Procedimento administrativo instaurado pelo MPMS (Ministério Público Estadual) de Mato Grosso do Sul, quer a elaboração de um plano de contingencia pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) e Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, contra a doença conhecida como varíola dos macacos, a Monkeypox.
MP aponta para a possibilidade de surgimento do vírus no país, e por isso, é necessário que ocorra a orientação à população
O órgão leva em consideração nota técnica encaminhada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), sobre orientações à prevenção e controle da Monkeypox nos serviços de saúde, datada de 31 de maio.
A doença foi descoberta na década de 1970 no continente Africano, é viral e transmitida aos seres humanos a partir de animais, porém, ainda não possuí casos confirmados no Brasil.
No Estado, a SES foi notificada nesta semana sobre caso suspeito de adolescente boliviano internado em Corumbá, porém, não houve confirmação sobre o fato.
Mesmo diante desse cenário, o Ministério Público, com base nas informações da OMS (Organização Mundial de Saúde) e na nota da Anvisa, aponta para a possibilidade de surgimento do vírus no país, e por isso, é necessário que ocorra a orientação à população.
No entender da 32ª Promotoria de Justiça da Saúde Pública, responsável pela ação em Mato Grosso do Sul, a criação desse plano teria como foco realizar o monitoramento e detectar pontos de melhoria como orientar grupos determinados em hospitais, readequar fluxos e ações emergenciais em casos de escassez de recursos materiais e humanos.
“Esse monitoramento e os ajustes no plano de contingência também devem levar em conta a situação epidemiológica do momento, bem como todo o aprendizado e experiências adquiridos ao longo do tempo ou disseminadas por outras instituições”, diz trecho do procedimento.
A Direção Técnica da Santa Casa de Corumbá, informou, por meio de nota, na tarde de ontem (31), que adolescente de nacionalidade boliviana, de 16 anos, encontra-se “clinicamente estável, isolado e monitorizado em ambiente de terapia intensiva e com conduta terapêutica adequada”.
Ele foi internado na segunda-feira, 30, com suspeita de contaminação pela Monkeypox, popularmente conhecida por “varíola dos macacos”. A nota ressalta que, de acordo com o histórico clínico do paciente, bem como as características das lesões, a equipe de profissionais médicos da Santa Casa de Corumbá acredita ser pouco provável a infecção pelo Monkeypox.
Suspeitas são de que o jovem boliviano tenha síndrome de Dress ou psoríase pustulosa
“Importante ressaltar que o adolescente foi avaliado tanto por médico infectologista, quanto por médico dermatologista, sendo que é possível que o diagnóstico seja de Síndrome de Dress, reação adversa a medicamentos, ou para caso de Psoríase Pustulosa, doença dermatológica caracterizada por múltiplas lesões de pele. Reiteramos que todas as medidas estão sendo tomadas para elucidar o diagnóstico do paciente”, encerra a nota.
O adolescente esteve no dia 26 de abril, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, onde passou por uma consulta com um médico neurologista. O paciente fez uso do medicamento carbamazepina e, desde então, relata que após quatro dias da troca de marca do medicamento, iniciou lesões avermelhadas/arroxeadas e lesões nos membros superiores evoluindo com disseminação para tronco e membros inferiores acometendo a boca e a região genital. Outras lesões inflamadas foram detectadas no couro cabeludo e tórax, além de febre (38,5ºC), ínguas na cervical, axilar e virilha.
A Secretaria de Estado de Saúde solicitou diversos exames para prosseguimento à investigação do caso. E ressaltou que é fundamental a realização de investigação clínica e/ou laboratorial no intuito de descartar as doenças que se enquadram como diagnóstico diferencial, dentre elas, varicela, herpes zoster, sarampo, zika, dengue, Chikungunya, herpes simples, infecções bacterianas da pele, infecção gonocócica disseminada, sífilis primária ou secundária, cancroide, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal, molusco contagioso (poxvirus), reação alérgica (como a plantas).
Sobre a doença
A Monkeypox (varíola dos macacos) é uma doença causada pelo Monkeypox virus. O nome deriva da espécie em que a doença foi inicialmente descrita em 1958. Trata-se de uma doença zoonótica viral, em que sua transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com animal ou humano infectado ou com material corporal humano contendo o vírus. Apesar do nome, os primatas não humanos não são reservatórios do vírus da varíola dos macacos. Embora o reservatório seja desconhecido, os principais candidatos são pequenos roedores (p.ex., esquilos) das florestas tropicais da África, principalmente na África Ocidental e Central. O Monkeypox é comumente encontrado na África Central e Ocidental, nos locais de florestas tropicais onde vivem animais que podem carregar o vírus. Pessoas com Monkeypox são ocasionalmente identificadas em países fora da África Central e Ocidental, normalmente relacionados a viagens para regiões onde a varíola dos macacos é endêmica.
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES), por meio do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS/MS) e Gerência Técnica Estadual de Saúde Única informa que foi notificada pelo CIEVS do município de Corumbá de um caso suspeito para Monkeypox (conhecida como varíola dos macacos). Trata-se de um adolescente, de 16 anos, residente em Porto Quijarro, na Bolívia. O jovem procurou atendimento médico no município de Corumbá, onde está internado e isolado.
Um dos sintomas da varíola são feridas pelo corpo (Foto: reprodução/Agência Brasil)
O adolescente esteve no dia 26 de abril, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, onde passou por uma consulta com um médico neurologista. O paciente fez uso do medicamento carbamazepina e, desde então, relata que após quatro dias da troca de marca do medicamento, iniciou lesões avermelhadas/arroxeadas e lesões nos membros superiores evoluindo com disseminação para tronco e membros inferiores acometendo a boca e a região genital. Outras lesões inflamadas foram detectadas no couro cabeludo e tórax, além de febre (38,5ºC), ínguas na cervical, axilar e virilha.
O paciente chegou até Corumbá, no dia 29 de maio, e passou por atendimento no Pronto Socorro ficando em isolamento. No dia 30 de maio, foi encaminhado e internado na Santa Casa. Em conversa com sua mãe, a mesma relatou que não tiveram contato com nenhum indivíduo com sintomas semelhantes quando foram a Santa Cruz de La Sierra e que mesmo a sala de espera do médico estando cheia, não havia ninguém com os sintomas citados. Neste mesmo dia, o paciente começou a apresentar manchas avermelhadas pelo corpo, havendo rupturas de lesões na região peniana, mãos e pés.
A Secretaria de Estado de Saúde informa que foram solicitados diversos exames para prosseguimento à investigação do caso. E ressalta que é fundamental a realização de investigação clínica e/ou laboratorial no intuito de descartar as doenças que se enquadram como diagnóstico diferencial, dentre elas, varicela, herpes zoster, sarampo, zika, dengue, Chikungunya, herpes simples, infecções bacterianas da pele, infecção gonocócica disseminada, sífilis primária ou secundária, cancroide, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal, molusco contagioso (poxvirus), reação alérgica (como a plantas).
Diante do surgimento do cenário da Monkeypox no mundo, o Ministério da Saúde já havia emitido Comunicação de Risco para a rede CIEVS no país, incluindo o CIEVS Mato Grosso do Sul. O caso suspeito foi notificado ao CIEVS Nacional pelo CIEVS-MS e Gerência Técnica Estadual de Saúde Única de Mato Grosso do Sul sendo uma ferramenta importante para que todo sistema de vigilância fique alerta e execute ações oportunas em caso de aparecimento de casos suspeitos.
Como medidas de prevenção à doença, o Ministério da Saúde e a SES/MS recomendam uso de máscara facial e lavagem das mãos.