Secretaria presta contas à Câmara e destaca aumento de receita da Prefeitura

A secretária municipal de Finanças e Planejamento da Prefeitura, Márcia Helena Hokama, prestou contas aos vereadores, nesta sexta-feira (24), e apontou crescimento nas receitas do Executivo em 2022. A Audiência foi convocada pela Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização da Casa de Leis, composta pelos vereadores Betinho (presidente), Papy (vice-presidente), Ademir Santana, Luiza Ribeiro e Ronilço Guerreiro, e contou ainda com a presença de representantes dos servidores e presidentes de sindicatos.

Secretária ponderou que gastos também subiram em 2022 – Crédito: Reprodução Câmara Municipal de Campo Grande

Os números mostram que as receitas arrecadadas de todas as fontes passaram de R$ 4.674.781.976,74 em 2021 para R$ 5.318.842.450,43 no ano passado, um incremento de 13,78%. Já as receitas do Tesouro passaram de R$ 2.142.199.877,51 para R$ 2.364.819.807,73, o que representou um aumento de 10,39% de um ano para outro.

“Se queremos escola melhor, saúde melhor, temos o dever de contribuir com nossos impostos. Tivemos um crescimento real na nossa arrecadação, mesmo com o congelamento do IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano]. Isso significa que nossas receitas se comportaram um pouco melhor”, disse a secretária.

As despesas, por outro lado, também subiram no período: no Tesouro, passaram de R$ 2.284.891.518,02 no ano de 2021 para R$ 2.612.573.964,76, aumento de 14,34%%. E em todas as fontes aumentaram 16,36%, passando de R$ 4.770.966.909,91 para R$ 5.551.643.165,59.

Atualmente, ainda conforme a secretária, os gastos com pessoal consomem 57,02% dos recursos da Prefeitura – o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal é de 51,30%. De janeiro a dezembro de 2022, o Executivo empenhou R$ 2,5 bilhões para garantir o salário dos servidores ativos e inativos.

“Em 2016, fechamos essa despesa com 59,16% e estamos na busca do reenquadramento dessa despesa. Embora tenhamos concedido aumento, diminuímos as despesas com pessoal em relação a 2021. Nossa luta é para que, mais rapidamente possível, consigamos enquadrar para promover as ações que precisamos”, completou.

Segundo o vereador Betinho, a Casa de Leis legisla sempre buscando a harmonia com o Poder Executivo. “Não defendendo o Executivo, mas sendo justos. Atravessamos um período de pandemia, e é justo o pleito das categorias. Mas, sabemos que esses últimos dois anos teriam essas dificuldades. Vejo que as receitas vêm crescendo e o debate precisa ocorrer. Temos que encontrar o caminho”, afirmou.

Guilherme Fiuza, Rodrigo Constantino e Paulo Figueiredo têm contas derrubadas pelo STF

Jornalista Figueiredo também teve seu passaporte cancelado e não poderá deixar o país

O jornalista Paulo Figueiredo, comentarista da Jovem Pan News, relatou nesta quarta-feira, 4, que teve suas contas bancárias no Brasil bloqueadas, seu passaporte cancelado e seus perfis nas redes sociais suspensos por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Outros dois jornalistas, Guilherme Fiuza e Rodrigo Constantino, também tiveram suas contas nas redes sociais suspensas.

Guilherme Fiuza, Rodrigo Constantino e Paulo Figueiredo tiveram contas derrubadas por ordem do STF Foto: Reprodução

As plataformas YouTube, Twitter, Facebook, Telegram e Instagram suspenderam as contas dos comentaristas bolsonaristas atendendo a decisão que partiu do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O inquérito corre sob sigilo.

Os três são investigados por divulgação de discurso de ódio e antidemocrático. O cumprimento da determinação de Moraes aconteceu na noite da terça-feira 3. Com isso, os perfis dos bolsonaristas nas plataformas não podem mais ser acessados.

Comentaristas da Jovem Pan News, os três ficaram conhecidos por disseminar informações falsas sobre a Covid-19, defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e endossar ataques contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o sistema eletrônico de votação na época das eleições presidenciais.

Hackers furtam R$ 700 mil de clientes bancários após burlarem bloqueio facial

Dois hackers, de 25 e 28 anos, foram presos em flagrante nesta terça-feira (13) no Parque Dallas em Campo Grande, após furtarem R$ 700 mil de clientes de bancos. A prisão foi feita pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros).

Os crimes era feitos com complexas manobras tecnológicas (Foto Garras)

As investigações identificaram dois hackers que estavam burlando o sistema de reconhecimento facial de bancos digitais, mediante complexos e intrincadas manobras tecnológicas, ingressando na conta de clientes e subtraindo valores.

Quando da abordagem, foi possível se localizar computadores de última geração, os quais os suspeitos utilizavam para proceder às fraudes; além de diversos dispositivos eletrônicos e um veículo Land Rover, comprado por um dos suspeitos com dinheiro do crime. Todos os objetos e os presos foram levados ao Garras e foi lavrada a prisão em flagrante de ambos, que permanecem custodiados à disposição da Justiça.

Segundo o Garras, a prisão em flagrante dos dois foi por furto qualificado pelo concurso de pessoas e fraude. Ainda segundo a polícia, as investigações duraram vários dias e se concentraram na identificação da dupla que burlou o sistema de reconhecimento facial de bancos digitais.

Procuradoria rejeita contas de Trutis e da esposa e cobra devolução de R$ 1 milhão

Procurador sustenta que prestações de contas do casal estão gravemente comprometidas devido à falta de comprovação das despesas

Envolvidos em polêmicas desde que começaram a viver como marido e mulher, em maio de 2020, o deputado federal Loester Trutis e a advogada brasiliense Raquelle Lisboa Alves Souza, ambos do PL, terão de devolver R$ 1.013.888,90 do fundo eleitoral, utilizados indevidamente durante a campanha deste ano. Desse montante, R$ 556.388,96 deverão ser restituídos por Trutis e R$ 457.500,00 por Raquelle.

Deputado Loester Trutis e Raquelle Lisboa: contas de campanha rejeitadas (Foto: Reprodução rede social)

Marido e mulher tiveram as contas de campanha rejeitadas pele Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul. As manifestações foram encaminhadas a um juiz federal. Caso o magistrado sorteado acolha os pedidos da “fiscal da lei”, o casal vira réu.

Trutis e Raquelle receberam R$ 1 milhão cada da Direção Nacional do PL, privilégio que chegou a ser bastante criticado por vários candidatos da legenda em Mato Grosso do Sul.

Na chapa para deputado estadual, a esposa de Trutis recebeu valor até 66 vezes maior que outras concorrentes da legenda. Deputados estaduais reeleitos pelo PL, Coronel David, João Henrique Catan e Neno Razuk receberam R$ 300 mil cada da Direção Nacional, ou apenas 30% dos repasses feitos à Raquelle, por exemplo.

Trutis, que não se reelegeu, também teve repasses bondosos do PL, R$ 1.026.000. Marcos Pollon, deputado federal mais votado, por exemplo, recebeu R$ 550 mil e Rodolfo Nogueira, o Gordinho do Bolsonaro, também eleito, R$ 550 mil. A suplente de deputada federal Luana Ruiz teve repasse do fundo eleitoral cinco vezes menor que o de Raquelle, derrotada como deputada estadual.

“Grave comprometimento”

Os pareceres da Procuradoria Regional Eleitoral contra Loester Trutis e Raquelle Lisboa foram divulgados no final de novembro e início de dezembro. Em ambos os documentos, há menções sobre a falta de comprovação dos serviços prestados pelas empresas.

Deputado e esposa foram pegos ao apresentarem notas fiscais dos mesmos prestadores de serviços. Os procuradores constataram ainda superposição de trabalhos, cujo artifício foi trocar apenas os sinônimos e expressões parecidas, especialmente sobre comunicação digital, como criação de identidade visual para redes sociais e de identidade visual.

“Os documentos juntados não são aptos a comprovar a efetiva prestação dos serviços e não há demonstração de que os materiais foram, de fato, produzidos pela empresa contratada, tampouco que as publicações na rede social Instagram tenham derivado, diretamente, das atividades de criação de identidade visual ou gestão de tráfego estabelecidas. Quanto às demais atividades contratadas, sequer foram objeto de comprovação”, descreve o procurador Pedro Gabriel Siqueira Gonçalves em um dos pareceres sobre as contas de campanha do casal.

Foram encontradas inconsistências em pelo menos R$ 1 milhão dos serviços supostamente realizados. Ao cobrar a devolução dos recursos desviados ou mal aplicados, o procurador responsável pela análise das contas do deputado federal e da esposa considerou haver “grave comprometimento” nas informações fornecidas por eles.

Diz o procurador: “Pelas razões expostas, considerando que a utilização de recursos públicos deve se pautar pela máxima transparência, higidez e probidade e, ainda, sendo verificado que a candidata (ou candidato, no caso de Loester Trutis) não procedeu à suficiente comprovação da prestação dos serviços contratados junto às empresas em comento, evidencia-se o grave comprometimento da confiabilidade das contas prestadas”.

Gastos exorbitantes

Cabe esclarecer que, no valor cobrado pela Procuradoria, não estão incluídas eventuais irregularidades que vierem a ser encontradas sobre os recursos públicos gastos com impulsionamento de material nas redes sociais. Somente com a promoção de postagens no Facebook, Instagram e Google durante as eleições, Loester Trutis torrou impressionantes R$ 311.685,00 e Raquelle, R$ 257.388,00.

Somente com a promoção de postagens no Facebook, Instagram e Tik Tok durante as eleições, Loester Trutis torrou impressionantes R$ 311.685,00 e Raquelle, R$ 257.388,00

Para se ter ideia do montante expressivo do fundão torrado pelo casal para impulsionar material de campanha, os candidatos a governador de Mato Grosso do Sul que disputaram somente o primeiro turno — Marquinhos Trad (PSD), Rose Modesto (sem partido), Giselle Marques (PT) e André Puccinelli (MDB) — gastaram R$ 259 mil, R$ 155 mil, R$ 150 mil e R$ 110 mil, respectivamente. Trutis, por exemplo, gastou quase três vezes mais que Puccinelli e Raquelle mais de duas vezes.

Coincidências

A Procuradoria constatou algumas coincidências na prestação de contas de Trutis e Raquelle. Uma delas foi a troca de valores entre duas empresas: Cid Nogueira Fidelis e JC Hipólito Taques. Quando a primeira empresa emitia nota com valor maior a Trutis, a outra emitia nota com valor inferior a Raquelle. E o processo se repetia, inversamente, com a outra empresa.

Somado a isso, há outras suspeitas sobre essas duas empresas. A Cid Nogueira Fidelis recebeu R$ 440 mil do casal. Cid é irmão do ex-chefe de gabinete de Loester Trutis, Ciro Nogueira Fidelis, réu no processo em que o Supremo Tribunal Federal investiga o suposto atentado contra o deputado federal, também acusado.

A empresa Cid Fidelis Nogueira teria prestado serviços semelhantes ao casal, como “pacote de produção audiovisual para campanha”, “planejamento e consultoria de marketing para campanha”, “consultoria e reposicionamento de imagem em fotografia”, “produção fotográfica em estúdio”, e “roteiro, produção e finalização de material audiovisual jingle oficial”.

Outra empresa que teria prestado serviços ao casal, a JC Hipólito Taques Comunicação, recebeu R$ 336 mil, sendo R$ 247 mil do deputado federal e R$ 89 mil de Raquelle. Na prestação de contas de Trutis e esposa, as notas fiscais mencionam serviços de “criação de identidade visual para redes sociais”, “criação de banners redes sociais”, “gestão de tráfego Instagram” e “gestão de tráfego Facebook”.

Ronda Eventos e Publicidade também teve os pagamentos reprovados pelo trabalho de “assessoria de comunicação para produção de conteúdo eleitoral de rádio e de televisão”. A empresa recebeu R$ 17 mil do casal, sendo R$ 8.500 de cada. Constam ainda da lista Hernani Filmes e Marketing Digital, de Brasília, e Lucilene da Cunha Idamis, ambas sem comprovação dos serviços.

Capacidade técnica

Além da coincidência de terem prestado serviços semelhantes, as empresas Cid Nogueira Fidelis e JC Hipólito Taques não têm capacidade técnica para realizar os trabalhos descritos nas notas fiscais.

À esquerda da bandeira na parede, sala onde deveria funcionar a empresa Cid Nogueira Fidelis (Fotos: MS em Brasília)

A Cid Nogueira Fidelis, segundo dados do cartão do CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), disponível na internet, funcionaria na Rua Rui Barbosa, próxima à Avenida Afonso Pena, região central de Campo Grande, numa sala minúscula. Segundo comerciantes vizinhos ouvidos pelo MS em Brasília, a sala está fechada há vários anos e afirmam desconhecer que ali atue uma agência de marketing digital.

O mesmo ocorre com a JC Hipólito Taques, cujo dono é personal trainer. A reportagem do MS em Brasília esteve por três vezes no endereço de instalação, conforme consta do cadastro do CNPJ, um prédio aparentemente abandonado, na Vila Planalto. E recebeu informação de que a empresa está em férias coletivas. Isso ocorreu antes, durante e depois das eleições.

Prédio aparentemente abandonado, informado como sede da JC Hipólito Taques Comunicação

Fora da realidade

Para ter ideia de quanto custariam os serviços descritos em todas as notas fiscais apresentadas por Trutis e Raquelle, exceção aos serviços de impressão, o MS em Brasília consultou três agências de publicidade e de marketing digital, de pequeno e médio porte, em Campo Grande, com a condição de não divulgar nomes.

Com base nas cotações, chega-se à conclusão de que o deputado e a esposa tiveram supostamente gastos exorbitantes. Para deputado federal, a estimativa de custo médio, para três meses de campanha, seria de R$ 120 mil e para deputado estadual, média de R$ 90 mil. Trutis informa ter gastado R$ 556 mil e Raquelle, R$ 457 mil.

Chega-se à conclusão de que o deputado e a esposa tiveram supostamente gastos exorbitantes

O site apurou ainda que, embora Trutis e a esposa tenham apresentado notas fiscais sobre produção de programas para o horário eleitoral gratuito, esse trabalho é realizado pelos partidos políticos. Essas gravações devem obedecer a um padrão mínimo. De preferência, em estúdio único, mesmo ângulo, iluminação, som e imagem, para não haver distorções na qualidade do material produzido.

Outro lado

O deputado federal Loester Trutis e a sua esposa e ex-candidata a deputada estadual, Raquelle Lisboa Alves Souza, foram procurados quarta-feira (7), às 18h05, para comentar os pedidos de devolução de recursos do fundão, feitos pela Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul.

Trutis e Raquelle se dizem tranquilos em relação aos gastos de campanha e quanto ao andamento da prestação de contas. Segundo eles, as despesas foram realizadas “de forma íntegra, correta e de acordo com a legislação eleitoral”.