Assembleia vai participar de audiência de relicitação da Malha Oeste

Para Gerson Claro, audiência será oportunidade para conhecer o formato de concessão que a ANTT está propondo e apresentação de sugestões

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) vai participar, na próxima quarta-feira (26), da audiência pública sobre a relicitação da concessão da Malha Oeste, trecho ferroviário entre Corumbá e Mairinque, no interior de São Paulo. A audiência, promovida pela  Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), está programada para começar às 14h, no auditório do Grand Park Hotel, na Avenida Afonso Pena, 5.282. A segunda audiência pública está programada para o dia 3 de maio, em Brasília, na sede da ANTT.

 

A Malha Oeste está praticamente desativada, com exceção de dois  trechos. Em Três Lagoas, pela ferrovia sai a celulose exportada pelo Porto de Santos. O minério de ferro de Corumbá anda poucos quilômetros sobre trilhos até chegar à Bolívia. Parcialmente desativada desde 2015, a linha férrea será relicitada após a concessão ser devolvida pela Rumo ALL há três anos.

Gerson Claro reclama da exclusão do ramal ferroviário até Ponta Porã (Foto: Luciana Nassar)

Segundo o deputado Gerson Claro (PP), presidente da Assembleia Legislativa, a audiência será uma oportunidade para os diferentes segmentos organizados da sociedade sul-mato-grossense conhecerem as linhas gerais do formato de concessão que a ANTT está propondo e apresentarem sugestões para aperfeiçoá-lo. “Uma questão que me chamou atenção é a exclusão do ramal ferroviário até Ponta Porã, sob a justificativa de ser inviável economicamente por causa da concorrência de uma ferrovia, a extensão da Ferroeste de Cascavel até Maracaju, que ainda é só um projeto, com previsão de inicio das operações em 2035, se o cronograma de implantação de 1.576 km for cumprido. Não se pode ignorar que o ramal simplesmente atravessa os quatro maiores polos agrícola de Mato Grosso do Sul . O ramal, que pode complementar a logística de escoamento da produção , se conectando com a Ferroeste, tem o traçado pronto, talvez seja preciso fazer algumas adequações nos trechos  onde atravessa o perímetro urbano das cidades, prescinde  de desapropriações para reconstrução da ferrovia com adoção de bitola larga”.

Potencial 

Os estudos de viabilidade econômica mostram que o trecho a ser licitado, 1.623 km, tem potencial de transportar 40 milhões de toneladas, principalmente de minérios e celulose. Para atingir este potencial, a futura concessionária deverá investir R$ 18,1 bilhões em 60 anos. A maior parte do montante, de R$ 16,4 bilhões, será destinado aos primeiros sete anos para a troca de dormentes e trilhos, compra de locomotivas, reforma de pátios de manobras, entre outros.

Apesar  do frete rodoviário ser 362% mais caro em relação ao ferroviario para o transporte de fertilizantes, por exemplo, o caminhão é hoje a  única opção em MS. Estudo da ANTT mostra que o custo do transporte do fertilizante por carretas é de R$ 14,84 por toneladas, enquanto por trens pode sair por R$ 3,21.

O Estado tem potencial de 35 milhões a 40 milhões de toneladas de serem transportados por ano pela ferrovia. A maior parte será composta por celulose (R$ 12,7 milhões), minério de ferro (7 milhões de toneladas), grãos (7,3 milhões), açúcar (2,4 milhões de toneladas) e combustíveis.

O transporte de combustíveis pelos vagões está suspenso há oito anos, desde 2015. Conforme estimativa da ANTT, os caminhões trazem para o Estado 30 milhões de metros cúbicos de gasolina e 56 milhões de metros cúbicos de óleo diesel.

A Malha Oeste é a nova denominação da Novoeste, concessionária entre Bauru e Corumbá. Primeira a ser privatizada no País, em 5 de março de 1996, a ferrovia passou por investidores americanos (Noel Group) e brasileiros (ALL). O fracasso custou caro ao Estado, que ficou sem um dos modais de transporte mais baratos para garantir o escoamento da produção.

PT fecha acordo com Riedel e agora faz parte do governo

Petistas vão comandar Agraer e secretarias executivas, conforme combinado com governador

O PT fechou na manhã desta sexta-feira (13) acordo para integrar a gestão do governador de Mato Grosso do Sul Eduardo Riedel, do PSDB. Os petistas concordaram com a proposta do tucano, anunciada já no início do mandato, para chefiar secretarias executivas e subsecretarias.

Ficou acertado que os petistas ficarão com o comando da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), Secretaria Executiva de Agricultura Familiar, Povos Originários e Comunidades Tradicionais e outras oito subsecretárias temáticas dentro da SETESCC (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania).

Reunião aconteceu nesta sexta-feira – Foto: Álvaro Rezende

“Afunilamos para isso [espaço]. Primeiro, acho importante ressaltar, é a capacidade da leitura do momento, da conjuntura política. Nós já tivemos divergências com o PSDB, mas no campo das ideias. O PT deve apoiar o governo, fizemos acordo neste sentido”, afirmou o deputado Amarildo Cruz (PT).

O ex-governador e deputado estadual eleito Zeca do PT, que recentemente teceu fortes críticas a Eduardo Riedel pela falta de diálogo e desprestígio com a cúpula petista do Estado disse após o acordo fechado que “o resultado foi o melhor possível, Riedel é um homem inteligente e sabe que precisa da bancada federal e nós na Assembleia com votação de projetos. Ele precisa dessa relação e harmonia para canalizar recursos de lá. Essas secretárias tem o papel de articular e aplicar boas políticas para a agricultura familiar”, disse o deputado.

Conversaram com o governador os deputados Vander Loubet (federal), Zeca do PT e Amarildo Cruz e o vereador em Campo Grande, Ayrton Araújo e Luiza Ribeiro, que assume mandato no dia 1º de fevereiro. Os nomes indicados para os cargos, segundo os petistas, devem ser anunciados semana que vem.

De acordo com Riedel, “recebi hoje aqui a bancada do PT para conversar especialmente em relação a temas ligados a área de cidadania, agricultura familiar e outros interesses do Mato Grosso do Sul”.

Já o deputado federal Vander Loubet avaliou de maneira positiva a audiência com o governador: “vamos construir políticas públicas importantes para o Estado, sempre destaco que hoje nós temos mais pontos convergentes, do que divergentes. Quem ganha com isto são aqueles que estão lá na ponta e precisam da mão do Estado”.