Mãe falece horas após filha morrer atropelada na Rui Barbosa

Filha morreu quando seguia para o hospital visitar a mãe; as duas são veladas juntas na manhã de hoje

Antes de ser atropelada e morta na tarde desta terça-feira (28), Evanir Carvalho de Souza, 59, havia recebido uma ligação e estava a caminho da Santa Casa para visitar a mãe, internada vítima de doença nos rins. A idosa, Leonilda Rodrigues de Oliveira, 82, morreu poucas horas depois da filha. As duas estão sendo veladas lado a lado, na manhã desta quarta-feira, em Campo Grande. As vítimas são sepultadas nesta quarta-feira (29).

Evanir, à esquerda, junto à mãe Leonilda, à direita – (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A informação foi confirmada por parentes na rede social. “Meu Deus quanta provação. O senhor sabe de todas as coisas guarde agora também dona Leonilda, ela foi ao encontro de sua filha dona Evanir”, disse a nora da mulher atropelada.

Evanir, por sua vez, foi vítima de atropelamento na Rua Rui Barbosa entre Avenida Mato Grosso. Conforme noticiado anteriormente pela Folha de Campo Grande, a vítima tentava atravessar a rua fora da faixa de pedestres. O semáforo ainda estava aberto para os carros.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e tentou reanimar a vítima por cerca de 40 minutos. Segundo o boletim de ocorrência, Evanir encontrada em solo, com parada cardiorrespiratória. Apresentou quadro de traumatismo craniano grave e traumas diversos pelo corpo. Ela foi a óbito no local.

Mãe e filha são sepultadas no Cemitério Parque de Campo Grande, na avenida Senador Filinto Muler, no Jardim Pioneiros.

Motorista foi solta – A motorista, de 49 anos, do Renault Captur branco que atropelou Evanir Carvalho de Souza, de 59 anos, foi solta após pagar fiança de R$ 7 mil. O delegado William Rodrigues, da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, onde o caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, confirmou a soltura da mulher.

Mãe sabia da morte de Sophia e levou corpo à UPA 7 horas depois

Em depoimento, a mãe de Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos, confirmou que sabia que a menina estava morta quando procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Coronel Antonino, no dia 26 de janeiro.

“O médico legista constatou que Sophia foi morta entre 9h e 10h do dia 26 [de janeiro], sendo que ela foi encaminhada para a UPA somente às 17h. No período da tarde, ela já estava morta, e a mãe e o padrasto estavam em casa”, disse a delegada Anne Karine Trevisan durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (6).

Coletiva realizada na manhã desta segunda-feira (6) — Foto: TV Morena

Stephanie de Jesus Da Silva e Christian Campoçano Leitheim, mãe e padrasto de Sophia, estão presos preventivamente pelos crimes de homicídio qualificado e estupro de vulnerável.

O laudo de necrópsia do corpo da menina, emitido pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), apontou que a causa da morte foi por traumatismo na coluna cervical e confirmou que a Sophia foi estuprada.

Na coletiva desta segunda, a delegada Anne Karine Trevisan informou ainda que durante o período que a menina estava em casa, já sem vida, a mãe e o padrasto tentaram criar uma narrativa que explicasse a morte. “Durante o depoimento, a mãe disse que a Sophia tinha passado mal, estava com a barriga inchada por ter comido muita maionese. O padrasto ficou em silêncio e não quis se manifestar”.

A quebra de sigilo telefônico do casal mostra que os dois sabiam das implicações da morte da menina de 2 anos e 7 meses e tentavam criar uma história para contar à polícia. “Inventa qualquer coisa, diga que ela caiu no parquinho”, escreveu o padrasto da criança.

Dois boletins de ocorrência foram registrados por Jean Carlos Ocampo, pai de Sophia, nos quais ele relatou maus-tratos. O homem fez inúmeras denúncias no Conselho Tutelar e tentou conseguir a guarda nos últimos 13 meses.

Sophia morreu com dois anos, em Campo Grande — Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução

Quando a morte da garota completou uma semana, Jean Carlos e seu companheiro, Igor de Andrade, falaram sobre a indignação com as autoridades, que receberam diversos pedidos de socorro e que poderiam ter evitado a morte da filha.

“Teve uma omissão sistêmica, isso aconteceu desde o primeiro atendimento nos postos de saúde, na delegacia quando o pai foi registrar os boletins de ocorrência por maus-tratos e junto ao Conselho Tutelar, que também não cumpriu sua função social”, disse a advogada Janice Andrade.

Na casa onde a criança morava, bitucas e caixas de cigarro estavam espalhadas na varanda. Havia também garrafas de bebidas alcoólicas.

CORRIDA POR APLICATIVO

Stephanie solicitou uma corrida por aplicativo para levar Sophia até a UPA na tarde de 26 de janeiro. Chamado para ser ouvido na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), o motorista do carro afirmou que “em nenhum momento ouviu a criança chorar, falar, nem se movimentar durante o trajeto”.

A delegada afirmou: “Ouvimos o motorista de aplicativo que levou a mãe e a Sophia até a UPA. Ele fala que não escutou a criança chorando ou conversando. O padrasto e a mãe estavam na casa quando a Sophia foi levada para a UPA”.