Valdemar complica a vida de Bolsonaro com fala sobre minuta golpista, dizem aliados

Valdemar Costa Neto afirmou que minuta golpista existia “na casa de todo mundo”

Ao dizer que cópias da minuta golpista, como a encontrada na casa de Anderson Torres, estavam ‘na casa de todo mundo’, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto complicou não só a vida do ex-ministro da Justiça, como também a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A avaliação foi feita pela equipe de Bolsonaro ao blog de Valdo Cruz, do portal G1.

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto disse que versões da minuta golpista circulavam “na casa de todo mundo” (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Torres tem um depoimento marcado para a próxima quinta-feira (2), no qual deve ser questionado sobre a omissão durante os atos golpistas promovidos por bolsonaristas no dia 8 de janeiro, em Brasília (DF). Além disso, também vai ser perguntado sobre a ‘minuta do golpe’ encontrada na casa dele pela Polícia Federal.

Para a equipe de Bolsonaro, Valdemar tentou defender o ex-presidente quando fez a declaração sobre o documento, mas acabou complicando a vida de todos ao admitir que a proposta de golpe tinha até outras versões.

De acordo com aputação de Valdo Cruz, investigadores da PF confirmam que o documento encontrado na casa de Torres tem a ver com algo discutido dentro do governo Bolsonaro no ano passado.

Assim, o ex-ministro e ex-secretário da Segurança Pública do DF terá que dizer qual o objetivo da minuta e quem a elaborou.

Na casa de ‘todo mundo’
Em declaração ao jornal O Globo na última sexta-feira (27), Costa Neto afirmou ter recebido diversas propostas de como ‘tirar o presidente Lula (PT) do governo’.

“Advogados me mandavam como fazer utilizando o artigo 142, mas tudo fora da lei. Tive o cuidado de triturar”, declarou.

Depois o chefe do partido de Bolsonaro disse que versões do documento poderiam ser encontradas ‘na casa de todo mundo’.

“Aquela proposta que tinha na casa do ministro da Justiça, isso tinha na casa de todo mundo. Muita gente chegou para mim agora e falou: ‘Pô, você sabe que eu tinha um papel parecido com aquele lá em casa. Imagina se pegam’.

“Pensei que Bolsonaro ia morrer”, diz presidente do PL sobre derrota para Lula

Valdemar Costa Neto considerou que ex-presidente tem “zero responsabilidade” por ato terrorista do dia 8 de janeiro

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, concedeu entrevista à rádio CBN na manhã desta sexta-feira (20) e lembrou da derrota de seu candidato, Jair Bolsonaro (PL), para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última eleição presidencial.

“Quando acabou a eleição, eu fiquei surpreso. No dia seguinte, eu não quis ir vê-lo. Ele mandou me chamar, eu fui e fiquei impressionado com como ele estava abatido. Na semana seguinte, cheguei a pensar que o Bolsonaro fosse morrer, ao ver o estado que ele estava. Passadas algumas semanas, ele melhorou”, declarou.

Valdemar Costa Neto manifestou preocupação com a saúde de Bolsonaro após derrota nas urnas (AP Photo/Eraldo Peres)

Valdemar reforçou sua preocupação e afirmou que o temor pela saúde de Bolsonaro era real.

“Ele explicou que estava sem comer. Ficava quatro, cinco dias sem comer. Cheguei a avisar o assessor dele: ‘O Bolsonaro vai morrer’.”

“Culpa é do governo”
O presidente do partido também comentou sobre os atos terroristas praticados por apoiadores do ex-presidente no último dia 8, em Brasília. Para ele, Bolsonaro teve “zero responsabilidade” no episódio.

“A culpa de tudo isso é do governo atual. São eles quem mandam no Exército, nas policias e isso aconteceu. Não tinha policial suficiente para defender os prédios federais”, garantiu.

Valdemar considerou, ainda, que o “bolsonarista de verdade é família, não gosta disso, ficou pedindo para que não se quebrasse nada”. “Havia extremistas infiltrados”, falou.

Ao contrário do comentado pelo político, no entanto, as investigações dão conta de que pessoas próximas a Bolsonaro foram responsáveis por financiar os atos, e que o ex-presidente é tido como líder intelectual do episódio de vandalismo.

Relação com Lula
Apesar das críticas ao novo governo, Valdemar garantiu que o PL não fará oposição radical ao mandato de Lula. Pelo contrário: garantiu que pode até votar com o presidente em questões de interesse nacional.

“Não vamos fazer uma oposição radical. Somos um partido de direita, mas não queremos que o Brasil vá para trás”, argumentou.

Retorno de Bolsonaro e “salário de ministro”
Sobre o “exílio” do ex-presidente nos Estados Unidos, o líder do PL garantiu que o retorno ao Brasil acontecerá no fim desse mês, apesar dos rumores de um possível prolongamento da viagem.

Valdemar explicou que vai pagar “salário de ministro” para Bolsonaro e sua esposa, Michelle, para que sigam trabalhando no partido.

“Quero de qualquer forma o Bolsonaro aqui no Brasil, trabalhando e prestigiando o partido, indo nos nossos eventos, visitando as cidades. E principalmente a esposa dele, a dona Michelle, que se revelou com um carisma impressionante. Com isso, nós queremos eles para que fortaleçam o nosso partido.”

Minuta do golpe
Em relação à “minuta do golpe”, encontrada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, preso desde o último fim de semana, Valdemar fez questão de se distanciar da questão e se disse “surpreso” com a existência do documento.

“Olha, fiquei surpreso, lógico! Mas acontece que daquele documentos, vários outros circularam. Teve gente que me mandava proposta de qual lei ou artigo eu tinha que usar para não deixar o Lula assumir. As propostas vinham de todo lugar. Aquilo que acharam na casa do ex-ministro da Justiça pode ter sido uma dessas”, concluiu.

PP e Republicanos negam relação com golpismo de Valdemar e isolam partido de Bolsonaro

O PP e o Republicanos preparam um recurso ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra o bloqueio dos fundos partidários determinado pelo ministro Alexandre de Moraes na quarta-feira (23), após a empreitada golpista patrocinada por Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Os três partidos fizeram parte da coligação que apoiou o presidente Jair Bolsonaro em sua campanha à reeleição.

PP e Republicanos, no entanto, alegam não ter nenhuma ligação com os movimentos de contestação das urnas e afirmam reconhecer o resultado da eleição.

Dessa forma, os partidos deixam Valdemar e a legenda de Bolsonaro isolados na ação golpista.

Na decisão de quarta-feira, Moraes condenou a coligação de Bolsonaro, formada por PL, PP e Republicanos, ao pagamento de multa no valor de R$ 22.991.544,60 por litigância de má-fé.

O presidente do TSE determinou ainda o bloqueio dos fundos partidários das três legendas até o pagamento da penalidade imposta.

Além disso, por entender que, na iniciativa encampada pelo PL, houve “finalidade de tumultuar o próprio regime democrático brasileiro”, Valdemar será alvo de investigações no STF (Supremo Tribunal Federal), no inquérito das milícias digitais, e no TSE.

De acordo com políticos ouvidos pela Folha de S.Paulo, integrantes dos outros partidos da coligação tentaram fazer Valdemar desistir da ideia de questionar o resultado das urnas, citando que o presidente do PL corria risco de se tornar alvo de Moraes.

Apesar da tentativa de se distanciar da investida de Valdemar, dirigentes da coligação também criticaram a decisão do presidente do TSE. Eles afirmam que a multa imposta pode inflamar bolsonaristas e dar motivo para novas ações contra o resultado da eleição.

Os partidos ainda discutem como vão recorrer da determinação do ministro. Uma das possibilidade é levar uma representação ao TSE para que a coligação não seja considerada de maneira única na ação apresentada pelo PL.