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Campo Grande, 25 de agosto de 2026

Executado por engano: Vítor foi morto em tocaia que visava ex-comparsa de dono de academia

  • 25 de agosto, 2026
  • Cidades, Polícia
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Vítima de 19 anos trabalhava na garagem da família quando pistoleiros, contratados para matar outro homem, o confundiram e dispararam três tiros na cabeça. O quarto preso tinha 38 munições e R$ 10 mil em casa.

Vítor Orsini, de 19 anos, vítima da execução, foi morto por engano. (Foto: Redes Sociais)

Um erro de identificação transformou uma emboscada planejada para eliminar um suposto ex-informante do tráfico em mais um homicídio que choca Mato Grosso do Sul. Vitor Orsini, de 19 anos, foi executado a tiros na tarde de 7 de agosto, dentro da garagem da família, na Avenida Hayel Bon Faker, no Jardim Água Boa, em Dourados — a 251 quilômetros de Campo Grande. A Polícia Civil apura que o alvo verdadeiro era um homem com histórico de tráfico, que teria sido escolhido para morrer por possível colaboração com forças de segurança.

Emboscada foi armada com falsa negociação de veículo
A investigação aponta que a tocaia foi montada a partir de uma negociação falsa de uma Toyota SW4. Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos, dono de uma academia de musculação no Bairro da Granja, em Ponta Porã, teria usado o pretexto de comprar a caminhonete para atrair o alvo real até a garagem. Em conversas encontradas no celular de Vitor, Claudio avisou que uma pessoa iria ao local por volta das 14h para avaliar o veículo.

O suposto interessado, no entanto, era o homem escolhido para ser assassinado. A estratégia era fazer com que ele estivesse na garagem exatamente no momento em que os executores chegassem. Como o alvo não apareceu, os pistoleiros encontraram Vitor próximo aos carros e, ao vê-lo de costas, acreditaram que se tratava da pessoa indicada para morrer.

Viatura em frente à loja de veículos onde jovem foi executado há três semanas, em Dourados. (Foto: Arquivo/Leandro Holsbach)

Três tiros na cabeça: jovem morreu no local
Vitor foi atingido por três disparos de pistola na cabeça. O primeiro tiro o derrubou; os outros dois foram feitos quando ele já estava no chão. Câmeras de segurança registraram a chegada do atirador na garupa de uma Honda Biz, enquanto outro suspeito permaneceu sobre a motocicleta à espera. Antes de fugir, o homem ainda apontou a arma para o gerente da garagem, mas não atirou. O jovem morreu ainda no estabelecimento.

A apuração mostra que Vitor não tinha qualquer relação com a disputa que motivou o plano. Ele acabou envolvido apenas porque trabalhava na garagem da família no horário escolhido para a ação. A Polícia Civil ainda não apresentou oficialmente todos os detalhes da emboscada nem informou quem deu a ordem para o assassinato.

Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos, que foi preso acusado de participação no assassinato de Vitor. (Foto: Reprodução/Instagram)

Alvo verdadeiro tem histórico de tráfico e pode ter sido “X-9”
O verdadeiro alvo mora na região sul de Dourados e não é investigado pela morte de Vitor. A ligação entre esse homem e Claudio começou pelo menos 13 anos antes do assassinato. Os dois foram presos em 2013 na mesma operação contra um esquema de tráfico de cocaína que atuava a partir de Ponta Porã e enviava droga para outros estados brasileiros.

O homem que deveria ter sido morto também acumula outros antecedentes e voltou a ser preso por tráfico em 2024. Esse histórico passou a ser uma das peças consideradas pela investigação para entender por que ele teria sido escolhido como alvo. Informações apontam que ele poderia ter se tornado informante de forças de segurança, circunstância que teria provocado uma ordem de morte dentro do grupo ligado ao tráfico. Essa possível motivação ainda não foi confirmada pela Polícia Civil e permanece como uma das linhas apuradas no caso.

Dono de academia preso com munições e dinheiro
Claudio foi preso na sexta-feira (21/08), em Ponta Porã, durante as diligências para identificar todos os envolvidos na morte de Vitor. Na casa dele, os policiais apreenderam 38 munições calibre .380, escondidas em um fundo falso de rack, e R$ 10 mil em espécie, integralmente em notas de R$ 20. O empresário é proprietário de uma academia de musculação no Bairro da Granja.

A prisão não foi o primeiro envolvimento dele com uma investigação sobre tráfico. Em 2013, Claudio foi detido com outras cinco pessoas na mesma operação que alcançou o homem apontado agora como verdadeiro alvo da tocaia. A PF (Polícia Federal) o apontou na época como um dos líderes de um esquema internacional de envio de cocaína para outros estados.

Segundo o processo, o grupo comprava veículos de alto valor para transportar a droga e transferia os automóveis para os nomes dos motoristas usados nas viagens. Claudio foi condenado inicialmente a 31 anos de prisão, mas conseguiu reduzir a pena para 14 anos e oito meses no TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região). Ele cumpriu parte da sentença em regime fechado e depois deixou a prisão.

Polícia procura agora dois investigados por homicídio de Vitor Orsini e pede ajuda da população para denunciar.

Seis suspeitos: quatro presos e dois foragidos
A investigação sobre a morte de Vitor também levou à identificação de Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos, e Jeferson Lopes, de 31, ambos de Ponta Porã. As fotos dos dois foram divulgadas pela Polícia Civil nesta segunda-feira (24). Jeferson teria dirigido uma BMW que levou os dois pistoleiros da fronteira até Dourados, enquanto Marcos é suspeito de participar da contratação dos autores dos disparos. Eles continuam foragidos.

Presos: Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, é apontado como autor dos tiros, e Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, teria pilotado a moto.

Quatro envolvidos já foram detidos. Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, é apontado como autor dos tiros, enquanto um adolescente de 17 anos teria participado da preparação do crime. Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, teria pilotado a moto usada na chegada à garagem e na fuga, e Claudio completa a lista de presos.

Fuga: moto abandonada e carro de aplicativo
A motocicleta usada na ação foi abandonada no Jardim Canaã VI, perto de uma estação de tratamento de esgoto. A apuração indica que os dois envolvidos deixaram Dourados em um carro de aplicativo e seguiram para a região de fronteira. A Polícia Civil ainda tenta esclarecer quem ordenou a morte do verdadeiro alvo, qual foi a participação de cada integrante do grupo e por que a emboscada terminou com Vitor assassinado no lugar do homem que deveria estar na garagem.

Também não está definido se Claudio teria dado a ordem para o assassinato ou se participou da montagem da emboscada como intermediário. A investigação principal segue em sigilo, e a Polícia Civil ainda não informou qual participação atribui ao empresário no homicídio.

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