Fumaça de queimadas da Amazônia deixa dia cinza em Mato Grosso do Sul

Há pelo menos quatro dias se espalha pelo Brasil a fumaça das queimadas que atingem a Amazônia. Mato Grosso do Sul é um dos estados que sentem as consequências dos incêndios florestais no bioma.

Nesta quinta-feira (8), o dia ficou cinza em várias cidades sul-mato-grossenses.

Imagem capturada pelo satélite RAMMB/NOAA e divulgada pelo Cemtec-MS (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) mostra a grande concentração da fumaça sobre o Centro-Oeste do Brasil.

Na imagem registrada às 13h30 é possível observar a configuração dos ventos que atuam do Noroeste sobre o Estado, ajudando a transportar a fumaça gerada pelas queimadas.

Imagem capturada pelo satélite RAMMB/NOAA e divulgada pelo Cemtec-MS

Aliado ao desconforto da fumaça, o tempo seco e a baixa umidade relativa do ar colocam Mato Grosso do Sul em estado de alerta. Avisos sobre a condição foram emtidos pelo Cemtec-MS e também pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Nesta quinta-feira (8), a umidade relativa do ar deve ficar entre 25 e 15%, especialmente na região Centro-Norte do Estado, o que causa ressecamento da pele e desconforto nos olhos, boca e nariz.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o índice adequado de umidade do ar varia entre 50% e 80%. Abaixo disso, a condição prejudica a saúde humana, gera desconforto e pode provocar doenças.

Uma das principais consequências do tempo seco é a desidratação, que causa irritação nos olhos, garganta e pele. Também é outro efeito comum o ressecamento das mucosas das vias aéreas, que favorece o surgimento de alergias, distúrbios respiratórios, gripes e resfriados.

Para amenizar os efeitos do tempo seco na saúde, especialistas indicam uma série de instruções que podem fazer a diferença, principalmente nas horas mais quentes do dia:

  • Beba bastante líquido;
  • Atividades físicas não são recomendadas entre 10h e 16h, principalmente ao ar livre;
  • Escolha o início da manhã ou o fim do dia para se exercitar;
  • Evite exposição ao sol nas horas mais quentes do dia;
  • Use hidratante para pele;
  • Umidifique o ambiente.

Mais informações sobre as condições meteorológicas podem ser obtidas junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (193).

Senador Nelsinho Trad confirma viagem à região dos assassinatos de Dom e Bruno

O senador Nelsinho Trad (PSD/MS), relator da Comissão Temporária sobre a Criminalidade na Região Norte, confirmou, neste sábado, a ida do grupo à Amazônia. Os parlamentares que acompanham as investigações sobre as mortes do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira vão desembarcar em Tabatinga na manhã do próximo dia 30. De lá, seguem para Atalaia do Norte e retornam no fim do dia a Brasília.

Deputados federais que integram a comissão criada na Câmara para apurar o crimes também vão com os senadores Foto Sheyla Leal

“Essa é uma situação que, realmente, toda a sociedade não quer que se repita mais. Estamos conscientes de que a entrada do Congresso Nacional neste contexto, no mínimo, vai servir para inibir a criminalidade na região amazônica. Além de identificar onde o Estado pode aprimorar o seu trabalho para, efetivamente, garantir segurança às comunidades mais vulneráveis e à sociedade como um todo”, disse o relator.

Deputados federais que integram a comissão criada na Câmara para apurar o crimes também vão com os senadores.
Em Atalaia do Norte, os parlamentares vão se reunir com lideranças indígenas, representantes do Ministério Público, da Funai e da força-tarefa que investiga as mortes.

Na manhã de quinta-feira, deputados e senadores serão recebidos pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA) na sede da organização em Atalaia do Norte. Além da Univaja, participam da reunião o  Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a Indigenistas Associados (INA).

Nesta semana, em audiência pública da comissão do Senado, o procurador jurídico da Univaja, Eliezio Marubo, afirmou que a violência cresceu de forma expressiva na região amazônica nos últimos três anos. “Foi a partir de 2019 que as bases foram alvejadas, que nossa equipe passou a ser perseguida. Que passamos a receber ameaças, bilhetes apócrifos em nosso endereço. Grande parte dessas ameças nós formalizamos e levamos à autoridade policial”, denunciou.

Na mesma audiência, o presidente do Indigenistas Associados, Fernando Vianna, alertou para conexões com o narcotráfico internacional e de armas no Vale do Javari, que faz fronteira com o Peru e a Colômbia. “E o Bruno talvez tenha sido a pessoa que percebeu mais rapidamente o que estava em curso”.

O indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram assassinados no dia 5 de junho e os corpos encontrados dez dias depois. A despedida ao indigenista ocorreu em Recife na última sexta-feira. Já o funeral e a cremação do corpo do jornalista britânico Dom Phillips estão previstos para domingo.

A comissão temporária externa do Senado tem prazo de 60 dias para apresentar as conclusões. O relator, que também preside o Parlamento Amazônico, afirmou que o avanço da criminalidade na região é uma preocupação comum entre os oito países que compõem o colegiado.

“Foi impressionante a demanda que eu recebi dos colegas parlamentares dos outros países no que tange a denúncias, no que tange a pedido de esclarecimento, no que tange a organizar uma força-tarefa para garantir a segurança daqueles mais vulneráveis que vivem em território amazônico e coibir essas práticas ilegais de tráfico não só de drogas, mas de madeira, desmatamento, queimadas e pesca ilegal. Ou seja, situações que não condizem com aquilo que a gente sabe que deve ser a essência da Amazônia, a sua preservação e o seu respeito em função do que ela representa para o Brasil e para o mundo todo,” disse o senador Nelsinho Trad​.

Senador Nelsinho Trad é relator de comissão que vai apurar criminalidade na Amazônia

A Comissão Temporária Externa Norte do Senado Federal, criada para acompanhar as investigações das mortes do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, foi instalada nesta manhã e definiu o Plano de Trabalho.

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) foi eleito, por aclamação, para ser o relator. Os parlamentares também escolheram Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Fabiano Contarato (PT-ES) para presidência e vice-presidência.

Parlamentar também cobrou agilidade para o início das oitivas no Senado Federal. Foto: Sheyla Leal

De acordo com o senador Nelsinho Trad, a comissão tem ainda, por objetivo, apurar as causas do aumento da criminalidade e de atentados contra povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e jornalistas na Amazônia. “Com vistas a garantir uma melhor atuação do poder público na região, fiscalizar as providências adotadas diante dos crimes recentes, apoiando a investigação  e a sua possível relação com o esquema de pesca ilegal e narcotráfico”, explicou.

O parlamentar também cobrou agilidade para o início das oitivas no Senado Federal. Ficou definido que a comissão vai ouvir as lideranças indígenas da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), o ministro da Justiça e o diretor da Polícia Federal já na próxima quarta-feira (22).

“Enquanto presidente do Parlamaz (Parlamento Amazônico), trago as demandas dos parlamentares de oito países amazônicos que cobram esclarecimentos, assim como toda a sociedade. Queremos respostas,” afirmou o senador Nelsinho Trad.

‘Caçada’ a Dom e Bruno teve perseguição, tiros e lancha desgovernada, diz TV

Mais detalhes sobre o desaparecimento e morte de Bruno Pereira e Dom Phillips foram revelados por suspeitos detidos no caso. Segundo fontes que participam da investigação, Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como “Pelado”, teria perseguido a lancha do indigenista e do jornalista e atirado diversas vezes contra a dupla.

Força tarefa faz busca pelos corpos de Dom Phillips e Bruno Pereira em local indicado por suspeitos. (Foto: JOAO LAET/AFP via Getty Images)

A versão, fornecida por Amarildo e tida como a mais plausível, afirma que a embarcação ficou desgovernada e entrou nas margens do rio Itaquaí. ‘Pelado’ e outro suspeito teriam, em seguida, ido até o local e executado Bruno e Dom. As informações são do portal G1 e da TV Globo.

Em seu depoimento, Amarildo, preso desde o dia 7 de junho, alega que não atirou contra o barco da vítimas, mas que outra pessoa seria autora dos disparos. Ele ainda disse que Bruno revidou com tiros e um terceiro homem participou da ocultação dos corpos.

Segundo o suspeito, foi usada uma espingarda calibre 16, mas a perícia ainda deve comprovar essa informação.

Restos mortais encontrados

A PF (Polícia Federal) encontrou restos e partes de corpos humanos enterrados na região onde estão sendo feitas as buscas pelo indigenista Bruno Pereira e pelo jornalista britânico Dom Phillips, no fim da tarde desta quarta-feira (15), ao oeste do estado do Amazonas, após dois suspeitos indicarem o local.

Nesta quarta, a Justiça do Amazonas decretou a prisão temporária por 30 dias de Oseney da Costa de Oliveira, o “Dos Santos”, apontado como o 2º suspeito no caso do sumiço do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, desaparecidos desde o dia 5 de junho.

Oseney é irmão de Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como “Pelado”, que está preso desde o dia 7 de junho. Os dois teriam confessado à Polícia Federal envolvimento na morte de Bruno e Dom.

 

Mulher de Dom afirma que corpos de repórter e indigenista foram encontrados, diz TV

Segundo jornalista, família recebeu comunicação da Embaixada Britânica; PF ainda fará perícia

Alessandra Sampaio, mulher de Dom Philips – repórter britânico desaparecido na Amazônia junto com o indigenista Bruno Pereira, informou que os corpos dos dois foram localizados e serão periciados. A informação é do jornalista André Trigueiro.

Indigenista Bruno Pereira e jornalista britânico Dom Philips
Foto: TV Globo/Reprodução

Em suas redes sociais, Trigueiro informou nesta segunda-feira, 13, que recebeu uma ligação da própria Alessandra informando o fato. “Alessandra, mulher de Dom Phillips, acaba de me informar que foram encontrados os corpos do marido e do indigenista Bruno Pereira”, escreveu.

Ainda segundo Trigueiro, Alessandra recebeu informação da Polícia Federal de que os corpos ainda serão periciados antes de a identidade ser confirmada. A Embaixada Britânica, porém, comunicou aos irmãos do britânico que os corpos se tratam de Dom Phillips e Bruno Pereira.

Pertences

No domingo, 12, a Polícia Federal informou que encontrou objetos pessoais de Dom e Bruno. Foram localizados um cartão de saúde em nome de Bruno Pereira; uma calça, um chinelo e botas pertencentes ao indigenista; botas e uma mochila pertencentes a Dom Philips contendo roupas.

Foto do cartão de saúde de Bruno Pereira. — Foto: Reprodução/GloboNews

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) acrescentou que localizou uma embarcação na área das buscas.

Entenda o caso

Dom Philips e Bruno Pereira são considerados desaparecidos desde 5 de junho no Vale do Javari, região amazônica perto das fronteiras do Peru e da Colômbia.

O rastro dos dois perdeu-se quando viajavam da comunidade de São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte, no Estado do Amazonas, aonde deveriam ter chegado na manhã de 5 de junho, segundo as primeiras investigações. Eles viajavam pelo rio Itaquaí em um barco novo, com 70 litros de gasolina, o suficiente para a viagem, e foram vistos pela última vez perto da comunidade de São Gabriel, a poucos quilômetros de São Rafael.

O Comando Militar da Amazônia divulgou imagens sobre a operação de busca ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista inglê dom Phillips Foto: Divulgação/Comando Militar da Amazônia

Um suspeito foi preso: “Pelado”, detido na sexta-feira, 10, depois de as autoridades terem encontrado vestígios de sangue num dos seus barcos. O pescador disse ter sido torturado pela Polícia Militar do Amazonas ao ser preso.

Suspeito de envolvimento em desaparecimento de Dom Phillips e Bruno Pereira é preso
Foto: TV Globo

A Terra Indígena do Vale do Javari, a segunda maior reserva indígena do Brasil, é conhecido por ser palco de conflitos entre indígenas e invasores. Segundo informações da Univaja, na qual Pereira atua como colaborador, o indigenista é alvo de ameaças constantes de madeireiros, garimpeiros e pescadores da região.

Jornalista veterano e colaborador do The Guardian, Philips vive no Brasil há 15 anos e já escreveu para vários outros veículos internacionais, incluindo Financial Times, New York Times e Washington Post.