Mulher de Marcola: bandidos devolvem Pix após descobrirem que assaltaram esposa do líder do PCC

Marco Camacho ri quando Cynthia Camacho conta sobre o roubo em conversa na cadeia revelada pelo ‘Fantástico’

Em conversa em novembro do ano passado, revelada neste domingo, 14, pelo programa Fantástico, da TV Globo, a mulher de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, conta ao chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) ter sido assaltada em São Paulo: roubaram seu celular e fizeram transferência via Pix. Os bandidos, no entanto, devolveram o telefone e o dinheiro, ao descobrirem com que ela é casada.

Marcola é considerado líder máximo do PCC e tem mais de 300 anos de pena para cumprir
Foto: Gabriela Biló/Estadão/ 22-3-2019

“O trânsito parou, tomei um susto tão grande. Demorei uns segundos para voltar ao normal”, afirmou Cynthia Giglioli Herbas Camacho no Parlatório da cadeia. “Aí devolveram porque viram meu nome. Mandaram entregar lá no salão.” Marcola, então, ri.

Em março deste ano, Marcola, que tem mais de 300 anos de pena para cumprir, foi transferido de Brasília para presídio de Porto Velho, em Rondônia. Na semana passada, a Polícia Federal e o Departamento Penitenciário Nacional fizeram uma operação para prender um grupo que planejava resgatar Marcola e outros líderes do PCC custodiados nas Penitenciárias Federais de Brasília e Porto Velho.

De acordo com a PF, o primeiro plano tinha o nome “STF” e tratava de invasão à penitenciária federal. O segundo, batizado “STJ”, envolvia o sequestro de autoridades do sistema penitenciário. Havia ainda o plano “suicida”, que envolvia uma “provável” rebelião, iniciada pelo próprio Marcola, com a tomada de um servidor público como refém.

Plano para libertar Marcola estava em computador de advogada de MS

Informações da Polícia Federal indicam que o PCC (Primeiro Comando da Capital) levantou os nomes de servidores públicos federais para sequestrá-los e usá-los como “moeda de troca” na libertação de Marco Willians Herbas Camacho, de 54 anos, o Marcola.

O plano dos encarcerados em presídios federais do país, foi encontrado no computador da advogada de Três Lagoas, Kássia Regina Brianez Trulha de Assis, de 41 anos, presa durante a deflagração da Operação Anjos da Guarda, na última quarta-feira (10).

Kássia Regina foi presa na quarta-feira em Três Lagoas, durante operação da Polícia Federal. (Foto: reprodução / rede social)

Segundo a PF, os agentes sequestrados deveriam ser levados para um cativeiro longe de seu local de origem, e caso, não houvesse negociação, os agentes sequestrados deveriam ser assassinados, segundo a coluna de Josmar Jozino do Portal Uol.

Kássia defendia presos ligados ao PCC em penitenciária estadual de Campo Grande e em presídios federais. A advogada passou por audiência de custódia ontem (11) e teve a prisão mantida pela Justiça. Ela está detida na sala de Estado-Maior destinada à prisão de advogados. A sala fica no Presídio Militar de Campo Grande, no Jardim Noroeste.

Além de Marcola, os outros presos alvos do resgate seriam, conforme a PF, Reinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal, condenado pela morte do juiz Antônio José Machado Dias, em março de 2003, em Presidente Prudente, a mando do PCC; Valdeci Alves dos Santos, o Colorido; Esdras Augusto do Nascimento Júnior; e Edmar dos Santos, o Quirino. Todos estão presos em presídios federais.

As investigações começaram em dezembro de 2021, quando foram monitoradas conversas de advogados e familiares de detentos na Penitenciária Federal de Brasília. Segundo a PF, os presidiários do PCC, defensores e visitantes falavam em código para tratar do plano de resgate e mencionavam as siglas “STF”, que se referia à fuga da liderança presa em Brasília, e “STJ”, que se referia à cobrança de andamento da ação.

Marcola, transferido de Brasília para a capital de Rondônia em março deste ano, era um dos líderes do PCC que seria resgatado. A mulher de Marcola também foi alvo da PF, em seu condomínio em Alphaville, na capital paulista.