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Campo Grande, 24 de outubro de 2026

Greve: Capital amanhece sem ônibus nesta segunda-feira

  • Geraldo Silva
  • 15 de dezembro, 2025
  • Economia, Transporte
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Consórcio paga só metade dos salários atrasados e prefeitura afirma que repasses estão em dia. A mesma história com muitas versões está prejudicando não só os trabalhadores  do transporte coletivo, mas pelo menos 116 mil usuários de transporte coletivo de Campo Grande.

Campo Grande amanhece sem ônibus após paralisação de motoristas.

Campo Grande amanhece segunda-feira (15/12) sem  ônibus circulando, com 100% da frota parada devido à greve mantida pelos motoristas do Consórcio Guaicurus. A paralisação, aprovada por unanimidade em assembleia na quinta-feira (11/12) com cerca de 1,1 mil trabalhadores afetados (motoristas, cobradores e demais funcionários), protesta contra atrasos no salário de novembro (devido até o 5º dia útil), primeira parcela do 13º e adiantamento do dia 20.

O presidente do STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano), Demétrio Freitas, confirmou que o depósito parcial de 50% dos salários, feito na sexta (13/12), não evitou a mobilização. “Está confirmada a paralisação para segunda-feira, não terá ônibus. O consórcio depositou só metade do salário, e como já tínhamos avisado, se não pagasse integralmente, a greve seria mantida”, afirmou. “A greve vai se prolongar até que o consórcio efetue a quitação do salário integral, do décimo terceiro e do adiantamento. Não tem um tempo determinado, o prazo é o pagamento”, disse. “De uns três, quatro anos para cá, isso vem acontecendo com frequência: o atraso salarial, problema com adiantamento, entre outros problemas internos.

Faixa no portão da garagem na Moreninha avisa sobre greve (Foto: Dayene Paz).

O transporte coletivo é um serviço essencial e a paralisação vai atrapalhar muita gente, algo que a gente não gostaria que acontecesse. Mas chegou no limite, ficar oito, nove dias sem receber não tem como”, criticou. “O trabalhador decidiu pela paralisação caso o consórcio não efetue os pagamentos. Nosso objetivo não é ficar parado, é receber o que a gente tem direito. Se o consórcio pagar essas três verbas, a gente suspende a greve”, reforçou.

Versões conflitantes e impacto na população

O Consórcio Guaicurus atribui a crise à “grave situação financeira”, culpando inadimplência da Prefeitura em repasses de vale-transporte, subsídios e gratuidades. Em nota, confirmou o pagamento de 50%, alegando que “as linhas de crédito disponíveis já foram tomadas, o que limita a capacidade imediata de obtenção de novos recursos”, mas reitera compromisso com o quitação total.

A Prefeitura de Campo Grande, por outro lado, alega que os pagamentos estão em dia, inclusive com antecipação de repasses, e critica a falta de comunicação formal sobre a greve, ameaçando sanções contratuais.

Usuários devem buscar alternativas como caronas, apps de transporte ou ajustes de horários, já que não há frota mínima. A última paralisação parcial ocorreu em 22 de outubro. O sindicato responsabiliza consórcio e poder público pelo impacto.

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