Nova Ferroeste avança e deve ir para leilão até o final do ano

O projeto da Nova Ferroeste, corredor ferroviário que ligará Maracaju (MS) a Paranaguá, foi considerado elegível para emissão de títulos verdes, os Green Bonds. A avaliação foi realizada por uma equipe multidisciplinar que seguiu os critérios de Transporte Terrestre da Climate Bonds Initiative (CBI), uma das principais referências de títulos climáticos do mundo. A expectativa do Governo do Estado é que o novo trecho da ferrovia que vai passar por 8 municípios de Mato Grosso do Sul seja licitado na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), até o final do ano.

O governador Reinaldo Azambuja e o secretário Jaime Verruck (Foto: Chico Ribeiro)

Ramal ferroviário nascido da parceria entre os governos do Paraná e Mato Grosso do Sul, a linha interestadual com 1.567 quilômetros vai dar origem ao Corredor Oeste de Exportação, conectando os estados do Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Os estudos realizados para a elaboração do projeto para emissão de títulos verdes consideraram como fonte de energia das futuras locomotivas a eletricidade e o óleo diesel. Estas e outras informações técnicas contidas no Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) serviram como base para a análise.

O índice de emissão de gases poluentes foi o principal fator considerado. O parecer final apontou a emissão de 16g CO2/TKU (tonelada/quilômetro útil), abaixo do limite das normas da CBI, que é de 24g CO2/TKU. A partir desse resultado, o projeto pode ser submetido a uma análise para certificação de títulos verdes.

“No Paraná, com o projeto da Nova Ferroeste, estamos dando uma contribuição para promover um novo ciclo de crescimento econômico através da consolidação de uma central logística, sempre em harmonia com o meio ambiente”, diz o coordenador do Plano Estadual Ferroviário, Luiz Henrique Fagundes.

“A engenharia sempre está disponível para conseguirmos grandes resultados, e a gente utilizou o máximo possível dela dentro de um conceito de sustentabilidade econômica”, completa Fagundes

O investimento no modal ferroviário permite melhor aproveitamento energético no transporte de cargas, principalmente em longas distâncias. De maneira geral, o caminhão emite quatro vezes mais CO2 que o trem para levar a mesma carga. O transporte é a segunda atividade que mais contribui para as emissões globais de gases do efeito estufa, atrás apenas da geração de eletricidade.

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Produção, Desenvolvimento Econômico e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck destacou que isso coloca o projeto em mais consonância ainda com a meta do Governo do MS em se tornar Carbono Neutro em 2030. “Temos uma preocupação com a redução desses índices no Estado, e isso é recorrente em todo o mundo. Prova disso é o interesse de investidores em projetos com potencial para obtenção de títulos verdes e climáticos para entregar produtos e serviços de qualidade com o menor impacto ao meio ambiente. As certificações elevam a confiança e a transparência diante dos investidores e clientes”, sinalizou.

TÍTULOS VERDES 

Esses títulos são fundos financeiros disponíveis destinados a empreendimentos verdes. São similares aos títulos de dívida comuns, com a diferença essencial de que só podem ser usados para financiar investimentos considerados sustentáveis. “Com isso a gente passa a ter acesso a capitais e aporte de fundos que não teríamos em condições normais, porque são destinados somente a empreendimentos como esse”, completa o coordenador do Plano Estadual Ferroviário.

Bancos estrangeiros e o BNDES, maior banco nacional de desenvolvimento, oferecem opções de crédito voltadas a projetos verdes. São recursos disponíveis exclusivamente para empresas que atendem alguns critérios ambientais específicos definidos pelas certificadoras. O resultado dessa avaliação poderá ser utilizado pelo vendedor do leilão do projeto, previsto para 2023.

“Essa conquista, junto com o licenciamento ambiental que estamos aguardando do Ibama, vai trazer mais conforto para os investidores e aumentar a atratividade para o empreendimento quando colocarmos na Bolsa de Valores. Estamos falando de fundos de trilhões de dólares, são valores vultosos que o vencedor do leilão vai passar a ter acesso”, afirma Fagundes.

LICENÇA AMBIENTAL 

O titular da Semagro, Jaime Verruck, informou que o Governo aguarda a emissão da Licença Prévia (LP) pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis). No primeiro semestre, técnicos do órgão licenciador realizaram sete audiências públicas em Mato Grosso do Sul e no Paraná. Mais de três mil pessoas participaram de maneira presencial e virtual. Este ano a Nova Ferroeste também passou a integrar a Iniciativa de Mercados Sustentáveis, ligada à Coroa Britânica.

Em junho o secretário Jaime Verruck participou juntamente com o governador reeleito do Ratinho Massa Júnior do lançamento do edital da ferrovia. “Somos estados parceiros, irmãos na logística e em projetos que promovam o desenvolvimento conjuntos dos estados”, acrescentou.

NOVA FERROESTE 

O projeto da Nova Ferroeste visa estimular o desenvolvimento econômico dos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, além da Argentina e o Paraguai ao promover uma opção logística mais eficiente e econômica. Estudos apontam a redução de até 30% no custo logístico com a implantação da ferrovia.

A Nova Ferroeste vai ampliar a capacidade de escoamento, melhorando o acesso dessas regiões com o Porto de Paranaguá, a porta de saída de boa parte da produção brasileira. Esse desenvolvimento será feito com bases sustentáveis, especialmente para reduzir o tráfego de veículos de carga em rodovias como a BR-163/MS/PR e a BR-277/PR.

Nova Ferroeste deve reduzir custo de transporte em 30% em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul escoa 40% da produção pelo Porto de Paranaguá. Estas mercadorias poderão ser transportadas em um futuro próximo pela Nova Ferroeste e com um custo até 30% menor. Os cálculos foram feitos pelo secretário de Estado da Produção, Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, que representou o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, no lançamento, no Palácio Iguaçu, da consulta ao edital de leilão da Nova Ferroeste, no dia de ontem (21).

Secretário de Produção Jaime Verruck participou do lançamento do edital em Curitiba Foto Kelly Ventorim

A linha férrea vai ligar Maracaju, em Mato Grosso do Sul, ao Porto de Paranaguá, com um ramal também em Santa Catarina, impactando diretamente 67 municípios, sendo oito em Mato Grosso do Sul. Somente no Estado serão 333 quilômetros de ferrovia com investimentos previstos de quase R$ 5 bilhões.

O projeto já nasce como o segundo maior corredor de grãos e contêineres refrigerados do País, o que deve transformar o Paraná em um hub logístico da América do Sul por atrair parte da produção de países vizinhos como Argentina e Paraguai. Se estivesse em operação hoje, a ferrovia poderia transportar cerca de 38 milhões de toneladas de produtos e 26 milhões de toneladas seguiriam diretamente para o Porto de Paranaguá.

A contraprestação mínima, o chamado lance inicial segundo o edital, será de R$ 110 milhões, valor que será revertido integralmente para a Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A., administradora do atual trecho em operação. “Este é apenas o valor da cessão onerosa da Ferroeste. Quem vencer a licitação fará os investimentos necessários na ferrovia, que serão de R$ 35 bilhões, sendo R$ 5 bilhões somente dentro do Mato Grosso do Sul”, explicou Verruck.

O secretário destacou que a partir da divulgação do documento há um intervalo para receber contribuições da sociedade, o que vai até 15 de julho. A publicação oficial do projeto só acontecerá com a emissão da Licença Prévia Ambiental, prevista para o segundo semestre. É o que permite o pregão na Bolsa de Valores (B3). A previsão é que a concorrência para a iniciativa privada ocorra ainda no segundo semestre deste ano. O acordo é válido por 99 anos.

O investidor privado que arrematar a ferrovia será responsável pela construção do trecho completo, de 1.567 quilômetros, incluindo os ramais entre Foz do Iguaçu/Cascavel, Chapecó/Cascavel e Dourados/Maracaju. Porém, como forma de atrair mais investidores para o leilão, a cessão onerosa da Nova Ferroeste será subdividida em cinco contratos, sendo quatro de autorização e um de adesão.na solenidade de lançamento do edital da Nova Ferroeste.

Projeto transformador

O governador do Paraná, Ratinho Júnior, reforçou novamente que a ferrovia que corta o Paraná é essencial para a transformação do Estado em hub logístico da América do Sul. “Conectaremos Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e, com o ramal de Foz do Iguaçu, também o Paraguai. Isso viabiliza a ligação férrea com a Argentina e Chile, até Antofagasta, criando o corredor bioceânico multimodal que vai ligar o Pacífico ao Atlântico, tendo o Paraná como protagonista”, destacou.

Já o secretário de Produção de Mato Grosso do Sul destacou o potencial de uma obra deste porte para o Estado. “Mato Grosso do Sul é um grande exportador de comoditties e hoje 40% de tudo que nós exportamos vai pelo porto de Paranaguá. Os produtos seguem hoje através de caminhões. Então esta ferrovia que saíra de Maracaju e chegará até Paranaguá vai dar mais competitividade à produção sul-mato-grossense”, salientou o secretário de Mato Grosso do Sul.

Ele explica que a ferrovia irá atender ainda os fornecedores de milho e farelo do Paraná e os de Santa Catarina. “A Ferroeste além de permitir competitividade contribuirá para o acesso aos mercados internos dos estados do sul”, afirmou.

Verruck lembra que Mato Grosso do Sul é um grande produtor tanto de farelo como de soja como de milho. “Mato Grosso do Sul hoje é um estado que produz 12 milhões de toneladas de milho e cerca de 13 milhões de toneladas de soja. Então, que a gente conseguir fazer essa melhoria em termos de custo de modal, acho que esse é um ponto fundamental. O Brasil também precisa desse deslocamento do transporte rodoviário, pois os caminhões do Mato Grosso do Sul estão andando 1.400 quilômetros para chegar ao porto. Nós esperamos que agora faça isso através da ferrovia, com um custo praticamente 30% inferior mais a competitividade e também atendendo o mercado tanto do Paraná como Santa Catarina”, finalizou.

De acordo com o edital, a partir da execução da fase I, que vai unir por trilhos o Litoral ao Oeste do Paraná, o vencedor do leilão terá 36 meses (o intervalo entre os anos 7 e 10) para estar apto a iniciar a construção do projeto completo, que inclui a entrega do plano de execução dos outros quatro contratos, todos de autorização, ligando Cascavel a Maracaju, com passagem por Guaíra e Dourados; e a Foz do Iguaçu e a Chapecó (ramais). A peça jurídica contempla indenização ao Estado em caso de rompimento do contrato no período.

Governo de MS e do Paraná divulgam hoje edital de leilão da Nova Ferroeste

No documento estão as regras do contrato que será levado à Bolsa de Valores no momento do leilão do projeto

Uma obra emblemática para Mato Grosso do Sul, a Nova Ferroeste, que terá trecho de 333 quilômetros em solo sul-mato-grossense ligando Maracaju (MS) até o Porto de Paranaguá (PR), terá seu edital lançado hoje em cerimônia em Curitiba.

Edital de leilão da Nova Ferroeste será divulgado (Foto: Divulgação )

O governador Carlos Massa Ratinho Junior apresenta nesta terça-feira (21) os detalhes do edital da Nova Ferroeste, que ficará disponível para consulta pública. O secretário de Estado de Produção, Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Agricultura Familiar, Jaime Verruck participa da solenidade, representando o governador do Estado, Reinaldo Azambuja.

No documento estão as regras do contrato que será levado à Bolsa de Valores no momento do leilão do projeto, previsto para o segundo semestre de 2022. O edital só será publicado oficialmente após a concessão do licenciamento ambiental.

O evento acontece as 10h30, no Palácio Iguaçu, em Curitiba.

Para o governador Reinaldo Azambuja, o projeto da Nova Ferroeste é estratégico sob o ponto de vista da logística e também da competitividade. “No futuro, com a viabilização da ferrovia, o nosso Estado vai diminuir a exportação de commodities e ampliar a exportação”, salientou.

O secretário de Estado da Produção, Jaime Verruck, destaca que já foram realizadas as fases de audiências públicas e o edital é a nova etapa. “Já ultrapassamos a fase de audiências públicas ambientais, agora será lançado o edital em que será previsto todas as condições da obra, prazo, tecnologia a ser adotada”, destaca o secretário, lembrando a importância logística de uma ferrovia deste porte para o Estado. “A Nova Ferroeste vai representar um importante modal de escoamento de grãos da maior região produtora do Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Projeto

No Estado a ferrovia passará por oito municípios: Maracaju, Itaporã, Dourados, Caarapó, Amambai, Iguatemi, Eldorado e Mundo Novo. A estimativa é que pelo menos R$ 4,7 bilhões sejam investidos na obra em solo sul-mato-grossense dos mais de R$ 29 bilhões estimados em todo o empreendimento.