Moraes multa coligação de Bolsonaro em R$ 22,9 milhões após relatório do PL pedir anulação de votos

Decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi divulgada nesta quarta-feira, 23

O ministro Alexandre Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), multou os partidos da coligação do presidente Jair Bolsonaro (PL) em R$ 22,9 milhões pelo relatório de auditoria enviado pelo PL que pedia anulação de votos do segundo turno das eleições de outubro, sem apresentar provas de fraude. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira, 23.

Moraes multa coligação de Bolsonaro em R$ 22,9 milhões após relatório do PL pedir anulação de votos
Foto: Adriano Machado / Reuters

Moraes também negou o pedido de verificação extraordinária e considerou ação como “litigância de má-fé” e “totalmente fraudulenta”, determinando a multa e o bloqueio imediato dos fundos dos partidos da coligação de Bolsonaro até o pagamento da multa.

“A democracia não é um caminho fácil, exato ou previsível, mas é o único caminho e o Poder Judiciário não tolerará manifestações criminosas e antidemocráticas atentatórias aos pleito eleitoral”, diz um trecho da decisão.

O presidente do TSE ainda mandou a Corregedoria-Geral Eleitoral apurar se houve desvio de finalidade no uso da estrutura partidária pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e por Carlos Rocha, do Instituto Voto Legal, responsável pelo relatório que embasou a ação.

Bolsonaro entra com pedido no TSE para anular votos de alguns modelos de urnas

Solicitação do PL alega “desconformidades irreparáveis de mau funcionamento”

O presidente Jair Bolsonaro e seu partido, o PL, entraram com pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira, 22, para anular votos de alguns modelos de urnas eletrônicas.

Os modelos em questão são máquinas fabricadas antes de 2020. O Terra teve acesso ao pedido e verificou que as urnas são dos modelos UE2009, UE2010, UE2011, UE2013 e UE2015, usados nas eleições presidenciais de 2022.

Jair Bolsonaro
Foto: Adriano Machado / Reuters

Poucos minutos após o pedido, Alexandre de Moraes, Presidente do TSE, publicou um despacho ordenando que o PL apresente, em 24 horas, o resultado da auditoria das urnas no primeiro turno das eleições. Moraes afirmou que os equipamentos apontados na petição de Bolsonaro foram utilizados tanto no primeiro quanto no segundo turno do pleito. No primeiro turno, vários candidatos do partido de Bolsonaro foram eleitos a diferentes cargos.

“Assim, sob pena de indeferimento da inicial, deve a autora aditar a petição inicial para que o pedido abranja ambos os turnos das eleições, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas. Publique-se com urgência”, escreveu o ministro na decisão.

O que alega o PL
Em entrevista a jornalistas nesta terça-feira, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que o partido está agindo na intenção de “fortalecer a democracia” no País e, como o partido não tem especialistas em seguranças de dados, uma equipe técnica foi contratada para fazer o trabalho e “garantir a transparência do processo eleitoral”.

“Confesso que eu fiquei surpreso”, afirmou sobre o resultado. “O relatório não expressa a opinião do PL, mas é resultado de estudos elaborados por especialistas graduados em uma das universidade mais respeitadas do mundo”, acrescentou.

O pedido é assinado pelo advogado Marcelo Luiz Ávila de Bessa, que estava presente na entrevista, e explicou que a solicitação foi baseada em uma auditoria do Instituto Voto Legal com técnicos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

“Esse relatório apontou inconsistências em urnas fabricadas anteriormente ao ano de 2020”, detalhou o advogado. Segundo Bessa, tais “inconsistências” não ocorreram em urnas fabricadas após 2020.

“Isso não quer dizer que ocorreu uma fraude, mas é uma possibilidade de fragilidade que não nos dá certeza de que aquelas urnas tenham credibilidade suficiente para atestar a votação”.

Segundo dados apresentados pelo PL, nessas urnas, o resultado é diferente do segundo turno das eleições. “Nesse caso, Bolsonaro teria pouco mais de 51% e Lula 48,95% dos votos”.

O partido solicitou, portanto, uma representação para que o TSE aprofunde o estudo e, verificando esse mau funcionamento, aplique as consequências legais que entender necessárias.

Ao longo das eleições deste ano, Bolsonaro e redes bolsonaristas passaram a compartilhar informações falsas sobre a segurança das urnas eletrônicas. Até o momento, nenhuma fraude no processo eleitoral foi comprovada.

Partidos pedem respeito a resultado dar urnas
Nas redes sociais, partidos e políticos já se posicionaram repudiando a ação de Bolsonaro e pedindo respeito ao resultado das urnas. A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que a “ação de Bolsonaro no TSE é chicana que tem de ser punida como litigância de má-fé”.

Confira a repercussão:

PL nega autoria de relatório que contesta resultado de urnas eletrônicas

Relatório assinado por Instituto Voto Legal e engenheiros diz que não é possível validar resultados das eleições. Partido afirmou que versão divulgada por site é “obsoleta”

O PL — partido de Valdemar Costa Neto e ao qual o presidente Jair Bolsonaro também é filiado — negou, na noite desta terça-feira (15/11), que vá questionar o resultado das eleições deste ano. Um suposto relatório foi divulgado pelo site O Antagonista. O portal afirmou que a sigla vai pedir a anulação do pleito de 2022 — que definiu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como novo presidente.

(crédito: José Cruz/ABr)

O Correio também teve acesso ao documento, que também tem a logo PL e é assinado por Carlos Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (IVL); seu vice Márcio Abreu; e pelo engenheiro Flávio Gottardo de Oliveira — os dois últimos são formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O relatório diz não ser “possível validar os resultados gerados em todas as urnas eletrônicas de modelos 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015”.

“Para encontrar evidências de que este grupo de urnas não teria funcionado corretamente, foi realizada uma análise inteligente dos dados contidos nos arquivos Log de Urna de todos os modelos de urna eletrônica, utilizados nas eleições de 2022”, diz trecho do relatório.

Por meio de nota, o PL afirmou que o resultado da fiscalização do partido termina apenas no mês de dezembro e rechaçou a matéria do portal. “Está em andamento. Ainda não foi divulgada qualquer versão final do relatório, temos estudos em andamento. A versão publicada pelo Antagonista é obsoleta e não está assinada por ninguém”, diz o comunicado.

Na semana passada, Valdemar da Costa Neto não reconheceu a vitória de Lula nas eleições deste ano. O dirigente partidário disse que a legenda não se posicionaria sobre a lisura do pleito até a divulgação do relatório da fiscalização das Forças Armadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — que no dia seguinte, assim como as outras entidades fiscalizadoras, também não encontrou indícios de fraude no processo eleitoral.

140 urnas falham e 50 são trocadas em Mato Grosso do Sul neste 2º turno

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) divulgou a imprensa de que 140 ocorrências com urnas eletrônicas foram registradas até o momento no Estado.

A atualização mais recente foi divulgada à 12h00.

Mais de 90 urnas apresentaram problemas com ajustes, reinicialização automática, troca de bobina e outros erros considerados pelo tribunal.

Entre os municípios nesta situação estão: Água Clara, Antônio João, Aquidauana, Aral Moreira, Bandeirantes, Bataguassu, Bela Vista, Bodoquena, Brasilândia, Caarapo, Campo Grande, Chapadão do Sul, Corguinho, Corumbá, Costa Rica, Coxim, Dourados, Deodápolis, Fátima do Sul, Glória de Dourados, Inocência, Jaraguari, Ladário, Maracaju, Miranda, Mundo Novo, Naviraí, Nioaque Nova Andradina,
Novo Horizonte do Sul, Paranaiba, Ponta Porã, Rio Brilhante, São Gabriel do Oeste.

Setundo o TRE no último boletim 50 urnas já foram substítuídas nas seguintes municipalidades: Rio Brilhante, Chapadão do Sul, Novo Horizonte do Sul, Corguinho, São Gabriel do Oeste, Maracaju, Naviraí, Água Clara, Aquidauana, Corumbá, Ponta Porã, Mundo Novo, Bela Vista, Campo Grande, Nova Andradina, Caarapó, Antônio João, Paranaíba, Inocência, Costa Rica e Ladário

O boletim ressalta que o Estado conta com 7.137 seções de votação.

Hoje, os eleitores irão as urnas para escolher seus representantes no Governo do Estado e na Presidência da República. Capitão Contar (PRTB) e Eduardo Riedel (PSDB) concorrem ao pleito de Mato Grosso do Sul, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) buscam pela estadia no Palácio da Alvorada.

Documentos para votar (ou justificar)

O eleitor que não votou no primeiro turno pode votar no segundo, se estiver com o título regularizado. Ainda assim, quem não comparecer ao local de votação precisa justificar a ausência em cada um dos turnos em até 60 dias. É possível realizar o procedimento por meio do e-Título, o aplicativo gratuito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para votar, é necessário apresentar apenas um documento de identificação oficial com foto, como carteira de identidade, Carteira Nacional de Habilitação (CNH), identidade social, passaporte, certificado de reservista, carteira de trabalho ou outro documento de valor legal com foto. A CNH digital também é válida.

A apresentação do título de eleitor não é obrigatória, mas é possível votar com a versão digital, obtida no e-Título, desde que apareça a foto.