Vídeo: Já são 15 mulheres que denunciaram Marquinhos Trad por crimes sexuais

Subiu para 15 o número de mulheres que procuraram a polícia para formalizar queixa contra o ex-prefeito e candidato a governador Marquinhos Trad (PSD), investigado pela prática dos crimes de estupro, favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual, assédio sexual, importunação sexual, perseguição, posse sexual mediante fraude e vias de fato.

Essa foi a informação que o jornalista Edir Viégas trouxe com exclusividade na coluna CBN em Pauta desta terça-feira (9), data em que a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na prefeitura de Campo Grande no âmbito do inquérito que apura as denúncias contra o ex-prefeito.

Computadores, arquivos de câmeras de segurança e documentos foram apreendidos na operação, desencadeada por ordem judicial e com anuência do Ministério Público Estadual após representação da delegada Maíra Pacheco, titular da DEAM.

“É cada vez mais complicada a situação do ex-prefeito”, disse Edir Viégas, que classificou como factoides as tentativas de Marquinhos Trad de desconstruir as denúncias a partir do “interesse financeiro” das quatro vítimas que inicialmente procuraram a polícia e formalizaram as denúncias contra o político.

Vídeo: 13 mulheres denunciaram Marquinhos Trad e Governador cobra rigor nas investigações

Mais 5 vítimas do ex-prefeito Marquinhos Trad formalizaram queixa contra o político pela prática de crimes sexuais na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – DEAM. Dessa forma, subiu para 13 o número de mulheres que representaram contra o pré-candidato a governador pelo PSD, investigado em inquérito policial pelos crimes de tentativa de estupro e assédio sexual.

O governador Reinaldo Azambuja, falou ontem sobre o assunto que ganhou repercussão nacional, o ex-prefeito, conforme a Polícia Civil, está sendo investigado por assédio sexual, estupro, estupro na forma tentada e favorecimento a prostituição.

“Hoje o que existe são várias denúncias de mulheres que se dizem vítimas de assédio, de estupro e de uma rede de prostituição dentro do Paço Municipal e cabe a polícia apurar com rigor. Polícia não tem que ter lado, lado A ou lado B, é apurar a veracidade da investigação e encaminhar a Justiça para condenação ou absolvição da pessoa denunciada”, afirmou.

“Não são poucas mulheres, estou dizendo a vocês que são inúmeras denúncias que todos os dias surgem pelos canais da polícia. Então vamos esperar a apuração, isso não é um caso político é caso de polícia e a polícia de Mato Grosso do Sul vai apurar com todo o rigor as denúncias que foram feitas. Não vamos fazer julgamentos de ninguém, quem condena, diferente do que já disse o próprio ex-prefeito em uma reunião num frigorífico que eu era corrupto e criminoso, e ele está equivocado, primeiro que eu não tenho nem processo aberto contra qualquer ato que cometi nos meus 26 anos de vida pública, então vamos esperar correr as investigações”, declarou.

Em coletiva na manhã desta terça-feira (26), na DGPC (Delegacia Geral de Polícia Civil), a delegada Maíra Pacheco, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) que comanda as investigações no caso Marquinhos Trad, disse que mais mulheres procuraram a polícia para denunciar o ex-prefeito de Campo Grande.

Durante a coletiva, que também contou com o Delegado-Geral, Roberto Gurgel e o delegado Edilson dos Santos, do Departamento de Polícia Especializada, a Polícia Civil informou que vai investigar se as mulheres teriam sido pagas para registrar as denúncias contra o ex-prefeito de Campo Grande.

Segundo a delegada, a informação sobre o suposto pagamento feito as mulheres para registrarem denúncias não consta no inquérito, mas tudo será investigado e caso seja provado que as mulheres tenham recebido dinheiro, elas podem responder por falso testemunho. O crime tem pena de 2 a 4 anos, além de multa.

“Mas, não diminui as denúncias das outras vítimas que procuraram a delegacia”, disse Maíra Pacheco. Ainda segundo a delegada, sobre as denúncias de assédio sexual, “crimes como esse a única materialidade são os relatos das vítimas. Temos de ter respeito em um país patriarcal”, falou a delegada.

Ainda conforme a delegada, após a divulgação dos casos na imprensa, mais vítimas procuraram a delegacia, já que estão se sentindo mais seguras. A delegada disse que o número de denúncias aumentou, mas na ocasião não revelou quantas mulheres já teriam procurado a delegacia.

O inquérito deve ser concluído em 30 dias. Não existe ainda previsão de quando Marquinhos Trad deve ser ouvido.

A delegada ainda enfatizou que não necessariamente as mulheres que queiram fazer denúncias precisem ir à delegacia. Elas podem entrar em contato pelo canal direto da Deam (67) 99324-4898.

 

Inquérito contra Marquinhos Trad por crime sexual deve ser concluído em 30 dias

A delegada da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Maíra Pacheco, disse que o inquérito policial sobre suposto assédio sexual envolvendo o nome do ex-prefeito de Campo Grande e pré-candidato ao Governo, Marquinhos Trad (PSD), deve ficar pronto em 30 dias.

O anúncio foi feito em coletiva na manhã desta terça-feira, na DGPC (Delegacia Geral de Polícia Civil), na Capital.

Ele é acusado de suposto assédio contra mulheres durante o período que passou à frente do município.

Mulheres relataram passar por dificuldades financeiras e foram atraídas ao gabinete do chefe do Executivo com a promessa de saírem de lá empregadas Foto: Valentin Manieri

Além disso, relato feito pelo próprio ex-prefeito, afirmando que pessoas foram pagas para registrar denúncia contra ele também serão apuradas pela polícia. Caso isso seja provado, elas poderão responder por falso testemunho.

Durante questionamentos nesta manhã, a delegada relatou que mais mulheres realizaram denúncias contra Trad, porém, não citou a quantidade, conforme relatado pela imprensa da Capital. O processo ainda está em fase de oitivas.

As denúncias

As primeiras denúncias chegaram até a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul através de mulheres que afirmaram ter sofrido assédio sexual por parte do então prefeito Marquinhos Trad (PSD).

Nos depoimentos delas, segundo noticiado pelo portal Metrópoles, relataram passar por dificuldades financeiras e foram atraídas ao gabinete do chefe do Executivo com a promessa de saírem de lá empregadas.

Porém, no local eram cortejadas pelo prefeito, “que fazia truques de mágica com baralho e, depois, manifestava o desejo por sexo”, relata trecho do material divulgado pelo portal.

Duas das denunciantes afirmam ter mantido relações sexuais consentidas dentro do gabinete durante algum tempo. A outra, alegou ter sido levada por Trad ao banheiro do gabinete e se recusou.

MODUS OPERANDI

Essa não é a primeira vez que o político, hoje pré-candidato a governador do Estado, responde por esse tipo de crime. Em 2018 ele foi investigado pelo Tribunal de Justiça.

Em nota, a Secretaria informou que “existem procedimentos policiais que tramitaram em 2018 na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) e que à época foram remetidos ao Poder Judiciário, e procedimento [atualmente] em curso na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), que assim que concluído será remetido ao Poder Judiciário e Ministério Público, uma vez que o ex-prefeito não detém foro privilegiado”.

A menção ao foro privilegiado diz respeito a denúncias feitas à DEPCA em 2018, já que as supostas vítimas eram menores de idade. Na condição de prefeito, Trad só poderia ser investigado pelo Tribunal de Justiça, o que de fato aconteceu, sendo que supostamente o procedimento teria sido arquivado. Não há informações sobre o processo em função do fato de o mesmo ter tramitado sob sigilo. Naquele ano não houve disputa eleitoral.

Na nota, a Sejusp informa ainda que “os procedimentos ou tramitaram ou tramitam sob sigilo em face da natureza dos fatos, motivo pelo qual não é possível dar detalhe sobre os casos. As investigações seguem o curso normal de qualquer apuração em que figurem como vítimas mulheres, crianças ou adolescentes”.