Com helicóptero, grupo é resgatado de trabalho escravo em fazenda no Pantanal

Cinco trabalhadores foram retirados da condição de trabalho análogo ao de escravo durante a operação conjunta “Pantanal Paiaguás”, realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MS), Ministério do Trabalho e Emprego, Polícia Federal (Grupo Especial de Polícia Marítima de Corumbá) e Polícia Militar Ambiental, com apoio da Casa Militar do Governo do Estado.

A ação ocorreu entre os dias 12 e 17 de março, na sub-região do Pantanal de Paiaguás.

Ontem (22), as vítimas receberam do empregador as verbas rescisórias pelos serviços prestados, pouco mais de R$ 37,4 mil para cada um deles, além de uma indenização por danos morais individuais, que totalizou R$ 240 mil – o equivalente a 20 vezes o valor do salário acordado no momento da contratação – e que será dividida entre os cinco trabalhadores. O pagamento destes valores foi pactuado com o MPT-MS por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), assinado pelo procurador do Trabalho Paulo Douglas de Moraes e por representantes legais da propriedade rural, durante audiência administrativa, realizada no dia 15 de março, nas dependências da Polícia Federal no município de Corumbá.

Trbalhadores foram resgatados de helicóptero por estarem em área alagada do Pantanal – Foto: Divulgação

O proprietário da fazenda também deverá pagar outros R$ 240 mil, a título de dano moral coletivo, como forma de reparação à sociedade. O valor será revertido a entidades e/ ou instituições que promovam direitos sociais de interesse coletivo.

Outro Termo de Ajuste de Conduta foi subscrito na mesma ocasião, este objetivando a adequação do meio ambiente de trabalho à legislação laboral vigente, bem como resguardar trabalhadores que, futuramente, venham a exercer quaisquer serviços na propriedade onde ocorreu o flagrante, ou em outras empresas que integram ou venham a integrar seu grupo econômico. O não cumprimento de qualquer uma das obrigações do TAC implica no pagamento de multa, cujo valor é vinculado à natureza da cláusula descumprida – legislação trabalhista, segurança do trabalho ou medicina do trabalho – e ao número de trabalhadores impactados.

Com a operação “Pantanal Paiaguás”, 22 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à de escravidão em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul, entre janeiro e 21 de março de 2023, conforme levantamento da Superintendência da Inspeção do Trabalho no estado. Em todo o país, foram 918 trabalhadores no mesmo período, o que representa alta de 124% em relação ao volume dos primeiros três meses de 2022.

Condições degradantes de trabalho

Durante a operação, duas propriedades rurais, localizadas na sub-região do Pantanal de Paiaguás, foram diligenciadas. Na primeira, uma fazenda localizada a cerca de 60 quilômetros do perímetro urbano de Corumbá, não houve flagrante do crime.

Já na segunda propriedade rural, distante 180 quilômetros da cidade, os cinco trabalhadores foram localizados isolados em meio à mata, dentro de uma fazenda que atua no ramo da pecuária bovina e tem 15 mil hectares. Foi necessária a utilização de um helicóptero e de um barco, cedidos pela Casa Militar do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e pelo Grupo Especial de Polícia Marítima de Corumbá, da Polícia Federal, respectivamente, já que nesta época do ano a região fica alagada. Policiais da Polícia do Ministério Público da União (MPU) realizaram a escolta e acompanhamento do procurador do MPT durante as diligências, as inspeções e as audiências.

Barraca que servia de alojamento para trabalhadores resgatados – Crédito: Divulgação

Nesta fazenda, os trabalhadores estavam alojados em um acampamento, afastado a quilômetros da sede, composto por quatro barracos, construídos com varões de arbustos e cobertos com lona plástica, e dormiam em redes e estruturas precárias, que eles chamavam de “camas”, e eram montadas de forma improvisada com troncos de vegetação. Sem paredes ou pisos, as condições expunham os trabalhadores a intempéries, animais peçonhentos e silvestres.

Não havia banheiros e as necessidades eram feitas no mato. A água disponível ficava armazenada em um tanque pipa e servia para uso geral – beber, cozinhar e tomar banho. Em depoimento, os trabalhadores disseram que ela tinha gosto de ferrugem, e que até capivaras foram vistas bebendo desta mesma água.

Residentes em Corumbá, os trabalhadores foram contratados de forma irregular para construir cercas na fazenda, por um intermediador de mão de obra. “O cercamento da propriedade rural é uma atividade lícita, porém, não pode ser executada nestas condições, que configuram o crime de redução à condição análoga à de escravo”, pontua o procurador do Trabalho Paulo Douglas de Mores.

Nenhum dos trabalhadores teve o registro formalizado em carteira ou receberam equipamentos e dispositivos de proteção individual, com vistas a prevenção da ocorrência de acidentes. Conforme o acordo feito no momento da contratação, eles deveriam permanecer no local de trabalho pelo período de 90 dias, para só então serem conduzidos à cidade, onde finalmente receberiam o saldo dos valores das diárias trabalhadas nesse período. Também não foi concedido o direito ao repouso semanal remunerado de 24 horas consecutivas.

Denuncie 

Todo cidadão que presenciar pessoas atuando de formas que caracterizem o trabalho análogo ao de escravo pode denunciar ao MPT. As denúncias devem ser feitas das seguintes formas:

Pelo site do MPT-MS: www.prt24.mpt.mp.br/servicos/denuncias

Pelo aplicativo MPT Pardal, cujo download é gratuito para smartphones

Pelo portal da Inspeção do Trabalho https://ipe.sit.trabalho.gov.br/#!/ 

Ou pessoalmente em uma das três unidades do MPT-MS, localizadas em Campo Grande, Três e Lagoas e Dourados, de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas.

PRF usa fuzil e helicóptero em perseguição a bandido que roubou caminhão em BR

Caminhão foi roubado em Nova Olímpia, no Mato Grosso, e recuperado pela PRF em Campo Grande

Bandido e policiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) trocaram tiros durante perseguição na BR-163, próximo a Campo Grande, nesta quarta-feira (28). O bandido está foragido. A PRF informou que o caminhão foi furtado em Nova Olímpia (MT) e era levado para a fronteira entre Brasil e Paraguai, por Mato Grosso do Sul.

Conforme boletim de ocorrência, a vítima de 24 anos contou que foi contratada para fazer um frete, quando no local combinado, por volta das 18h de terça-feira (27), acabou rendida por dois bandidos armados. O rapaz, então, foi amarrado numa árvore e os criminosos fugiram levando o caminhão Mercedes-Benz, um celular e R$ 1.000 em dinheiro. Na sequência, o motorista conseguiu se soltar e acionar a polícia.

Caminhão foi recuperado e levado para o pátio da Defurv Foto: divulgação / PRF

Ontem, por volta das 10h30, no Km-448 da BR-163, em Campo Grande, a equipe da PRF avistou o caminhão e deu ordem de parada ao motorista. Porém, o condutor não obedeceu e fugiu fazendo manobras perigosas, ultrapassagens proibidas, trafegando na contramão e forçando vários veículos a saírem da pista.

Para parar o caminhão, a PRF disparou em direção aos pneus, mas mesmo assim o motorista entrou numa estrada vicinal e continuou percorrendo em alta velocidade, por mais 3 quilômetros, até jogar o veículo numa cerca de propriedade rural.

“Durante o acompanhamento tático, o suspeito colocou em risco a vida dos outros usuários da rodovia”, detalha a nota da polícia.

O criminoso, então, saiu do caminhão e fez disparos contra a equipe policial, que revidou. O ladrão conseguiu fugir para dentro de uma área de mata. A PRF fez um cerco na região e solicitou apoio de mais policiais rodoviários federais e do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais).

Após consultar a placa foi confirmado que se tratava do caminhão roubado em Nova Olímpia, no Mato Grosso. O veículo foi levado para a Defurv (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos e Furtos de Veículos) e será periciado. Os policiais fazem buscas na região para encontrar o suspeito.

Segurança tem reforço de 167 viaturas e helicóptero de R$ 32 milhões

No maior investimento da história de Mato Grosso do Sul, com mais de R$ 1 bilhão em segurança pública ao longo de oito anos, o Governo do Estado concluiu nesta segunda-feira (26) a entrega de 2.624 viaturas.

Iniciando a última semana do ano, o governador Reinaldo Azambuja destinou 167 veículos, no Comando Geral da Polícia Militar, à PM, Corpo de Bombeiro, Polícia Civil e Agepen (Agência Estadual do Sistema Penitenciário). Também foi entregue mais uma aeronave, totalizando quatro novas desde 2015.

Aeronave conta com imageador térmico, que é capaz de localizar pessoas ou objetos através do calor Foto Chico ribeiro

O helicóptero A2350, B3E, conhecida como Esquilo, foi adquirido ao custo de R$ 32 milhões com recursos próprios do Estado para atender toda a segurança pública de Mato Grosso do Sul, em apoio ao Harpia 02 0 prefixo PR-DOF, que está baseado na sede do Departamento de Operações de Fronteira.

Reinaldo Azambuja afirmou que os investimentos atendem uma necessidade e uma preocupação da população e lembrou que, ao assumir o governo, em 2015, encontrou viaturas “em cima do toco”, coletes vencidos e bombeiros militares precisando dividir equipamentos de proteção individual.

Aeronave conta com imageador térmico, que é capaz de localizar pessoas ou objetos através do calor

“Entregamos uma política de segurança pública efetiva, duradoura, com alicerces sólidos e que, com certeza, vão perpetuar com a responsabilidade que os governantes tem que ter em uma área sensível. Quando percorri Mato Grosso do Sul em 2013, com o programa Pensando MS – a gente foi ouvir as cidades, as prioridades – em 1º lugar, longe, era saúde, mas em 2º estava a segurança pública e aí procuramos colocar os investimentos importantes para fortalecer essa área da segurança pública”, disse o governador.

Governo entregou 6.250 Berettas, ao custo de R$ 12 milhões

Além das viaturas e do helicóptero, Reinaldo Azambuja entregou, nesta segunda-feira, 6.250 pistolas Berettas. O secretário de Estado de Justiça e Segurança  Pública, Antonio Carlos Videira, ressaltou que o ineditismo do volume de investimentos em segurança pública na gestão estadual. “Os maciços investimentos se tornaram rotina em Mato Grosso do Sul. Tenho 33 anos de segurança pública. Nunca tivemos tantos investimentos como o que estamos tendo agora. Não só em viaturas e embarcações, mas também em aeronaves. Estamos recebendo o nosso 3º helicóptero, dos quais dois zero. Revisamos o primeiro com motor novo e adquirimos dois aviões dos mais modernos da categoria no mundo para enfrentar fogo em todos os nossos biomas”.

As 167 novas viaturas, adquiridas com recursos do Governo do Estado e do Governo Federal, vão atender todas as regiões do Estado. Elas estão distribuídas da seguinte maneira: 68 viaturas para a PM, 25 para o Corpo de Bombeiros, 8 para a Coordenadoria Geral de Perícias, 12 para a Polícia Civil e 54 para a Sejusp.

Governo Reinaldo Azambuja investiu R$ 1 bilhão em segurança pública

Também participaram da entrega os secretários estaduais Eduardo Rocha (Governo e Gestão Estratégica), Flávio Britto (Saúde) e Jaime Verruck (Semagro); comandante geral da PM, Coronel Marcos Paulo; comandante geral do Corpo de Bombeiros Militar, Coronel Hugo Djan Leite; delegado-geral da Polícia Civil, Roberto Gurgel; diretor-geral da Agepen, Aud de Oliveira Chaves; prefeitos de Costa Rica, Figueirão, Iguatemi, Ivinhema e Pedro Gomes; deputados estaduais Paulo Duarte e Herculano Borges; e o diretor-presidente da Sanesul, Walter Carneiro Junior, entre outras autoridades.