Por 7 a 0, Justiça Eleitoral de MS ratifica cassação do mandato de Rafael Tavares

Embargos apresentados contra decisão de fevereiro foram rejeitados pelos magistrados

O TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) rejeitou, por unanimidade, os embargos de declaração apresentados pelo deputado estadual Rafael Tavares (PRTB), em decisão que pode resultar na cassação do mandato do parlamentar. A decisão contrária aos embargos ocorreu em sessão realizada nesta terça-feira (18).

Deputado Rafael Tavares. (Foto: Divulgação, Luciana Nassar, Alems)

Os votos dados ao PRTB nas eleições do ano passado foram anulados porque a sigla não conseguiu comprovar à Justiça Eleitoral que duas candidaturas femininas – de Camila Monteiro Brandão e de Sumaira Pereira Alves Abrahão – teriam sido efetivas e não apenas para cumprir paliativamente a cota, sem haver, de fato, intenção de concorrência.

Na ocasião, o relator do processo, desembargador Paschoal Carmelo Leandro disse que os embargos apresentados não pontuaram defeitos na decisão embargada, e apenas rebateu as teses acolhidas pela Corte para determinar a recontagem de votos e a anulação dos feitos ao PRTB. “Estou aqui rejeitando os embargos. É como voto”.

Leandro foi seguido pelo também desembargador Julizar Barbosa Trindade e pelos juízes Fernando Paes de Campos, Sandra Regina da Silva Ribeiro Artioli, Ricardo Damasceno de Almeida, Juliano Tannus e José Eduardo Chemin Cury.

Anteriormente, o MPF (Ministério Público Federal) deu parecer contrário aos embargos apresentados pelo deputado. No documento, o Procurador Regional Eleitoral, Pedro Gabriel Siqueira Gonçalves, afirmou que o embargante “não possui razão”.

Segundo o deputado, a sua defesa irá recorrer da decisão junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Até que se esgotem os recursos, o deputado poderá continuar exercendo o mandato. Caso a decisão do TRE-MS seja confirmada pelo TSE em possível recurso de Tavares, a Assembleia Legislativa deverá convocar o suplente Paulo Duarte (PSB).

Paulo Duarte pede para acompanhar processo
O ex-deputado Paulo Duarte entrou com requerimento no TRE-MS para acompanhar os seguimentos do processo. Duarte assume a vaga de Tavares, caso a decisão seja mantida em todas as instâncias.

De acordo com o deputado, o requerimento busca somente que seus advogados “tenham acesso ao processo, as movimentações e possam acompanhar até o final do julgamento”. Duarte frisou que o requerimento é necessário, pois ele não é autor da ação.

Judeus pela Democracia pede cassação de mandato de parlamentar que exaltou livro de Hitler

“Apologia ao nazismo no Brasil é crime e nazistas merecem cadeia”, disse a entidade

O Grupo Judeus pela Democracia disse que o deputado estadual João Henrique Catan (PL-MS) precisa ter o mandato cassado após o parlamentar exaltar um livro de Adolf Hitler (1889-1945), que nasceu na Áustria e se mudou para a Alemanha, onde foi ditador.

“O mandato precisa ser cassado e o deputado, preso. Apologia ao nazismo no Brasil é crime e nazistas merecem cadeia”, escreveu.

Deputado estadual João Henrique Catan (PL-MS) (Foto: Reprodução)

Na Alemanha, Hitler assumiu a liderança do Partido Nazista no começo da década de 20. Ele chegou ao poder no começo dos anos 30. Estatísticas apontam que pelo menos seis milhões de judeus foram mortos pelo regime nazista. Levando em conta o número total de mortes, há divergências entre números, variando de 10 a 40 milhões.

O mandato precisa ser cassado e o deputado, preso.

Apologia ao nazismo no Brasil é crime e nazistas merecem cadeia.

“Ps: depjoaohenrique@al.ms.gov.br é o endereço de email dele. Seria uma pena se a caixa de emails dele acordasse amanhã cheia de elogios”, dizia o post.

Livro na Tribuna

O deputado bolsonarista segurou o livro e teceu comentários durante a sessão. Ele disse que trouxe o livro do exterior para o Brasil escondido com medo que fosse confiscado, sugeriu o fortalecimento da Casa de Leis e empunhou a obra, escrita por um dos maiores ditadores e genocidas da humanidade.

”… é com o Mein Kampf de Hitler que peço para que esse parlamento se fortaleça, se reconstrua e se reorganize”, bradou o parlamentar.

Em seguida, Catan justificou a citação à obra, sugerindo que o Legislativo do MS siga nos rumos do que foi o parlamento ”europeu” da Alemanha.

”E que serviu, após sua reconstrução, de inspiração, inclusive para nós estarmos hoje aqui, através do nosso Direito Constitucional Brasileiro, que se inspira no modelo romano-germânico”, refletiu o deputado.

Entre os comentários gerais nas redes sociais, há muito apontamento de que Catan se dirigiu a um nicho neonazista aproveitando brechas da lei, da liberdade de expressão e imunidade parlamentar para o discurso, já que, ao mesmo tempo, que usou o livro de Hitler, um genocida genuíno, ele argumentou sobre a defesa do parlamento.

Vereador pede cassação de Sandro Benites que discursou em ato antidemocrático

O vereador Professor André Luis (Rede) protocolou, junto à Mesa Diretora da Câmara de Campo Grande, nesta terça-feira (8), pedido de investigação disciplinar de mandato

A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campo Grande recebeu, nesta terça-feira (8), um pedido de abertura de processo disciplinar contra o vereador Dr. Sandro Benites (Patriota), por participar de atos antidemocráticos praticados no dia 2 de novembro em frente ao Comando Militar do Oeste (CMO), na capital.

Vereador Professor André Luis protocolou pedido de cassação contra o mandato de Sandro Benites – Crédito: Reprodução Facebook

O pedido foi encaminhado pelo vereador André Luis (Rede), que diz que o parlamentar utilizou de um carro de som para discursar a favor de um golpe de estado, colocando a democracia em risco.

O documento afirma que Benites cometeu crimes previstos no código penal, como “tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o estado democrático de direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais”.

O requerimento pede a cassação do mandato do parlamentar.

Manifestantes bolsonaristas protestam desde 31 de outubro contra o resultado do segundo turno das eleições presidenciais que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República. Durante os atos, manifestantes defendem atos ilegais, como a intervenção militar.

A reportagem procurou a assessoria do vereador Sandro Benites, que informou que não foi notificado sobre o procedimento. Durante a sessão da Casa de Leis, nesta terça-feira, o parlamentar falou sobre o ocorrido.

Benites disse que pode ter sido mal interpretado, que é a favor da democracia e que não compactua com atos que estejam fora da lei.