Com ganho nababesco e folha secreta, ex-andrezista faturou quase R$ 280 mil em um ano.

Quando se fala ou se escreve “PF” na linguagem política ou texto jornalístico sobre traquinagens com dinheiro público, a tradução deixa de ser para a sigla de “Polícia Federal” ou para uma alimentação rápida (prato feito), passando a vestir outra roupagem, significando “por fora”. É a propina ou qualquer pagamento feito nos subterrâneos da política ou dos poderes públicos para não deixar rastro.
Não se sabe ainda se este vergonhoso fenômeno remuneratório está tipificado nos desembolsos inscritos na famigerada folha secreta de Adriane Lopes (PP), mas a imprensa campo-grandense levantou uma cortina sobre a suspeita.
O Portal TopMídia News publicou que a prefeita de Campo Grande, reeleita em 2024, segue mantendo elevados privilégios salariais para alguns privilegiados, enquanto ao mesmo tempo nega os reajustes de direito dos servidores mais simples.
Segundo o site, o advogado Ulisses da Silva Rocha, secretário de Governo da Prefeitura Municipal, recebeu neste exercício R$ 150.994,84 só de salário bruto.
Por mês, a remuneração engordou no início do ano, indo de R$ 14.659,69 para R$ 15.148,35. A informação acrescenta ainda que o sortudo “também foi beneficiado pela folha secreta, que rende pagamento sem descontos aos secretários de Adriane Lopes”, recebendo “por fora” R$ 128.803,89 no ano, sendo R$ 13.898,90 mensais entre fevereiro e outubro e R$ 3.713,79 em janeiro.
Quem somar o salário mais o repasse via folha secreta, o secretário já amealhou R$ 279.798,73 em 2025. O currículo de Ulisses Rocha deve ser de uma preciosidade inestimável para Adriane e certamente com esta nomeação ela vai resolver os mais graves problemas da cidade, como o caos na saúde, no transporte público, na malha viária, na limpeza pública e, sobretudo, nas finanças.
Ex-emedebista
Graduado em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Ulisses Rocha é especialista em Direito Público pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e tem passagem consideravelmente interessante na política antes de tornar-se Adrianista.
Durante muitos anos ele foi um dos fieis escudeiros do ex-governador André Puccinelli, na vida pública e nas lides partidárias do MDB, onde chegou a responder organicamente.
Com o tratamento de nobreza que tem na folha de pagamentos de Adriane Lopes, o secretário municipal de Governo ingressou na seleta e prestigiada confraria de assessores premiados com um holerite amigo.
Há vários exemplos, entre os quais a chefe da Casa Civil e concunhada da prefeita, Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes (esposa do irmão do deputado Lídio Lopes, marido de Adriane), que recebeu R$ 36.862,32 em maio.
Outros ganhos reajustados por uma prefeitura que sofre com grave crise nas finanças são os da secretária municipal de Fazenda, Márcia Helena Hokama, que pediu licença para tratamento de saúde e participou de uma meia maratona de 10km em Bonito; a vice-prefeita e secretária de Assistência Social, Camilla Nascimento; e a assessora especial Valéria Maria Barbosa Régis Machado, prima da prefeita.






