Consórcio paga só metade dos salários atrasados e prefeitura afirma que repasses estão em dia. A mesma história com muitas versões está prejudicando não só os trabalhadores do transporte coletivo, mas pelo menos 116 mil usuários de transporte coletivo de Campo Grande.
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Campo Grande amanhece segunda-feira (15/12) sem ônibus circulando, com 100% da frota parada devido à greve mantida pelos motoristas do Consórcio Guaicurus. A paralisação, aprovada por unanimidade em assembleia na quinta-feira (11/12) com cerca de 1,1 mil trabalhadores afetados (motoristas, cobradores e demais funcionários), protesta contra atrasos no salário de novembro (devido até o 5º dia útil), primeira parcela do 13º e adiantamento do dia 20.
O presidente do STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano), Demétrio Freitas, confirmou que o depósito parcial de 50% dos salários, feito na sexta (13/12), não evitou a mobilização. “Está confirmada a paralisação para segunda-feira, não terá ônibus. O consórcio depositou só metade do salário, e como já tínhamos avisado, se não pagasse integralmente, a greve seria mantida”, afirmou. “A greve vai se prolongar até que o consórcio efetue a quitação do salário integral, do décimo terceiro e do adiantamento. Não tem um tempo determinado, o prazo é o pagamento”, disse. “De uns três, quatro anos para cá, isso vem acontecendo com frequência: o atraso salarial, problema com adiantamento, entre outros problemas internos.

O transporte coletivo é um serviço essencial e a paralisação vai atrapalhar muita gente, algo que a gente não gostaria que acontecesse. Mas chegou no limite, ficar oito, nove dias sem receber não tem como”, criticou. “O trabalhador decidiu pela paralisação caso o consórcio não efetue os pagamentos. Nosso objetivo não é ficar parado, é receber o que a gente tem direito. Se o consórcio pagar essas três verbas, a gente suspende a greve”, reforçou.
Versões conflitantes e impacto na população
O Consórcio Guaicurus atribui a crise à “grave situação financeira”, culpando inadimplência da Prefeitura em repasses de vale-transporte, subsídios e gratuidades. Em nota, confirmou o pagamento de 50%, alegando que “as linhas de crédito disponíveis já foram tomadas, o que limita a capacidade imediata de obtenção de novos recursos”, mas reitera compromisso com o quitação total.
A Prefeitura de Campo Grande, por outro lado, alega que os pagamentos estão em dia, inclusive com antecipação de repasses, e critica a falta de comunicação formal sobre a greve, ameaçando sanções contratuais.
Usuários devem buscar alternativas como caronas, apps de transporte ou ajustes de horários, já que não há frota mínima. A última paralisação parcial ocorreu em 22 de outubro. O sindicato responsabiliza consórcio e poder público pelo impacto.








