Sem repasses, Consórcio diz não ter como pagar salários e 13º por culpa de atrasos da Prefeitura da Capital.

O Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo urbano de Campo Grande, voltou a denunciar nesta quinta-feira (11/12) uma situação que classifica como “grave crise financeira”, após motoristas aprovarem greve geral prevista para começar na segunda-feira (15/12). A empresa afirma que a operação está em risco devido à inadimplência da Prefeitura nos repasses contratualmente previstos.
Em nota encaminhada ao Campo Grande News, o Consórcio alegou que a falta de pagamentos por parte do Poder Público compromete todo o sistema, afetando recursos essenciais como vale-transporte, subsídios e demais componentes tarifários. Segundo o comunicado, sem o equilíbrio econômico-financeiro garantido, não há condições de manter o funcionamento normal da frota.
A empresa reforçou que, embora exista um acordo vigente com o Município, “a tarifa não está sendo praticada, pois os repasses necessários não ocorrem de forma adequada e nos valores devidos”. Com isso, o fluxo de caixa estaria insuficiente para quitar obrigações básicas, como salários, 13º, vale-alimentação, combustível, manutenção e encargos operacionais.
O Consórcio também fez um apelo às autoridades para que regularizem imediatamente os débitos, alertando que a continuidade do atraso pode levar à interrupção total dos serviços, nos termos do Artigo 624 da CLT. “O não cumprimento destas obrigações pode resultar na interrupção total dos serviços”, finaliza a nota, destacando o impacto direto sobre os trabalhadores e a população.

Motoristas aprovam greve em assembleias
Vídeos gravados na madrugada de hoje (11/12) mostram o momento em que motoristas se reúnem em duas garagens e aprovam a deflagração da greve. O encontro foi convocado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano, Demétrio Freitas, que relatou atrasos recorrentes de salários e benefícios.
Demétrio Freitas informou aos colegas que o salário de novembro está atrasado há seis dias, e que não há previsão para o pagamento da segunda parcela do 13º salário nem do vale-alimentação, previsto para 20 de dezembro. “As contas estão atrasando. Ninguém quer trabalhar sem receber”, afirmou o sindicalista antes de submeter a paralisação à votação.
Praticamente todos os motoristas presentes ergueram as mãos em concordância. O dirigente, porém, declarou que a greve será suspensa caso o pagamento seja efetuado antes da segunda-feira. “Se cair na segunda – que já estaremos parados –, voltamos na terça-feira”, explicou.
Após a aprovação, um dos motoristas comemorou: “Ganhamos, vamos parar”.
Consórcio e Prefeitura seguem em impasse
A crise foi novamente exposta na última semana, quando o Consórcio declarou que está “à beira do colapso” devido à ausência de repasses da Prefeitura, hoje apontada como a maior devedora. As empresas afirmam que o caixa está vazio, impossibilitando o custeio de despesas básicas da operação.
A Prefeitura até o momento, não apresentou resposta ou argumentação para solução do problema. O espaço permanece aberto para manifestação.
Vídeo do momento da aprovação do indicativo de greve. Só vão retornar caso os três pagamentos de salário, vale alimentação e 13º sejam quitados






