de vida, que precisa ser garantida à criança pelo poder público.
Barbara Nicodemos, do Conselho de Assistência Social, declarou que estão discutindo crimes e que todos os dias estão estampados casos. “Tivemos há pouco tempo o caso da menina Estrelinha e logo na sequência da Sophia. Precisamos agir como profissionais e agentes públicos. Nossa rede é fragilizada. Nossa rede deve ser institucional. Acredito nas Audiências para que a gente mostre à sociedade que precisamos agir nas políticas públicas”, disse.
Segurança Pública – A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sejusp), Polícia Civil e poder público municipal pretendem ativar, de imediato, o atendimento especializado para crianças e adolescentes 24 horas na Casa da Mulher Brasileira, voltada para denúncias de mulheres vítimas de violência. Posteriormente, deve ser implementado na Capital o Centro Integrado de Atendimento da Infância e Juventude. “Isso nunca será para a polícia e poder público mais um caso de homicídio. Sempre será tratado como uma vida muito importante. A gente sabe a dimensão do amor e tenta mensurar o tamanho dessa dor. Quero dizer que sabemos que sempre haverá algo a mais a se fazer, a melhorar, tentaremos encontrar a falha”.
O coronel Ary Carlos Barbosa, secretário-adjunto da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública, afirmou que todas as vezes que a polícia foi acionada as demandas foram atendidas. “Não podemos deixar para a segurança pública o fim. Todas as vezes em que fomos demandados a família foi atendida. Temos leis que saúde deve informar se a criança tem sinais de violência e, conforme os laudos, foram dois casos, sendo o último do óbito”, declarou.
O deputado estadual Pedro Kemp, representando a Assembleia Legislativa, demonstrou preocupação quando o poder público apenas joga para a sociedade essa responsabilidade e ressaltou que as legislações estabelecem a criança como prioridade absoluta. “Quando fala que é dever da sociedade, é obrigação do vizinho denunciar maus tratos, do professor denunciar, do enfermeiro, do médico denunciar quando atende a criança com sinais de maus tratos. A omissão mata! Agora, o poder público tem suas responsabilidades e temos que cobrar essas responsabilidades”, afirmou. Ele acrescentou ainda que faltam 9 mil vagas na educação infantil.
Judiciário – Atualmente, 170 crianças estão afastadas de suas famílias em Campo Grande, vivendo no serviço de acolhimento, pois tiveram seus direitos violados pelos seus familiares. O dado foi repassado pela juíza Katy Braun do Prado, da Vara da Infância, da Adolescência e Idoso de Campo Grande. “Infelizmente, Sophia não é primeiro nem último”, afirmou. Devido ao segredo de justiça dos casos, ela referiu-se ao que é de conhecimento na imprensa: “nossa rede não atende a demanda do município”, salientou. Ela lembrou de ação judicial para criação de mais três conselhos tutelares em Campo Grande, que ainda não foi cumprida e prevê multa diária. “É indispensável que tenham estrutura para trabalhar”, disse. Ela falou ainda que o Centro Integrado iria melhorar esse trabalho, citando exemplo que o exame de corpo delito em Sophia poderia ter sido feito na hora.
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Maria Isabel Saldanha, disse que o pai não foi bem orientado na Defensoria Pública sobre pedido de guarda. Ela questionou ainda o fato de que ninguém orientou o pai sobre o pedido de medida protetiva, que poderia ter sido solicitado. Pontuou ainda que o pai se sentiu discriminado. “Não deram ouvido para um pai falando”, disse. Jean contou que levou áudio, fotos com hematomas e até mesmo a criança com a perna quebrada, acrescentou ainda que o companheiro Igor não foi ouvido nos depoimentos. Maria Isabel criticou ainda o familismo, em que ocorre a proteção da família acima da proteção da criança, além do endeusamento da mãe, como se também não fossem autoras de maus tratos.
A defensora pública Débora Paulino lembrou que existia em Campo Grande o Centro de Atendimento às Crianças, que foi fechado, além do Programa de Proteção às crianças, que foi desativado. “Já estivemos aqui na Câmara falando desse tema. Precisamos discutir o que iremos avançar”, afirmou. Ela lembrou de algumas medidas da Defensoria, com ações e mutirões para pais que buscam vagas em escolas. Ainda informou que o casal (Jean e Igor) não foi barrado na Defensoria, sendo orientado sobre a documentação que precisariam apresentar para judicialização do caso.
“Seja qual for a estrutura, essa instituição jamais vai se furtar do seu papel, do seu dever. O Conselho deve ser acionado quando a omissão traz violação de direitos. Se mais de 40 mil atendimentos foram feitos, algo está errado na nossa sociedade”, declarou Adriano Vargas, presidente do Conselho dos Conselheiros Tutelares. Ele relatou sobre a rede de assistência e sobre os casos atendidos diariamente, de falta de vaga em escola, criança abandonada, estuprada, que sofre negligência ou maus tratos.
Projetos – O vereador Coringa comentou da necessidade de colocar as pautas em ação. “Olha o tanto de gente envolvida numa rede forte, que precisa dar certo”, afirmou. Ele apresentou projeto de lei para criação do Programa Municipal de Defesa da Criança e Adolescente em Situação de Risco, com implantação da Patrulha Sophia Ocampos, no modelo da Patrulha Maria da Penha, que já salvou muitas vidas. “Criança em situação de risco estará sendo monitorada com equipe especializada”, disse, mencionando a necessidade de orçamento essas ações.
O vereador Dr. Victor Rocha citou a importância de todos discutirem essas melhorias para proteção das crianças. “Precisamos avaliar o que podemos mudar, buscar de solução para que esses casos não se repitam”, disse. O vereador Paulo Lands ressaltou que a criança dá sinais e relatou que no seu trabalho como professor sempre encaminhou à coordenação casos em que percebia algo diferente. “Temos meios para denunciar sem aparecer. Melhor denunciar do que ter a notícia e ver que estava do lado e não fez nada. Essa causa e luta é de todos”, afirmou.
Caso Sophia – Com apenas dois anos e 7 meses, a menina Sophia foi morta no dia 26 de janeiro deste ano. A mãe da menina, Stephanie de Jesus da Silva, e o padrasto da criança, Christian Campoçano Leitheim, estão presos e são acusados de homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e por se tratar de vítima menor de 14 anos. Também há a denúncia de estupro e omissão de socorro. A menina já estava morta há pelo menos sete horas quando foi levada ao posto de saúde pela mãe, conforme laudos da polícia. Laudos apontaram que a menina sofreu traumatismo raquimedular na coluna cervical e foi constatada violência sexual anterior. O inquérito policial foi encaminhado ao Poder Judiciário no dia 3 deste mês. Uma série de omissões e falhas vieram à tona. O pai da menina Jean Carlos Ocampos já tinha enfrentado longa batalha para denunciar os maus-tratos sofridos pela criança. Dois boletins de ocorrência denunciando as agressões foram registrados, em 31 de dezembro de 2021 e 22 de novembro de 2022, na Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DEPCA). O pai ainda esteve por duas vezes no Conselho Tutelar, solicitando que as denúncias de agressões fossem apuradas. Ele queria a guarda da menina, mas na Defensoria Pública foi informado que precisaria reunir provas sobre a violência. A menina ainda passou por 30 atendimentos médicos e, em um deles, tinha fraturado a tíbia.
Nesta quarta-feira (8), por volta das 12h, uma criança de apenas três anos foi atacada por um cachorro da raça Pitbull na Rua Projetada A-4, no Jardim Primavera, em Dourados a 235 km de Campo Grande. O caso foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), nesta quinta-feira (9).
De acordo com informações policiais, a avó da criança relatou que ambas estavam em frente a casa da sua filha, quando o cachorro do vizinho escapou e atacou a neta.
O animal teria atacado a criança por trás, atingindo a sua cabeça e causando lesões graves.
A menina foi atendida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e encaminhada para o Hospital da Vida, onde passou por uma cirurgia de reconstituição capilar. Informações do boletim de ocorrência apontam que o dono do animal não quis prestar auxílio.
O caso foi registrado como Omissão de Cautela na Guarda ou Condução de Animais; e Lesão Corporal Culposa.