Violência contra a mulher: crime é desafio ao País em 2024

Estatísticas indicam que volume de feminicídio e ocorrências semelhantes continua preocupante

Com mais de 17 anos de vigência e inegáveis efeitos positivos para a redução dos crimes de violência contra a mulher, a Lei Maria da Penha segue como instrumento indispensável no esforço institucional, político e social de combate ao feminicídio e outras agressões de gênero. Mato Grosso do Sul é um dos estados brasileiros onde as mulheres mais são vítimas de violência doméstica. Em 2023, a Justiça estadual condenou mais de 2 mil agressores e as ocorrências envolvendo esses tipos de crime lideram as chamadas na Polícia Militar.

Gráfico do DataSenado sobre violência contra a mulher no Brasil

No País, segundo o Instituto DataSenado, três a cada 10 brasileiras já foram vítimas de violência doméstica. Divulgado em dezembro de 2023, este é um dos resultados da 10ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, feita em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV). A aferição acontece a cada dois anos e é a série histórica mais antiga sobre a temática no Brasil, criada em 2005 como um subsídio ao Parlamento para a elaboração da Lei Maria da Penha. Neste período, foram ouvidas mais de 34 mil mulheres, das quais 2i mil em 2023.

Com três entre cada 10 brasileiras que já sofreram violência doméstica provocada por homens, o estudo apurou ainda que, quanto menor a renda, maior a chance de a mulher ser agredida. Em outras palavras, mais de 25,4 milhões de brasileiras já sofreram violência doméstica provocada por homem em algum momento da vida. A pesquisa apontou que a violência psicológica é a mais recorrente (89%). Depois vêm as agressões morais (77%), físicas (76%), patrimoniais (34%) e sexuais (25%).

As principais vítimas estão nos ambientes de menor renda. Cerca de metade das agredidas (52%) foram vítimas do companheiro e 15% do ex-parceiro, ex-namorado ou ex-marido. Contudo, um alento nesta estatística: a maior parte das vítimas vem conseguindo dar um fim a relações abusivas no namoro ou no casamento. Das entrevistadas, 48% disseram que houve descumprimento de medidas protetivas de urgência.

NO ESTADO

Em 2023, durante os eventos do Agosto Lilás – data de referência na luta contra o feminicídio -, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Publica (Sejusp), havia contabilizado nos oito meses daquele ano 11.244 atos de violência doméstica em Mato Grosso do Sul, sendo 3.846 em Campo Grande. No período, o crime fez 12.351 vítimas, a maioria adultos (6.667), depois os jovens (4.123) e os idosos (752).

Já em 2022 foram 19.850 ocorrências, 6.915 delas em Campo Grande. Foram mais de 21 vítimas no Estado ao longo do ano, o que representou 7.563 na Capital e 14.287 no interior. Os crimes de feminicídio passaram de 16 devidamente caracterizados.
No ano passado, ao avaliar estas estatísticas, a delegada Elaine Cristina Benicasa, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), acrescentou que os crimes mais registrados são a lesão corporal dolosa, ameaça, perseguição, vias de fato, atentados contra a honra e o descumprimento de medidas protetivas.

A titular da Deam/Campo Grande, Elaine Cristina Benicasa

A Deam está instalada na Casa da Mulher Brasileira, primeira destas unidades a entrar em operação no País. No espaço funcionam também o Ministério Publico (72ª Promotoria de Justiça) – primeira Vara Especializada em Medidas Protetivas e Execução de Penas no Brasil -, Defensoria Pública e a Patrulha Maria da Penha (Guarda Civil Municipal).

Preso por estuprar e matar menina 6 anos, confessou ter abusado de outra menina de 7 anos

A suspeita do crime veio a tona após responsáveis pela investigação da morte de Sophia perceberem semelhanças entre os casos

Marcos Antônio Bairros, de 18 anos, suspeito de sequestrar, estuprar e matar Sophia, de 6 anos, confessou ter abusado de outra criança, no município de Douradina, a 181 quilômetros de Campo Grande. A vítima, segundo o suspeito, foi uma menina indígena, de 7 anos, que foi estuprada e agredida no dia 1° de janeiro.

Marcos Antônio Barrios responderá pelo estupro de duas crianças, homicídio e tentativa de homicídio. — Foto: Reprodução

A confissão foi feita após responsáveis pela investigação da morte de Sophia perceberem semelhanças entre os casos.

A menina indígena de 7 anos foi agredida e estuprada enquanto estava sozinha no veículo da família durante festa de ano novo. A criança foi encontrada nua, com ferimentos no rosto e corpo, pedindo por água em uma residência localizada às margens de uma plantação de soja.

Marcos foi interrogado sobre o caso anterior e confessou o crime, compartilhando detalhes de como agiu.

A Polícia, o suspeito ainda relatou que a intenção era matar a menina indígena. Com base nisso, o suspeito será indiciado também por estupro e tentativa de homicídio.

O CASO SOPHIA

O corpo de Sophia foi encontrado, nesse sábado (25), na área rural da cidade. O delegado responsável pelo caso, Mateus Rocha Rodrigues Alves, esclareceu que o suspeito foi preso após várias testemunhas apontá-lo como a última pessoa ser vista na região onde Sophia morava. A menina morava com a tia.

Conforme as investigações, a polícia chegou ao suspeito após a denúncia do sequestro de Sophia e um furto de uma motocicleta na região onde a menina morava. Para os policiais, a responsável pela criança apontou o vizinho como possível suspeito.

Cidade está em luto pela morte de Sophia. — Foto: Redes sociais/Reprodução

“Conversamos com a tia da menina. Ela disse que o vizinho seria o suspeito de sequestrar a sobrinha, já que testemunhas disseram que ele foi o único visto na rua no momento em que a menina sumiu”, relatou o delegado adjunto da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário de Dourados (Depac), onde o caso foi registrado.
Após os primeiros relatos, a polícia saiu em busca da menina e do suspeito. Era por volta da 1h de sábado, quando os oficiais avistaram o rapaz saindo de uma área de vegetação. Questionado, o suspeito respondeu estar “brincando de esconde-esconde com amigos”, comentou o delegado.

Foi então que o rapaz foi levado na situação de suspeito para a Depac de Dourados, cidade vizinha à Douradina. Na delegacia, o jovem, de 18 anos, confessou o furto da moto, o sequestro, estupro e assassinato de Sophia.

O corpo de Sophia passa por exame necroscópico para comprovar as agressões e a violência sexual. O suspeito, conforme a polícia, deverá responder por homicídio qualificado, estupro de vulnerável e roubo.

PM aposentado confessa crime no Procon e alega ‘autodefesa e racismo’

Ouvido na 1ª Delegacia de Polícia Civil após se apresentar nesta quinta-feira (16), o policial reformado José Roberto de Souza relatou que o homicídio de Antônio Caetano, de 67 anos, não foi premeditado. O homicídio aconteceu na segunda-feira (13), no Procon, em Campo Grande.

Autodefesa e racismo são algumas das alegações apresentadas pela defesa do policial militar aposentado para tentar justificar o assassinato do empresário. A versão foi explicada pelo advogado do suspeito, José Roberto da Rosa, na tarde esta quinta-feira (16).

Delegado responsável pelo caso, Antônio Souza Ribas Júnior, — Foto: Mariana Cintra/TV Morena

O PM reformado se apresentou na 1ª Delegacia de Polícia Civil, de Campo Grande, nesta quinta-feira (16) e confessou o crime. De acordo com o delegado Antônio Souza Ribas Júnior, o suspeito falou em depoimento que o homicídio não foi premeditado.

“Sentia que a vítima estaria destratando ele, tratando de forma desrespeitosa”, comentou o delegado. Ainda segundo o delegado, o militar reformado se mostrou calmo durante o depoimento. “Ele não alega que foi premeditado”, afirmou o delegado. A princípio, o militar confirmou que andava armado, sendo que não teria levado a arma propositalmente.

Segundo o depoimento à polícia, o desentendimento que levou ao crime teria ocorrido por conta do serviço de troca de motor de uma caminhonete, que pertence ao suspeito. “Foi quando ele e a vítima discutiram sobre a situação do problema da caminhonete e o Caetano teria se levantado da cadeira, nesse momento ele também se levantou, sacou a arma e efetuou os três disparos”, afirmou o delegado.

Advogados continuam apurando o caso e planejam defesa de suspeito de atirar conta empresário Foto: Débora Ricalde/

Conforme o advogado a primeira reunião de conciliação aconteceu no dia 10 de fevereiro deste ano. “Na sala, a vítima, Caetano, apresentou uma nota fiscal de R$ 20 mil. Porém a mudança do motor ficou R$ 30 mil. Isso foi cobrado por parte de suspeito, porque ele queria a nota fiscal os valores que foram pagos para regularizar a caminhonete com o Detran”.

Ainda conforme a defesa, o Caetano foi questionado sobre a emissão de uma nova nota fiscal, mas ele afirmou que não poderia naquele momento. Diante da situação, foi agendada uma nova audiência para 13 de fevereiro, dia que ocorreu o crime.

“No dia da nova reunião o Caetano apareceu com uma nota de R$ 22 mil e cobrava mais R$ 630 . Ali iniciou uma nova discussão. O Caetano disse que José poderia parcelar os R$ 630 em 10 vezes. Ele chegou a debochar a cor da pele de José Roberto e até o fato de ele ser policial, o chamando de ‘policinha preto”‘, afirmou o advogado.

Nota apresentada por Caetano na primeira audiência — Foto: Divulgação

O advogado de defesa diz que após o crime, o PM reformado foi até a região da Lagoa Itatiaia e escondeu a arma que teria sido utilizada no homicídio e seu aparelho celular. A informação, conforme ele, foi repassada também a Polícia Civil, mas os objetos não foram encontrados.

“Arma é particular, ele alega que possuía o porte, mas polícia está atrás dessa informação para confirmar. Porém, informações preliminares apontam que o registro estaria vencido”, afirmou o delegado responsável pelo caso.

O delegado disse ainda que está apurando também o motivo do policial militar ter sido reformado, pois existem informações de que tenha sido aposentado em razão de problemas psicológicos.

Amigo de infância matou Rafael a tiros no Leblon em suposto crime passional

Rafael Freitas Silva, 29 anos, foi atingido por seis dos nove disparos efetuados contra ele no final da manhã desta segunda-feira (21). O crime aconteceu na Rua Tamoio, no Jardim Leblon, em Campo Grande, logo após o rapaz deixar o filho na casa da ex-mulher. Umas das hipóteses investigadas pela polícia é que o crime tenha motivação passional, já que suspeito e vítima tiveram relacionamentos com a mesma mulher.

Rafael foi atingido por seis disparos e morreu antes do socorro chegar. (Foto: Reprodução | Facebook)

O Delegado da Polícia Civil Camilo Kuttenhuber deu as primeiras informações sobre o caso, “tanto autor quando vítima eram amigos de infância. Além disso, a mãe do filho de Rafael também tem outro filho fruto do relacionamento com o suspeito”, disse.

A vítima chegou com o filho a bordo de uma corrida de aplicativo, enquanto o autor em um Renault Logan, branco. “Na ocasião, o suspeito estava na frente da casa, dentro do veículo. Ele Tinha acabar de deixar da marmita para a mulher. Em seguida, a vítima chegou para deixar o filho e foi embora andando, até ser morto.”

A ex-companheira de Rafael também relatou que Rafael pegava dinheiro emprestado e tem alguns problemas. Além disso, que ela tinha terminado com Rafael há algum tempo, e com o suspeito era um relacionamento mais amigável, pois ele sempre a ajudava a cuidar das crianças, diferente de Rafael, que segundo ela não prestava a devida atenção com relação à criança.

Rafael tem passagens por tráfico e atropelamento e há uma semana teria saído do presídio. Ele acabou morrendo antes mesmo do socorro chegar. Já o autor ainda não teve o nome divulgado e está sendo procurado pela polícia.

Equipes da PM (Polícia Militar), Batalhão de Choque, Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), GOI (Grupo de Operações e Investigações) da Polícia Civil e da Perícia estiveram no local.

 

Rapaz que matou ex-namorada a facadas disse que “ela me desafiou e me ofendeu”

Ele confessou o feminicídio da ex-mulher Rebeca França

Em depoimento na delegacia de Polícia Civil de São Gabriel do Oeste, Rafael Rocha de Moraes, de 20 anos, confessou ter assassinado a ex-esposa, Rebeca Franca Antônio. Ele relatou que a vítima estava mandando mensagens o desafiando.

As mensagens seriam em decorrência dos filhos do casal, duas crianças que teriam ficado com a mãe da vítima. Rafael foi até a casa onde Rebeca estava, no bairro Fênix, passaram a discutir e ela foi morta a facadas. O crime aconteceu no fim da manhã de ontem (07), em seguida Rafael fugiu, mas se entregou no fim da tarde, acompanhado de advogado, pois temia represálias.

Rafael se apresentou na tarde de ontem. (Reprodução Redes Sociais)

Conforme informações da Polícia Civil, exames da perícia apontam que Rebeca foi atingida por duas facadas, uma delas no coração.

No momento em que se entregou na delegacia, Rafael apresentou a faca utilizada no crime.

Conforme o delegado Fábio da Silva Magalhães, Rafael foi autuado por feminicídio, com pena prevista de 12 a 30 anos de reclusão.

De acordo com os registros da Polícia Civil, este é o 29º caso de feminicídio em Mato Grosso do Sul, neste ano.

Vídeo: Atirador da polícia mata sequestrador com bebê no colo

Incidente aconteceu em fevereiro deste ano, mas os vídeos só foram divulgados agora

Imagens de câmeras corporais de policiais registraram o momento em que um agente atira no sequestrador de um bebê enquanto ele segurava a criança no colo, em Utah, no Arizona, nos Estados Unidos.

O incidente aconteceu em fevereiro deste ano, mas os vídeos só foram divulgados após um pedido da estação de televisão KUTV.

 

Oscar Alcântara, de 30 anos, estava fugindo de policiais devido a um outro incidente, quando entrou no carro de uma mulher com o filho dela ainda dentro do veículo. Após uma perseguição, os policiais tentaram fazer com que o homem entregasse o bebê.

No entanto, Alcântara saiu do carro com a criança no colo e apontou uma arma para ela. Enquanto a polícia tentava negociar com o homem, atiradores se posicionaram e atiraram no sequestrador, ainda com o bebê nos braços. O homem morreu e a criança não se feriu.