Seis crianças são resgatadas com sede e fome em casa tomada pelo lixo

As vítimas de 1,2,5,7,9 e 12 anos estão em um abrigo da Capital. De acordo com boletim de ocorrência, a mãe das crianças foi presa por maus-tratos

Seis crianças, de 1,2,5,7,9 e 12, foram resgatadas após serem encontradas vivendo em situação insalubre, sem alimento, água, nuas e em meio a muito lixo e fezes, em um apartamento nessa quinta-feira (23), no Jardim Canguru, em Campo Grande.

Amontoados de lixo encontrados no apartamento. — Foto: Reprodução

As vítimas foram encaminhadas para um abrigo da Capital. Já a mãe das vítimas, de 33 anos, foi presa por maus-tratos.

De acordo com registro policial, o caso foi denunciado por vizinhos do condomínio à Polícia Militar e ao Conselho Tutelar.

Ao chegarem no local, os agentes foram recebidos pela genitora, e constataram a insalubridade do local.

Conforme descrito pelos policiais, havia fezes por todos os cômodos da residência, insetos e amontoados de lixo plástico, orgânico, roupas úmidas, fios, colchão revirado e brinquedos.

As crianças se queixaram de fome e sede, já que o fornecimento de água no apartamento foi cortado há dois meses.

Diante do ambiente de total abandono, a conselheira tutelar que atendeu a ocorrência decidiu encaminhar as crianças para um abrigo municipal.

O caso ficará a cargo da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).

Idosa é resgatada de casa sem água e comida nas Moreninhas

Vizinhos acionaram a PM após gritos; vítima afirmou que reside sozinha no local e não possui contato com parentes

Idosa, de 70 anos, foi resgatada pela Polícia Militar em situação de abandono, sem água, luz e nem comida, em uma residência do Bairro Moreninhas, em Campo Grande. O caso aconteceu na manhã desta terça-feira (21).

4ª Delegacia de Polícia, localizada nas Moreninhas. (Foto: Arquivo – Folha de Campo Grande)

Ela mora sozinha no local e estava há dias sem água e luz. Ela foi encaminhada para a Delegacia de Polícia.

Conforme as informações, a Polícia Militar foi acionada por vizinhos, por volta das 08h50. No local, os policiais encontraram a casa fechada e não conseguiram contato com os moradores. Uma vizinha relatou que escutou a idosa gritar por socorro.

A mulher possuía a chave da casa, pois possuía costume de fazer faxinas no local, e abriu o portão para que os policiais tivessem acesso à vítima. Já no interior do terreno, realizaram contato com a idosa pela janela para tentar convencê-la a abrir a porta da residência. O boletim de ocorrência descreve que a vítima atendeu aos pedidos “depois de muito diálogo”.

A idosa afirmou que mora sozinha no local e não possui família, apenas uma parente com a qual ela não tem contato. Também contou que estava há dias sem água e luz e possuía fome.

Os policiais levaram a vítima até a 4ª Delegacia de Polícia para receber os atendimentos necessários. O caso foi registrado como abandono de incapaz, se a vítima é maior de 60 anos.

Campanha da Fraternidade 2023 é lançada em Campo Grande e tem como tema a ‘Fome’

A missa de abertura da campanha em Campo Grande será no dia 26 de fevereiro, a partir das 9h, no poliesportivo Dom Bosco

A Campanha da Fraternidade 2023 foi lançada oficialmente na manhã desta quarta-feira (22), em Campo Grande, no auditório da Cúria Metropolitana, às 9h. Neste ano, o tema é “Fraternidade e Fome”. A campanha tem como objetivo combater a fome e propor aos fieis um caminho de conversão. A missa de abertura da iniciativa em Campo Grande será no dia 26 de fevereiro, a partir das 9h, no poliesportivo Dom Bosco.

Lançamento da Campanha da fraternidade em Campo Grande. — Foto: Ana Lívia

“Seu objetivo é sensibilizar a sociedade e a Igreja para enfrentarem o flagelo da fome, sofrido por uma multidão de irmãos e irmãs, por meio de compromissos que transformem esta realidade a partir do Evangelho de Jesus Cristo”, diz o comunicado na página da Arquidiocese.

O arcebispo metropolitano, Dom Dimas Lara Barbosa, disse que em Campo Grande o foco será acompanhar de perto a realidade das favelas.

“É um tempo de interiorização, penitência, oração, jejum e de conversar, para vermos o que nós podemos fazer de concreto. Nós queremos ver de perto nossas favelas, quando cheguei aqui há 11 anos, não existiam, e hoje temos mais de 30”.
No Brasil, mais de 33 milhões de pessoas estão em situação de fome, de acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. O país voltou a aparecer no Mapa da Fome das Organizações das Nações Unidas, a ONU, depois de uma década.

Quaresma
A Campanha da fraternidade ocorre todos os anos, durante a Quaresma, momento em que os cristãos começam a se preparar para a Páscoa, comemorada, em 2023, no dia 9 de abril.

A tradição é que durante os 40 dias que antecedem a Semana Santa e o Domingo de Páscoa, seja realizada uma série de celebrações religiosas, para homenagear e relembrar os 40 dias vividos por Cristo no deserto, conforme as escrituras bíblicas.

Bolsonaro ignora fome no Brasil e diz que país garante ‘segurança alimentar’ ao mundo

O presidente Jair Bolsonaro (PL) discursou na Cúpula das Américas nesta sexta-feira (10). Durante a fala, Bolsonaro ignorou os dados referentes à fome no Brasil e celebrou a capacidade do país de “garantir a segurança alimentar” do restante do mundo.

De acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, lançado nesta quarta-feira (8), cerca de 33,1 milhões de brasileiros passam fome atualmente. Em pouco mais de um ano, houve um incremento de 14 milhões de pessoas na condição de não ter o que comer todos os dias.

Presidente Jair Bolsonaro discursou nesta sexta (10) na Cúpula das Américas (Foto: PATRICK T. FALLON/AFP via Getty Images)

Ainda assim, na Cúpula das Américas, o presidente celebrou a capacidade do Brasil de alimentar um sexto do mundo.

“O Brasil alimenta um bilhão de pessoas. Garantimos a segurança alimentar de um sexto da população mundial. Uma realidade: sem o nosso agronegócio, parte do mundo passaria fome. O Brasil não apenas evitou uma crise alimentar ao garantir acesso à fertilizantes, mas também desempenhou um papel de liderança na busca de soluções em busca da segurança alimentar”, declarou Jair Bolsonaro.

O encontro acontece em Los Angeles, nos Estados Unidos, e tem como objetivo falar sobre a manutenção da democracia nas Américas, com foco no meio ambiente. Bolsonaro também celebrou a preservação da Amazônia.

“Somos um dos países que mais preserva o meio ambiente e suas florestas. Temos a matriz energética mais limpa e diversificada do mundo. Mesmo preservando 66% de nossa vegetação nativa e usando apenas 27% do nosso território para pecuária e agricultura, somos uma potência agrícola sustentável. Não necessitamos da região amazônica para expandir nosso agronegócio. Somente no bioma amazônico, 84% da floresta está intacta, abrigando a maior biodiversidade do planeta. Os nossos desafios são proporcionais ao nosso tamanho.”

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em abril o Brasil teve um recorde de desmatamento da Amazônia Legal. Os alertas de desmatamento na Amazônia em abril atingiram 1.012,5 km² de floresta.

Mais de 10 milhões sobreviviam com R$ 1,30 por dia em 2021, diz IBGE

Pnad aponta que 106,35 milhões viveram com R$ 13,83 por dia no ano passado

O segundo ano da pandemia foi marcado por um empobrecimento recorde dos brasileiros, após as políticas de transferência de renda para mitigar a crise causada pela covid-19 darem um alívio em 2020. Com o enxugamento do Auxílio Emergencial e uma recuperação do mercado de trabalho marcada pela geração de empregos precários, a metade mais pobre da população sobreviveu com apenas R$ 415 mensais por pessoa em 2021, pior resultado histórico, uma queda de 15,1% em relação aos R$ 489 recebidos em 2020, em valores já atualizados pela inflação.

Foto: Poder360

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2021 – Rendimento de todas as fontes, divulgada nesta sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o rendimento médio de R$ 415 por mês para a metade mais pobre, são 106,35 milhões subsistindo com apenas R$ 13,83 por dia por pessoa. O empobrecimento é histórico mesmo quando se compara com quase dez anos atrás: em 2012, a metade mais pobre da população ganhava R$ 448 por mês por pessoa. O valor de 2021 é 7,4% menor do que o registrado em 2012.

Com a diminuição do Auxílio Emergencial – tanto no valor quanto no número de pessoas beneficiadas -, as perdas foram mais dramáticas nas regiões Norte e Nordeste, onde a transferência de renda desempenha um papel fundamental para a subsistência de grande parte da população na pandemia.

Os 50% mais pobres do Nordeste sobreviviam com R$ 251 mensais, ou R$ 8,37 diários por pessoa da família no ano passado, um recuo de 23% ante 2020. No Norte, a renda média da metade mais vulnerável foi de R$ 281 mensais em 2021, R$ 9,37 diários, 19,9% a menos que no ano anterior.

O quadro é ainda mais drástico entre os mais pobres de todos. Em 2021, o País tinha 10,635 milhões de pessoas sobrevivendo com apenas R$ 39 mensais por pessoa, ou seja, os 5% mais miseráveis da população tinham, em média, somente R$ 1,30 por pessoa por dia, considerando todas as fontes de renda disponíveis. A renda desses miseráveis despencou 33,9% em relação a 2020. Na comparação com 2012, o tombo no poder aquisitivo desses brasileiros foi de 48%.

“Teve menos gente ganhando (o Auxílio Emergencial), e quem ganhava teve menos parcelas, com valor menor”, lembrou Alessandra Brito, analista do IBGE. “O auxílio foi um colchão para a renda não cair tanto em 2020. Com a melhora da pandemia e o retorno do mercado de trabalho, as regras do auxílio foram alteradas.”

O tombo na renda dos mais pobres em 2021 aumentou a desigualdade, embora todas as faixas tenham registrado perdas. Entre o 1% mais rico da população, a renda média mensal per capita foi de R$ 15.940, queda de 6,4% ante 2020. Em relação ao primeiro ano da série, 2012, a perda foi de 6,9%.

“Todo mundo perdeu (renda). Não é só o auxílio, porque não afetou só os mais pobres”, apontou a analista do IBGE.

Como o rendimento dos mais pobres caiu em ritmo mais acelerado, o índice de Gini do rendimento médio domiciliar per capita – indicador que mede a desigualdade de renda, numa escala de 0 a 1, em que, quanto mais perto de 1 o resultado, maior é a concentração – aumentou de 0,524 em 2020 para 0,544 em 2021. Na passagem de 2020 para 2021, o índice de Gini cresceu em todas as regiões brasileiras, o que mostra um aumento na desigualdade disseminado pelo País.

Considerando a renda auferida por toda a população, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita foi de R$ 1.353 em 2021. Assim como no caso da metade mais pobre da população, é o valor mais baixo já visto na pesquisa iniciada em 2012, 6,9% menor que os R$ 1.454 estimados em 2020. Houve redução em todas as regiões, sendo os valores mais baixos os auferidos no Norte (R$ 871) e Nordeste (R$ 843). A Região Sul registrou o maior rendimento domiciliar per capita médio, R$ 1.656.