Vídeo: OAB exonera advogada após falas xenofóbicas contra nordestinos

Flávia Moraes era vice-presidente da Comissão da Mulher Advogada; em vídeo, ela disse que “não vai mais alimentar quem vive de migalhas”

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Uberlândia informou na noite de quinta-feira, 6, que o órgão decidiu exonerar a advogada Flávia Aparecida Rodrigues Moraes do cargo de vice-presidente da Comissão da Mulher Advogada por declarações xenofóbicas. Em vídeo nas redes sociais, a advogada disse que “não vai mais alimentar quem vive de migalhas”, se referindo aos moradores da região Nordeste do País.

“Reiteramos que não compactuamos com os lamentáveis fatos veiculados nas redes sociais nem com as expressões utilizadas pela advogada. A OAB Uberlândia se sente profundamente constrangida e envergonhada e se solidariza com o querido povo nordestino”, disse o Diretor Presidente da OAB Uberlândia, José Eduardo Batista.

Por meio de nota, o órgão também informou que determinou a abertura de processos éticos-disciplinares pelo Conselho de Ética e Disciplina da Subseção e pelo Tribunal de Ética Regional, em atenção aos pedidos de representação disciplinar protocoladas por advogados e autoridades de Uberlândia e região.

“Apresentamos nossas sinceras desculpas ao povo nordestino e em especial à advocacia nordestina e advocacia brasileira pelas manifestações ofensivas da referida advogada, postadas nas redes sociais”, diz ainda a nota.

Plano para libertar Marcola estava em computador de advogada de MS

Informações da Polícia Federal indicam que o PCC (Primeiro Comando da Capital) levantou os nomes de servidores públicos federais para sequestrá-los e usá-los como “moeda de troca” na libertação de Marco Willians Herbas Camacho, de 54 anos, o Marcola.

O plano dos encarcerados em presídios federais do país, foi encontrado no computador da advogada de Três Lagoas, Kássia Regina Brianez Trulha de Assis, de 41 anos, presa durante a deflagração da Operação Anjos da Guarda, na última quarta-feira (10).

Kássia Regina foi presa na quarta-feira em Três Lagoas, durante operação da Polícia Federal. (Foto: reprodução / rede social)

Segundo a PF, os agentes sequestrados deveriam ser levados para um cativeiro longe de seu local de origem, e caso, não houvesse negociação, os agentes sequestrados deveriam ser assassinados, segundo a coluna de Josmar Jozino do Portal Uol.

Kássia defendia presos ligados ao PCC em penitenciária estadual de Campo Grande e em presídios federais. A advogada passou por audiência de custódia ontem (11) e teve a prisão mantida pela Justiça. Ela está detida na sala de Estado-Maior destinada à prisão de advogados. A sala fica no Presídio Militar de Campo Grande, no Jardim Noroeste.

Além de Marcola, os outros presos alvos do resgate seriam, conforme a PF, Reinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal, condenado pela morte do juiz Antônio José Machado Dias, em março de 2003, em Presidente Prudente, a mando do PCC; Valdeci Alves dos Santos, o Colorido; Esdras Augusto do Nascimento Júnior; e Edmar dos Santos, o Quirino. Todos estão presos em presídios federais.

As investigações começaram em dezembro de 2021, quando foram monitoradas conversas de advogados e familiares de detentos na Penitenciária Federal de Brasília. Segundo a PF, os presidiários do PCC, defensores e visitantes falavam em código para tratar do plano de resgate e mencionavam as siglas “STF”, que se referia à fuga da liderança presa em Brasília, e “STJ”, que se referia à cobrança de andamento da ação.

Marcola, transferido de Brasília para a capital de Rondônia em março deste ano, era um dos líderes do PCC que seria resgatado. A mulher de Marcola também foi alvo da PF, em seu condomínio em Alphaville, na capital paulista.