Câmara fecha acordo com Lula e reduz prazo da PEC da Transição de dois para um ano

Redução do prazo de validade da proposta à metade foi confirmada pelo relator da proposta na casa, deputado Elmar Nascimento

A Câmara fechou um acordo com o governo eleito para reduzir a validade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição de dois anos para um ano, disse ao Estadão o relator da proposta na casa, deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA). A costura foi feita na tentativa de viabilizar a aprovação da proposta, que deve ser votada ainda hoje no plenário.

O acordo foi discutido na residência oficial da Câmara entre o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) líderes da Casa e o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad – que, mais cedo, teve uma conversa separada com Luiz Inácio Lula da Silva. Líderes tentam ainda emplacar outras mudanças para desidratar o valor total da proposta, mas o martelo ainda não foi batido.

Líderes da Câmara tentam ‘desidratar’ PEC da Transição, diminuindo o valor fora do teto de gastos.
Foto: Gabriela Biló/Estadão / 

A PEC aprovada no Senado, principal aposta do governo eleito para acomodar as promessas de Lula na campanha, aumenta o teto de gastos em R$ 145 bilhões durante dois anos para bancar o programa Bolsa Família e libera da regra fiscal R$ 23 bilhões para investimentos a partir deste ano. O texto traz ainda outras exceções ao teto – totalizando um impacto fiscal de R$ 193,7 bilhões, segundo cálculos do Tesouro Nacional.

O Centrão se articula ainda para tentar diminuir o valor da proposta, a começar pelos “penduricalhos”, ou seja, diminuindo as exceções ao teto incluídas no texto. Líderes querem retirar da proposta, por exemplo, a flexibilização das despesas pagas com recursos das contas abandonadas do PIS/PASEP, calculadas em R$ 24,6 bilhões pelo Tesouro.

Com isso, o impacto final da PEC, incluindo todo o aumento de despesa no Orçamento, dentro e fora do teto, ficaria em aproximadamente R$ 170 bilhões. No entanto, nada ainda foi definido.

Desidratação
Nos últimos meses, após a eleição que consagrou Lula presidente, o prazo de validade da PEC vem sendo desidratado. Inicialmente, a equipe do presidente eleito desejava que a proposta retirasse o Bolsa Família do teto de gastos de forma permanente. Depois, o PT cedeu para quatro anos, prazo do mandato.

Para conseguir aprovar a proposta no Senado, porém, foi articulado um acordo que baixou o prazo para dois anos, além da redução de R$ 30 bilhões no valor.

Agora, o acordo para a nova redução do prazo em troca da aprovação da PEC foi negociado por Lula com líderes da Câmara e inclui, sobretudo, a divisão da “herança” do orçamento secreto, derrubado ontem pelo Supremo Tribunal Federal.

A negociação prevê que a verba dos R$ 19,4 bilhões reservados ao mecanismo no Orçamento de 2023 vá metade para emendas individuais e metade para o governo, resultando num pagamento extra de R$ 16,3 milhões em emendas parlamentares para cada deputado e senador em troca do apoio à proposta.

O acordo, porém, ainda passará pela Comissão Mista de Orçamento para ser concretizado na votação do Orçamento de 2023, prevista para esta quarta-feira, 21.

Bancada Federal do MS foi renovada em 50% nesta eleição

O eleitorado de Mato Grosso do Sul irá renovar metade de sua bancada federal para o quadriênio 2023-2026. Com quase 100% das urnas apuradas, Marcos Polon (PL), que foi apoiado pelo filho de Jair Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro, foi o mais votado do pleito, com 103.055 votos.

Marcos Polon, Rodolfo Nogueira, Geraldo Resende e Camila Jara são as novidades – Fotomontagem

Também está reeleito o deputado federal Beto Pereira (PSDB), que atingiu 97.618 votos, o segundo mais votado do pleito. O terceiro mais votado também é tucano: é o ex-secretário de saúde e atual suplente de deputado, Geraldo Resende (PSDB), que conquistou 95.913 votos.

O PT volta a ter dois deputados federais em sua bancada em Brasília (DF). Vander Loubet reelegeu-se e foi o quarto mais votado com 75.630 votos. A quinta mais votada será uma estreante no Congresso: Camila Jara (PT), que obteve 56.525.

Dagoberto, ex-pedetista que ingressou no PSDB em março último, conseguiu voltar à Câmara dos Deputados, com os seus 47.974 votos.

O deputado federal Luiz Ovando (PP) também conseguiu se reeleger com seus 45.464 votos. Por causa da boa votação de Marcos Polon, Rodolfo Nogueira (PL) também conquista um lugar na Câmara, com 41.741 votos.

Outros dois deputados federais de Mato Grosso do Sul não conseguiram a reeleição foram Loester Trutis (PL), com 21.779 votos, Fábio Trad (PSD), que teve 43.809 votos, foi o oitavo mais votado, mas seu partido não atingiu o coeficiente.

As outras duas deputadas disputaram outros cargos: Tereza Cristina (PP) foi eleita senadora, e Rose Modesto (União Brasil) disputou o governo do Estado e foi a quarta mais votada.