Em MS, 16,9 mil pessoas receberam pagamentos indevidos do Auxílio Brasil

O trabalho constatou que algumas famílias incluídas no Auxílio Brasil – de novembro de 2021 a outubro de 2022 – apresentavam indicativo de impedimento ou de inelegibilidade para o recebimento do benefício

Devido a irregularidades, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), mandou cancelar o pagamento do Auxílio Brasil para 16.941 beneficiários em Mato Grosso do Sul.

Dinheiro, Bolsa Família, Auxílio Brasil, benefícios sociais — Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

As inconsistências que levaram à suspensão dos pagamentos foram levantadas em relatório formulado pela Controladoria-Geral da União (CGU), publicado nessa segunda-feira (15).

Além de avaliar o processo de conversão do Auxílio Brasil, instituído em substituição ao Bolsa Família, o trabalho buscou verificar a elegibilidade das famílias habilitadas, bem como a eficácia dos controles para a concessão e a administração dos benefícios.

A auditoria também estimou o impacto financeiro de eventuais fragilidades na geração das folhas de pagamentos do Programa.

O trabalho constatou que algumas famílias incluídas no Auxílio Brasil – de novembro de 2021 a outubro de 2022 – apresentavam indicativo de impedimento ou de inelegibilidade para o recebimento do benefício. Foram sinalizadas falhas pontuais de controle na verificação da situação das famílias beneficiadas no período analisado.

Também foram identificados casos de beneficiários falecidos e famílias com renda per capita acima da definida pelo programa como elegível.

Números

As falhas de controle identificadas pela auditoria podem ter gerado o pagamento indevido do PAB a cerca de 367 mil famílias, em média, por mês, no período de janeiro a outubro de 2022. A possibilidade de pagamento indevido é da ordem de R$ 171 milhões por mês, o que totaliza, no período, R$ 1,71 bilhão.

Os resultados dos testes realizados indicam uma média mensal de 820.908 benefícios liberados indevidamente no período de 01/2022 a 10/2022, totalizando 8,2 milhões de parcelas do benefício liberadas a 2.285.506 famílias distintas e que representaram mais de R$ 3,8 bilhões disponibilizados no período avaliado.

Com base nos dados da auditoria, a CGU indicou ao MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), órgão responsável pela gestão do PAB, a adoção de providências que constam de nove recomendações para sanar as impropriedades verificadas pelo órgão de controle.

Dentre as recomendações destaca-se a necessidade de reavaliação da situação das famílias que ingressaram no programa e que possuíam indicativo de impedimento ou de inelegibilidade ao recebimento, adotando, quando necessário, ações para bloqueio, cancelamento e/ou ressarcimento de benefícios.

Bolsa Família: ministro vê indícios de que 2,5 milhões recebem indevidamente o benefício

Para Wellington Dias, o governo Bolsonaro promoveu uma ‘bagunça’ no Cadastro Único com objetivos eleitorais

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), disse nesta quinta-feira 9 que a pasta tem indícios de que cerca de 2,5 milhões de pessoas recebem o Bolsa Família indevidamente. Ele destacou ainda que a revisão dos dados do programa deve ser concluída nos próximos dias e será apresentada ao presidente Lula (PT).

Lula e Wellington Dias. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Temos um foco de mais ou menos 10 milhões de beneficiários que estão na linha da avaliação dessa revisão do cadastro. Acreditamos que mais ou menos 2,5 milhões destes que recebem têm grandes indícios de irregularidade”, afirmou.

Para o ministro, o governo de Jair Bolsonaro (PL) promoveu uma ‘bagunça’ no Cadastro Único para melhorar sua avaliação entre os beneficiários do programa, sem observar critérios técnicos.

“Foi desmantelado o cérebro do Cadastro Único. É como se tivesse uma bagunça para perder o controle”, prosseguiu. “Temos, infelizmente, pessoas com renda elevada, com nove salários mínimos, recebendo Bolsa Família. E pessoas sem renda, com fome, que não conseguem acessar”.

As suspeitas de irregularidades no cadastro de beneficiários do Auxílio Brasil já haviam sido identificados pelo Tribunal de Contas da União e pela própria equipe de transição. Um parecer da área técnica da Corte, cujo teor foi revelado pelo jornal O Globo, apontou pagamentos indevidos na inclusão de 3,5 milhões de famílias em agosto, sob o pretexto de zerar a fila.

 

Presos em invasões receberam dinheiro de partidos bolsonaristas nas eleições

Ao menos sete dos detidos se candidataram e receberam R$ 180,8 mil de fundos repassados por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro

Entre os bolsonaristas presos por atos terroristas em Brasília no dia 8 de janeiro, alguns possuem estrita relação com a política. Dos dez detidos que se candidataram, ao menos sete chegaram a receber dinheiro de partidos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Jair Bolsonaro em evento do PL Foto: Adriano Machado / Reuters

Segundo apuração do jornal Folha de S. Paulo, os presos receberam R$ 180,8 mil de fundos, como o eleitoral e partidário. O montante foi repassados por aliados bolsonaristas, como o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL).

A vereadora Odete Correa (PL-SC), de Bom Jesus (SC), é um exemplo. Ela tentou sem sucesso se eleger deputada estadual e teve sua campanha irrigada com R$ 58,9 mil. Desse total, R$ 35 mil foram repassados pela deputada federal Daniela Reinehr (PL-SC); R$ 13,9 mil, do já citado governador Jorginho Mello; e R$ 10 mil, de Valdir Colatto (PL-SC) – todos do partido de Jair Bolsonaro.

Outro exemplo é o de Maria Elena Passos (PL-ES), eleita suplente de deputada estadual. Maria Elena recebeu R$ 6,5 mil do senador eleito Magno Malta (PL-ES), aliado fiel de Bolsonaro, e R$ 30 mil da própria direção nacional do PL.

Dentro do grupo, alguns candidatos chegaram a publicar imagens comprovando a participação nos atos golpistas do dia 8. Oziel Lara dos Santos (Patriota-SC), conhecido como ‘Fuzileiro Oziel Santos’, recebeu R$ 10 mil do partido para sua campanha a deputado estadual. Ele perdeu a eleição. Em Brasília, Oziel fez uma live mostrando a depredação no Palácio do Planalto.

Defesas
Daniela Reinehr, que repassou verba para a campanha de Odete Correa, afirmou que repassou valores para quase todas as mulheres candidadas ao Legislativo pelo partido durante a campanha eleitoral. Já o PL informou que abriu processo interno para apurar a participação de filiados nos atos golpistas e que expulsará aqueles que “comprovadamente” praticaram crimes.

As siglas Patriota, PMN, PRTB, Solidariedade e Democracia Cristã também aparecem com filiados nas ações terroristas. Até o momento, as legendas não se manifestaram.

Resultado das urnas
De dez bolsonaristas mencionados pela reportagem, ninguém foi eleito. Cinco conseguiram apenas vagas de suplente.