Governo reduz alíquota de ICMS do etanol de 17% para 11,33%

Esta foi a segunda diminuição promovida pelo Governo do Estado; a primeira ocorreu no início de Julho

O Governo do Estado reduziu a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 17% para 11,33%. A medida entra em vigor nesta sexta-feira (29) com a publicação de Decreto no Diário Oficial do Estado.

O anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira (28) pelo secretário de Produção, Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Agricultura Familiar (Semagro) Jaime Verruck, e o secretário de Estado de Fazenda, Luiz Renato Adler, em coletiva na Secretaria de Fazenda (Sefaz). A reunião contou com a presença do diretor executivo da Biosul (Associação dos Produtores de Energia de MS), Érico Paredes, e o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro), Edson Lazarotto.

Esta foi a segunda diminuição promovida pelo Governo do Estado no mês. A primeira ocorreu no início de julho, quando a alíquota do imposto sobre o etanol foi reduzida de 20% para 17%.

O governador Reinaldo Azambuja reforçou a necessidade da fiscalização dos motoristas para fazer valer a redução da alíquota do ICMS na bomba dos postos de gasolina. “Nós estamos fazendo a nossa parte com mais esse significativo corte do ICMS, agora se a população não ajudar na vigilância dos preços, certamente não vamos conseguir a redução esperada. Vamos fiscalizar. Assim, todos nós ganhamos. Ninguém aguenta pagar caro pelo etanol, gasolina e o diesel, cujo ICMS também é um dos menores do Brasil em nosso Estado”.

A decisão ocorre após todos os 26 estados e o Distrito Federal anunciarem o decréscimo do ICMS sobre os combustíveis no início deste mês. A decisão segue a Emenda Constitucional 123, que, dentre outras medidas, restabeleceu o diferencial tributário competitivo do etanol hidratado em relação à gasolina. Conforme previsto na PEC dos Benefícios, que incorporou a PEC dos Biocombustíveis, os preços do etanol devem ser competitivos em relação aos outros combustíveis.

Com isso o preço do litro do etanol hidratado, que varia de R$ 4,19 a R$ 5,27 no Estado, segundo o levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), deverão cair em média 24 centavos para o consumidor no cálculo da Sefaz.

De acordo com o secretário Jaime Verruck, a medida visa manter a competitividade do etanol diante da gasolina, favorecendo a cadeia produtiva do etanol e beneficiando o consumidor.

“Temos que olhar o tamanho da cadeia produtiva da cana. Nós temos 19 unidades produtoras que geram 25 mil empregos em MS. Este setor estava sentindo o impacto da queda na gasolina e perdendo competitividade. O consumo interno é muito pouco, então seguindo a PEC que fizemos no início do ano determinando que o valor do ICMS do etanol seria de 2/3 da gasolina, justamente para dar mais competitividade ao etanol, optou-se em reduzir o imposto de 17% para 11,33% no combustível a partir de amanhã” esclareceu.

O diretor Executivo da Biosul, Érico Paredes, salienta que a medida é muito positiva para o setor. “A redução da alíquota retoma a competividade que tínhamos em maio”, assegurou.

O secretário Renato Adler destacou que a decisão deverá representar uma queda de R$ 37 milhões no ano na arrecadação do Estado. “Se somarmos com a primeira queda da alíquota o valor que deixou de ser arrecadado fica em R$ 57 milhões”, destacou.

Benefícios – O diretor do Sinpetro, Edson Lazarotto, enalteceu a decisão do Governo do Estado em fazer a mudança na alíquota. “Quero aqui agradecer ao trabalho da Semagro, Sefaz e Biosul, para que realmente tivéssemos competitividade nos preços do etanol”, agradeceu.

Ele lembra que o Estado perdia clientes principalmente nas cidades limítrofes. “Em SP, por exemplo, o etanol era vendido a R$ 3,60 e aqui a R$ 4,15. Isso vai dar fôlego ao setor. Já vai se aproximar e fazer com que consumidor repense em atravessar a divisa”, destacou.

O diretor do Sinpetro ainda destacou que somente neste ano o setor perdeu mais de 20% de sua arrecadação com a queda nas vendas de combustíveis. “Isso poderá ser resgatado. Iremos cumprir a medida de reduzir 23 a 24 centavos por litro. E com certeza a queda estará nas bombas assim que os postos trocarem os estoques e comprarem das usinas. Mais uma vez uma boa notícia para o consumidor”, sinalizou.

Brasil – Pelo menos 17 estados e o Distrito Federal anunciaram a redução da alíquota do ICMS sobre o etanol neste mês. Os cortes ocorrem em importantes mercados para o biocombustível que concorre com a gasolina.

Os estados que anunciaram a redução são: Mato Grosso do Sul Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Goiás, Paraná, Roraima, Espírito Santo, Bahia, Paraíba, Distrito Federal, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Pará, Maranhão, Tocantins, Amazonas

Governo do Estado reduz para 17% ICMS da gasolina e do etanol

Medida significa uma perda de julho a dezembro de R$ 692 milhões para o Estado e oss municípios deixam de arrecadar R$ 173 milhões

O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), anunciou na manhã desta quarta-feira (6) que a alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incidente sobre combustíveis, telecomunicações e energia será reduzida para 17%. A medida foi tomada por força de lei complementar federal em vigor desde o mês passado.

Governado ponderou que iria seguir as determinações, embora defenda que não se muda lei tributária do dia para a noite Foto Chico Ribeiro

Reinaldo Azambuja informou que vai editar decretos para formalizar a redução do ICMS da gasolina de 30% para 17%, do álcool de 20% para 17% e todos da eletricidade para 17%. No caso do ICMS do gás de cozinha e do diesel, que eram de 12%, estes valores serão mantidos.

O decreto regulamentando a redução tributária será publicado ainda hoje em edição extra do DOE (Diário Oficial Eletrônico). Cálculos da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) apontam que o Estado deve perder R$ 692 milhões em arrecadação até dezembro.

Até então, o percentual sobre a gasolina era de 30% e sobre o etanol era de 20%. Com a perda de receita, a prioridade será a manutenção de programas sociais. “Teremos que rever investimentos, paralisar algumas obras e fazer a readequação do orçamento. Será um cota de sacrifício de todos”, disse Reinaldo.

Ele relatou que terá dificuldades para manter as contas públicas em dia para entregá-las ao seu sucessor. “Aguardamos uma decisão do STF para fixar a modulação do ressarcimento. O próximo governador vai ter R$ 1,4 bilhão a menos no orçamento e os municípios vão perder R$ 170 milhões. Todos terão que se adequar”, afirmou.

Reinaldo, juntamente com outros três governadores e com o Distrito Federal, havia ingressado no STF (Supremo Tribunal Federal) com duas ADIs (Ações Direta de Inconstitucionalidade) contra as medidas, pois alegava que as arrecadações seriam impactadas negativamente, sem nenhum tipo de estudo prévio. O grupo chegou a propor alternativas, mas ainda não houve consenso.

No último dia 1º de Julho o ministro do STF, André Mendonça, determinou que os estados passem a aplicar o limite reduzido do ICMS. O chefe do Executivo Estadual de Mato Grosso do Sul alegou em diversas oportunidades que os estados teriam desfalques bilionários nos cofres públicos, o que levaria a uma insegurança orçamentária.

Contudo, hoje, o governado ponderou que iria seguir as determinações, embora defenda que não se muda lei tributária do dia para a noite. “Significa uma perda de julho a dezembro de R$ 692 milhões, os municípios deixam de arrecadar R$ 173 milhões”, afirmou. Ele lamentou que o presidente vetou a possibilidade de compensação aos Estados, mas disse que respeita.

Reinaldo estava acompanhado do secretário Luiz Renato Adler Ralho, da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), do secretário Eduardo Rocha, da Segov (Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica), e da procuradora-geral do Estado Ana Carolina Ali Garcia.

“Fixar ICMS não irá reduzir preço dos combustíveis”, alerta Paulo Duarte

Na sessão ordinária desta terça-feira (14), o deputado estadual Paulo Duarte (PSB) fez duras críticas ao Congresso Nacional que aprovou o Projeto de Lei Complementar 18/2022, que fixa teto de 17% do ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e serviços de telecomunicações e de transporte público. Auditor fiscal e ex-secretário de Estado de Fazenda, o parlamentar alertou que a proposta não irá alcançar o consumidor final.

Para Duarte, problemas complexos não se resolvem com soluções simplórias Foto: Miriam Ibanhes

“O Congresso Nacional comete uma ingerência nas Assembleias Legislativas. Em maio de 2018, o Governo do Estado reduziu de 17% para 12% a alíquota do ICMS do combustível. O preço final ficou o mesmo, já o lucro ficou entre a cadeia, desde a refinaria até chegar aos postos. A alíquota nominal da gasolina é 30% e a real é 22%, pois há muito tempo está congelada a pauta fiscal do litro do combustível. Temos que criar incentivos fiscais mais inteligentes, assim como foi feito aqui no Estado com a conta de energia”, destacou Duarte, se referindo ao Programa Energia Social, o qual o governo paga a conta de energia de 152 mil famílias de baixa renda.

Para Duarte, problemas complexos não se resolvem com soluções simplórias. “O que irá acontecer é a expectativa de que imediatamente será reduzido o preço dos combustíveis. Isso não irá acontecer, primeiro que aqui a alíquota já é 12%. O Congresso discute algo de responsabilidade das assembleias. Está tratando um país desigual de forma igual”, disse. O parlamentar informou que irá entrar com ação judicial, questionado a competência legal da matéria.

De acordo com Amarildo Cruz (PT), o ponto fundamental é a questão do Pacto Federativo. “Cada unidade federativa tem sua independência e prerrogativas descritas na Constituição Federal. O que está havendo é uma quebra no Pacto Federativo. Temos que reforçar nosso papel enquanto deputados estaduais e levar na Justiça a aberração deste projeto. Os Estados e municípios terão perdas em R$ 115 bilhões, afetando áreas da educação e saúde”, afirmou .

Amarido defendeu uma mudança na política de preços da Petrobras, uma vez que o preço médio de venda para as distribuidoras tem sido reajustado constantemente . “E com relação ao etanol, os aumentos são resultados de um conjunto de fatores, que são transferidos para o preço final como, por exemplo, a valorização do dólar”, falou Amarildo.

Presidente propõe ressarcir estados em troca de ICMS zero

O presidente Jair Bolsonaro anunciou na segunda-feira (6), em declaração à imprensa, uma proposta para reduzir os impostos estaduais sobre os combustíveis em troca do ressarcimento da perda de receita com recursos federais. A ideia é aprovar uma proposta de emenda constitucional (PEC) que  autorize os estados a zerarem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incidem sobre o óleo diesel e o gás de cozinha (GLP). Ao fazerem isso, os governos estaduais contariam com uma compensação financeira equivalente à receita que deixaria de ser arrecadada.

Os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco,da República, Jair Bolsonaro e da Câmara, Arthur Lira, Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

“Nós zeramos o PIS/Cofins [imposto federal] desde o ano passado e desde que os senhores governadores entendam que possam também zerar o ICMS, nós, o governo federal, os ressarciremos aos senhores governadores o que deixarão de arrecadar”, disse Bolsonaro, no Palácio do Planalto. Durante o anúncio, ele estava acompanhado dos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além de alguns dos seus principais ministros, como Paulo Guedes (Economia), Adolfo Sachsida (Minas e Energia) e Ciro Nogueira (Casa Civil). Antes da declaração à imprensa, eles estavam reunidos na sede do governo federal para debater as medidas.

Para ser viabilizada, a proposta do governo precisa assegurar a aprovação do projeto que limita a aplicação de alíquota do ICMS sobre bens e serviços relacionados a combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo. O projeto de lei complementar (PLP), que passou pela Câmara e agora está em análise no Senado, fixa a alíquota desse imposto em, no máximo 17% sobre esses setores, e também prevê mecanismos de compensação aos estados.

“Nós, aqui, esperamos, como é democrático, que o Senado tenha a tranquilidade, autonomia e sensibilidade no PLP 18. E que nós, após isso, tramitaremos uma PEC que autorize o governo federal a ressarcir os estados que estiverem à disposição para zerar esses impostos estaduais, sem prejuízo nenhum para os governadores”, disse o presidente da Câmara, Arthur Lira.

Situação excepcional

Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, a situação atual exige a colaboração entre a União, os estados e os municípios. “Todos têm de colaborar. Estados e municípios estão numa situação que nunca estiveram antes. Todos no equilíbrio, em azul, pagando os fornecedores. Estão com as contas em dia, estão dando até aumento de salários. Estamos renovando o compromisso com a proteção da população brasileira, com a cooperação entre os entes federativos”, explicou, durante o pronunciamento.