Em outubro, 29 partidos entram na grande “guerra” eleitoral

Brasileiros vão às urnas escolher prefeitos, vices e vereadores em mais de 5,5 mil municípios

Mais de 157 milhões de eleitores estarão aptos a votar este ano nas disputas municipais brasileiras. Nada menos que 5.568 prefeituras e igual número de Câmaras de Vereadores serão disputadas este ano em todo o Brasil. Nas eleições de 2020, havia 58.208 vagas de vereadores no País.

Desde novembro do ano passado o Brasil tem 29 partidos políticos legalizados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O mais recente, o PRD (Partido Renovação Democrática), nasceu em novembro de 2023 com a fusão entre o PTB e o Patriota. Com 1,3 milhão em seus quadros, já é o terceiro maior partido brasileiro em número de filiados.

As eleições brasileiras têm um ou dois turnos. O segundo turno só é realizado nos municípios com mais de 200 mil eleitores e se a soma de votos do vencedor do primeiro turno não for maior que os votos somados dos concorrentes. O primeiro turno será no dia 6 de outubro e o segundo três semanas depois, no dia 27.

PARA CONCORRER

As candidaturas serão escolhidas nas convenções partidários, cujas datas estão agendadas para o período de 20 de julho a 05 de agosto deste ano. Os candidatos escolhidos nas convenções partidárias terão até o dia 15 de agosto para registrar os nomes na Justiça Eleitoral. A idade mínima exigida para candidatas e candidatos a prefeito é de 21 anos e, para a Câmara Municipal, 18 anos.

Para se candidatar a qualquer dos cargos eletivos, a pessoa não pode ter qualquer condenação na Justiça transitada em julgado – ou seja, possuir ficha limpa. Além disso, deve comprovar também nacionalidade brasileira, alfabetização, alistamento e domicílio eleitoral no município em que pretende concorrer há pelo menos seis meses antes do pleito e filiação partidária aprovada pelo partido no mesmo prazo do domicílio.

Presos em invasões receberam dinheiro de partidos bolsonaristas nas eleições

Ao menos sete dos detidos se candidataram e receberam R$ 180,8 mil de fundos repassados por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro

Entre os bolsonaristas presos por atos terroristas em Brasília no dia 8 de janeiro, alguns possuem estrita relação com a política. Dos dez detidos que se candidataram, ao menos sete chegaram a receber dinheiro de partidos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Jair Bolsonaro em evento do PL Foto: Adriano Machado / Reuters

Segundo apuração do jornal Folha de S. Paulo, os presos receberam R$ 180,8 mil de fundos, como o eleitoral e partidário. O montante foi repassados por aliados bolsonaristas, como o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL).

A vereadora Odete Correa (PL-SC), de Bom Jesus (SC), é um exemplo. Ela tentou sem sucesso se eleger deputada estadual e teve sua campanha irrigada com R$ 58,9 mil. Desse total, R$ 35 mil foram repassados pela deputada federal Daniela Reinehr (PL-SC); R$ 13,9 mil, do já citado governador Jorginho Mello; e R$ 10 mil, de Valdir Colatto (PL-SC) – todos do partido de Jair Bolsonaro.

Outro exemplo é o de Maria Elena Passos (PL-ES), eleita suplente de deputada estadual. Maria Elena recebeu R$ 6,5 mil do senador eleito Magno Malta (PL-ES), aliado fiel de Bolsonaro, e R$ 30 mil da própria direção nacional do PL.

Dentro do grupo, alguns candidatos chegaram a publicar imagens comprovando a participação nos atos golpistas do dia 8. Oziel Lara dos Santos (Patriota-SC), conhecido como ‘Fuzileiro Oziel Santos’, recebeu R$ 10 mil do partido para sua campanha a deputado estadual. Ele perdeu a eleição. Em Brasília, Oziel fez uma live mostrando a depredação no Palácio do Planalto.

Defesas
Daniela Reinehr, que repassou verba para a campanha de Odete Correa, afirmou que repassou valores para quase todas as mulheres candidadas ao Legislativo pelo partido durante a campanha eleitoral. Já o PL informou que abriu processo interno para apurar a participação de filiados nos atos golpistas e que expulsará aqueles que “comprovadamente” praticaram crimes.

As siglas Patriota, PMN, PRTB, Solidariedade e Democracia Cristã também aparecem com filiados nas ações terroristas. Até o momento, as legendas não se manifestaram.

Resultado das urnas
De dez bolsonaristas mencionados pela reportagem, ninguém foi eleito. Cinco conseguiram apenas vagas de suplente.

Simone Tebet diz que não vai se omitir no 2º turno e pede definição de partidos aliados

Terceira colocada na disputa presidencial, a senadora Simone Tebet (MDB) afirmou neste domingo (2) que não vai se omitir e cobrou pressa das direções das legendas da sua aliança -MDB, PSDB e Cidadania- sobre quem apoiar no segundo turno.

Simone Tebet, que ficou em terceiro, na disputa pela Presidência Foto Divulgação

Em entrevista na noite deste domingo (2), a senadora pelo Mato Grosso do Sul adiantou que já tomou uma posição sobre quem endossar, em falas interpretadas como sinalização de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Não esperem de mim omissão. Tomem logo a decisão, porque a minha está tomada”, afirmou a jornalistas, em pronunciamento na sede do comitê de campanha em São Paulo.

Tebet terminou as eleições com cerca 4,1% das intenções de voto. O desempenho foi comemorado por sua campanha, principalmente porque ela ficou à frente do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que teve cerca de 3% dos votos válidos.

A senadora deixa o primeiro turno com uma fatia do eleitorado que será cobiçada pelas campanhas de Lula e do atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL), que disputarão o segundo turno.

O petista teve 48,8% dos votos válidos, contra 43,3% de Bolsonaro.

Apesar de os votos de Tebet serem cobiçados, a transferência desse capital político é incerta. Aliados de Bolsonaro, por exemplo, consideram que a maioria dos que hoje a apoiaram tem perfil conservador e tende a migrar para o mandatário.

Tebet iniciou a campanha contestada até mesmo por aliados e tentou se apresentar como o nome capaz de romper a polarização entre PT e bolsonarismo.

Ela reforçou a mensagem ao votar neste domingo, em Campo Grande (MS).

“Lamentavelmente, a polarização ideológica contaminou a alma do povo brasileiro. Nossa candidatura buscou o caminho do meio, com equilíbrio e soluções reais”, afirmou a candidata.

A senadora ainda classificou o pleito deste ano de atípico. “De alguma forma, o eleitor deu um voto no escuro, pois os líderes nas pesquisas não apresentaram o que vão fazer, e os debates foram marcados por ataques pessoais.”

Desde o início, a candidatura enfrentou resistências dentro do próprio MDB. Alguns membros do partido defendiam a desistência para que recursos e esforços fossem destinados à eleição de uma bancada forte no Congresso. Alas da sigla também pressionavam pelo apoio a um dos dois favoritos na corrida presidencial. O grupo mais forte e mais vocal era favorável a Lula.

Já durante a campanha, a senadora levantou o tom em relação aos correligionários que não a apoiavam, apontando que o MDB era “muito maior que meia dúzia de políticos e seus caciques”, e repetiu algumas vezes que tinham tentado “puxar o tapete” dela.

A emedebista enfrentou inicialmente dificuldades para subir nas pesquisas de intenção de voto. A situação mudou após o debate exibido na TV Bandeirantes, durante o qual foi atacada e protagonizou um confronto com Bolsonaro. A senadora também terminou se destacando nos outros dois debates sequentes.

Enquanto Ciro derreteu depois da campanha pelo voto útil, Tebet manteve índice próximo ao indicado pelas pesquisas, de cerca de 5%. A cifra vinha se repetindo em diferentes levantamentos.