O imposto não é o mais caro

Existe algo pior que a carga tributária no Brasil? Sim, lógico, existe. É a sobrecarga, que agora pode ter um paradeiro com a reforma. Mas é esta mesma reforma que levou a maioria dos estados brasileiros a aumentar as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), pois não?

Certo. Mas esta é uma questão que se explica e se justifica. Acontece que quase todos os estados – ou todos os governos estaduais – conseguiram ajustar suas políticas financeiras e fiscais. Fecharam 2023 com as contas no raso ou profundamente abaixo da superfície. Diante disto, os governantes e suas equipes econômicas entenderam necessário antecipar uma solução de emergência para recuperar as receitas – e elevaram o valor do ICMS.

Imaginem um quadro da economia com nichos minimamente estáveis, como, por exemplo, a capacidade de compra da população, mesmo diante de inevitáveis oscilações. E imaginem em seguida este quadro sofrer bruscas mudanças, com os preços subindo além das médias e o custo dos produtos e de vida disparando, juntamente com a inflação.

Pois foi exatamente no vislumbrar desta amarga possibilidade que o governador Eduardo Riedel decidiu congelar a alíquota-padrão do ICMS. Tinha e tem um alicerce sólido para isto, que é o vigoroso equilíbrio da sua política financeira e fiscal. O Estado pode suportar impactos imediatos da reforma e ajustar-se a ela sem ferir a economia popular.

O ICMS incide em praticamente todos os produtos, afetando o preço final que chega ao contribuinte. Para 2024, o Governo do Estado prevê arrecadar R$ 25 bilhões, dos quais R$ 16 bilhões em ICMS. A estratégia de Mato Grosso do Sul é objetiva, tem lógica. O governador vê no crescimento econômico uma garantia de aumento na arrecadação. Com o povo podendo comprar, alimenta-se o comércio e outros segmentos, a economia gira com o giro do capital.

Mato Grosso do Sul é um dos únicos estados que não aumentaram a alíquota-padrão do ICMS. Segundo a A SimTax – empresa de consultoria e treinamento com foco no mercado -, com o aumento nas alíquotas surge uma correspondente elevação no Preço Fábrica (PF) e no Preço Máximo ao Consumidor (PMC) dos produtos.

Este é um cenário que o governo sul-mato-grossense pretende evitar. E assim, livrar a sociedade e o Estado de um terrível pesadelo – Deus não queira – que pode afligir os governos que aumentaram o imposto se não forem bem-sucedidos no controle de suas contas e a economia estadual desabar ainda mais.

Geraldo Silva

Governo não perde a dinâmica, mesmo na ausência de Riedel

Governador em exercício, Barbosinha fechou em Caarapó giro de visitas para entrega e autorização de obras

A ausência de Eduardo Riedel (PSDB), que reservou apenas 19 dias para um curto descanso, não impediu a continuidade na dinâmica de gestão em Mato Grosso do Sul. O presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP), durante seis dias, e o vice-governador José Carlos Barbosinha (PP), que responderá pelo cargo até domingo, 14, atenderam à expectativa de Riedel e as agendas internas e externas do governo vêm sendo cumpridas com sucesso.

Durante esta semana, Barbosinha atendeu diversas agendas, entre as quais as visitas a três municípios para entregar e autorizar obras. Depois de Itaporã e Dourados, ele foi nesta sexta-feira, 05, até Caarapó, em companhia dos secretários Hélio Peluffo (de Infraestrutura e Logística) e Hélio Daher (de Educação), além do adjunto Waltinho Jr, de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia.

EDUCAÇÃO

Recebido pelo prefeito André Nezzi e as autoridades locais, Barbosinha selou mais uma etapa de obras do governo municipalista para os caarapoenses. No total, o Estado patrocina agora investimentos que equivalem a um desembolso próximo dos R$ 40 milhões. Uma das obras, a reforma e ampliação da Escola Estadual Joaquim Alfredo Soares Vianna, custou cerca de R$ 6 milhões.

Com 50 anos de fundação, este é o segundo maior estabelecimento da rede estadual em número de alunos no município. Daher informou que em Caarapó todas as escolas estaduais estão reformadas. “No momento, temos 125 unidades escolares no Estado com obras de reforma e melhorias. Outras 40 já foram concluídas e estão prontas para entrega”, disse.

Barbosinha disse que os investimentos e a política publica de ensino comprovam a prioridade que é dada ao setor pelo Estado. “A educação é movida por trabalho, dedicação. Trabalhar num ambiente escolar, ser diretor de escola, não são apenas objetivos salariais. É preciso ter amor. Quando se fala da horta, da sala de informática, da convivência e do conhecimento, tudo isto é um ato de amor”, enfatizou.

SANEAMENTO

O governador em exercício assinou a autorização para a licitação das obras de ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto. Outra ETE será construída, com capacidade para processar 60 litros por segundos. Os investimentos em saneamento básico totalizam no município R$ 33,5 milhões. Além disso, a Sanesul vai executar 25 mil metros de rede coletora de esgoto, interligando-a a 1.402 unidades domiciliares.

MS mantém ICMS e não comete a sangria de outros governos

Em 11 estados o imposto será aumentado e os economistas fazem alerta sobre disparos nos custos

Por decisão de seu governador Eduardo Riedel (PSDB), Mato Grosso do Sul não entrou na onda crítica de 11 estados que se viram obrigados a aumentar a alíquota geral do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). No final de dezembro, antes de sair para duas semanas de descanso, Riedel reiterou o que havia anunciado logo após a aprovação da reforma tributária: a alíquota de 17% seria mantida.

Até agora, das 28 unidades federativas brasileiras, a elevação da alíquota está na agenda dos governos da Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia, Tocantins e o Distrito Federal. Em 2023, vários estados alteraram as regras do ICMS para recuperar a arrecadação perdida nos anos anteriores, especialmente em 2022.

O Congresso Nacional havia aprovado duas leis que limitaram a tributação de combustíveis e serviços de energia e telecomunicações com o imposto estadual. Segundo dados do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), a arrecadação de ICMS caiu 7,9% de janeiro a novembro de 2023, em relação ao mesmo período do ano anterior (13% de queda, se considerada a inflação do período).

Os estados do Sul e Sudeste, com exceção de Santa Catarina, assinaram um documento em novembro sobre a necessidade de aumento do imposto, mas nem todos conseguiram viabilizar junto às assembleias legislativas a aprovação do aumento. Além de Riedel, em Mato Grosso do Sul, outros governadores descartaram reajustar a alíquota, entre os quais Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo.