Marquinhos Trad vai depor amanhã no inquérito de crimes sexuais

A dificuldade em intimar o ex-prefeito para depor tem forçado a delegada Maíra Pacheco Machado, titular da Deam e responsável pela investigação, a pedir o adiamento do inquérito. A previsão é de que a investigação seja encerrada após o depoimento de Marquinhos Trad

O ex-prefeito e candidato a governo do Estado pelo PSD, Marquinhos Trad, foi intimado na tarde de ontem (19) a prestar depoimento na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), na quarta-feira (21), às 14 horas.

Uma das estratégias da defesa do ex-prefeito para os próximos dias é a de ingressar com um habeas corpus preventivo Foto Divulgação

Marquinhos é investigado desde julho pela prática de crimes como assédio sexual, tentativa de estupro e favorecimento à prostituição, supostamente cometidos no período em que ele era prefeito de Campo Grande.

A intimação foi recebida pelas advogadas dele, Andreia Flores e Rejane Alves de Arruda. Marquinhos Trad foi intimado na segunda tentativa dos agentes policiais da Deam.

Cabe relembrar que o ex-prefeito já admitiu ao site nacional Metrópoles que manteve relações extraconjugais, de forma consensual, com, pelo menos, duas das denunciantes. Reforçou também que os encontros ocorreram fora da prefeitura.

Com a repercussão nacional do caso, o portal Metrópoles trouxe outra matéria com trechos de uma conversa de WhastApp entre uma das denunciantes e o ex-prefeito, datados dos dias 11 e 12 de maio de 2020 e que inclusive faz parte da investigação da Polícia Civil. Segundo as mensagens, eles teriam se encontrado na prefeitura, na manhã do dia 12, a mulher comunicou a Marquinhos Trad que estava a caminho da prefeitura e perguntou se o encontro seria no 2º andar.

A vítima teria reforçado, em depoimento à polícia, que manteve relação sexual consentida em um banheiro do gabinete do então prefeito. Após o fim da relação extraconjugal, quando ela já estava casada com outro homem, Trad tentou beijá-la à força, em episódio que teria ocorrido em junho deste ano. Essa informação também foi divulgada pelo Metrópoles.

Diante do surgimento de novos relatos, a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) realizou, no dia 9 de agosto, diligências no prédio da Prefeitura Municipal de Campo Grande. No local foi feito o reconhecimento dos possíveis espaços onde os crimes de assédio teriam sido cometidos, além do cumprimento de um mandado de busca e apreensão de dois computadores da recepção do gabinete no Paço Municipal para perícia.

Uma das estratégias da defesa do ex-prefeito para os próximos dias é a de ingressar com um habeas corpus preventivo, para que ele não seja conduzido coercitivamente.

A dificuldade em intimar o ex-prefeito para depor tem forçado a delegada Maíra Pacheco Machado, titular da Deam e responsável pela investigação, a pedir o adiamento do inquérito. Ontem, ela pediu dilação de prazo dos trabalhos, que no mês passado já foram prorrogados por 30 dias.

O inquérito aberto para investigar casos de assédio sexual (oferta de emprego em troca de sexo) e tentativa de estupro na Prefeitura de Campo Grande, que tem o ex-prefeito Marquinhos Trad (PSD) como alvo das investigações, foi aberto em 5 de julho deste ano, há 77 dias. A previsão é de que a investigação seja encerrada após o depoimento do ex-prefeito.

Riedel afirma que Marcos Trad falta com a verdade e transfere responsabilidades

No Debate do Midiamax, Eduardo Riedel mostra que todas as grandes obras na capital tiveram investimentos do Governo do Estado e que Marcos Trad não conseguiu equilibrar as contas da prefeitura

Eduardo Riedel (PSDB), candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pela ‘Coligação Trabalhando por um Novo Futuro’ (Número 45), disse há pouco, durante o “Debate Midiamax”, que o Governo do Estado investiu pesadamente em Campo Grande nos últimos oito anos, diferente do que tem dito o ex-prefeito da capital, Marquinhos Trad.

Riedel comprova que Campo Grande perdeu a capacidade de fazer investimentos na gestão Marcos Trad Foto: Saul Schramm

“O senhor tem falado do governo, mas antes elogiava o governador, discutia programas, colocava-o como parceiro para desenvolver a capital e muitos investimentos aconteceram aqui. O senhor falta com a verdade e transfere responsabilidades. Falta com a verdade ao dizer que o Estado não ajudou Campo Grande”, disparou.

Riedel lembrou Marquinhos sobre o fracasso da gestão econômica da capital. “Todas as obras feitas em Campo Grande ocorreram com recursos do Estado, já que 97% dos recursos da capital estão comprometidos com custeio. Campo Grande perdeu a capacidade de fazer investimentos, é nota C, uma das piores notas recebidas pelo Tesouro Nacional. Desde que o senhor assumiu, 6 anos de mandato, não conseguiu equilibrar as contas de Campo Grande. Estou falando de gestão e não de política. Quem fala de política é o senhor, que há 25 anos só faz isso”, destacou Riedel.

Polícia interroga Marquinhos Trad na próxima semana no inquérito de crimes sexuais

Oitiva é a última fase antes da conclusão do inquérito que apura crimes sexuais atribuídos ao político

A delegada Maíra Pacheco deve concluir na próxima semana o inquérito instaurado para apurar diversos crimes sexuais que teriam sido praticados pelo ex-prefeito e candidato a governador Marquinhos Trad. Está previsto também o interrogatório do político, última fase para que a polícia promova ou não o seu indiciamento.

Legenda O indiciamento de Marquinhos Trad é o primeiro passo para que ele eventualmente venha a se transformar em réu em processo criminal Foto Arquivo CBN

O inquérito, sob a responsabilidade da delegada Maíra Pacheco, tramita na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), que apura denúncias formalizadas por oito mulheres que dizem ter sido admoestadas sexualmente por Marquinhos Trad.

Originalmente, 16 vítimas figuravam na peça investigatória, mas oito delas foram excluídas em função da prescrição ou atipicidade dos crimes. No entanto, essas mulheres continuam figurando no inquérito, só que na condição de testemunhas.

Tramitação

O indiciamento de Marquinhos Trad pela delegada Maíra Pacheco, caso ocorra, é o primeiro passo para que ele eventualmente venha a se transformar em réu em processo criminal.

Caberá ao Ministério Público Estadual analisar os detalhes do inquérito e se porventura o promotor se convença de que os crimes aconteceram, encaminhará ao Poder Judiciário denúncia contra o ex-prefeito.

Apenas se a juíza que acompanha o caso concordar com a posição do MPE, aceitando a denúncia, é que o político torna-se réu.

Diversos crimes

Juntamente com outras pessoas de sua confiança, Marquinhos Trad responde na DEAM pelos crimes de estupro, favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual, assédio sexual, importunação sexual, perseguição, posse sexual mediante fraude e vias de fato.

Busca e apreensão

Na manhã de 9 de agosto, no gabinete que era ocupado por Marquinhos Trad na prefeitura, a polícia cumpriu ordem judicial e apreendeu computadores, DVRs (equipamentos que guardam imagens de câmeras de segurança) e documentos.

A devassa teve o aval do Ministério Público Estadual e a juíza que acompanha o inquérito viu a necessidade de atender à representação da delegada Maíra Pacheco Machado, titular da DEAM e responsável pela investigação.

Prisão de ex-assessor

No dia 31 de agosto, o ex-servidor comissionado da prefeitura de Campo Grande Victor Hugo Nogueira Ribeiro da Silva, de 36 anos, foi alvo de mandado de prisão preventiva. Ele foi preso por conta dos crimes de coação no curso do processo, corrupção ativa de testemunhas e favorecimento a prostituição.

A determinação da juíza May Melke do Amaral atendeu pedido da DEAM. A polícia teve acesso ao vídeo das câmeras de segurança de um cartório da Capital no qual o ex-assessor de Marquinhos Trad acompanha uma das supostas vítimas do ex-prefeito.

O vídeo mostra o instante em que a mulher registrou ata notarial na qual muda a versão do depoimento prestado à polícia.

 

Pesquisa Novo Ibrape mostra Puccinelli em 1º, Riedel em 2º e Trad em 3º

Na pesquisa estimulada Puccinelli tem 24,2%, Riedel aparece com 15,6%, seguido por Marquinhos, que tem 14,9%. O candidato do PSDB e do PSD estão empatados na margem de erro que é de 2,5% para mais ou para menos

Nova rodada da pesquisa do Novo Ibrape em parceria com o portal de notícias Campo Grande News divulgada hoje (12), indica que o candidato André Puccinelli (MDB) continua na liderança na intenção de votos. Eduardo Riedel (PSDB) e Marquinhos Trad (PSD) aparecem na sequência.

Puccinelli e Riedel oscilam para cima e Marquinhos para baixo nesta fase de pesquisa Foto Montagem

Na pesquisa estimulada Puccinelli tem 24,2%, Riedel aparece com 15,6%, seguido por Marquinhos, que tem 14,9%. Riedel e Marquinhos estão empatados na margem de erro que é de 2,5% para mais ou para menos. Vale lembrar que na última pesquisa divulgada no dia 22 de agosto Riedel tinha 15,4%. Já Trad oscilou para baixo, quando na ocasião tinha 15,2%. Na mesma ocasião o candidato do MDB tinha 23,7%.

Rose Modesto (União Brasil) registra 12,7% das intenções de votos. Na sequência, aparece o Capitão Contar (PRTB), com 10,1%. Giselle Marques, do PT, surge com 2,9%. Os demais concorrentes do Psol e do PCO não chegam a um dígito. Adonis Marcos tem 0,39% e Magno Souza, 0,26%. Cabe lembrar que o candidato do PCO teve o registro de candidatura indeferido pelo TRE/MS (Tribunal Regional Eleitoral).

Rejeição e indecisos – O candidato com maior rejeição é André Puccinelli (20,1%), seguido por Marquinhos Trad (12%) e Giselle Marques (6,3%). A pesquisa espontânea, quando não são apresentados os nomes, mostra muitos eleitores indecisos sobre o voto para governador: 69,2%.

A pesquisa Novo Ibrape/Campo Grande News entrevistou 1.540 eleitores entre os dias 5 e 10 de setembro, em 28 municípios de Mato Grosso do Sul. A margem de erro do levantamento é de 2,5%, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob os números MS-01600/2022 e BR-09838/2022.

 

Justiça manda cessar divulgação de pesquisa Fake que favorecia Marquinhos Trad

A Justiça Eleitoral teve que intervir para cessar a divulgação de pesquisa falsa em grupos de mensagens de WhatsApp. O suposto levantamento apontava o candidato do PSD, Marquinhos Trad, na primeira colocação. Outros institutos mostram o ex-prefeito sempre na segunda ou na terceira colocação.

O suposto levantamento, feito pela “Fundação Green Pesquisas e Métricas”, e de responsabilidade do estatístico cujo registro seria 72699EI”, se trata de fake news, conforme representação feita pela Coligação Trabalhando por um Novo Futuro, que reúne o PSDB, Cidadania, Republicanos, PP, PSB, PL e PDT. Tanto o instituto quanto o número do estatístico não existem.

Dois integrantes dos grupos denominados “Ap do Taboado”, “Por uma cidade melhor” e “MS #souMarquinhosTrad”, identificados como Adriano e Mara Palma, foram notificados por meio do próprio WhastApp pelo juiz Ricardo Gomes Façanha a publicarem no prazo improrrogável de 24 horas a informação de que “a pesquisa ali divulgada se trata de pesquisa sem prévio e regular registro perante o TSE, ou de pesquisa inexistente, situação que se enquadra na vedação do art. 17, da Resolução 23.600/19, em desconformidade com as normas eleitorais”.

Mais adiante, o magistrado adverte que o descumprimento da decisão, mantendo-se a divulgação indevida, “é passível de multa no valor de R$ 53.205,00 (cinquenta e três mil, duzentos e cinco reais) a R$ 106.410,00 (cento e seis mil, quatrocentos e dez reais), nos termos do § 3º, do art. 33, da Lei n. 9.504/97”.

Tanto Maria Plama quanto Adriano já cumpriram a decisão judicial, informando que o levantamento é falso, deixando de compartilhá-la nos grupos de WhatApp. Mesmo assim, ambos correm o risco de serem punidos com pesadas multas impostas pela Justiça Eleitoral.

Vídeo: Já são 15 mulheres que denunciaram Marquinhos Trad por crimes sexuais

Subiu para 15 o número de mulheres que procuraram a polícia para formalizar queixa contra o ex-prefeito e candidato a governador Marquinhos Trad (PSD), investigado pela prática dos crimes de estupro, favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual, assédio sexual, importunação sexual, perseguição, posse sexual mediante fraude e vias de fato.

Essa foi a informação que o jornalista Edir Viégas trouxe com exclusividade na coluna CBN em Pauta desta terça-feira (9), data em que a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na prefeitura de Campo Grande no âmbito do inquérito que apura as denúncias contra o ex-prefeito.

Computadores, arquivos de câmeras de segurança e documentos foram apreendidos na operação, desencadeada por ordem judicial e com anuência do Ministério Público Estadual após representação da delegada Maíra Pacheco, titular da DEAM.

“É cada vez mais complicada a situação do ex-prefeito”, disse Edir Viégas, que classificou como factoides as tentativas de Marquinhos Trad de desconstruir as denúncias a partir do “interesse financeiro” das quatro vítimas que inicialmente procuraram a polícia e formalizaram as denúncias contra o político.

Marquinhos Trad derrete nas pesquisas após denúncias de crime sexual

Pré-candidato ao Governo do Estado, Eduardo Riedel cresce e tem a menor rejeição e continua em ritmo de crescimento acelerado na preferência do eleitor. Já o ex-prefeito perdeu 7,22% das intenções de voto no Estado, na Capital a queda foi de 11.16%

O ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, despencou na preferência do eleitorado na corrida pelo Governo do Estado, segundo a mais recente pesquisa feita pelo Instituto Novo Ibrape entre julho e agosto, que ouviu 2.100 sul-mato-grossenses em 28 municípios.

O comparativo das pesquisas feitas pelo Instituto entre abril e julho mostra claramente a queda de Marquinhos depois que denúncias de crimes sexuais contra o ex-prefeito de Campo Grande se tornaram públicas. No período, o ex-prefeito perdeu 7,22% das intenções de voto no Estado (de 25,04% das intenções de voto para 17,82%). Na Capital, a queda foi de 11.16% no mesmo período (de 36,23% para 25.07%). Por outro lado, o pré-candidato ao Governo pelo PSDB, Eduardo Riedel, mostra crescimento contínuo no mesmo período, de 10,77% para 14,68%.

Riedel ostenta a menor rejeição entre todos os pré-candidatos ao Governo do Estado, com apenas 4%. A maior rejeição é do ex-governador André Puccinelli (19,6%). Ele é seguido por Marquinhos Trad (11,2%) e Capitão Contar (7,9%).

Segundo a pesquisa, Riedel continua em ritmo de crescimento acelerado na preferência do eleitor e ultrapassou Rose Modesto, assumindo de vez a terceira colocação, com 14,3%, atrás apenas de André Puccinelli, com 23,8% e Marquinhos Trad, com 17.8%. Apesar da terceira colocação, Riedel é o candidato com a maior perspectiva de crescimento no cenário estadual.

Rose aparece na pesquisa com 14,1%, seguida de Capitão Contar (8%) e Gisele Marques (1,7%). Entre os ouvidos, 9,2% disseram que não votarão em nenhuma nas opções, e 11% estão indecisos.

Outra excelente notícia para a candidatura de Riedel é a liderança da ex-ministra Tereza Cristina na disputa pelo Senado. Parceira de Eduardo desde a primeira hora, a ex-ministra do presidente Jair Bolsonaro lidera a corrida para o Senado.

Espontânea

O eleitor sul-mato-grossense, porém, parece estar bem indeciso ainda. Na entrevista espontânea, quando o pesquisador não apresenta os nomes dos candidatos, 82,09% das pessoas abordadas declarou que ainda não sabe em quem vai votar.

Senado

Se as eleições fossem hoje, Tereza Cristina (PP) seria eleita senadora por Mato Grosso do Sul. Ela continua com larga vantagem em relação aos demais candidatos.

Odilon de Oliveira (PSD) ocupa a segunda posição, com 19,7% das intenções de voto, enquanto Luiz Henrique Mandetta (União) tem a simpatia de 9,8% do eleitorado, conforme a amostragem.

Com Margem de erro 2% e intervalo de confiança 95%, a pesquisa foi registrada no TSE sob os números MS-02567/2022 e BR-00672/2022.

Doze mulheres já denunciaram Marquinhos Trad por crime sexual

A investigação corre em sigilo, mas a delegada responsável pelo caso diz que 20 pessoas já foram ouvidas.

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Campo Grande aponta que 12 mulheres já denunciaram o ex-prefeito de Campo Grande e candidato ao governo do estado pelo PSD, Marquinhos Trad, no inquérito por suspeita de crimes como assédio sexual, importunação sexual, favorecimento a prostituição, estupro e tentativa de estupro.

O candidato admitiu publicamente que manteve relações sexuais consentidas com duas destas quatro mulheres Foto Valentin Manieri

O inquérito foi aberto a partir dos depoimentos de quatro mulheres feitos entre os dias 4 e 5 de julho, na Corregedoria da Polícia Civil. As vítimas disseram nos depoimentos que teriam mantido relações sexuais com Trad, inclusive no banheiro do gabinete dele, na prefeitura, com a promessa de vantagens, como um emprego público.

Uma delas chegou a ser encaminhada para o Programa de Inclusão Social (Proinc), que é gerido por uma entidade da administração indireta do município, a Fundação Social do Trabalho (Funsat).

O candidato admitiu publicamente que manteve relações sexuais consentidas com duas destas quatro mulheres.

A investigação corre em sigilo e, segundo a delegada responsável pelo caso, Maíra Pacheco, 20 pessoas já foram ouvidas. Ela destacou que muitas vítimas têm denunciado o caso por meio do WhatsApp criado para receber informações.

A delegada explica que com essa ferramenta, as vítimas se sentem mais confortáveis para conversar sobre os crimes. Detalhou ainda que, desta forma, a denunciante fala diretamente com uma única pessoa e o sigilo é garantido.

Linha Direta

67 99324-4898 é o telefone anunciado pela Polícia Civil para denúncias em relação ao ex-prefeito Marquinhos Trad.

 

“Denúncia contra Marquinhos é caso de polícia, não de política”, diz Reinaldo Azambuja

Azambuja comparou rito das denúncias aos casos dos maníacos Roger Abdelmashid e João de Deus

Em agenda no município de Bonito nesta quarta-feira, o governador Reinaldo Azambuja disse que as denúncias de crimes sexuais contra o ex-prefeito Marquinhos Trad não têm nada a ver com política. “É caso de polícia e as investigações vão apontar se são verdadeiras ou não”, disse ele, ao informar que mais mulheres estão procurando a Sejusp para agendar a formalização de novas denúncias e tomada de depoimentos.

O governador Reinaldo Azambuja: caso é de polícia, não de política (Marcelo Victor)

“Toda denúncia tem de ser investigada. Isso não é um caso de política, é caso de polícia, que tem de apurar as denúncias feitas por várias mulheres que procuraram os canais da Sejusp. Não vamos fazer julgamento de ninguém. Quem condena, diferente do que já disse o próprio ex-prefeito [Marcos Trad], que dia desses numa reunião em um frigorífico me chamou de corrupto e criminoso, é a Justiça.

Segundo Reinaldo Azambuja, Marcos Trad erra ao acusá-lo desses crimes: “Ele está equivocado. Primeiro, porque eu não tenho nem processo aberto contra qualquer ato que tenha cometido nos meus 26 anos de vida pública. Então, vamos esperar correr as investigações e aí ver se ele é culpado ou inocente das acusações que lhe são imputadas”.

João de Deus

O governador lembrou que nesse tipo de crime, citando como exemplo os casos do médico Roger Abdelmashid e o do médium João de Deus, é comum o surgimento de mais vítimas após as primeiras denúncias. “Quando alguma mulher denuncia, encoraja outras a fazerem o mesmo. O que aconteceu desde as denúncias iniciais contra o ex-prefeito? Muitas mulheres espontaneamente procuraram os canais da polícia para fazer o mesmo”, esclareceu.

Mesmo assim, pontuou, “não vamos fazer julgamentos. Vamos aguardar a justiça, que vai se pronunciar após as investigações, dizendo se ele é culpado ou inocente. Mas também não dá para transformar essas mulheres, que são vítimas de estupro, de assédio, de uma série de crimes, em pessoas sem qualificação. Não são poucas as mulheres prejudicadas e são inúmeras as novas denúncias que todos os dias surgem pelos canais da polícia”.

Supostas ameaças

Com relação à versão de Marcos Trad de que teria sido ameaçado pelo secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, Reinaldo foi enfático ao dizer que isso não existe. “Não dá para politizar esse assunto. Existiu troca de falas [pelo WhastApp] entre o secretário e o ex-prefeito. Trad atacou a polícia e o secretário a defendeu. Não houve mais nada além disso”, explicou.

“O próprio Carlos Alberto [Carlos Alberto de Assis, presidente da AGEMS – Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul] já fez boletim de ocorrência contra aquela mulher que o acusou de oferecer dinheiro às vítimas para que elas formalizassem as denúncias. Tentam transformar em questão política um caso de polícia”, disse.

Mais denúncias na DEAM

“Vocês têm de conhecer o que tem na denúncia das mulheres e conversar com as que já falaram com a polícia. Não são três ou quatro, mas sim mais de 10 que denunciaram espontaneamente. Tivemos, na data de hoje, mais mulheres que acessaram o canal da DEAM e agendaram depoimento”, informou aos jornalistas.

“O que há é a existência de várias denúncias feitas por mulheres que dizem ser vítimas de assédio sexual, estupro e de uma rede prostituição dentro do Paço Municipal que devem ser apuradas com rigor. Polícia não tem lado. Apura e envia para a Justiça, a quem caberá dizer se a pessoa é culpada ou ou inocente”, finalizou Reinaldo Azambuja.

As denúncias

Marquinhos Trad é investigado pela Delegacia de Defesa e Proteção à Mulher (DEAM) pelos crimes de assédio sexual, estupro, favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual e importunação sexual. Inicialmente, quatro mulheres procuraram a polícia para denunciá-lo. Hoje já são mais de 10 o número de denunciantes.

Trad assumiu publicamente ter mantido relacionamento sexual com duas dessas mulheres, mas garante que foi consensual e não em seu gabinete, como constam das denúncias.

Investigações em 2018

Em 2018, ele respondeu a procedimento por crime sexual contra menor de idade, integrante da guarda-mirim, no Tribunal de Justiça (na época tinha foro privilegiado, por ser prefeito). As investigações foram feitas pela Delegacia de Defesa do Menor e do Adolescente. O procedimento no TJ, foi arquivado, mas não se sabe em quais circunstâncias.

Inquérito contra Marquinhos Trad por crime sexual deve ser concluído em 30 dias

A delegada da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Maíra Pacheco, disse que o inquérito policial sobre suposto assédio sexual envolvendo o nome do ex-prefeito de Campo Grande e pré-candidato ao Governo, Marquinhos Trad (PSD), deve ficar pronto em 30 dias.

O anúncio foi feito em coletiva na manhã desta terça-feira, na DGPC (Delegacia Geral de Polícia Civil), na Capital.

Ele é acusado de suposto assédio contra mulheres durante o período que passou à frente do município.

Mulheres relataram passar por dificuldades financeiras e foram atraídas ao gabinete do chefe do Executivo com a promessa de saírem de lá empregadas Foto: Valentin Manieri

Além disso, relato feito pelo próprio ex-prefeito, afirmando que pessoas foram pagas para registrar denúncia contra ele também serão apuradas pela polícia. Caso isso seja provado, elas poderão responder por falso testemunho.

Durante questionamentos nesta manhã, a delegada relatou que mais mulheres realizaram denúncias contra Trad, porém, não citou a quantidade, conforme relatado pela imprensa da Capital. O processo ainda está em fase de oitivas.

As denúncias

As primeiras denúncias chegaram até a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul através de mulheres que afirmaram ter sofrido assédio sexual por parte do então prefeito Marquinhos Trad (PSD).

Nos depoimentos delas, segundo noticiado pelo portal Metrópoles, relataram passar por dificuldades financeiras e foram atraídas ao gabinete do chefe do Executivo com a promessa de saírem de lá empregadas.

Porém, no local eram cortejadas pelo prefeito, “que fazia truques de mágica com baralho e, depois, manifestava o desejo por sexo”, relata trecho do material divulgado pelo portal.

Duas das denunciantes afirmam ter mantido relações sexuais consentidas dentro do gabinete durante algum tempo. A outra, alegou ter sido levada por Trad ao banheiro do gabinete e se recusou.

MODUS OPERANDI

Essa não é a primeira vez que o político, hoje pré-candidato a governador do Estado, responde por esse tipo de crime. Em 2018 ele foi investigado pelo Tribunal de Justiça.

Em nota, a Secretaria informou que “existem procedimentos policiais que tramitaram em 2018 na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) e que à época foram remetidos ao Poder Judiciário, e procedimento [atualmente] em curso na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), que assim que concluído será remetido ao Poder Judiciário e Ministério Público, uma vez que o ex-prefeito não detém foro privilegiado”.

A menção ao foro privilegiado diz respeito a denúncias feitas à DEPCA em 2018, já que as supostas vítimas eram menores de idade. Na condição de prefeito, Trad só poderia ser investigado pelo Tribunal de Justiça, o que de fato aconteceu, sendo que supostamente o procedimento teria sido arquivado. Não há informações sobre o processo em função do fato de o mesmo ter tramitado sob sigilo. Naquele ano não houve disputa eleitoral.

Na nota, a Sejusp informa ainda que “os procedimentos ou tramitaram ou tramitam sob sigilo em face da natureza dos fatos, motivo pelo qual não é possível dar detalhe sobre os casos. As investigações seguem o curso normal de qualquer apuração em que figurem como vítimas mulheres, crianças ou adolescentes”.