Cartão corporativo: Gastos elevados de Bolsonaro coincidem com motociatas

Registros mostram dispêndio de quase R$ 200 mil em datas próximas a 3 eventos; despesas de Lula e Dilma foram maiores

Os gastos no cartão corporativo da Presidência da República durante a gestão Jair Bolsonaro (PL) – revelados depois de um período de sigilo com o argumento de preservar a segurança do chefe do Executivo e de parentes – apontam que foram registrados gastos expressivos durante motociatas.

Ao menos três exemplos revelam isso. O Estadão pesquisou registros de notas fiscais em datas próximas aos passeios de moto. Geralmente os eventos eram associados a outros compromissos da agenda oficial, mas pairavam dúvidas sobre os custos relacionados a essas atividades.

Presidente Bolsonaro participa de motociata com apoiadores em Porto Alegre Foto: Reprodução Estadão

Na véspera de uma motociata realizada no Rio de Janeiro, em maio de 2021, foram gastos R$ 33 mil em uma panificadora. Já entre os dias 9 e 10 de julho do mesmo ano, na Serra Gaúcha e em Porto Alegre – onde foi seguido de moto por apoiadores -, foram mais R$ 166 mil no cartão corporativo, em 46 despesas, concentradas em hospedagem, alimentação e combustível. Outro caso aconteceu em Ribeirão Preto (SP), em maio de 2022, onde foi feito pagamento de R$ 16 mil em uma padaria.

Segundo dados obtidos pela agência Fiquem Sabendo, a Presidência na gestão Bolsonaro gastou ao menos R$ 27,6 milhões com cartão corporativo. O ex-presidente não é o que fez mais despesas desse gênero. No seu primeiro mandato, Luiz Inácio Lula da Silva consumiu, em valores atualizados pela inflação, R$ 59,7 milhões entre 2003 e 2006. No segundo mandato, foram mais R$ 47,9 milhões. Entre 2011 e 2014, Dilma Rousseff gastou R$ 42,3 milhões.

Bolsonaro foi, no entanto, o único presidente a dizer publicamente que não fazia uso do cartão. A divulgação dos extratos, porém, mostra que isso não era verdade e detalha como ele usava o dinheiro da conta privativa de presidente da República. Os valores referentes a Bolsonaro ainda podem ser maiores porque nem todos os dados de despesas com cartão foram consolidados.

Nos quatro anos de governo, Bolsonaro disse ao menos 15 vezes em lives que não utilizava o cartão corporativo para despesas pessoais e dizia que eram para bancar a equipe que o acompanhava nas viagens. “O meu particular, eu posso sacar até R$ 25 mil por mês e tomar em tubaína. Nunca saquei um centavo”, disse o presidente, durante uma live em nas redes sociais no dia 1.º de setembro do ano passado.

Dos 59 tipos de despesas feitas com o cartão, os gastos com hotel foram os que mais consumiram recursos. Pelo menos R$ 13,6 milhões foram desembolsados em hospedagem: muitas vezes em locais de luxo, contrariando o discurso geralmente adotado por Bolsonaro, que afirmava ser contrário a esbanjar dinheiro público quando é possível optar pela simplicidade.

Na lista de endereços que receberam quantias polpudas está o Ferraretto Hotel, em Guarujá (SP), cidade onde o agora ex-presidente costumava passar momentos de descanso. Ao longo dos quatro anos, o estabelecimento recebeu R$ 1,46 milhão. Consultas na internet mostram que as diárias variam de R$ 436 (em promoção) a R$ 940. Assim, considerando um valor médio de R$ 500, o montante seria suficiente para mais de 2,9 mil diárias.

Chama a atenção na lista de despesas a presença de um acanhado restaurante de Boa Vista, em Roraima. Há uma nota de R$ 109 mil no Sabor de Casa, estabelecimento que fornece marmitas promocionais a R$ 20 e também faz entregas.

Também em panificadoras os gastos em vários estabelecimentos passavam de R$ 10 mil. Por 20 vezes ao longo do mandato de Bolsonaro, há pagamentos para uma das filiais da padaria carioca Santa Marta. As notas fiscais variam de R$ 880 (menor valor) a R$ 55 mil (maior valor), com média de R$ 18 mil. Ao todo, o estabelecimento recebeu R$ 362 mil do cartão corporativo da Presidência. Um dos gastos foi no dia 22 de maio de 2021, na véspera de uma motociata realizada no Rio.

A predileção por doces, muitas vezes confessados por Bolsonaro, aparecem em números. Em cinco sorveterias foram feitas 62 compras, que somaram R$ 8,6 mil.

Não é ilegal comprar sorvete com o cartão corporativo. Mas esse recurso deve ser usado para ações fundamentais ao governo, principalmente em deslocamentos – e todas as sorveterias listadas no sistema são de Brasília.

Cartão Corporativo de Bolsonaro: Veja os gastos milionários do ex-presidente

Cartão corporativo: Bolsonaro gastou R$ 1,46 milhão em um único hotel e R$ 362 mil na mesma padaria. Despesas chegam a R$ 27,6 milhões, incluindo gastos com sorvete, cosméticos, pet shop e na Havan; dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação

Foram divulgados nesta quinta-feira (12) os gastos do cartão corporativo da presidência da República, enquanto Jair Bolsonaro (PL) ainda era presidente.

Cerca de R$ 27,6 milhões foram gastos com sorvetes, cosméticos e hotéis de luxo. As informações foram adquiridas pela Fiquem Sabendo, agência especializada na Lei de Acesso a Informação e publicadas pelo Estadão.

O ex- presidente está nos Estado Unidos FOTO: ISAC NÓBREGA/PR

Gastos com doces e mercado gourmet
A reportagem revela 62 compras feitas em cinco sorveterias, somando um gasto de R$ 8,6 mil. Em uma dessas sorveterias foram gastos R$ 540 em uma só compra.

Comprar sorvete ou guloseimas com o cartão corporativo não é ilegal, mas apenas vai contra o proposito do cartão, que deve ser usado apenas com gastos fundamentais do governo.

Em um mercado gourmet do Distrito federal, foram gastos R$ 678 mil em 1,2 mil compras.

Lojas Havan
O cartão corporativo também foi utilizado para comprar itens de caça e pesca na filial da Havan no Distrito Federal.

Ao todo, foram gastos R$ 460 na loja do aliado de Bolsonaro, Luciano Hang.

Hotéis de Luxo
Cerca de R$ 13,6 milhões do cartão corporativo foram gastos com hospedagem.

Um dos hotéis de luxo que receberam grandes quantias do cartão corporativo de Bolsonaro é o Ferraretto Hotel, no estado de São Paulo. Durante os quatro anos de governo, o estabelecimento recebeu R$ 1,4 milhão.

Restaurantes e padarias
No restaurante Sabor da Casa, em Roraima, há uma nota de R$ 109 mil. O estabelecimento vende marmitas por R$ 20.

A filial da padaria Santa Marta recebeu valores do cartão corporativo que variam de R$ 880 a R$ 55 mil. No total, o estabelecimento recebeu R$ 362 do cartão corporativo do presidente Bolsonaro.

 

Bolsonaro divulga vídeo que questiona vitória de Lula e apaga postagem

Ex-presidente compartilhou fala de procurador que diz que voto eletrônico não é confiável

O ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue nos Estados Unidos desde o fim do ano passado, compartilhou um vídeo nesta terça-feira, 10, questionando o resultado da eleição presidencial de 2022, em sua primeira manifestação expressa em defesa da tese de fraude eleitoral após os atos golpistas do fim de semana, em Brasília. Ele apagou o conteúdo pouco mais de três horas depois.

Ex-presidente Jair Bolsonaro entra em residência em Kissimmee, na Flórida, após deixar hospital Foto: Reuters

O vídeo compartilhado por Bolsonaro mostra o trecho de uma entrevista do procurador Felipe Gimenez, do Estado de Mato Grosso do Sul, em que ele defende que a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva foi fraudada e que o voto eletrônico não é confiável. O recorte, com a logomarca de uma rede social que permite a edição de vídeos, mostra a legenda “Lula não foi eleito pelo povo, ele foi escolhido e eleito pelo STF e TSE”.

“Lula não foi eleito pelo povo brasileiro. Lula foi escolhido pelo serviço eleitoral, pelos ministros do STF e pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral”, diz Gimenez, acrescentando: “Porque se fosse uma escolha do povo, haveria poder do povo sobre essa escolha, poder do povo sobre o processo de apuração dos votos”.

A teoria conspiratória do vídeo compartilhado pelo ex-presidente é uma das narrativas usadas como fundamento pelos extremistas que invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal no fim de semana.

Acusado pelo presidente Lula e aliados de instigar os atos antidemocráticos em Brasília, Bolsonaro afirmou ainda no domingo que depredações e invasões de prédios públicos “fogem à regra” e repudiou as acusações feitas contra ele.

“Manifestações pacíficas, na forma da lei, fazem parte da democracia. Contudo, depredações e invasões de prédios públicos como ocorridos no dia de hoje, assim como os praticados pela esquerda em 2013 e 2017, fogem à regra”, escreveu em outra rede social.

O compartilhamento do vídeo pelo ex-presidente também ocorre um dia antes de novos atos, que, segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), estão sendo planejados para a quarta-feira, 11, em todas as capitais do País, incluindo Brasília.

Moraes determina prisão de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a prisão do ex-ministro da Justiça Anderson Torres. A Polícia Federal cumpre busca e apreensão na residência dele em Brasília nesta terça-feira, mas ele atualmente está nos Estados Unidos em viagem com sua família.

Anderson Torres: Ele foi ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro (Isac Nóbrega/PR/Flickr)

A suspeita de Moraes é que Torres, na função de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, tenha sido um dos responsáveis pelas falhas no esquema de segurança que resultou na invasão dos prédios dos Três Poderes no domingo.

Policial federal de carreira, Anderson Torres foi ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro e se alinhou a diversas pautas do seu chefe, como as acusações falsas contra as urnas eletrônicas. Pela participação em uma live na qual Bolsonaro disseminou essas notícias falsas, Torres se tornou alvo de investigação aberta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ao deixar o governo Bolsonaro, ele retomou o posto de secretário de Segurança do DF, que ocupou durante a primeira gestão de Ibaneis Rocha.

Também nesta terça-feira, Moraes determinou a prisão do ex-comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal coronel Fábio Augusto. O coronel foi exonerado do cargo pelo interventor federal na segurança do DF, Ricardo Cappelli. A atuação da Polícia Militar nos atos terroristas na Esplanada dos Ministérios, no domingo, foi criticada por diversas autoridades, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e motivou a decretação da intervenção.

‘Instituições irão punir todos os responsáveis’

Em discurso durante a posse do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Moraes afirmou que o combate aos terroristas que realizaram atos de vandalismo em Brasília continuará, e que “as instituições irão punir todos os responsáveis”, inclusive “aqueles que incentivaram, por ação ou por omissão”.

— As instituições irão punir todos os responsáveis. Aqueles que realizaram os atos, aqueles que financiaram, aqueles que incentivaram, por ação ou por omissão.

O ministro, que na segunda-feira determinou a desmobilização de todos os acampamentos de bolsonaristas no país, com a prisão de quem permanecesse no local, disse que o combate aos atos antidemocráticos continuará.

— Temos que combater firmemente as pessoas antidemocráticas, as pessoas que querem dar um golpe, as pessoas que querem um regime de exceção — disse.

Bolsonaro fala em antecipar volta ao Brasil devido a obstrução intestinal

Ex-presidente pretendia ficar nos Estados Unidos até o fim de janeiro

O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, 10, à CNN Brasil que pretendia ficar nos Estados Unidos até o fim de janeiro, mas que antecipará o retorno ao Brasil após ter sido internado devido a um novo caso de obstrução intestinal.

Jair Bolsonaro viajou para a Flórida antes de encerrar seu mandato Foto: EPA / Ansa – Brasil

“Eu vim para ficar até o final do mês, mas pretendo antecipar minha volta. Porque, no Brasil, os médicos já sabem do meu problema de obstrução intestinal por causa da facada. Aqui, os médicos não me acompanharam”, disse Bolsonaro, de acordo com reportagem no site da CNN Brasil.

Bolsonaro, de 67 anos, foi internado nesta segunda-feira em um hospital nos arredores de Orlando, na Flórida, com um novo quadro de obstrução parcial do intestino, mas não deve precisar ser submetido a mais uma cirurgia, segundo o médico-cirurgião dele, Antônio Luiz Macedo.

O ex-presidente tem um histórico de hospitalizações por problemas intestinais desde que levou uma facada no abdome durante a campanha eleitoral de 2018. Ele já passou por seis cirurgias desde então, quatro delas diretamente ligadas à facada. Em janeiro do ano passado, ele também teve uma obstrução intestinal que o levou a ser internado em São Paulo.

A internação aconteceu um dia após apoiadores radicais de Bolsonaro invadirem e depredarem o Palácio do Planalto e os prédios do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) em atos antidemocráticos que pedem um golpe contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bolsonaro jamais reconheceu cabalmente a vitória do petista e fez gestos de estímulo ao movimento pró-golpe que surgiu desde a derrota nas eleições. Ele viajou para a Flórida dois dias antes da posse de Lula, de forma a não participar da cerimônia de transferência de poder.

“Vim passar um tempo fora com a família. Mas não tive dias calmos. Primeiro, houve esse lamentável episódio ontem (domingo) no Brasil e depois essa minha internação no hospital”, afirmou à CNN Brasil.

O futuro de Bolsonaro nos EUA, para onde ele viajou com visto emitido para chefes de Estado, diplomatas e outros governantes, era em questão em aberta. O deputado Joaquin Castro, parlamentar democrata no Congresso dos EUA, disse à CNN que os Estados Unidos não deveriam dar refúgio a um “autoritário que inspirou terrorismo doméstico” e deveriam enviar Bolsonaro de volta ao Brasil. O governo dos EUA se recusou a comentar sobre o visto de Bolsonaro. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Ned Price disse nesta segunda-feira que uma pessoa que entrou com um visto para autoridades estrangeiras deve deixar o país dentro de 30 dias ou solicitar uma mudança de status de imigração se não estiver mais envolvida em atividades oficiais.

 

Deputados americanos pedem expulsão de Bolsonaro dos Estados Unidos

Bolsonaro saiu do Brasil no último dia 30 de dezembro, antes do fim de seu mandato, com o objetivo de não entregar a faixa para Luiz Inácio Lula da Silva

Os deputados americanos Alexandria Ocasio-Cortez e Joaquin Castro, filiados ao Partido Democrata de Joe Biden, pediram em publicações no Twitter que Jair Bolsonaro (PL) deixe os Estados Unidos, citando os ataques à democracia empreendidos por apoiadores do ex-presidente do Brasil em Brasília neste domingo (8).

Bolsonaro saiu do Brasil no último dia 30 de dezembro, antes do fim de seu mandato. Rompendo uma tradição democrática, decidiu não passar a faixa para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e se instalou na região de Orlando, próximo aos parques da Disney.

Alexandria Ocasio-Cortez e Joaquin Castro, filiados ao Partido Democrata de Joe Biden, pediram a deportação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) (foto: Mauro PIMENTEL / AFP)

Segundo Gustavo Ferraz de Campos Monaco, professor titular de direito internacional privado da Faculdade de Direito da USP, dois caminhos poderiam resultar na saída compulsória do político dos EUA: deportação e extradição.

O processo de extradição depende de diferentes variáveis. Monaco explica que ele deve, primeiro, ser solicitado pelo Judiciário brasileiro e, então, encaminhada pelo governo federal ao americano -que pode ou não aceitá-lo.

A extradição só pode acontecer caso exista um acordo específico entre os dois países envolvidos, o que é o caso de Brasil e EUA, e depende de fatores como reciprocidade de penas, explica o professor.

A deportação, por sua vez, é um mecanismo mais rápido e depende exclusivamente da vontade do Estado no qual o ex-presidente agora se encontra. Nesse caso, a decisão não precisa estar ancorada em nenhuma premissa ou pressuposto, segundo Monaco. Seguindo essa hipótese, caso tenha usado seu passaporte diplomático para entrar nos EUA, o ex-presidente teria 72 horas para deixar o país.

É preciso ponderar também que ambos os processos, no caso de um ex-presidente como Bolsonaro, poderiam trazer um desgaste diplomático para Washington.

Deputada por Nova York, Alexandria Ocasio-Cortez afirmou, em sua conta de Twitter, que os EUA deveriam parar de “conceder refúgio a Bolsonaro” na Flórida.

“Cerca de dois anos depois de o Capitólio dos EUA ser atacado por fascistas, vemos movimentos fascistas no exterior tentando fazer o mesmo no Brasil’, afirmou ela.

A mensagem foi publicada depois da invasão da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na tarde deste domingo (8). Os golpistas invadiram áreas do Congresso Nacional, do Planalto e do STF (Supremo Tribunal Federal), espalharam atos de vandalismo e depredação e entraram em confronto com a PM.

Mensagem semelhante à de AOC foi publicada pelo deputado democrata Joaquin Castro, do Texas, também na rede social. Nela, o deputado presta apoio ao governo brasileiro e afirma que “Bolsonaro não deve receber refúgio na Flórida, onde se esconde da responsabilidade por seus crimes”. O ex-presidente é alvo de investigações, mas não foi formalmente denunciado na Justiça brasileira.

“Terroristas domésticos e fascistas não podem usar a cartilha de Trump para minar a democracia”, disse Castro.

Os congressistas americanos foram só dois dos muitos políticos que compararam os atos deste domingo em Brasília com o ocorrido em Washington há, coincidentemente, dois anos atrás.

Em 6 de janeiro de 2021, a invasão do Capitólio foi insuflada por um discurso do então presidente Donald Trump, levando manifestantes a invadirem o prédio do Legislativo americano, em uma tentativa de impedir a certificação da vitória de Joe Biden na eleição de 2020 -o republicano e seus seguidores sustentam até hoje o discurso mentiroso de que o pleito foi fraudado.

O maior ataque recente à democracia americana foi classificado por muitos como uma tentativa de golpe de Estado e se tornou alvo de uma série de investigações, do Departamento de Justiça, do FBI e do próprio Congresso. O ataque resultou na morte de cinco pessoas, entre os quais um policial.

Bolsonaro é internado em hospital de Orlando, Estados Unidos

Ex-presidente da República foi levado ao AdventHealth Celebration, na Flórida

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi internado nesta segunda-feira (9) com fortes dores abdominais em Orlando, na Flórida. O político está no Advent Health Celebration, hospital com 220 leitos nas imediações da cidade norte-americana.

Bolsonaro foi internado no Advent Health Celebration, em Orlando. Foto: Facebook

A informação foi confirmada para a redação da Band. Jair Bolsonaro já foi hospitalizado algumas vezes após a facada que sofreu nas eleições presidenciais de 2018. A mais recente foi em novembro, quando esteve no Hospital das Forças Armadas, em Brasília.

Bolsonaro comenta ataques no DF
Neste domingo (8), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou mensagem em redes sociais comparando a invasão de destruição do patrimônio na Praça dos Três Poderes, em Brasília, a atos “de esquerda” em 2013 e 2017.

O ex-presidente, cujos apoiadores invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, disse que repudia o que chamou de “acusações sem provas” contra ele, por supostamente incentivar atos antidemocráticos.

“Manifestações pacíficas, na forma da lei, fazem parte da democracia. Contudo, depredações e invasões de prédios públicos como ocorridos no dia de hoje, assim como os praticados pela esquerda em 2013 e 2017, fogem à regra”, escreveu.

Bolsonaro disse que não tem culpa pelos atos de vandalismo, mencionando declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “No mais, repudio as acusações, sem provas, a mim atribuídas por parte do atual chefe do executivo do Brasil”, concluiu.

Janja revela estragos no Alvorada e critica Bolsonaro

Janja apontou, no espaço onde a família presidencial vai morar, diversos danos em tapetes, sofás rasgados e infiltração nas paredes

Rosângela Lula da Silva, a Janja, esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reclamou nesta quinta-feira (5) do estado de conservação de móveis e a ausência de objetos no Palácio do Alvorada. Por conta disso, eles só devem fazer a mudança após a realização de inventário completo.

Janja, esposa do presidente Lula (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)

As queixas e críticas de Janja foram feitas durante entrevista concedida à GloboNews.

O que a gente percebe é a falta de cuidado, de manutenção… os pés dos móveis, que são de latão, não estão polidos. Os móveis não são os originais. A gente vai tentar recuperar isso”, disse a socióloga.

Ainda de acordo com Janja é necessário visitar o depósito da Presidência.

“A Presidência da República tem um depósito de móveis e ver o que foi para lá. Tem muitos objetos, que foram transportados de um lado para o outro, daqui para o Jaburu. Então a gente precisa localizar esses objetos.”

Janja apontou, no espaço onde a família presidencial vai morar, diversos danos em tapetes, sofás rasgados, infiltração nas paredes, janelas quebradas e obras de arte que não estão lá e que ainda não foram rastreadas para se saber onde estão.

A socióloga também falou que Lula ficou decepcionado com a estrutura encontrada no Alvorada.

“Ele ficou um pouco desolado, porque ele morou um ano e pouco com a dona Marisa na Granja do Torto para fazer uma grande reforma e aí encontrar isso em dez anos”, contou.

Ainda durante a visita, Janja mostrou alguns equipamentos usados em transmissões ao vivo feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais.

No início da semana, o novo ministro da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), Paulo Pimenta, declarou que o governo Bolsonaro entregou as residências oficiais “de qualquer jeito” para a gestão Lula.

Na quarta-feira (4) a Polícia Federal (PF) conduziu uma varredura no Ministério da Justiça. O mesmo procedimento será feito no Alvorada. Por enquanto, Lula segue hospedado em um hotel em Brasília, sem previsão de data para a mudança.

PSOL pede prisão preventiva de Bolsonaro por ‘incentivar’ atos antidemocráticos

A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados pediu nesta segunda-feira, 2, a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Fora do cargo, Bolsonaro perde o foro por prerrogativa de função e a imunidade penal temporária, que impedia uma eventual prisão.

Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) Imagem: Alan Santos/PR

A representação tem como base as manifestações contra o resultado das eleições que fecharam estradas e pediram a intervenção das Forças Armadas para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os deputados do PSOL pedem que Bolsonaro seja investigado no chamado inquérito dos atos antidemocráticos por atentar contra a democracia e o Estado de Direito.

Os parlamentares afirmam que o ex-presidente “preparou, articulou e incentivou” protestos antidemocráticos que escalaram para atos terroristas em Brasília no mês passado. Também acusam Bolsonaro de usar a “radicalização como método de mobilização de suas bases”.

“Tal postura de atacar as instituições responsáveis pelo processo eleitoral, somada a completa ausência de uma declaração dirigida a seus apoiadores reconhecendo sua derrota no pleito, demonstram de maneira inconteste que Jair Messias Bolsonaro está deliberadamente mantendo sua base radicalizada ativa, o que culminou em diversos atos criminosos e terroristas ao redor do Brasil, configurando uma verdadeira organização criminosa contra a democracia”, diz um trecho do documento.

Além da prisão, os deputados também pedem a quebra de sigilo telefônico e de mensagem do ex-presidente e o cumprimento de mandados de busca e apreensão de provas.

A petição é assinada pela bancada do PSOL em exercício e pelos deputados recém-eleitos pelo partido – Áurea Carolina, Célia Xacriabá, Chico Alencar, Érika Hilton, Fernanda Melchionna, Glauber Braga, Guilherme Boulos, Ivan Valente, Luciene Cavalcante, Luiza Erundina, Pastor Henrique Vieira, Sâmia Bomfim, Talíria Petrone, Tarcísio Motta e Vivi Reis. O presidente nacional da legenda, Juliano Medeiros, também subscreve a representação.

 

Vídeo: Em live Bolsonaro chora, mas diz a apoiadores que ‘mundo não vai acabar em 1° de janeiro’

Prestes a viajar para Miami, Bolsonaro faz live em tom de despedida em fim de mandato: “Obrigado”:

Na véspera do fim do seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro (PL) rompeu o silêncio de cerca de dois meses em uma live nesta sexta-feira, 30. Além de fazer um balanço dos quatro anos à frente do Palácio do Planalto e defender suas decisões, o presidente pediu “inteligência” aos apoiadores.

Crítico do ato terrorista em Brasília, no qual um homem plantou um explosivo em um caminhão de combustível perto do aeroporto da capital federal, o presidente reconheceu os esforços dos bolsonaristas, que enfrentaram “sol e chuva” desde 30 de outubro e garantiu que nada “ficará perdido”. Por outro lado, ponderou que a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo, 1º, não representará o fim do mundo.

Em sua última live como Presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) se emocionou

“Não vamos acreditar que o mundo vai acabar em 1º de janeiro. ‘Vamos para o tudo ou nada’, não. Vamos mostrar que somos diferentes do outro lado”, orientou.

O futuro ex-presidente sugeriu que fará oposição ao governo a partir de 2023, já que o “quadro agora em janeiro não é bom” e recomendou que seus apoiadores aproveitem o interesse da população na política brasileira.

“Creio no patriotismo de vocês, na inteligência de vocês”, acrescentou.

Crítica ao TSE
Apesar de desencorajar os seguidores a continuarem nos acampamentos que questionam o resultado das eleições, Bolsonaro voltou a criticar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando citou o pedido de impugnação de parte das urnas usadas no segundo turno das eleições. O ainda chefe do Executivo também relembrou o caso da suposta falta de isonomia em inserções de propaganda eleitoral nas rádios.