Pedro Guimarães tornou-se réu por denúncias de assédio sexual e moral feitas por funcionárias da instituição A Justiça Federal de Brasília aceitou denúncia do MPF (Ministério Público Federal) e o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, tornou-se réu por denúncias de assédio sexual e moral feitas por funcionárias do banco estatal.
Ex-gerente da Caixa, Pedro Guimarães (Foto: Agência Brasil)
Os detalhes da denúncia ainda não são conhecidos, pois a ação penal contra Guimarães tramita sob sigilo. Casos envolvendo assédio, sobretudo sexual, costumam tramitar em segredo de Justiça, como forma de preservar a intimidade das vítimas.
O caso veio à tona em meados do ano passado, quando uma reportagem do portal Metrópoles revelou as acusações de assédio feitas por cinco funcionárias da Caixa à ouvidoria da instituição. Outras vítimas apareceram após a repercussão, que levou Guimarães a ser demitido da presidência do banco.
Após as revelações, o MPF passou a investigar o caso, o que resultou na denúncia agora aceita pela 15ª Vara Federal de Brasília. Na acusação, constam depoimentos captados em vídeo das vítimas, que foram interrogadas pelos procuradores responsáveis.
Com a abertura da ação penal, inicia-se uma nova fase de instrução do processo, em que acusação e defesa poderão solicitar novas diligências e, ao final, deverão apresentar as alegações finais, antes da sentença do juiz.
Guimarães é alvo ainda de um outro processo, dessa vez na seara trabalhista, no qual o MPT (Ministério Público do Trabalho) pede indenização de R$ 30,5 milhões pelos danos causados pelo ex-presidente da Caixa.
O executivo sempre negou todas as acusações. Em nota, o advogado José Luis Oliveira Lima, que representa Guimarães, disse que seu cliente é inocente e que ele confia na Justiça. “A defesa de Pedro Guimarães nega taxativamente a prática de qualquer crime e tem certeza de que durante a instrução a verdade virá à tona, com a sua absolvição”, disse o defensor.
Após os sucessivos vazamentos, a juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal, ampliou o caráter sigiloso da ação penal por assédio sexual contra o ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD). A decisão acata pedido da defesa do réu, que se queixou da publicação de detalhes do processo sigiloso nos meios de comunicação.
“Diante da manifestação defensiva, comprovando acesso a informações do processo, por terceiros e segredo de justiça já estabelecido para assegurar o direito a intimidade dos envolvidos – réus e vítimas – determino que o presente feito tramite também sob sigilo externo, no qual somente os representantes cadastros conseguem consultar os autos na íntegra. Acrescente-se a tarja correspondente”, determinou a magistrada, conforme despacho publicado nesta segunda-feira (6).
Marquinhos Trad, após depoimento na Delegacia da Mulher (Foto: Nathália Alcântara / Midiamax)
Ainda segundo o TJMS, os réus e procuradores deverão solicitar senha de acesso junto ao cartório para ter acesso aos autos.
O ex-prefeito é réu por assédio sexual.
O caso Em outubro do ano passado, a Polícia Civil indiciou o ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD) pelos crimes de estupro, importunação sexual e assédio sexual.
A Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público e ele se tornou réu por crimes contra a dignidade sexual contra sete mulheres.
As denúncias foram feitas em julho de 2023, e os atos sexuais ou tentativa de atos sexuais, em algumas ocasiões, ocorreram no gabinete da Prefeitura de Campo Grande, conforme o relato das vítimas.
Em depoimento prestado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), no ano passado, Marquinhos alegou que o caso foi “armação política” e se disse inocente.
Investigação Marquinhos Trad começou a ser investigado em julho do ano passado, quando três mulheres procuraram a Polícia Civil para se queixarem dos abusos que teriam sido praticados por ele enquanto ocupava o cargo de prefeito de Campo Grande.
No depoimento, elas afirmaram que o ex-prefeito prometia emprego em troca de relações sexuais.
Em dois casos houve relação sexual consentida com as mulheres. Mas em um deles uma das mulheres ficou assustada ao ver o ex-prefeito seminu no banheiro. Este caso foi tratado como tentativa de estupro na ocasião.
Durante a investigação, mais de 13 mulheres procuraram a Polícia Civil para se queixar de episódios abusivos envolvendo o ex-prefeito.
Ao todo, Marquinhos Trad foi denunciado por 16 mulheres por assédio sexual, tentativa de estupro e favorecimento à prostituição, entretanto, no mês passado, a defesa do ex-prefeito já havia conseguido desqualificar como vítimas 10 mulheres, restando ainda seis em investigação.
Em outubro, Trad conseguiu uma vitória parcial na Justiça de Mato Grosso do Sul. A 3ª Câmara Criminal do TJMS concedeu habeas corpus e trancamento do inquérito policial em relação a três vítimas.
Segundo o relator do último habeas corpus, desembargador Luiz Claudio Bonassini da Silva, da 3ª Câmara Criminal do TJMS, o relato de três mulheres que se disseram vítimas do ex-prefeito não configurou crime.
No entanto, o político ainda era investigado por outros três casos, que resultaram no indiciamento.
No dia 9 de setembro, Victor Hugo Ribeiro Nogueira, que era servidor comissionado do gabinete de Marquinhos Trad no período em que ele era prefeito, foi indiciado pelos crimes de corrupção ativa de testemunhas, coação no curso do processo e favorecimento à prostituição, tornando-se réu no dia 22 de agosto.
A conexão do caso de Victor Hugo com o caso de Marquinhos é que o ex-servidor teria supostamente coagido uma das vítimas a mudar sua versão em cartório.
Caso aconteceu em Florianópolis e foi flagrado por câmeras
O vereador Marquinhos da Silva (PSC) foi filmado agarrando uma colega durante uma sessão da Câmara Municipal de Florianópolis, na noite desta quarta-feira, 7. As imagens foram compartilhadas pela vereadora Carla Ayres (PT), vítima do ato, que o acusa de assédio nas redes sociais. Na publicação, a parlamentar escreveu: “No dia em que aprovamos a Procuradoria da Mulher na Câmara Municipal de Florianópolis, mas uma cena de assédio que precisamos lutar para que não ocorra nas ruas e nos parlamentos do nosso país. Não é brincadeira se só um riu”.
No vídeo, é possível ver o momento em que Carla anda pelos corredores do Plenário, quando Marquinhos a estende a mão para um cumprimento e em seguida, a puxa a força para um “abraço”. Ele ainda dá um beijo na bochecha dela. A vereadora fica incomodada e ele ri. Confira:
Nos comentários, ela recebeu apoio e diversas mensagens de repúdio ao ato. A também vereadora Carol Dartora (PT) foi uma das que declarou sua indignação. “Isso é inaceitável. A história do mundo é uma história de opressão e assédio sobre as mulheres. Há anos estamos lutando para acabar com toda essa violência. Essa luta ainda não acabou e nem vai parar. Esse sujeito precisa ser responsabilizado”, disse.
Em nota, publicada no Instagram, Marquinhos disse que recebeu com “tristeza a notícia de acusação de assédio” e que “apesar das divergências políticas” sempre demonstrou “imenso carinho e respeito dentro e fora do plenário”.
“Reconheço meu erro em abordar a vereadora de maneira inconveniente, sem a sua autorização, e diante disso peço minhas sinceras desculpas a ela e a todas as mulheres que se sentiram ofendidas pelo meu ato. Ressalto que em nenhum momento agi de maneira má-intencionada, porém, fui infeliz em invadir o seu espaço”, completou.
O vereador finaliza afirmando que levará essa “atitude equivocada como aprendizado” e diz compreender a situação, “repudiando toda forma de assédio”.
Procurada, a Câmara Municipal de Florianópolis ainda não se posicionou.
Depois de conseguir na Justiça adiar o depoimento na DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher) e tornar opcional sua presença na delegacia, como determinou a decisão da magistrada Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, o ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad foi mais uma vez denunciado por assédio.
Eleitora denunciou assédio quando Marquinhos era pré-candidato ao Governo Foto: Gerson Oliveira Correio do Estado
Este é o primeiro depois que ele renunciou ao mandato na Capital, segundo o site Midiamax
A vítima diz que o político teria cometido atos libidinosos ao visitar a empresa onde ela trabalha e pedir para fazer uma foto com ela. Era um ato da pré-campanha.
Este é o caso mais recente entre os mais de 15 relatos de mulheres que procuraram a Polícia Civil para denunciar supostos crimes sexuais por parte de Marquinhos Trad, desde quando ele era deputado estadual e durante o período em que esteve à frente da Prefeitura de Campo Grande.
Em um breve relato a que o Midiamax teve acesso, a vítima detalha que estava no trabalho quando Marquinhos Trad chegou ao local, já como pré-candidato, divulgando a candidatura ao Governo. Ele teria abordado a vítima “de forma libidinosa”.
Consta no registro que a vítima foi abraçada, de forma que os seios encostassem no acusado. Além disso, ao tirarem uma fotografia, ele teria acariciado a vítima também com intuito libidinoso, indo com as mãos até abaixo da cintura da mulher. Olhares maliciosos de Marquinhos teriam constrangido a mulher.
A Justiça já desconsiderou 10 desses casos relatados no inquérito da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) porque o entendimento jurídico foi que os crimes prescreveram ou as vítimas não representaram contra o acusado no prazo legal.
No entanto, Marquinhos Trad admitiu adultério com pelo menos duas das vítimas. Apesar de confessar as relações extraconjugais, o político nega que tenha cometido crimes sexuais e atribui as denúncias ao que chama de “armação eleitoral”.
Para o campeão de assédio no Mato Grosso do Sul, parece normal não respeitar as mulheres, a começar pela esposa. Desde de sempre teve comportamento de Dom Juan, mas agora terá que dar explicações à Justiça, mesmo que tenha uma banca enorme de advogados, os casos merecem serem apurados e se a Justiça o considerar culpado, merece ser punido.
Na semana passada ainda, o ex-assessor de Marquinhos, o cafetão Victor Hugo Nogueira Ribeiro da Silva, de 36 anos, virou réu e está preso desde 31 de agosto, por determinação da juíza May Melke do Amaral, a pedido da DEAM, o caso está relacionado às investigações de crimes sexuais supostamente praticados por Marquinhos. São eles estupro, favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual, assédio sexual, importunação sexual, perseguição e posse sexual mediante fraude.
Victor Hugo já teve passagem por várias secretárias municipais desde 2017, quando começou a gestão de Marquinhos Trad. Em janeiro do ano passado, estava lotado no gabinete do prefeito. Em julho ele foi exonerado.
Nas denúncias contra o ex-prefeito haveria promessa ou negociação de valores ou cargos no município, além de juras de amor entre o ex-prefeito e algumas garotas
O inquérito que investiga denúncias de assédio sexual contra o ex-prefeito e candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, Marquinhos Trad e outras quatro pessoas foi prorrogado por 30 dias em 18 de agosto e se não for estendido novamente, será enviado ao Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS), na semana quem.
Marcos Trad estar sendo investigado pelos crimes de assédio sexual, estupro, favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual e importunação sexual Foto Divulgação
Antes disso porem é necessário que a titular da investigação, Maíra Pacheco Machado, tome o depoimento do principal acusado: Marquinhos Trad. Aberto no início de julho, o inquérito estaria em fase avançada e teria sua conclusão ao longo dos próximos dias.
Na última semana ocorreram episódios que indicaram que o inquérito está se aproximando do fim. O mais recente foi uma entrevista coletiva realizada na semana passada pelas advogadas de Marquinhos, Andreia Flores e Rejane Alves de Arruda.
Na ocasião, elas anunciaram a abertura de uma outra investigação, a pedido delas, na 3ª Delegacia, para apurar uma suposta cooptação das vítimas. A defesa alega que uma das garotas recebeu dinheiro para denunciar os abusos do ex-prefeito.
Marquinhos é investigado pela prática de crimes como assédio sexual, estupro e exploração sexual (prostituição).
O inquérito, contudo, continua. São quase 10 mulheres que relataram abusos sofridos por Marquinhos no período em que ele era prefeito.
Algumas destas relações sexuais, as consentidas e também as tentativas de estupro (sem consentimento), teriam ocorrido no gabinete da Prefeitura de Campo Grande.
Em quase todas elas, conforme indicam os diálogos e as perícias feitas pelo Instituto de Criminalística, haveria promessa ou negociação de valores ou cargos no município, além de juras de amor entre o ex-prefeito e algumas garotas.
Operações
A investigação também resultou em duas operações externas. Na primeira delas, no dia 10 de agosto, a Polícia Civil realizou busca e apreensão nas dependências da Prefeitura de Campo Grande.
No dia 31 de agosto, o servidor comissionado da prefeitura Victor Hugo Ribeiro Nogueira, de 36 anos, foi preso preventivamente, em uma investigação conexa ao inquérito.
Na sexta-feira (9), Victor Hugo foi indiciado pelos crimes de corrupção ativa de testemunhas, coação no curso do processo e favorecimento à prostituição.
Ele continua preso. Victor Hugo teria atuado para fazer com que vítimas que denunciaram Marquinhos recuassem de seus propósitos. O rapaz chegou a trabalhar lotado no gabinete do prefeito no início desta década.
Assim como desde o início do inquérito, a defesa de Marquinhos nega as acusações e reafirma que se trata de “armação política”. A Polícia Civil, a não ser por meio de notas ou entrevistas coletivas, manifesta-se muito pouco sobre o inquérito, que continua em sigilo.
Ex-prefeito se diz ficha limpa, mas foi funcionário fantasma da Assembleia de MS, onde virou servidor efetivo sem concurso
O ex-prefeito de Campo Grande e candidato ao Governo Marquinhos Trad (PSD) reduz as acusações de crimes sexuais denunciados até o momento por 16 mulheres a adultério, ou a um “gesto falho resolvido em casa”. A Polícia Civil investiga a denúncia desde início de julho deste ano.
Em entrevista à Morena FM e site Primeira Página, Trad esteve nervoso, confuso e vazio de ideias (Fotos: Reprodução)
Em entrevista ontem (11) ao site Primeira Página e à Morena FM, Trad confirmou que teve relações sexuais com duas das mulheres que o acusam de assédio sexual, importunação, estupro e tentativa de estupro, além de favorecimento à prostituição. Denunciantes relatam que ele propunha sexo em troca de cargos na Prefeitura.
Denunciantes relatam que ele propunha sexo em troca de cargos na Prefeitura
O ex-prefeito esquivou-se das perguntas relacionadas às acusações sexuais, focando somente em sua atuação como prefeito e parlamentar. Durante a entrevista, Trad transmitiu linguagem corporal de nervosismo e tensão, como olhar constantemente para cima e passar a língua nos lábios. Tratou os supostos crimes como de menor de gravidade comparados a desvios éticos.
Também disse acreditar que as acusações a ele imputadas não comprometem seu posicionamento como cristão e cidadão. “Um problema que resolvi dentro da minha casa. Na vida administrativa, nunca faltei com atenção e desonestidade para com minha população”, esquivou-se.
Confuso, Trad se enrolou com questionamentos sobre acusação de crimes sexuais
Os entrevistadores – Fabiano Arruda e Lucimar Lescano – insistiram sobre o fato de o ex-prefeito ter confessado as traições à esposa somente depois que as acusações contra ele se tornaram públicas. Marquinhos, novamente, se disse “ficha limpa” e que, administrativamente, não há nada que o incrimine, reforçando que teve apenas “um gesto falho”.
Perguntado “por que o eleitor deveria confiar em um candidato que quebrou a confiança numa relação familiar”, Trad argumentou que se trata somente de adultério, ignorando as demais acusações de 16 mulheres.
Funcionário fantasma
Ao mencionar repetida vezes que é ficha limpa, Marquinhos Trad desconsidera o fato de ele ter sido por quatro anos funcionário fantasma da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, lotado no gabinete do seu pai, o deputado estadual Nelson Trad, em 1986.
Na época, Marquinhos estudava Direito no Rio de Janeiro, período em que adquiriu o sotaque carioca presente até hoje em sua fala. O ex-prefeito também virou servidor efetivo da AL, sem concurso público, cujo acesso é muito disputado por concurseiros em busca da estabilidade do serviço público.
Marquinhos desconsidera o fato de ter sido por 4 anos funcionário fantasma da Assembleia Legislativa, lotado no gabinete do seu pai, o deputado estadual Nelson Trad, em 1986.
Sem ideias
Em relação às propostas, Marquinhos Trad esteve sempre confuso e não conseguiu expor suas ideias como candidato a governador. Questionado se reduzirá a carga tributária, não soube informar se tem estudo nesse sentido para compensar as perdas por conta dessa redução.
Lacônico e nervoso, disse que fará a reforma tributária, mas foi corrigido pelos entrevistadores em razão de o assunto ser de competência exclusiva do Governo federal e do Congresso.
Trad disse que fará a reforma tributária, mas foi corrigido pelos entrevistadores porque o assunto é competência exclusiva do Governo federal e do Congresso
Foi evasivo sobre as propostas para a área de saúde, anunciando que acabará com a regionalização do atendimento, hoje distribuído em quatro polos. Para isso, afirmou, aumentará os repasses aos municípios.
Saúde foi um dos grandes problemas nos cinco anos de Trad em Campo Grande, que renunciou ao cargo de prefeito sem resolver questões fundamentais, como a falta de médicos e de medicamentos, além da precariedade no atendimento primário nas unidades da Capital.
O entrevistado também não explicou por que não conseguiu resolver os problemas no transporte público, em cinco anos de mandato, cuja tarifa é uma das mais caras do país, ao passo que o serviço prestado aos usuários de ônibus é um dos piores.
Fake news
O candidato ao Governo divulgou informação falsa sobre suposta premiação que sua gestão teria recebido. Em 22 de março deste ano, o MS em Brasília desmentiu Marquinhos Trad ao divulgar versão do Ministério da Economia sobre o prêmio (ver aqui).
Na verdade, a prefeitura recebeu certificado por ter atendido os requisitos sobre a operação de sistema que reúne informações sobre os repasses da União. O site ouviu a pasta do ministro Paulo Guedes, que encaminhou nota explicando que “a premiação não tem qualquer relação com gestão financeira e administrativa”.
A gestão de Trad em Campo Grande é reprovada em vários estudos e prévias sobre a situação fiscal e financeira. O MS em Brasília divulgou em 6 de julho dados que colocam a Capital como a pior e Sonora como a melhor gestão entre os 79 municípios (ver aqui).
Sobrinho do ex-prefeito Marquinhos Trad, acusado de assédio, ele defendeu o tio na Câmara
Advogado e vereador em Campo Grande, Otávio Trad (PSD), que exerce seu terceiro mandato, discursou na última terça-feira (2), durante Sessão Ordinária, na Câmara Municipal de Campo Grande e disse que assédio não deve ser considerado um estupro, muito menos crime. Ele é sobrinho do ex-prefeito de Campo Grande – e pré-candidato ao Governo do Estado – Marquinhos Trad, que recentemente foi denunciado por assédio’ sexual.
“Imputar questões pessoais como se assédio fosse, estupro, e até mesmo questões criminais… não podemos admitir”, disse Otávio Trad. Na mesma linha, Marquinhos nega os fatos alegando ‘perseguição política’, embora tenha confirmado um caso extraconjugal dentro do gabinete.
Uma das denunciantes, que na época tinha 17 anos e era estagiária, retirou a queixa com medo de “perseguição”, e alguns meses depois acabou sendo nomeada sem concurso público na Prefeitura.
Cerca de 9 mulheres (e o marido de uma delas) acabaram procurando a Polícia Civil, que abriu inquérito, que tramita em segredo de justiça na DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), em Campo Grande.
O assédio sexual exige que o criminoso use sua condição de ocupar cargo superior no local de trabalho de ambos, com objetivo de constranger a vítima a lhe conceder vantagem sexual. Por exemplo, chefe que ameaça demitir secretária, se ela não atender seus convites para saírem juntos.
E o que diz a lei sobre estupro?
O estupro de acordo com a lei é um crime intrincado em sentido abrangente que causa o constrangimento ilegal de uma pessoa (homem ou mulher) com o objetivo específico em obter a conjunção carnal ou quaisquer outros atos libidinosos. Lei nº 12.015/09 passou a definir, mediante seu artigo 213.
Antônio Carlos Videira rechaçou a ideia de que as investigações tenham teor político alegando que até agora 8 mulheres já procuraram a polícia com denuncias contra o ex-prefeito
Na manhã desta segunda-feira (25), em reunião com vereadores de Campo Grande, o titular da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antônio Carlos Videira, anunciou a criação de mais um canal de comunicação com a política (67 – 99324-4898) para receber denúncias e ainda para atender as vítimas de forma imediata, já que o aparelho estará 24 horas em posse da delegada Maira Pacheco Machado, que preside o inquérito na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – DEAM.
O Secretário Antônio Carlos Videira, e o diretor-geral de Polícia Civil, delegado Roberto Gurgel, receberam os vereadores na manhã desta segunda-feira
Antônio Carlos Videira e o diretor-geral de Polícia Civil, delegado Roberto Gurgel, receberam na secretaria os vereadores Professor André Luís, João Cesar Matogrosso, Camila Jara, Marcos Tabosa, Thiago Vargas e Alírio Vilassanti. Eles foram buscar mais informações sobre o inquérito para embasar pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal para apurar as denúncias contra Marquinhos Trad.
Videira fez questão de ressaltar que as denúncias se configuram “caso de polícia” e que rejeita qualquer insinuação que a investigação seja política. “Em 2018 ele já respondeu inquérito, daquela vez era menores, agora 8 mulheres procuraram a polícia. Talvez o fato dele ter renunciado tenha encorajado elas a prestarem queixa. De qualquer forma com as denuncias chegando não no resta outra coisa a fazer, vamos investigar”.
O diretor-geral de Polícia Civil, delegado Roberto Gurgel, lembrou que a investigação corre em sigilo, também para preservar a segurança das denunciantes. “Não posso entrar em detalhes na investigação, mas as denúncias são sérias e a polícia vão tratar o assunto com o valor que merece ser dado, não vamos no furtar de realizar o nosso trabalho”, afirmou.
Além de estar sendo investigado pelos crimes de assédio sexual, estupro, favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual e importunação sexual, Marquinhos Trad poderá responder ainda por improbidade administrativa em virtude de supostamente ter mantido relações sexuais no gabinete que ocupava quando prefeito, conforme apontam prints de diálogos dele com uma mulher, pelo WhatsApp, anexados ao inquérito policial.
Fatos
“Se trata de um histórico antigo que ocorria entre quatro paredes, mas que já era de conhecimento de todos”, disse o vereador Professor André Luís (REDE), ao explicar que caso se confirme o uso do gabinete para encontros sexuais, ficará caracterizado o crime de improbidade, o que poderá resultar na suspensão dos direitos políticos do ex-prefeito, o que interromperia a sua carreira. “Já recebi denúncias que no Proinc haveriam prostitutas, isso é muito sério e não pode ser varrido para debaixo do tapete”, afirmou.
Vereador Professor André Luiz, diz que se configurar sexo no gabinete será crime de improbidade
Já o vereador Thiago Vargas (PSD), criticou o fato de a Sejusp ter de vir a público para desmentir que as investigações se tratavam de fake news, conforme foi divulgado por simpatizantes da candidatura de Marquinhos Trad em grupos de WhatsApp e nas redes sociais.
Ao defender que o inquérito seja concluído com a maior celeridade possível, ele destacou: “as mulheres que procuraram a polícia estão sendo pré-julgadas e questionadas sobre o por que de não terem feito a denúncia antes, mas apenas agora, em época de eleição”.
O Vereador Tabosa (PDT), comentou que a prefeita Adriane Lopes pelo jeito, não acredita nas denuncias, já que continua sendo fiel escudeira de Marcos Trad. “Ele pede votos para ele, não fez nem cara feia com a denúncias, age como se nada estivesse acontecendo. Mesmo sendo mulher e evangélica ela se faz desentendida”, ressalta.
Já para o vereador Coronel Alírio Villasanti (PSL), o que se tem até agora já merece uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para aprofundar nas investigações. Ele já até admitiu que teve caso extra conjugal, agora precisamos ver se foram no gabinete ou não. Isso é muito grave é nos vereadores merecemos investigar”, afirmou.
A vereador Camila Jara (PT), cobrou celeridade das investigações e lembrou que MS figura entre os Estado líderes de crimes contra a mulher e que Campo Grande é a capital onde ocorrem mais estupros no Brasil. “Quando essas denuncias vem do poder que devia dar o exemplo o choque é maior, não podemos nos furar, temos que ter a frieza e indignação para conseguirmos abrir essa CPI na Câmara”, relatou.
O Vereador João César Matogrosso (PSDB), avaliou que os vereadores tem a obrigação de dar uma resposta a população de Campo Grande, independente da bandeira política que defendam. As denúncias são seriíssimas, uso de cargo público para obter vantagens sexual, não devemos deixar isso passar em branco, vou defender esta CPI o mais urgente possível.
CPI
Paralelamente ao inquérito, a Câmara Municipal poderá investigar Marquinhos Trad por meio de uma CPI, cuja instalação será proposta em requerimento a ser apresentado no dia 2 de agosto, conforme informou o vereador Marcos Tabosa. Segundo ele, seis parlamentares já se comprometeram a assinar o requerimento. São necessárias, no mínimo, 10 assinaturas para que a proposta saia do papel.
Vítima relata medo e decidiu depor, mesmo com a possível prescrição do crime, para encorajar outras mulheres
Entre as mulheres que prestaram depoimento na última semana, no inquérito que apura possíveis crimes sexuais atribuídos ao ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), uma funcionária pública afirmou ter sido “encurralada” contra uma parede e “atacada” pelo político, na época em que ele ocupava o cargo de vereador na capital.
Ao tomar conhecimento das primeiras denúncias pela imprensa, ela disse que se encorajou a contar o que enfrentou anos atrás para incentivar outras mulheres, que sofrem ou sofreram com esse tipo de violência, a denunciar os casos. Desde a última terça-feira, pelo menos oito mulheres procuraram as autoridades policiais da capital para denunciar o ex-prefeito, que se lançou candidato ao cargo de governador de Mato Grosso do Sul.
Os primeiros casos registrados no inquérito policial, instaurado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), teriam ocorrido durante o mandato de Marquinhos como prefeito da capital. Ele ficou no cargo entre janeiro de 2017 e abril de 2022. A funcionária pública em questão afirmou que sofreu abuso sexual há mais de 15 anos, em 2005, quando Marquinhos ocupava o cargo de vereador em Campo Grande e exercia a profissão de advogado.
De acordo com o depoimento, ela conseguiu se desvencilhar da investida de Marquinhos porque dominava técnicas de defesa pessoal. A servidora explicou que ficou sozinha na sala com o político porque ele solicitou aos colegas dela, que a acompanhavam, que providenciassem uma impressão de documento em outra sala.
Trecho de depoimento no inquérito aberto na Delegacia da Mulher – documento exclusivo
A servidora que disse não ter denunciado o caso à época dos fatos porque teve medo de retaliação. “Seria só eu contra um vereador, que já era forte, que tinha um pai que era forte. Que tinha a família toda que já comandava o Estado. Eu fiquei com medo. […] Tem muita influência e isso acaba pesando. Então, é muito difícil”, desabafou a mulher. Ela ainda enfatizou, no depoimento à polícia, que o comportamento criminoso do político não seria novidade entre as pessoas que trabalham próximas à ele, que Marquinhos “abordava sexualmente suas servidoras, principalmente as comissionadas”, relatou.
A assessoria do ex-prefeito Marquinhos Trad foi procurada pelo jornalismo da Rádio CBN Campo Grande e não quis se pronunciar sobre o caso da servidora. Sobre o inquérito aberto pela DEAM, o ex-prefeito já havia divulgado um comunicado no qual se diz vítima de acusações forjadas por adversários políticos.
CANAIS DE DENÚNCIA E ATENDIMENTO ESPECIALIZADO
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul reforçou a informação de que mulheres vítimas de crimes sexuais terão as identidades preservadas e a proteção necessária para garantir a segurança delas e de familiares. Denúncias podem ser feitas diretamente delegada Maíra Pacheco Machado, da Deam (Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher), que preside o caso, pelo telefone 67 99324 4898, este número também é do WhatsApp.
Em vídeo, secretário de Segurança Antônio Carlos Videira, afirma que é comum que vítimas de crimes sexuais criem coragem para denunciar o criminoso após dados sobre as primeiras investigações vir a público por meio da imprensa.
Mais duas vítimas do ex-prefeito Marquinhos Trad formalizaram queixa contra o político pela prática de crimes sexuais na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – DEAM. Dessa forma, subiu para oito o número de mulheres que representaram contra o pré-candidato a governador pelo PSD, investigado em inquérito policial pelos crimes de tentativa de estupro e assédio sexual. Para o secretário de Justiça e Segurança Pública Antônio Carlos Videira, as denúncias são graves, conforme disse em entrevista à rádio CBN Campo Grande. Clique aqui e veja o vídeo.
As informações sobre o surgimento de duas novas vítimas foram confirmadas nesta sexta-feira pela Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). De acordo com o titular da pasta, Antônio Carlos Videira, é comum que vítimas de crimes sexuais criem coragem para denunciar o criminoso após dados sobre as primeiras investigações vir a público por meio da imprensa.
Por conta disso, é bastante provável que o número de vítimas aumente nos próximos dias. Assim ocorreu em casos de repercussão nacional, como o do médium de Abadiânia (GO) João de Deus, do médico Roger Abdelmassih e do ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, dentre outros.
Denúncias na Corregedoria
Inicialmente, as denúncias foram recebidas na Corregedoria de Polícia Civil, já que as vítimas alegaram receio de procurar a DEAM, cuja sede está instalada na Casa da Mulher Brasileira, em função do fato de que o atendimento psicossocial é prestado no local por servidores ocupantes de cargos de confiança da prefeitura de Campo Grande, até o dia 2 de abril sob o comando de Marquinhos Trad.
No entanto, a partir da instauração do inquérito, presidido pela delegada Maira Pacheco Machado, as investigações foram centralizadas na DEAM.
Conjunto de provas
Além das provas testemunhais, informações extraoficiais dão conta de que a polícia já conta com prints de diálogos supostamente travados entre Marquinhos Trad e algumas das vítimas, além de informações sobre a geolocalização dos aparelhos celulares dessas mulheres, já que algumas garantem terem mantido relações sexuais com o político no banheiro do gabinete hoje ocupado pela prefeita Adriane Lopes.
As denúncias contra Marquinhos Trad vieram a público por meio de matéria publicada no site Metrópoles pelo jornalista Guilherme Amado, que teve acesso aos boletins de ocorrência com as queixas prestadas por três mulheres que inicialmente denunciaram o político.
Em 2018, Trad foi investigado pelo Tribunal de Justiça por conta de procedimento que tramitou no âmbito da DEPCA
Na manhã desta sexta-feira, em entrevista à Rádio CBN Campo Grande, Antônio Carlos Videira, disse que Marquinhos Trad está sendo novamente investigado e que as novas denúncias são graves.
“Nós temos um procedimento policial anterior que envolveu uma vítima menor de idade. E este já foi concluído e remetido para o Judiciário. E, agora, surgiram denúncias graves, inicialmente de três vítimas. Elas foram ouvidas e foi instaurado inquérito policial que segue em segredo de Justiça. As vítimas pediram proteção. A partir das oitivas surgiram outras vítimas que também estão sendo ouvidas pela Delegacia de Atendimento à Mulher”, relatou Videira.
Em 2018, Trad foi investigado pelo Tribunal de Justiça por conta de procedimento que tramitou no âmbito da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), também por crime sexual. O resultado das apurações é desconhecido, já que o processo ainda permanece sob segredo de justiça.
Político nega
À imprensa, Marquinhos Trad vem negando todas as acusações. “Uma tentativa covarde, rasteira. Estão desesperados porque estamos em primeiro nas pesquisas, mas não conseguirão mudar a vontade da população de dar um basta nesta gente que administra pensando nos próprios interesses e é capaz de tudo para conseguir o que quer. Já tentaram isso em 2020 e a própria polícia considerou uma armação”, disse.
“Sigo com ainda mais vontade de trabalhar por nossa gente, corrigir injustiças, combater desigualdade. Pena os inúmeros casos de corrupção que fazem parte deste e do governo passado não merecerem tanto destaque, ainda que tenham custado vidas e milhões de reais dos cofres públicos”, finalizou.
Canais para denúncias
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul reforçou a informação de que mulheres vítimas de crimes sexuais terão as identidades preservadas e a proteção necessária para garantir a segurança delas e de familiares. Denúncias podem ser feitas por meio de vários canais de atendimento:
Atendimento à Mulher Disque 180
Disque Denúncia 181
Ouvidoria da Polícia Civil 0800-6470197 / (67) 3326-7642
Ouvidoria do Ministério Público Estadual 127 / 0800-647-1127