Dupla de MS representa o Brasil no Mundial Universitário de Vôlei de Praia

Os sul-mato-grossenses Anthony Fernandes e Carlos Eduardo Vidal vão representar o Brasil no Campeonato Mundial Universitário de Vôlei de Praia. A competição acontece de 6 a 10 de setembro, na Praia da Pajuçara, em Maceió (AL).

Classificação da dupla veio após a prata conquistada pelos atletas de Mato Grosso do Sul nos JUBs

A classificação deu-se após a prata conquistada pelos atletas de Mato Grosso do Sul nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) de Praia, em maio deste ano, em Canoa Quebrada (CE). Anthony Fernandes é estudante de Engenharia Civil na Faculdade Estácio de Sá de Campo Grande (FESCG).

Ele afirma que a ficha demorou a cair após a convocação. “A convocação para o Mundial significa muito, pois estou tendo a chance de representar minha faculdade, meu curso e meu Brasil em nível internacional. Feliz demais pela oportunidade e procurando melhorar sempre”.

Quanto à rotina de treinamento, Carlos Eduardo, o Cadu, também de Campo Grande, conta como estão os preparativos para enfrentar atletas do mundo todo: “Estamos em uma preparação forte, melhorando cada vez mais os detalhes que precisamos e buscando o máximo de experiência possível até o dia do Mundial. Grandes expectativas, nossa dupla vem melhorando bastante e sinto que estamos em uma ótima fase”, destaca o acadêmico de Educação Física, também da Estácio de Sá.

Além de Anthony e Cadu, o Brasil terá mais duas duplas masculinas e três femininas na competição: Flash Danilo e Matheus, Adelmo e Mateus Dutra, Karen e Maria Luiza, Kyce e Talita, e Teresa e Thainara.

Brasil registra primeira morte por varíola dos macacos

Vítima se trata de um paciente do sexo masculino, que estava com imunidade baixa e possuía comorbidades que levaram ao agravamento do quadro

O Brasil registrou a primeira morte por varíola dos macacos, confirmou o Ministério da Saúde nesta sexta-feira, 29, ao Terra. Em nota, a pasta informou que a vítima se trata de um paciente do sexo masculino, com 41 anos, que estava com imunidade baixa e possuía comorbidades que levaram ao agravamento do quadro, incluindo um câncer.

“Ficou hospitalizado em hospital público em Belo Horizonte (MG), sendo depois direcionado ao CTI. A causa de óbito foi choque séptico, agravada pelo Monkeypox”, diz a nota.

Ainda nesta sexta, a Prefeitura de São Paulo confirmou o registro de três casos de varíola dos macacos em crianças no município. São as primeiras notificações no público infantil. Conforme informou a Secretaria Municipal da Saúde, todas estão em monitoramento, sem sinais de agravamento.

No último sábado, 23, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou que a doença é uma emergência de saúde pública, de caráter global. A entidade levou em consideração o cenário “extraordinário” da doença, que já chegou a mais de 70 países.

Em uma semana, o Brasil registrou um crescimento de 65% nas notificações de varíola dos macacos. Na quarta-feira, 27, os registros chegaram a 978 casos confirmados, conforme dados do Ministério da Saúde. Há uma semana, eram 592. São Paulo é o Estado com mais registros (744), seguido do Rio (117) e de Minas Gerais (44).

Surgimento dos casos de varíola dos macacos
O primeiro caso europeu foi confirmado em 7 de maio em um indivíduo que retornou à Inglaterra da Nigéria, onde a varíola dos macacos é endêmica. Desde então, países da Europa e da Ásia, assim como Estados Unidos, Canadá e Brasil, confirmaram casos.

Como a varíola dos macacos é transmitida

Identificada pela primeira vez em macacos, a doença viral geralmente se espalha por contato próximo e ocorre principalmente na África Ocidental e Central. Raramente se espalhou para outros lugares, então essa nova onda de casos fora do continente causa preocupação. Existem duas cepas principais: a cepa do Congo, que é mais grave, com até 10% de mortalidade, e a cepa da África Ocidental, que tem uma taxa de mortalidade de cerca de 1%.

O vírus pode ser transmitido por meio do contato com lesões na pele e gotículas de uma pessoa contaminada, bem como através de objetos compartilhados, como roupas de cama e toalhas. O período de incubação da varíola dos macacos é geralmente de seis a 13 dias, mas pode variar de cinco a 21 dias.

Quais os sintomas da varíola dos macacos

Os sintomas se assemelham, em menor grau, aos observados no passado em indivíduos com varíola: febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas durante os primeiros cinco dias. Erupções cutâneas (na face, palmas das mãos, solas dos pés), lesões, pústulas e, ao final, crostas. Segundo a OMS, os sintomas da doença duram de 14 a 21 dias.

Como prevenir a varíola dos macacos
Segundo o Instituto Butantan, entre as medidas de proteção, autoridades orientam que viajantes e residentes de países endêmicos evitem o contato com animais doentes (vivos ou mortos) que possam abrigar o vírus da varíola dos macacos (roedores, marsupiais e primatas) e devem se abster de comer ou manusear caça selvagem.

Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool gel são importantes ferramentas para evitar a exposição ao vírus, além do contato com pessoas infectadas.

A OMS afirma trabalhar em estreita colaboração com países onde foram relatados casos da doença viral.

 

Vídeo: Entenda o que o que muda com o 5G, que estreou em Brasília nesta quarta-feira

Segundo o edital do 5G, as capitais estão previstas para serem as primeiras localidades a terem a experiência completa com a tecnologia

Nesta quarta-feira (6), a tecnologia 5G chega à Brasília, a primeira cidade do país a receber a tecnologia “full 5G”, que é a experiência completa desse sinal.

De acordo com o conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Moisés Moreira, as próximas serão Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo. A expectativa é que todas as capitais estejam com a tecnologia liberada até 29 de setembro.

Hoje, em algumas cidades do Brasil, utiliza-se o padrão Compartilhamento Dinâmico de Espectro (DSS, da sigla em inglês), que apesar de oferecer uma melhor qualidade, usa a frequência já existente do 4G, que é o que acontece na maioria dos países, de acordo com a Ookla, empresa responsável por analisar as métricas de desempenho de acesso à internet no mundo.

Os países que contam com a tecnologia mais avançada, chamada de 5G “standalone” (SA), “autosuficiente” ou 5G “puro”, são poucos. Esta é a tecnologia que estará disponível em Brasília a partir desta quarta-feira.

Atualmente, o país líder de velocidade 5G é a Coreia do Sul, que tem média de download de 406 megabits por segundo. A média do 4G é de 17,1 megabits por segundo.

Agora, com a nova tecnologia estreando no Brasil, entenda o que muda e quais os benefícios para os usuários.

O que é a tecnologia 5G?
O 5G, ou a quinta geração da telefonia móvel, é a nova tecnologia de transporte de dados em rede envolvendo dispositivos móveis. Ela é a sucessora das gerações anteriores, o 4G, 3G, 2G e 1G.

Enquanto a tecnologia 1G tinha velocidade de 2 kbits e o 4G garantia tráfego de 1 Gbits, o 5G terá velocidade para baixar informações de até 100 1 Gbits. Enquanto a latência (diferença na resposta na transmissão de dados) era de 60-98 milissegundos no 4G, no 5G ela será reduzida para menos de 1 milissegundo.

A capacidade de conectar dispositivos poderá abranger até 1 milhão de aparelhos por quilômetro quadrado.

Dentre as características da nova tecnologia está a capacidade de permitir mais dispositivos conectados. Algo cada vez mais necessário diante do avanço da chamada “internet das coisas” e uma comunicação cada vez mais integrada entre os dispositivos tecnológicos,

Para isso, a velocidade também aumentará com o 5G. Dessa maneira, será facilitado o consumo de serviços mais complexos, como a transferência de arquivos, comunicações em tempo real, o consumo de streaming ou dos jogos eletrônicos.

Com uma maior velocidade, a tecnologia diminui a latência (resposta da conexão), permitindo que os dispositivos móveis consigam processar informações de maneira mais rápida e permitindo aplicações em tempo real.

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o 5G é mais do que apenas uma melhoria das gerações anteriores.

“As redes móveis 5G proporcionarão serviços avançados de banda larga móvel, com taxas de dados mais altas, menor latência e mais capacidade, que possibilitarão enorme potencial para novos serviços sem fio de valor agregado”, diz no documento sobre a estratégia brasileira para a tecnologia, colocado em consulta pública no ano passado.

O que muda?
O 5G poderá dar suporte a diversos tipos de aplicações benéficas. Elas vão desde os sistemas de pagamento até a viabilização de carros autônomos (que funcionam sem motoristas), bem como outras soluções de Internet das Coisas envolvendo sensores e monitoramento em fábricas ou sem serviços públicos (como acompanhamento de consumo de água ou de lâmpadas de postes).

Na avaliação do MCTIC, a tecnologia poderá contribuir também na produção. “O 5G será um componente chave para o aumento da troca desembaraçada de dados entre máquinas, instalações, humanos e robôs, o que permitirá o desenvolvimento de uma logística inteligente, produção conectada de sistemas cyber-físicos e de comunicação máquina a máquina. A combinação dessas e de outras tecnologias digitais no setor secundário possibilita o avanço industrial conhecido como ‘Indústria 4.0’”, assinala o órgão no documento de consulta pública sobre a estratégia para o 5G, realizada no ano passado.

Uma preocupação que pode surgir entre os consumidores é com relação ao preço e se a nova tecnologia ficará mais cara para os usuários. Em entrevista à CNN nesta terça-feira (5), o conselheiro e vice-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Moisés Moreira,“a tecnologia não será mais cara aos usuários [que já possuem 4G]”.

No entanto, para os usuários, o especialista em Tecnologia, Inovação e Tendências Arthur Igreja diz que é fundamental mudar os aparelhos.

“Não é só a habilitação do sinal que causará alguma transformação, pois por ser uma banda diferente demanda também antena e processamento diferentes. Então, para que o usuário perceba qualquer mudança é preciso ter um celular habilitado para o 5G”.

Sobre os benefícios da tecnologia, Igreja reforça que a nova tecnologia ampliará gigantescamente a qualidade da velocidade, com aplicativos podendo ser baixados mais rapidamente, conteúdos mais pesados como vídeo e áudio, videoconferência com qualidade bem superior, enviar documentos com muito mais velocidade.

“Um aspecto fundamental é a latência, que é o atraso do sinal, o que no 5G é incomparavelmente menor e permite aplicações em tempo real em inúmeros setores da economia como agricultura, saúde e educação, tendo um impacto de maneira transversal em todos os segmentos”, explica.

A adoção da nova tecnologia já está nos planos de parte da população. De acordo com uma pesquisa realizada pela IDC na América Latina, um total de 22% dos brasileiros pretendem mudar para o 5G nos próximos 12 meses, com a chegada da tecnologia. O estudo ouviu mais de 3 mil pessoas na região, entre eles 723 brasileiros.

Total de casos de varíola dos macacos no Brasil sobe para 37

O número de casos de varíola dos macacos (monkeypox) no Brasil chega a 37, segundo informações do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro. A secretaria confirmou ontem o sexto caso no estado. Agora, são cinco ocorrências na capital e uma na cidade de Maricá, no Grande Rio.

Já Minas Gerais confirmou o seu primeiro caso, um homem com 33 anos, que esteve na Europa no período entre 11 e 26 deste mês. Segundo a Secretaria de Saúde mineira, trata-se de um caso importado.

“O paciente está estável, em isolamento domiciliar. Os contactantes estão sendo monitorados e, até o momento, não houve identificação de caso secundário”, informa a nota.

Segundo o Ministério da Saúde, São Paulo tem 28 casos confirmados. Somando-se os dois registros do Rio Grande do Sul e os do Rio e de Minas, o Brasil chega a 37 casos.

Em seis meses, Brasil já registra 130% mais mortes por dengue

Foram 585 óbitos de janeiro a 20 de junho contra 246 nos 12 meses de 2021, segundo Ministério da Saúde

Em menos de seis meses, o Brasil já registrou bem mais que o dobro de mortes por dengue do que em todo o ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados na sexta-feira (24). Foram 585 óbitos de janeiro a 20 de junho de 2022, ante 246 nos 12 meses de 2021, aumento superior a 130%.

O número já é maior também do que em todo o ano de 2020, quando a dengue matou 574 pessoas. Em 2019, houve 840 mortes. O número de casos neste ano aumentou 196% em relação a igual período do ano passado, chegando a 1.143.041 em todo o país. A incidência é de 550 casos por 100 mil habitantes. A doença é transmitida pela picada do Aedes aegypti.

Brasil já registra 130% mais mortes por dengue (Foto: Divulgação )

O estado de São Paulo lidera em número de mortes, com 200 óbitos, segundo o ministério — a Secretaria de Saúde do estado aponta 198. O número é quatro vezes maior que os 52 óbitos registrados no mesmo período do ano passado e quase o triplo do total de mortes em 2021, quando houve 71 óbitos.

São Paulo já teve 225 mil casos de dengue neste ano. No mesmo período do ano passado, houve 130 mil, segundo a pasta estadual. Já o ministério aponta 297 mil casos em território paulista, incidência de 550 relatos por 100 mil habitantes. A pasta federal considera os casos prováveis de dengue, enquanto a paulista divulga aqueles já confirmados.

Segundo estado em número de mortes, Santa Catarina teve 66 registros. Por região, o Centro-Oeste tem a maior incidência, com 1.585,2 casos por 100 mil habitantes, seguido pela região Sul, com 968,4 casos por 100 mil pessoas. O estado de São Paulo tem o município com maior incidência de dengue no Brasil: Araraquara, com 13.765 casos, taxa de 5.722 casos por 100 mil habitantes.

Com 240 mil habitantes, Araraquara já registrou 17 mortes por dengue neste ano. De acordo com o InfoDengue, sistema de monitoramento da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), a cidade está em alerta vermelho. A alta incidência levou a prefeitura a criar um centro de atendimento exclusivo para essa doença no hospital de campanha, que funciona diariamente, incluindo fins de semana e feriados, das 7 às 19 horas.

Também foi criada uma sala de situação para acompanhar diariamente a evolução dos casos e traçar ações de combate ao mosquito transmissor. Em média, os agentes de combate a endemias visitam 30 mil casas por mês, em busca de criadouros. Também são feitos fumacês, nebulizações, além de mutirões para a retirada de entulhos e material inservível.

Equipes de educação do Controle de Vetores e da Vigilância em Saúde realizam ações educativas em escolas públicas e privadas, com palestras e exposições sobre a dengue. Todas as unidades de saúde estão focadas na identificação e tratamento dos casos, segundo a prefeitura.

Ministério confirma mais um caso de varíola dos macacos no país

O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (16) que mais um caso de varíola dos macacos (Monkeypox) foi notificado no país. De acordo com a pasta, o caso foi confirmado em São Paulo, após exame realizado pelo Instituto Adolfo Lutz.

Trata-se de um paciente de 28 anos, morador de Indaiatuba (SP), com histórico de viagem para a Europa. Ele está em isolamento e apresenta estado clínico estável, sem complicações. O caso é monitorado pelas secretarias de saúde municipal e estadual.

Até o momento, o Brasil tem seis casos confirmados, sendo quatro em São Paulo, um no Rio Grande do Sul e um no Rio de Janeiro. Treze casos suspeitos estão sendo investigados.

A varíola dos macacos é uma doença causada por vírus e transmitida pelo contato próximo/íntimo com uma pessoa infectada e com lesões de pele.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, este contato pode se dar por meio de um abraço, beijo, massagens, relações sexuais ou secreções respiratórias. A transmissão também ocorre por contato com objetos, tecidos (roupas, roupas de cama ou toalhas) e superfícies que foram utilizadas pelo doente.

Não há tratamento específico, mas, de forma geral, os quadros clínicos são leves e requerem cuidado e observação das lesões. O maior risco de agravamento acontece, em geral, para pessoas imunossuprimidas com HIV/AIDS, leucemia, linfoma, metástase, transplantados, pessoas com doenças autoimunes, gestantes, lactantes e crianças com menos de 8 anos de idade.

Ministério da Saúde confirma terceiro caso de varíola dos macacos

De acordo com a pasta, trata-se de uma notificação do Rio Grande do Sul, que foi confirmada pelo Instituto Adolf Lutz de São Paulo

O Ministério da Saúde informou na noite deste domingo, 12, a ocorrência de mais um caso importado no Brasil de varíola dos macacos. De acordo com a pasta, trata-se de uma notificação do Rio Grande do Sul, que foi confirmada pelo Instituto Adolfo Lutz de São Paulo. Este é o terceiro caso identificado no País de pessoas que estiveram recentemente na Espanha e em Portugal.

Sintomas da varíola dos macacos em uma imagem fornecida pelo Instituto de Medicina Tropical da Antuérpia Foto: DW / Deutsche Welle

O ministério disse que o infectado é um homem de 51 anos, que retornou ao Brasil na sexta-feira, 10, de uma viagem para Portugal. O paciente está em isolamento domiciliar, apresenta quadro clínico estável, sem complicações, e está sendo monitorado pelas Secretarias de Saúde do Estado e do Município.

“Todas as medidas de contenção e controle foram adotadas imediatamente após a comunicação de que se tratava de um caso suspeito de Monkeypox, com o isolamento do paciente e rastreamento dos seus contatos, tanto nacionalmente quanto do voo internacional, que contou com o apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, trouxe a nota da Saúde. O Ministério informou ainda que segue em articulação direta com o Rio Grande do Sul para monitoramento do caso e rastreamento dos contatos.

Os outros dois casos confirmados são em São Paulo. No total, há investigação de seis casos suspeitos, que seguem isolados e em monitoramento.

Bolsonaro ignora fome no Brasil e diz que país garante ‘segurança alimentar’ ao mundo

O presidente Jair Bolsonaro (PL) discursou na Cúpula das Américas nesta sexta-feira (10). Durante a fala, Bolsonaro ignorou os dados referentes à fome no Brasil e celebrou a capacidade do país de “garantir a segurança alimentar” do restante do mundo.

De acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, lançado nesta quarta-feira (8), cerca de 33,1 milhões de brasileiros passam fome atualmente. Em pouco mais de um ano, houve um incremento de 14 milhões de pessoas na condição de não ter o que comer todos os dias.

Presidente Jair Bolsonaro discursou nesta sexta (10) na Cúpula das Américas (Foto: PATRICK T. FALLON/AFP via Getty Images)

Ainda assim, na Cúpula das Américas, o presidente celebrou a capacidade do Brasil de alimentar um sexto do mundo.

“O Brasil alimenta um bilhão de pessoas. Garantimos a segurança alimentar de um sexto da população mundial. Uma realidade: sem o nosso agronegócio, parte do mundo passaria fome. O Brasil não apenas evitou uma crise alimentar ao garantir acesso à fertilizantes, mas também desempenhou um papel de liderança na busca de soluções em busca da segurança alimentar”, declarou Jair Bolsonaro.

O encontro acontece em Los Angeles, nos Estados Unidos, e tem como objetivo falar sobre a manutenção da democracia nas Américas, com foco no meio ambiente. Bolsonaro também celebrou a preservação da Amazônia.

“Somos um dos países que mais preserva o meio ambiente e suas florestas. Temos a matriz energética mais limpa e diversificada do mundo. Mesmo preservando 66% de nossa vegetação nativa e usando apenas 27% do nosso território para pecuária e agricultura, somos uma potência agrícola sustentável. Não necessitamos da região amazônica para expandir nosso agronegócio. Somente no bioma amazônico, 84% da floresta está intacta, abrigando a maior biodiversidade do planeta. Os nossos desafios são proporcionais ao nosso tamanho.”

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em abril o Brasil teve um recorde de desmatamento da Amazônia Legal. Os alertas de desmatamento na Amazônia em abril atingiram 1.012,5 km² de floresta.

Mais de 10 milhões sobreviviam com R$ 1,30 por dia em 2021, diz IBGE

Pnad aponta que 106,35 milhões viveram com R$ 13,83 por dia no ano passado

O segundo ano da pandemia foi marcado por um empobrecimento recorde dos brasileiros, após as políticas de transferência de renda para mitigar a crise causada pela covid-19 darem um alívio em 2020. Com o enxugamento do Auxílio Emergencial e uma recuperação do mercado de trabalho marcada pela geração de empregos precários, a metade mais pobre da população sobreviveu com apenas R$ 415 mensais por pessoa em 2021, pior resultado histórico, uma queda de 15,1% em relação aos R$ 489 recebidos em 2020, em valores já atualizados pela inflação.

Foto: Poder360

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2021 – Rendimento de todas as fontes, divulgada nesta sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o rendimento médio de R$ 415 por mês para a metade mais pobre, são 106,35 milhões subsistindo com apenas R$ 13,83 por dia por pessoa. O empobrecimento é histórico mesmo quando se compara com quase dez anos atrás: em 2012, a metade mais pobre da população ganhava R$ 448 por mês por pessoa. O valor de 2021 é 7,4% menor do que o registrado em 2012.

Com a diminuição do Auxílio Emergencial – tanto no valor quanto no número de pessoas beneficiadas -, as perdas foram mais dramáticas nas regiões Norte e Nordeste, onde a transferência de renda desempenha um papel fundamental para a subsistência de grande parte da população na pandemia.

Os 50% mais pobres do Nordeste sobreviviam com R$ 251 mensais, ou R$ 8,37 diários por pessoa da família no ano passado, um recuo de 23% ante 2020. No Norte, a renda média da metade mais vulnerável foi de R$ 281 mensais em 2021, R$ 9,37 diários, 19,9% a menos que no ano anterior.

O quadro é ainda mais drástico entre os mais pobres de todos. Em 2021, o País tinha 10,635 milhões de pessoas sobrevivendo com apenas R$ 39 mensais por pessoa, ou seja, os 5% mais miseráveis da população tinham, em média, somente R$ 1,30 por pessoa por dia, considerando todas as fontes de renda disponíveis. A renda desses miseráveis despencou 33,9% em relação a 2020. Na comparação com 2012, o tombo no poder aquisitivo desses brasileiros foi de 48%.

“Teve menos gente ganhando (o Auxílio Emergencial), e quem ganhava teve menos parcelas, com valor menor”, lembrou Alessandra Brito, analista do IBGE. “O auxílio foi um colchão para a renda não cair tanto em 2020. Com a melhora da pandemia e o retorno do mercado de trabalho, as regras do auxílio foram alteradas.”

O tombo na renda dos mais pobres em 2021 aumentou a desigualdade, embora todas as faixas tenham registrado perdas. Entre o 1% mais rico da população, a renda média mensal per capita foi de R$ 15.940, queda de 6,4% ante 2020. Em relação ao primeiro ano da série, 2012, a perda foi de 6,9%.

“Todo mundo perdeu (renda). Não é só o auxílio, porque não afetou só os mais pobres”, apontou a analista do IBGE.

Como o rendimento dos mais pobres caiu em ritmo mais acelerado, o índice de Gini do rendimento médio domiciliar per capita – indicador que mede a desigualdade de renda, numa escala de 0 a 1, em que, quanto mais perto de 1 o resultado, maior é a concentração – aumentou de 0,524 em 2020 para 0,544 em 2021. Na passagem de 2020 para 2021, o índice de Gini cresceu em todas as regiões brasileiras, o que mostra um aumento na desigualdade disseminado pelo País.

Considerando a renda auferida por toda a população, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita foi de R$ 1.353 em 2021. Assim como no caso da metade mais pobre da população, é o valor mais baixo já visto na pesquisa iniciada em 2012, 6,9% menor que os R$ 1.454 estimados em 2020. Houve redução em todas as regiões, sendo os valores mais baixos os auferidos no Norte (R$ 871) e Nordeste (R$ 843). A Região Sul registrou o maior rendimento domiciliar per capita médio, R$ 1.656.

 

Bolsonaro se reúne com presidente Joe Biden pela primeira vez nesta quinta-feira

Biden evitou qualquer contato com presidente brasileiro desde que assumiu a Casa Branca, em janeiro de 2021

Diferentes no estilo e na visão política, os presidentes Jair Bolsonaro e Joe Biden terão seu primeiro encontro nesta quinta-feira, 9, em Los Angeles. Se tudo der certo nas previsões do Itamaraty e da Casa Branca, o encontro será lembrado apenas pela foto dos dois presidentes juntos. A reunião foi articulada às pressas e não houve a costura de uma agenda comum.

Biden se dobrou à ideia de um encontro bilateral com o brasileiro na iminência de sediar uma Cúpula das Américas esvaziada
AFP

Biden evitou qualquer contato com Bolsonaro desde que assumiu a Casa Branca, em janeiro de 2021, mas se dobrou à ideia de um encontro bilateral com o brasileiro na iminência de sediar uma Cúpula das Américas esvaziada. Garantir a reunião foi a forma como encontrou para atrair Bolsonaro, que até então se sentia desprezado pelo americano.

Uma extensa lista de tópicos é mencionada por diplomatas brasileiros quando o assunto é o encontro bilateral, mas os aliados de Bolsonaro sabem que o que pode render manchetes é a conversa sobre eleições no Brasil. Bolsonaro coloca em xeque a legitimidade da eleição de Biden, como cópia do discurso de seu ídolo, o ex-presidente Donald Trump. Também seguindo o exemplo do republicano, o presidente brasileiro ataca o sistema eleitoral do Brasil, o que preocupa a Casa Branca.

Nos anos em que Trump era presidente, Bolsonaro teve três amigáveis reuniões com o americano, incluindo uma recepção oficial na Casa Branca, algo que Biden nunca ofereceu.

ELEIÇÕES

De nenhum dos lados há a expectativa de que seja um encontro de “caneladas”, mas Biden não deve se furtar aos assuntos incômodos, segundo a Casa Branca. O conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, afirmou ontem que o americano tratará da questão de eleições “abertas, livres, justas, transparentes e democráticas” no Brasil. Parlamentares do Partido Democrata e ativistas ainda pedem que Biden cobre Bolsonaro um posicionamento a respeito do desaparecimento do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira na Amazônia.

A Casa Branca também quer tratar da questão ambiental, cara ao governo Biden. Segundo Sullivan, é uma área onde pode haver progresso concreto na relação entre os dois países. Diplomatas próximos a Bolsonaro dizem que o presidente está pronto para comentar bons resultados do Brasil na questão, adotados desde abril do ano passado, após pressão dos americanos pelo compromisso com metas concretas para reduzir o desmatamento. Diplomatas brasileiros argumentam que a reunião poderia desfazer a imagem de que Bolsonaro é um pária internacional.