Brasil confirma caso de “vaca louca” no Pará e suspende exportação de carne à China

O embargo é temporário, mas seu tempo de duração é indeterminado e definido pela China, maior compradora de carnes brasileiras

O Ministério da Agricultura informou que as exportações de carne bovina do Brasil para a China estarão suspensas temporariamente a partir de hoje (23), seguindo um protocolo sanitário oficial devido à confirmação de um caso atípico da doença “mal da vaca louca” no Pará, conforme comunicado ontem (22).

Brasil suspende exportações de carne bovina à China com confirmação de caso de “vaca louca”
REUTERS/AMANDA PEROBELLI

Segundo a pasta, o caso foi detectado em um animal macho de 9 anos em uma pequena propriedade no município de Marabá (PA).

Mais cedo, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) havia informado que foi positivo o resultado de um caso suspeito de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como “mal da vaca louca”, na região.

Segundo a agência, trata-se da forma atípica da doença, que surge espontaneamente na natureza em animais mais velhos, não causando risco de disseminação ao rebanho e ao ser humano.

O Ministério da Agricultura destacou que foi feito um comunicado à Organização Mundial de Saúde Animal (OMAS) e as amostras foram enviadas para o laboratório referência da instituição em Alberta, no Canadá, que poderá confirmar se, de fato, o caso é atípico.

A China e o Brasil assinaram em junho de 2015 um protocolo sanitário que estabelece um autoembargo para as exportações ao país asiático diante de casos de vaca louca. Ou seja, quando uma ocorrência da doença é confirmada, o governo brasileiro suspende automaticamente as exportações.

O embargo é temporário, mas seu tempo de duração é indeterminado e definido pela China, maior compradora de carnes brasileiras.

No último caso confirmado no Brasil, em 2021, as exportações ficaram suspensas por quase quatro meses, e o preço médio de exportação caiu quase 20% naquele período. Já em 2019, um outro caso atípico foi confirmado e o embargo durou 13 dias, lembrou a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) em nota.

Desta vez, o ministério disse que o animal, criado em pasto, sem ração, foi abatido e sua carcaça incinerada no local. O serviço veterinário oficial brasileiro está realizando a investigação epidemiológica que poderá ser continuada ou encerrada de acordo com o resultado.

A pasta ainda ressaltou que está prestando esclarecimentos aos chineses.

“O diálogo com as autoridades está sendo intensificado para demonstrar todas as informações e o pronto restabelecimento do comércio da carne brasileira”, disse.

A Adepará afirmou que o governo estadual está em contato permanente com o Ministério da Agricultura, para tratar o tema com transparência, e disse que a propriedade em que o caso foi encontrado, que tem 160 cabeças de gado, já está isolada pela agência.

Suspeita de “vaca louca” no Brasil afeta ações de frigoríficos

O Ministério da Agricultura investiga um caso suspeito de “vaca louca” no Pará; ações da JBS, BRF e Minerva caem até 7% na Bolsa de Valores

Um caso suspeito da doença da “vaca louca” no Brasil está afetando as ações de frigoríficos na Bolsa de Valores. Na última segunda-feira (20/2), o governo anunciou que foi notificado pela Vigilância Sanitária do Pará obre um caso suspeito em um animal de 7 anos em uma fazenda no estado.

Ainda de acordo com o Ministério da Agricultura, o animal foi abatido e a fazenda está isolada. O primeiro teste, realizado por um laboratório brasileiro, teria confirmado a contaminação pela doença. A amostra foi enviada para o Canadá para a realização de uma contraprova.

Se confirmado o caso de “vaca louca”, a China deve interromper a importação de carne do Brasil. A interrupção do comércio está previsto em um acordo sanitário assinado pelos dois países. A China é responsável por cerca de 60% da exportação de carne brasileira.

Não há previsão de quanto tempo o embargo comercial duraria. Em 2019, quando um caso atípico foi registrado no Mato Grosso, a interrupção das exportações durou duas semanas.

Em 2021, quando dois casos foram registrados (um em Mato Grosso e outro em Minas Gerais), foi diferente. Na ocasião, a China ficou de portas fechadas para a carne brasileira por quase três meses, o que causou uma série de prejuízos aos criadores e frigoríficos locais.

Ações de frigoríficos
O risco de esse cenário se repetir causou uma queda nas ações de empresas brasileiras que exportam proteína animal. Pesa, ainda, a ocorrência de casos de gripe aviária na Argentina e no Uruguai, perto da fronteira brasileira, o que pode ser um risco para a indústria de aves local.

No meio da tarde desta quarta-feira (22), as ações da Minerva caíam 7,3%. A China representa cerca de 40% das exportações do frigorífico, atualmente

A BRF, cuja exportação maior é de suínos e aves, não saiu ilesa. A empresa, dona das marcas Sadia e Perdigão, recua 6,4% na Bolsa.

Já a JBS, que tem quase metade da receita gerada nos Estados Unidos, é menos afetada pelo problema. Caso a China feche as portas para o Brasil, as fábricas dos Estados Unidos ainda devem garantir boa parte do faturamento. As ações da companhia caem cerca de 3%.