Anderson Torres fica em silêncio durante depoimento à PF

Bolsonaristas temiam possibilidade de delação premiada do ex-ministro

Anderson Torres se recusou a falar com agentes da Polícia Federal durante seu depoimento na manhã desta quarta-feira (18), em Brasília. As informações são do portal g1.

Anderson Torres ficou em silêncio durante depoimento – Foto: REUTERS/Adriano Machado

O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal ficou em silêncio durante toda a abordagem dos policiais no 4º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (Guará), onde ele está preso.

A equipe da PF chegou ao local por volta das 10h30, mas saiu pouco depois, às 12h, após ouvir do ex-ministro que não tinha declarações a dar aos agentes.

Omissão em invasão bolsonarista

O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal é acusado de omissão nos atos terroristas do último dia 8 em Brasília, quando prédios dos Três Poderes foram invadidos e depredados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que também agrediram policiais e jornalistas.

Durante o episódio, Anderson estava de férias em Orlando, nos Estados Unidos, e teria negligenciado a segurança na capital federal mesmo diante dos avisos dos manifestantes golpistas.

Exonerado do cargo

Logo depois do ocorrido, o secretário foi exonerado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), que também acabou afastado do cargo, por pelo menos 90 dias, após decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Anderson foi detido assim que retornou ao Brasil, no último sábado. Ele passou por audiência de custódia virtual, e a Justiça determinou que ele seguisse preso.

Ex-secretário se sente “abandonado” por Bolsonaro

O ex-ministro teria sinalizado a pessoas próximas que se sentiu “abandonado” por Bolsonaro desde sua prisão e se mostrou decepcionado com o tratamento dado ao seu caso pelo ex-presidente.

A prisão de Anderson teria ligado um alerta entre os bolsonaristas para uma possível delação premiada. A cúpula do antigo governo já se mostrou preocupada com o que ele pode dizer.

À coluna Radar, da revista Veja, uma pessoa próxima ao ex-ministro indicou que Torres pode mesmo “derrubar” outros ex-integrantes do governo.

Segundo esta fonte, o ex-ministro fez favores para gente importante em Brasília e guardou informações relevantes sobre diversas figuras do poder. “Se (ele) for abandonado, não cairá sozinho”, afirmou.

No entanto, o advogado do próprio Anderson, Rodrigo Roca, havia descartado mais cedo a possibilidade de uma delação premiada. “Não há o que ser delatado”, disse à CNN Brasil.

Bolsonaro sai do Alvorada, mas mantém silêncio sobre derrota

Chefe do Executivo ainda não reconheceu a vitória de Luís Inácio Lula da Silva (PT); já são cerca de 12 horas sem qualquer pronunciamento

O presidente Jair Bolsonaro (PL) foi visto saindo do Palácio do Alvorada na manhã desta segunda-feira, 31. Após uma noite em silêncio, o chefe do Executivo não se manifestou sobre a vitória de Luís Inácio Lula da Silva (PL) nas urnas, no domingo, 30.

O petista foi eleito com 50,90% dos votos válidos pelo segundo turno das eleições presidenciais. Foram mais de 60,3 milhões de votos para Lula assumir a Presidência do Brasil a partir de 1º de janeiro.

Jair Bolsonaro, presidente Foto: @JairMessiasBolsonaro

Bolsonaro, por outro lado, recebeu 49,10% dos votos válidos, cerca de 58,2 milhões de votos em números absolutos. O presidente foi o primeiro na história democrática do Brasil a não conseguir se reeleger.

Desde quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) oficializou o resultado das eleições, nem Bolsonaro nem qualquer pessoa da sua família se manifestou publicamente. Já são cerca de 12 horas em silêncio.

Isolado no Palácio do Alvorada, em Brasília, o presidente ficou inacessível para a maior parte dos aliados e atendeu apenas alguns interlocutores por telefone. O chefe do Executivo se recusou a receber ministros, parlamentares e pastores que tentaram se encontrar com ele após a derrota.

Durante a manhã desta segunda, 31, Bolsonaro decidiu deixar o Alvorada. Acompanhado do senador Flávio Bolsonaro (PL), seu filho, e do candidato a vice-presidente, o general Braga Netto, Bolsonaro entrou em um carro sem falar nada. Especula-se que o destino seja o Palácio do Planalto, sede administrativa do governo federal.

Flávio chegou por volta de 7h40. O coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ajudante de ordens do presidente, também chegou cedo à residência oficial.