“Chegamos a esse resultado graças a um trabalho corajoso, que colocou o dedo na ferida”, afirma Papy.

A intervenção da Prefeitura de Campo Grande no Consórcio Guaicurus – decretada segunda-feira (16/06), com validades de 180 dias – é um resultado direto da CPI do Transporte Público, instaurada no ano passado. Esta é a conclusão dos vereadores que participaram daquela Comissão Parlamentar de Inquérito, cujo relatório final incluiu a medida entre as principais providências.
O presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), pontua, incisivo, que a CPI trouxe à tona os problemas que o transporte coletivo enfrenta há anos. “Chegamos a esse resultado graças ao trabalho corajoso da CPI, que colocou o dedo na ferida e trouxe à tona problemas que há anos afetam a população”, disse. Com a intervenção, ele acredita que a população passa a ter uma esperança de melhoria nos serviços, “desde que esta intervenção seja conduzida de forma prática e eficiente”.

Muitos dados
No relatório da CPI – apresentado em setembro de 2025 – foram alinhadas várias irregularidades que sustentam a necessidade da solução drástica.
A comissão contabilizou mais de 50 horas de oitivas públicas, analisou documentos técnicos, financeiros e operacionais do sistema.
O relatório final tem mais de 800 páginas, com trechos de depoimentos, gráficos, dados contratuais, contábeis e técnicos.
Além da intervenção, outra recomendação foi a substituição imediata de 197 ônibus com idade acima do limite contratual.
Um trecho do relatório aponta: “Diante desse cenário, a prefeitura detém competência legal para instaurar um processo de intervenção na concessão e, se necessário, promover a rescisão contratual, conforme amplamente demonstrado”.
O vereador Dr Lívio presidiu a comissão e a vereadora Ana Portela foi a relatora. Os outros membros: Junior Coringa, Maicon Nogueira e Luiza Ribeiro.
Para Dr. Lívio, a intervenção demonstra a relevância do trabalho realizado pela CPI. “Na época, também alertamos para a necessidade de renovação da frota. Hoje, mais de 230 ônibus precisam ser substituídos para garantir mais qualidade no serviço”, lembra.
Ana Portela acredita que o Legislativo sai fortalecido com a decisão: “Foram mais de 50 horas de oitivas, mais de 100 mil páginas analisadas. Houve quem dissesse que o relatório acabaria em pizza. E hoje a gente mostra a realidade”.








