Receita Federal investiga 374 pessoas de MS por sonegação

O esquema teria sonegado R$ 5,6 milhões em pagamentos fictícios, envolvendo 713 declarações à Receita Federal

A Receita Federal está investigando 374 contribuintes de Mato Grosso do Sul, por envolvimento em falsas deduções na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física. O esquema, que pode ter o envolvimento de 8 profissionais da área da saúde, a maioria médicos, teria sonegado R$ 5.674.482 em pagamentos fictícios distribuídos em 713 declarações.

Viaturas da Receita e da Polícia Federal durante Operação “Patógeno” (Foto: Divulgação/Receita Federal)

Em todo o país são investigados contribuintes que tentaram fraudar o imposto de renda, nos exercícios de 2018 a 2022. As fraudes são de aproximadamente R$ 350 milhões em despesas de saúde fictícias para 472 profissionais liberais.

Embora os profissionais tenham informado os recebimentos em suas próprias declarações, a comparação com outros dados fiscais, patrimoniais e financeiros levou a Receita a suspeitar que os pagamentos eram fictícios.

Nesta quinta-feira (4), a Receita Federal deu início à Operação “Patógeno”, em alusão ao organismo capaz de causar doença em um hospedeiro. A comparação com outros dados fiscais, patrimoniais e financeiros levantou as suspeitas de fraude. O órgão tem cinco anos para realizar a auditoria, por isso, os dados são entre 2018 e 2022

Em um dos casos, um fisioterapeuta de Mato Grosso declarou, em 2021, ter recebido R$ 4,4 milhões de clientes de sete estados diferentes. No entanto, para ele receber o montante declarado, seria necessário que trabalhasse 24 horas por dia, durante os 365 dias do ano, cobrando R$ 502 a cada hora.

Os declarantes e os profissionais de saúde investigados serão intimados para comprovar o pagamento e a prestação do serviço.

No entanto, enquanto não intimados, os contribuintes podem se autorregularizar, apresentando declarações retificadoras.

Caso não retifiquem as declarações, nem comprovem os pagamentos e a prestação dos serviços, os contribuintes estarão sujeitos ao pagamento do imposto acrescido de multa e juros, além de eventuais sanções penais e administrativas.

A Receita Federal alerta aos contribuintes que desconfiem de pessoas que dizem conhecer mecanismos para aumentar restituições de imposto de renda e recomenda que, caso o contribuinte opte por não fazer a sua própria declaração, sempre exija cópia das declarações entregues, para conferir o que foi informado.

Polícia investiga mãe que deu 3 versões diferentes sobre morte de menino de dois anos

Um menino de 2 anos morreu na madrugada desta segunda-feira (3), após ter sido “cuidado” pela tia paterna durante a tarde e entregue à mãe por volta das 3 horas da manhã. Segundo o registro policial, a criança chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros, mas morreu no hospital de Aquidauana (MS).

Conforme o delegado responsável pelo caso, Luis Fernando Domingos Mesquita, um exame necroscópico foi solicitado para verificar a real causa da morte. Durante o depoimento à polícia, a mãe, de 14 anos, apresentou três versões diferentes para explicar o caso.

Conforme o registro de ocorrência na Polícia Civil, a adolescente contou que o bebê estava na casa da tia paterna, onde iria passar a noite e, por volta das 3 horas, a parente apareceu com a criança vestida apenas com fralda, dizendo que não poderia ficar mais com o sobrinho porque iria trabalhar logo cedo.

Ao pegar o filho no colo, a mãe percebeu que ele estava gelado enrolou em um cobertor e colocou em cima da cama, momentos depois encontrou a criança com os lábios roxos. O Corpo de Bombeiros foi acionado e a criança foi encaminhada para um hospital da região.

Durante o atendimento médico, a equipe realizou massagens de reanimação, mas o menino não resistiu.

Interrogatório
Ainda conforme a Polícia Civil, a mãe da criança, a tia, os irmãos da mãe da criança, a conselheira titular, os policiais militares que atenderam a ocorrência e uma amiga da mãe da criança já foram escutados. Os atendentes dos Bombeiros que prestou o primeiro socorro e o pai da criança também vão ser ouvidos.

O caso continua em investigação para tentar elucidar a dinâmica dos fatos.

PF inicia investigação sobre onça-pintada encontrada sem cabeça em rio do Pantanal

A Polícia Federal está fazendo levantamentos preliminares sobre uma onça-pintada, encontrada sem a cabeça, boiando nas águas do rio Paraguai-Mirim, região da fazenda Morro Alegre, distante cerca de 60 km de Corumbá, na quinta-feira (16). 

Animal, sem a cabeça, boiando no rio Paraguai-Mirim

Equipes da PF e da Polícia Militar Ambiental (PMA) se deslocaram na tarde desta sexta-feira para tentar localizar o animal para necropsia.

Diego Viana, coordenador do programa Felinos Pantaneiros, do IHP, contextualizou a situação em termos ambientais e econômicos para a região.

“Com esse apoio tanto da PF e da PMA, cresce a importância da fiscalização e consciência dos pantaneiros em relação a esses fatos, além de ser um crime ambiental afeta negativamente para a imagem do Pantanal. No caso desse, de faltar a cabeça animal, só pode ter sido causado por ação humana, nenhum outro caso, como briga entre esses felinos causaria tal fato. Além de uma perda ecológica, temos prejuízo financeiro tendo em vista que temos exemplos, como na região do Porto Jofre, onde há o turismo de observações de onças-pintadas, que faturam anualmente milhões de dólares e Corumbá tem potencial para poder crescer nesse tipo de ação dentro do Pantanal”, disse Diego.

Dados de felinos mortos

De acordo com o Instituto Homem Pantaneiro (IHP), entre os anos de 2016 a 2023, foi dado apoio à PMA e PF em cinco casos de onças-pintadas mortas, em três deles, foram encontrados projéteis de arma de fogo.

Em outros dois, das onças-pintadas Jout Jout e Tiago, na Serra do Amolar, que foram regatadas em 2020, foi identificado pela equipe técnica do IHP, que no corpo delas havia projeteis de chumbo. Porém, os animais sobreviveram.

Matar onça-pintada é crime. Está previsto na Lei de Crimes Ambientais, lei federal número 9.605/1998, com pena de seis meses a um ano de prisão, além de multa.

Ligação entre venda de refinaria por preço abaixo do mercado e joias de Bolsonaro será investigada pela PF

A Polícia Federal (PF) deve investigar a relação entre a venda da refinaria Landulpho Alves, da Petrobras, e os presentes em joias dados pelo governo da Arábia Saudita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação foi confirmada pela coluna com fontes ligadas à investigação.

Segundo a fonte, a entrega dos presentes coincide com a entrega da refinaria para a Mubalada Capital, empresa de investidores dos Emirados Árabes Unidos, mas com participação de empresários da Arábia Saudita. Na época, a RLAM, como é conhecida, foi vendida por US$ 1,65 bilhão, valor abaixo que o estipulado pelo mercado.

Foto Montagem | TV Cultura

Para o advogado criminalista e colunista do iG, Antônio Carlos de Almeida Castro, Bolsonaro pode ser enquadrado em peculato e lavagem de dinheiro, mas não está descartada a hipótese de corrupção passiva. Kakay ressalta, porém, que a investigação não deve ser fácil para a PF.

“Se confirmado, você teria algo muito mais grave. Provavelmente o ex-presidente seria enquadrado em corrupção também. O que nós temos que saber é que quando envolve o príncipe, a situação fica mais complicada. Ele é cidadão que tem imunidade. Então é uma investigação difícil”, aponta Kakay.

O advogado ressalta que há indícios de interferência de Bolsonaro para conseguir ter acesso às joias apreendidas pela Receita Federal. Ele ainda lembra que a lei determina que presentes de grande valor devem ficar para a União.

“É um caso em que está amplamente certificado, através de vários documentos, de que houve uma tentativa deliberada de promover os caminhos, ou seja, de entrar com essa joia ilegalmente no país. Quando se é um presente de chefe de Estado, a lei prevê que deveria ter sido encarado como um benefício à União e, por isso, passar para o acervo do Brasil, evidentemente sem nenhum benefício pessoal”, afirma.

“Pela forma, até impressionante, de interferência do próprio Bolsonaro e o uso de ministros, chefe da Receita e outros meios para se ter acesso às joias, a configuração de crime fica clara. Então, eu acho que esse inquérito está sendo aberto para apurar os caminhos talvez lavagem, até peculato. No primeiro momento você tem a interferência do ministro e, em seguida, do chefe da Receita para dar a ‘carteirada’”, completa.

Outro fator que deve ser investigado pela força-tarefa da PF e do Ministério Público Federal (MPF) são as contradições do ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque. Na época da apreensão, Albuquerque admitiu que as joias eram para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, mas recuou após a apreensão.

“Ali foi dado a ele direito e dizer: ‘não, isso é um presente de estado. Eu vou regularizar a situação, isso vai passar paro parceiro do Brasil’, mas ele insistiu que era, na verdade, um presente pessoal. Ele não poderia ter passado por aquele local, teria que declarar e se declarasse teria que pagar alguns milhões de impostos”, ressalta o advogado.

“É um caso clássico do descaminho. O chefe da Receita faz um documento a mando do governo, abre uma exceção, a presidência manda um avião da FAB com um servidor público para buscar as joias com argumento de que não poderia passar de um governo para outro sem registrar os bens. Me parece um caso raro de comprovação de papel, de documentos, de declarações e que vai se caracterizar crime e deve haver um processo criminal”.

Kakay acredita que a investigação não deve comprometer outros processos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF) e instâncias inferiores contra Bolsonaro.

“Não existe, tecnicamente falando, nenhum impacto direto nos outros processos. O que nós temos, isso aí é o humano, o natural, que é uma sensação de certo desconforto e impacto a imagem política do ex-presidente”, explica.

Para o advogado, a ação de bloquear as joias encontradas na mochila de um assessor ministerial só foi possível pela estabilidade garantida ao funcionário público.

“É importante ressaltar o valor desse funcionário público que conseguiu bater de frente com um ministro de Estado e com seu chefe (Julio Cesar Vieira Gomes) por causa da estabilidade dos servidores que Bolsonaro e [Paulo] Guedes queriam derrubar. Se não fosse isso, ele não teria tido coragem de enfrentar. Esse cidadão tem que ser condecorado pela dignidade, responsabilidade e honestidade”, completa Kakay.

Entenda o caso

Segundo uma reportagem de “O Estado de S. Paulo”, um primeiro pacote de joias, avaliado em R$ 16,5 milhões, foram entregues pelo governo da Arábia Saudita para Michelle Bolsonaro, que visitou o país árabe em outubro de 2021. Entre os presentes, estavam um anel, colar, relógio e brincos de diamantes.

Entretanto, ao chegar ao país, as peças foram aprendidas na alfândega do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, na mochila de um assessor de Bento Albuquerque, então ministro de Minas e Energia. Ele ainda tentou usar o cargo para liberar os diamantes, entretanto, não conseguiu reavê-los, já que no Brasil a lei determina que todo bem com valor acima de US$ 1 mil seja declarado.

Diante do fato, o governo Bolsonaro teria tentado quatro vezes recuperar as joias, por meio dos ministérios da Economia, Minas e Energia e Relações Exteriores. O então presidente chegou a enviar ofício à Receita Federal, solicitando que as joias fossem destinadas à Presidência da República.

Na última tentativa, três dias antes de deixar o governo, um funcionário público utilizou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para se deslocar até Guarulhos. Ele teria se identificado como “Jairo” e argumentado que nenhum objeto do governo anterior poderia ficar para o próximo.

Bolsonaro confessa receber joias

Nesta quarta-feira (8), Jair Bolsonaro admitiu, pela primeira vez, que incorporou as joias doadas pelo governo da Arábia Saudita em seu acervo pessoal. A declaração foi dada à CNN Brasil.

Segundo Bolsonaro, apenas o segundo pacote, destinado a ele, está entre os itens pessoais. O estojo entregue ao ex-presidente conta com anel, relógio, caneta e acessórios para terno. O valor dos bens ainda não foi estimado.

O ex-presidente ainda negou saber das joias destinadas à sua esposa, Michelle Bolsonaro, apreendidas pela Receita Federal em 2021. Ele ressaltou que não pediu presentes e reafirmou não ter nada ilegal no caso.

Investigações

Além da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF), a CGU também instaurou um inquérito para investigar o caso. A Receita Federal informou que deve uma sindicância para apurar as denúncias contra o ex-chefe do Fisco, Júlio César Vieira Gomes.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle e o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque devem ser ouvidos pelos investigadores.

Nesta quarta, o Ministério Público junto ao TCU pediu a abertura de inquérito para investigar a entrada das joias no Brasil. O MP ainda quer apurar a participação de servidores no caso. O presidente da Corte, ministro Bruno Dantas, ainda não decidiu se levará, ou não, a investigação a diante.

Dois jovens morrem em colisão entre moto e caminhão durante possível ‘racha’

Webster Abreu Pereira e Michael Thiago Pereira Nunes, de 21 e 26 anos, morreram após uma colisão entre a motocicleta em que eles estavam e um caminhão, na noite de quarta-feira (1), na BR-060, em Camapuã, a 129 km de Campo Grande.

Outro jovem, de 20 anos, que pilotava uma motocicleta, também se envolveu no acidente e acabou fraturando um dos braços. A polícia investiga possível disputa de racha.

Webster e Thiago morreram no local do acidente (Foto: reprodução/Facebook)

“Estão circulando vídeos do momento anterior ao acidente, onde eles teriam combinado um racha. Mas ainda estamos apurando”, afirmou o delegado Leonardo Antunes, que registrou a ocorrência.

Em depoimento, o motorista do caminhão, de 55 anos, relatou que estava realizando ultrapassagens de caminhões parados ao lado direito da pista, com pane, quando foi atingido pela primeira moto. Foi o veículo dos jovens que acabou atingido a segunda moto.

Mesmo ferido, o piloto que estava sozinho fugiu do local do acidente. Ele procurou atendimento em hospital de Camapuã e aguardava transferência para a capital.

Boletim de ocorrência foi registrado como morte a esclarecer na Delegacia de Polícia Civil de Camapuã.

 

Corregedoria investiga procurador de vídeo postado por Bolsonaro com mentira sobre eleição de Lula

Procurador de Mato Grosso do Sul, Felipe Marcelo Gimenez, diz que as Forças Armadas devem “intervir no sistema político”

A Corregedoria da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) investiga a conduta do procurador de Mato Grosso do Sul, Felipe Marcelo Gimenez, que aparece em um vídeo postado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, na madrugada desta quarta-feira (11), com informações falsas e ataques ao sistema eleitoral. A postagem foi apagada cerca de duas horas depois.

Procurador de MS é investigado — Foto: Reprodução

No vídeo, Gimenez defendeu que as Forças Armadas devem “intervir no sistema político para restabelecer a ordem”. O ato é proibido pela Constituição Federal. O procurador também divulgou teses infundadas e já desmentidas sobre as eleições de outubro e afirmou que o povo brasileiro não tem “poder” sobre o processo de apuração dos votos.

Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado informou que o caso foi encaminhado para a Corregedoria, que instaurou uma investigação. A PGE reafirmou a confiança no processo eleitoral e respeito às autoridades responsáveis pela realização do pleito.

“A Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul, instituição essencial ao bom funcionamento do Estado Democrático, reafirma sua confiança no processo eleitoral e o respeito às autoridades estaduais e nacionais responsáveis pela sua realização, não representando a posição desse órgão eventuais manifestações individuais de integrantes de seus quadros”.

A apuração eleitoral dos votos é pública e já foi detalhada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diversas vezes. Os boletins de urna foram divulgados na internet e não houve, até o momento, uma única suspeita de fraude detectada.

A PGE informou ainda que a posição de Gimenez é individual e não representa a do órgão. “A PGE esclarece também que o procurador Felipe Gimenez não representa e não fala em nome da PGE e que não ocupa nenhuma função ou cargo de chefia, nem tem assento no Conselho Superior eleito ou qualquer outra instância deliberativa da Instituição”, diz a nota.

Bolsonaro compartilhou o vídeo a partir da postagem de uma apoiadora – o link original seguia no ar até a manhã desta quarta. De acordo com o sistema da rede social, a postagem original contabilizava 110 mil visualizações.

PF investiga suposto ataque hacker após mandado de Moraes pedindo a própria prisão

O Conselho Nacional de Justiça restringiu acessos após encontrar documento fraudado e pediu investigação

A Polícia Federal atendeu a um pedido do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e vai investigar um suposto ataque hacker no sistema do conselho. O motivo foi um mandado em nome do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a própria prisão.

Alexandre de Moraes
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Segundo a coluna de Bela Megale, do jornal O Globo, o documento foi acrescentado no sistema do CNJ, que recebe mandados de prisão da Justiça de todo o Brasil, na quarta-feira, 4. “Expeça-se o competente mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes”, diz o documento, encontrado no Banco Nacional de Mandados de Prisão.

O CNJ informou que, além de solicitar a investigação, impôs restrições temporárias ao seu sistema. Nesta quinta-feira, 5, o conselho também enviou à reportagem nota sobre a apuração. “O Conselho Nacional de Justiça informa que a inconsistência encontrada na quarta-feira (4/1), no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões, foi causada pelo uso indevido de credencial de acesso ao sistema, e já foi devidamente bloqueada.

“Até às 13h dessa quinta-feira (5/1), o sistema estará completamente restabelecido, o que já se iniciou. O fato continua em apuração pelo CNJ e pela Polícia Federal e corre em sigilo”.

MP investiga desvio de R$ 3,8 milhões em compras fraudadas por ex-servidor do Hospital Regional

Segundo a apuração do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o ex-coordenador de logística e suprimentos do Hospital Regional do estado desviou o montante por meio de fraudes nas compras de medicamentos e objetos hospitalares, como máscaras de proteção

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga um suposto esquema de desvio de R$ 3,8 milhões em compras de medicamentos e itens hospitalares, como máscaras de proteção do Hospital Regional de Campo Grande (HRMS), a maior instituição hospitalar pública do estado.

Segundo a denúncia, o ex-coordenador de logística e suprimentos do HRMS, Rehder dos Santos Batista, receberia propina de empresas vencedoras de processos licitatórios para simular a entrada e a saída de produtos no estoque da unidade.

A investigação do MPMS aponta que os medicamentos eram faturados, pagos, porém não eram entregues. O órgão também apura entregas em menor quantidade que a adquirida e de produtos falsificados no lugar dos originais.

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul é o maior do estado. — Foto: Edemir Rodrigues/Subsecom

O diretor-presidente do Hospital Regional, Livio Leite, que assumiu a instituição em 2021, disse que tem colaborado com as investigações. Durante uma semana, representantes da força-tarefa responsável pela investigação ficaram no almoxarifado colhendo informações. O representante também disse que aguarda o final do processo para solicitar a restituição de todos os valores pagos indevidamente na compra dos suprimentos em análise.

Fraudes em compras
Na semana passada, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão em imóveis de dez pessoas, entre empresários e servidores públicos, além de endereços de sete empresas de Campo Grande. Rehder foi um dos alvos, em Itajaí (SC), onde mora. O ex-coordenador foi afastado do cargo em julho de 2021 por decisão judicial.

O Ministério Público pediu a prisão Rehder, mas a Justiça não concedeu. O material apreendido na casa do ex-servidor e nas empresas está sendo analisado e periciado. Por enquanto, os investigados respondem pelos crimes de peculato (corrupção praticada com envolvimento de agente público), falsidade ideológica e entrega de mercadoria falsificada.

Nos depoimentos aos promotores, representante de uma das empresas confessou o pagamento de propina para o ex-coordenador de logística e suprimentos do HRMS. A testemunha relata que não entregou parte dos produtos comprados e que usou o valor recebido pela nota fiscal de R$ 122 mil para repassar R$ 84 mil a Rehder.

Segundo apurado pelo MPMS, o procedimento ilegal foi repetido outras três vezes. A propina era paga na empresa, mas teve uma vez que o dinheiro foi entregue no estacionamento do hospital.

Operação Parasita
A operação chamada de Parasita reúne três Procedimento Investigatório Criminal (PIC’s) baseados em denúncias recebidas pela ouvidoria do MPMS em sindicâncias do HRMS e relatórios da Controladoria Geral da União.

No primeiro procedimento, os promotores Adriano Lobo e Humberto Lapa Ferri afirmam que “agentes públicos, sob coordenação do servidor Rehder dos Santos Batista, falsamente atestaram a entrada, no estoque do HRMS, dos produtos denominados ‘Kit de imunoteste de metotrexato’, ‘pipeta pasteur polietileno 3 ml, descartável graduada, com 150mm de comprimento, caixa com 1.000 unidades’ e ‘tubo Falcon cônico, em polipropileno, opaco e graduado, não estéril e com tampa de rosca, com capacidade para 50 ml, em caixa com 500 unidades”.

Os promotores afirmam, na cautelar que pediu as buscas e apreensões, que, no caso específico do imunoteste, o ex-coordenador “formalizou uma requisição de compra de quantidade excessiva deste reagente laboratorial, muito além da demanda do hospital. Posteriormente, sob o comando do servidor Rehder, foi cadastrada a entrada fictícia do produto no sistema de informática do HRMS e, imediatamente na sequência, foi registrada no sistema de informática a saída, como se a quantia total do produto fosse instantaneamente utilizada”.

Nove mil testes foram comprados, quando o uso médio da unidade, segundo testemunhas ouvidas pelo MPMS, era de 100 unidades por período de aquisição.

Outros procedimentos de investigação
O mesmo modus operandis norteia o segundo PIC, que apura a compra, também em quantidade excessiva, de 18.000 unidades de contraste radiológico iodado não-iônico, com teor de iodo não inferior a 300 mg/ml, frasco/ampola com 50ml em maio de 2018. Uma testemunha disse que esse número seria suficiente para suprir a necessidade de pacientes durante 18 meses e, nos registros do estoque, a quantidade total foi consumida em poucos dias.

A inicial detalha o esquema: “Segundo apurado, após o registro de entrada dos quantitativos de 6.800 unidades (NF nº 12122) mais 6.000 unidades (NF nº 12114), há o imediato registro de saída do mesmo quantitativo. No mesmo mês, dias após, há o registro de entrada de mais 5.200 unidades do mesmo produto (NF nº 12123), e também há o registro da imediata saída de toda a quantidade, para local fisicamente inexistente, em verdade, trata-se de mera manipulação do sistema, com registros falsos, resultando em montante total de 18.000 unidades do produto que jamais foram entregues ao HRMS, manobra destinada a permitir o desvio de dinheiro público, aqui em valores originais de R$ 2.550.600,00 (dois milhões, quinhentos e cinquenta mil e seiscentos reais).”

Os servidores, de acordo com a apuração do MPMS, usavam subterfúgios para justificar a diferença de estoque acrescentando, no sistema de informática, informações fictícias como remessa dos produtos para locais físicos inexistentes, empréstimo dos suprimentos para as próprias empresas fornecedoras e recontagem de estoque.

O terceiro PIC analisa a compra de 20.000 máscaras N95 para o uso de funcionários do hospital. O produto foi comprado mediante dispensa de licitação e a empresa escolhida entregou produtos falsificados que não serviram por não proteger os servidores de infecções. As máscaras que custaram R$ 599.000,00 tiveram de ser descartadas.

O Ministério Público também descobriu indícios de que as empresas agiam em conluio, e não como concorrentes, para burlar os processos licitatórios. Apesar de nomes diferentes, graus de parentesco entre os sócios das diversas empresas reforçam a suspeita. Duas delas, inclusive, usavam o mesmo IP (identidade do computador) para participar dos certames.

Polícia investiga morte de recém-nascida encontrada morta no São Conrado

Para a polícia, a mãe do bebê contou que acordou por volta das 3h e encontrou a filha roxa, com sangramento no nariz.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga a morte de uma bebê de 30 dias, no Jardim São Conrado em Campo Grande. Para a polícia, a mãe da recém-nascida contou que acordou por volta das 3h, desta quarta-feira (30), e encontrou a filha roxa, com sangramento no nariz. De acordo com o boletim de ocorrência, o bebê chegou sem vida na unidade de saúde.

UPA do Jardim Leblon, em Campo Grande, para onde vítima foi levada — Foto: Prefeitura de Campo Grande/|Divulgação

Ao tomar conhecimento do caso, o médico plantonista solicitou a presença da Polícia Militar na Unidade de Pronto Atendimento (Upa) Leblon. O médico pediatra informou às autoridades que o bebê chegou morto na Upa e os pais não souberam explicar como ocorreu a morte.

Para a polícia, a mãe da criança relatou que durante a noite alimentou a outra filha, de dois anos, e a colocou para dormir. Na sequência, amamentou a recém-nascida e deitou com ela na mesma cama. Segundo o relato da mulher, a filha dormiu imediatamente.

Ainda conforme o depoimento da mãe, ela acordou por volta das 3h e encontrou a filha roxa, com sangue saindo do nariz. Foi então que pegou a criança no colo e correu para outro cômodo, pedindo ajuda da própria irmã.

A mulher contou que ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas como a ambulância estava demorando, conseguiu uma carona e foi junto com o marido e pai do bebê até a Upa Leblon.

De acordo com o registro policial, a avó materna da criança e uma vizinha da família disseram que a genitora do bebê é uma boa mãe e que não sabem sobre a criança ter sofrido maus-tratos dos pais.

Uma equipe da polícia foi até a residência onde a criança morreu. Segundo os policiais, o imóvel estava aparentemente em ordem e sem sinal de possíveis maus-tratos. O corpo do bebê foi encaminhado para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) e o caso registrado como morte a esclarecer.