Aliados de Simone Tebet defendem que ela transfira título para SP

Aliados da ministra do Planejamento Simone Tebet (MDB) têm debatido estratégia para que ela transfira o título eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo.

Simone Tebet (MDB) durante cerimônia de posse no Ministério do Planejamento – Pedro Ladeira-5.jan.2023/Folhapress

A emedebista concentrou quase 1/3 de seus votos da disputa presidencial no estado e disse, durante a campanha, que provavelmente não seria ministra de Lula (PT), já que isso poderia comprometer seu futuro político no Mato Grosso do Sul, onde o antipetismo tem força.

A discussão deve se alongar, já que as próximas eleições acontecerão em 2024, das quais ela não deve participar. Dois anos depois ocorrerão as disputas pelo Senado e pela Presidência.

Aliados de Riedel prometem que não vão recuar ‘nem um milímetro’

Candidato a governador conversou ontem (5) com integrantes do Republicanos e demais convidados, que reforçam apoio à Eduardo Riedel e concordância com suas ideias

Candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB) continua recebendo de seus aliados o mesmo apoio com que contou no primeiro turno das eleições, reforçando a concordância com suas ideias e bandeiras, além de manter o compromisso firmado para essas eleições na coligação Trabalhando Por Um Novo Futuro.

Vamos trabalhar por esse projeto, frisou Wilton Acosta, líder dos Republicanos Foto Saul Schramm

“Não vamos recuar um milímetro no nosso compromisso. Estamos unidos mesmo nas adversidades. Vamos para a rua trabalhar por esse projeto”, frisa a liderança do Republicanos, Wilton Acosta, em encontro de Riedel com diversos aliados ontem (5).

Todos ali presentes demonstraram entusiasmo com o trabalho a ser feito nos próximos 24 dias, até a chegada da data da votação, no dia 30 de outubro. “Nessa caminhada a gente identifica quem é parceiro, companheiro, e compartilha das mesmas ideias. Principalmente nos momentos difíceis é que vemos isso”, discursa Riedel, que completa: “A reflexão que temos é que o nosso ideal está preservado. Aos que foram leais em todos os momentos, vou ser sempre grato. Eu vou ser governador no ano que vem e vou precisar de vocês para conduzir o Governo do Estado”, destaca o candidato.

Eduardo Riedel ainda aproveitou a oportunidade para destacar que, apesar de “quererem emplacar palavras” em sua boca, ele segue apoiando o presidente Jair Bolsonaro (PL) a reeleição. “Nunca mudei minhas convicções. Não mudei minha posição”.

A MELHOR OPÇÃO

Além de lideranças políticas, o encontro de ontem – realizado em Campo Grande – contou também com a presença de convidados chamados por esses aliados. Uma das presentes ali foi a vendedora Maristela Santos de Jesus, 30 anos, que nessa reta final eleitoral escolheu por Riedel, acreditando ser ele a melhor opção para o Estado.

“Ele defendeu princípios que eu defendo. Confesso que no primeiro turno eu não votei nele, acompanhando minha família, mas ouvi as propostas, as ideias dele, e compactuo com essas bandeiras. O jogo agora virou e minha família toda é Eduardo Riedel”, afirma a eleitora, casada, mãe de três filhos e integrante da Assembleia de Deus Missões.

Simone Tebet diz que não vai se omitir no 2º turno e pede definição de partidos aliados

Terceira colocada na disputa presidencial, a senadora Simone Tebet (MDB) afirmou neste domingo (2) que não vai se omitir e cobrou pressa das direções das legendas da sua aliança -MDB, PSDB e Cidadania- sobre quem apoiar no segundo turno.

Simone Tebet, que ficou em terceiro, na disputa pela Presidência Foto Divulgação

Em entrevista na noite deste domingo (2), a senadora pelo Mato Grosso do Sul adiantou que já tomou uma posição sobre quem endossar, em falas interpretadas como sinalização de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Não esperem de mim omissão. Tomem logo a decisão, porque a minha está tomada”, afirmou a jornalistas, em pronunciamento na sede do comitê de campanha em São Paulo.

Tebet terminou as eleições com cerca 4,1% das intenções de voto. O desempenho foi comemorado por sua campanha, principalmente porque ela ficou à frente do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que teve cerca de 3% dos votos válidos.

A senadora deixa o primeiro turno com uma fatia do eleitorado que será cobiçada pelas campanhas de Lula e do atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL), que disputarão o segundo turno.

O petista teve 48,8% dos votos válidos, contra 43,3% de Bolsonaro.

Apesar de os votos de Tebet serem cobiçados, a transferência desse capital político é incerta. Aliados de Bolsonaro, por exemplo, consideram que a maioria dos que hoje a apoiaram tem perfil conservador e tende a migrar para o mandatário.

Tebet iniciou a campanha contestada até mesmo por aliados e tentou se apresentar como o nome capaz de romper a polarização entre PT e bolsonarismo.

Ela reforçou a mensagem ao votar neste domingo, em Campo Grande (MS).

“Lamentavelmente, a polarização ideológica contaminou a alma do povo brasileiro. Nossa candidatura buscou o caminho do meio, com equilíbrio e soluções reais”, afirmou a candidata.

A senadora ainda classificou o pleito deste ano de atípico. “De alguma forma, o eleitor deu um voto no escuro, pois os líderes nas pesquisas não apresentaram o que vão fazer, e os debates foram marcados por ataques pessoais.”

Desde o início, a candidatura enfrentou resistências dentro do próprio MDB. Alguns membros do partido defendiam a desistência para que recursos e esforços fossem destinados à eleição de uma bancada forte no Congresso. Alas da sigla também pressionavam pelo apoio a um dos dois favoritos na corrida presidencial. O grupo mais forte e mais vocal era favorável a Lula.

Já durante a campanha, a senadora levantou o tom em relação aos correligionários que não a apoiavam, apontando que o MDB era “muito maior que meia dúzia de políticos e seus caciques”, e repetiu algumas vezes que tinham tentado “puxar o tapete” dela.

A emedebista enfrentou inicialmente dificuldades para subir nas pesquisas de intenção de voto. A situação mudou após o debate exibido na TV Bandeirantes, durante o qual foi atacada e protagonizou um confronto com Bolsonaro. A senadora também terminou se destacando nos outros dois debates sequentes.

Enquanto Ciro derreteu depois da campanha pelo voto útil, Tebet manteve índice próximo ao indicado pelas pesquisas, de cerca de 5%. A cifra vinha se repetindo em diferentes levantamentos.