Preso por estuprar e matar menina 6 anos, confessou ter abusado de outra menina de 7 anos

A suspeita do crime veio a tona após responsáveis pela investigação da morte de Sophia perceberem semelhanças entre os casos

Marcos Antônio Bairros, de 18 anos, suspeito de sequestrar, estuprar e matar Sophia, de 6 anos, confessou ter abusado de outra criança, no município de Douradina, a 181 quilômetros de Campo Grande. A vítima, segundo o suspeito, foi uma menina indígena, de 7 anos, que foi estuprada e agredida no dia 1° de janeiro.

Marcos Antônio Barrios responderá pelo estupro de duas crianças, homicídio e tentativa de homicídio. — Foto: Reprodução

A confissão foi feita após responsáveis pela investigação da morte de Sophia perceberem semelhanças entre os casos.

A menina indígena de 7 anos foi agredida e estuprada enquanto estava sozinha no veículo da família durante festa de ano novo. A criança foi encontrada nua, com ferimentos no rosto e corpo, pedindo por água em uma residência localizada às margens de uma plantação de soja.

Marcos foi interrogado sobre o caso anterior e confessou o crime, compartilhando detalhes de como agiu.

A Polícia, o suspeito ainda relatou que a intenção era matar a menina indígena. Com base nisso, o suspeito será indiciado também por estupro e tentativa de homicídio.

O CASO SOPHIA

O corpo de Sophia foi encontrado, nesse sábado (25), na área rural da cidade. O delegado responsável pelo caso, Mateus Rocha Rodrigues Alves, esclareceu que o suspeito foi preso após várias testemunhas apontá-lo como a última pessoa ser vista na região onde Sophia morava. A menina morava com a tia.

Conforme as investigações, a polícia chegou ao suspeito após a denúncia do sequestro de Sophia e um furto de uma motocicleta na região onde a menina morava. Para os policiais, a responsável pela criança apontou o vizinho como possível suspeito.

Cidade está em luto pela morte de Sophia. — Foto: Redes sociais/Reprodução

“Conversamos com a tia da menina. Ela disse que o vizinho seria o suspeito de sequestrar a sobrinha, já que testemunhas disseram que ele foi o único visto na rua no momento em que a menina sumiu”, relatou o delegado adjunto da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário de Dourados (Depac), onde o caso foi registrado.
Após os primeiros relatos, a polícia saiu em busca da menina e do suspeito. Era por volta da 1h de sábado, quando os oficiais avistaram o rapaz saindo de uma área de vegetação. Questionado, o suspeito respondeu estar “brincando de esconde-esconde com amigos”, comentou o delegado.

Foi então que o rapaz foi levado na situação de suspeito para a Depac de Dourados, cidade vizinha à Douradina. Na delegacia, o jovem, de 18 anos, confessou o furto da moto, o sequestro, estupro e assassinato de Sophia.

O corpo de Sophia passa por exame necroscópico para comprovar as agressões e a violência sexual. O suspeito, conforme a polícia, deverá responder por homicídio qualificado, estupro de vulnerável e roubo.

Corregedoria Nacional vai acompanhar apuração do caso Sophia

O ofício é assinado pelo ministro Luis Felipe Salomão que irá apurar informações da 10ª e 11ª Varas dos Juizados Especiais

A Corregedoria Nacional de Justiça instaurou um pedido de providências para acompanhar as investigações sobre o caso que envolve a morte da menina Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos. O corregedor nacional, ministro Luis Felipe Salomão, enviou ofício à 10.ª e à 11.ª Vara dos Juizados Especiais de Mato Grosso do Sul e solicitou explicações.

Sophia morreu com dois anos em Campo Grande — Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução

Em nota, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que as informações sobre o caso devem ser enviadas pelo Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJMS) no prazo de cinco dias.

A Corregedoria Nacional deve analisar os processos de maus-tratos que tramitam nos juizados especiais antes da morte da criança.

No dia 26 de janeiro, a mãe levou Sophia à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Coronel Antonino, onde a menina já chegou morta. O médico legista constatou que o óbito havia ocorrido cerca de sete horas antes.

Réus
Stephanie de Jesus Da Silva e Christian Campoçano Leitheim se tornaram réus no processo que são acusados por estupro, espancamento e morte de Sophia OCampo. A denúncia foi acolhida pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, na sexta-feira (10).

Stephania e Christian, mãe e padrasto da menina, foram denunciados por homicídio triplamente qualificado. (Foto/Reprodução)

A mãe e padrasto da menina foram denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por homicídio duplamente qualificado, estupro de vulnerável, e no caso dela, omissão de socorro.

 

Mãe sabia da morte de Sophia e levou corpo à UPA 7 horas depois

Em depoimento, a mãe de Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos, confirmou que sabia que a menina estava morta quando procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Coronel Antonino, no dia 26 de janeiro.

“O médico legista constatou que Sophia foi morta entre 9h e 10h do dia 26 [de janeiro], sendo que ela foi encaminhada para a UPA somente às 17h. No período da tarde, ela já estava morta, e a mãe e o padrasto estavam em casa”, disse a delegada Anne Karine Trevisan durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (6).

Coletiva realizada na manhã desta segunda-feira (6) — Foto: TV Morena

Stephanie de Jesus Da Silva e Christian Campoçano Leitheim, mãe e padrasto de Sophia, estão presos preventivamente pelos crimes de homicídio qualificado e estupro de vulnerável.

O laudo de necrópsia do corpo da menina, emitido pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), apontou que a causa da morte foi por traumatismo na coluna cervical e confirmou que a Sophia foi estuprada.

Na coletiva desta segunda, a delegada Anne Karine Trevisan informou ainda que durante o período que a menina estava em casa, já sem vida, a mãe e o padrasto tentaram criar uma narrativa que explicasse a morte. “Durante o depoimento, a mãe disse que a Sophia tinha passado mal, estava com a barriga inchada por ter comido muita maionese. O padrasto ficou em silêncio e não quis se manifestar”.

A quebra de sigilo telefônico do casal mostra que os dois sabiam das implicações da morte da menina de 2 anos e 7 meses e tentavam criar uma história para contar à polícia. “Inventa qualquer coisa, diga que ela caiu no parquinho”, escreveu o padrasto da criança.

Dois boletins de ocorrência foram registrados por Jean Carlos Ocampo, pai de Sophia, nos quais ele relatou maus-tratos. O homem fez inúmeras denúncias no Conselho Tutelar e tentou conseguir a guarda nos últimos 13 meses.

Sophia morreu com dois anos, em Campo Grande — Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução

Quando a morte da garota completou uma semana, Jean Carlos e seu companheiro, Igor de Andrade, falaram sobre a indignação com as autoridades, que receberam diversos pedidos de socorro e que poderiam ter evitado a morte da filha.

“Teve uma omissão sistêmica, isso aconteceu desde o primeiro atendimento nos postos de saúde, na delegacia quando o pai foi registrar os boletins de ocorrência por maus-tratos e junto ao Conselho Tutelar, que também não cumpriu sua função social”, disse a advogada Janice Andrade.

Na casa onde a criança morava, bitucas e caixas de cigarro estavam espalhadas na varanda. Havia também garrafas de bebidas alcoólicas.

CORRIDA POR APLICATIVO

Stephanie solicitou uma corrida por aplicativo para levar Sophia até a UPA na tarde de 26 de janeiro. Chamado para ser ouvido na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), o motorista do carro afirmou que “em nenhum momento ouviu a criança chorar, falar, nem se movimentar durante o trajeto”.

A delegada afirmou: “Ouvimos o motorista de aplicativo que levou a mãe e a Sophia até a UPA. Ele fala que não escutou a criança chorando ou conversando. O padrasto e a mãe estavam na casa quando a Sophia foi levada para a UPA”.

Laudo aponta violência sexual em Sophia

Sophia de Jesus Ocampo morreu após sofrer trauma na coluna decorrente de agressões do padrasto

Foi concluído nesta sexta-feira (3), o laudo de necropsia do corpo da menina Sophia Jesus Ocampo, que morreu aos 2 anos, em Campo Grande. O documento, emitido pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), apontou que a causa da morte foi por traumatismo na coluna cervical e confirmou o estupro.

Sophia, de 2 anos, foi morta após constantes agressões do padrasto – (Foto: Arquivo Pessoal)

Stephanie de Jesus Da Silva e Christian Campoçano Leitheim, mãe e padrasto da menina, estão presos preventivamente pelos crimes de homicídio qualificado e estupro de vulnerável. O inquérito policial será encaminhado para o Poder Judiciário nesta sexta-feira (3).

Conforme a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS), o laudo atesta que a menina sofreu “traumatismo raquimedular em coluna cervical e violência sexual não recente”. Sophia chegou morta à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Coronel Antonino, no dia 26 de janeiro.

Ao ser informada sobre o óbito, a mãe não teria esboçado surpresa ou remorso, segundo descreve o registro policial. A Polícia Civil afirma que as investigações apontam que o padrasto teria orientado a genitora a dizer que a criança “caiu do playground [parquinho]”.

Investigadores do Grupo de Operações e Investigações (GOI) foram acionados até a UPA. A princípio, a mãe negou que agredia a menina. Relatou que trabalhava durante o dia e que a filha ficava sob cuidados do padrasto. Então, apontou que o homem batia na menina com tapas e socos, para “corrigi-la” e afirmou, inclusive, que participava das agressões.

O casal foi preso em flagrante e atuado por homicídio qualificado e estupro de vulnerável. Chama atenção o fato de que a criança tinha passado por vários atendimentos na UPA, mais de 30 vezes, segundo os registros. Inclusive, numa delas, estava com a tíbia quebrada.

Certidão de óbito de Sophia aponta lesão na coluna e hemorragia interna

Documento diz que além do trauma, outras ‘condições significativas contribuíram para a morte’. Pai de Sophia de Jesus Ocampo procurou a polícia e o Conselho Tutelar pelo menos quatro vezes antes do crime

O Instituto de Medicina Legal (IML) emitiu uma declaração de óbito em que aponta que a causa da morte de Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos, foi por um trauma na coluna cervical, que evoluiu para o acúmulo de sangue entre o pulmão e a parede torácica.

Criança morreu com dois anos em Campo Grande. — Foto: Redes Sociais/Reprodução

A declaração de óbito da Sophia, que apresenta que a causa da morte foi por um trauma raquimedular na coluna cervical, que evoluiu para uma hemorragia interna. O médico emergencista, Rodrigo Silva de Quadros, esclarece que houve uma lesão grave na coluna da menina.

“Trauma raquiomedeular significa uma lesão na medula espinhal e pode ser em qualquer altura do corpo. A medula espinhal é protegida por essa estrutura óssea que a gente conhece como a coluna cervical, coluna torácica e lombar. Essa lesão significa que existiu um trauma, e esse trauma causou a lesão na medula espinhal e na coluna vertebral”, explicou o médico

O documento emitido pelo IML também aponta que além do trauma na coluna cervical, outras “condições significativas contribuíram para a morte”.

Segundo as investigações, a criança apresentava sinais de estupro e espancamento.

Menina apresentava diversos ferimentos pelo corpo — Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução

A menina chegou morta à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Coronel Antonino, no dia 26 de janeiro. Stephanie de Jesus Da Silva e Christian Campoçano Leitheim, mãe e padrasto da menina, estão presos.

De acordo com a Polícia Civil, o pai da criança realizou duas denúncias de maus-tratos em 2022 e ambos os inquéritos policiais foram concluídos e encaminhados ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

A polícia identificou ainda que a menina foi atendida na rede pública de saúde mais de 30 vezes. Em uma das idas à unidade, a pequena estava com fratura na tíbia, mas o caso sequer foi avisado à polícia. Em resposta ao número de atendimentos a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) negou que os funcionários identificaram violência.

Dia da morte
Segundo a avó da menina, uma professora de 48 anos, a criança estava passando mal e vomitando, desde o início da manhã de quinta-feira (26), dia em que morreu.

No dia, Sophia estava sendo cuidada pela mãe, Stephanie de Jesus Dada Silva, de 24 anos, e chegou a ter uma melhora no início da tarde. No entanto, a criança voltou a piorar por volta das 17h.

Ela foi levada pela própria mãe à UPA do bairro Coronel Antonino, mas chegou no local sem vida. Segundo informações da polícia, a criança já estava morta havia cerca de quatro horas quando deu entrada na unidade.

Ainda segundo a avó, a neta tinha hematoma nas costas, na boca, teve sangramento pelo nariz e apresentava abdômen inchado, indicando uma possível hemorragia interna.