STF começa a julgar acusados por ataques em 8/1; cinco são de MS

O STF (Supremo Tribunal Federal) começa a decidir na madrugada desta terça-feira (18) se torna réus os acusados de participação nos ataques golpistas de 8 de janeiro. Nessa primeira leva, a corte analisará as acusações contra cem envolvidos.

Há sinalização de que os ministros devem abrir ações penais contra os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eles foram denunciados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e parte segue presa por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator da apuração.

Djalma Salvino, Diego Eduardo Assis e Fabio Jatchuk presos pela depredação em Brasília (Foto: Redes Sociais)

O ministro optou por priorizar os casos de quem continua atrás das grades. As denúncias relativas ao restante, de um total de 1.390 acusados pela PGR, será analisado posteriormente.

Metade do grupo é acusada pela Procuradoria de incitar a animosidade das Forças Armadas contra os Poderes. Esses denunciados foram presos na manhã seguinte aos ataques, no acampamento montado em frente ao quartel-general do Exército em Brasília.

São atribuídas aos demais a invasão e a destruição de instalações das sedes dos três Poderes. Este grupo foi preso no próprio dia 8 de janeiro, no interior ou nas imediações dos prédios.

A análise do Supremo será feita em sessão do plenário virtual, proposta feita por Moraes e atendida pela presidente do tribunal, ministra Rosa Weber.

Nesse modelo de julgamento, advogados e defensores poderão apresentar sustentações orais até as 23h59 desta segunda (17).

Moraes, que é relator da investigação, publicará seu voto, e os ministros poderão seguir o entendimento ou divergir. Eles podem votar até as 23h59 da próxima segunda-feira (24).

A expectativa na corte é a de que a maioria siga o voto do relator, que deve se manifestar pela abertura das ações penais.

Caso as denúncias sejam aceitas, os acusados viram réus, e o processo será iniciado. Nesses casos, haverá coleta de provas materiais e depoimentos de testemunhas de defesa e de acusação.

Depois, o tribunal ainda terá de julgar se condena ou absolve quem for processado, providência que não tem prazo específico para ocorrer.

A tendência é que essas ações sejam mantidas no STF, o que evitaria que ficassem paradas e sem julgamento —ou que haja decisões divergentes entre os juízes na primeira instância.

As denúncias incluem crimes previstos no Código Penal, como associação criminosa, abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado.

São também relacionados delitos de ameaça, perseguição, incitação ao crime e dano qualificado. A PGR cita ainda o crime de deterioração de patrimônio tombado.

Cinco nomes de pessoas com RG de Mato Grosso do Sul: Diego Eduardo de Assis Medina, 55 anos; Djalma Salvino dos Reis, 45 anos; Eric Prates Kobayashi, 40 anos; Fábio Jatchuk Bulmann, 41 anos; e Fabrício de Moura Gomes, 45 anos.

Djalma Salvino dos Reis, 45 anos, é motorista e mora em Itaporã. Em seu perfil nas redes sociais, Salvino se mostra um ferrenho apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro e participou de atos antidemocráticos em Dourados, pedindo intervenção federal e questionando o resultado das urnas. Diego Eduardo Assis Medina reside em Dourados e trabalha na área da construção civil. Fábio Jatchuk é técnico em instalação e manutenção de ar-condicionado, residente em Campo Grande.

Fabrício de Moura é natural de São Paulo, mas mora em Três Lagoas, onde é sócio de uma empresa especializada em fabricação de máquinas e equipamentos para indústria de celulose. Eric Kobayashi é residente em Campo Grande, trabalhava como carteiro nos Correios, mas deixou a empresa em meados de 2013.

 

Julgamento de réus da Lama Asfáltica pelo desvio de R$ 7 mi vai durar 8 meses

Conforme despacho do juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, o julgamento de 11 réus na Operação Lama Asfáltica pelo suposto desvio de R$ 7 milhões na obra de manutenção da MS-357 vai durar oito meses.

A audiência de instrução e julgamento começará em maio com os depoimentos das testemunhas de acusação e vai terminar no dia 7 de dezembro deste ano com o interrogatório dos réus.

Esta é mais uma denúncia envolvendo o ex-secretário estadual de Obra, Edson Giroto

A ação é uma das que tramita em sigilo na 1ª Vara Criminal. O processo começou a tramitar há sete anos, em 2016, e foi marcado por pedidos de perícia e contestações. A Força-Tarefa do Ministério Público apontou o desvio de R$ 7 milhões na rodovia em Ribas do Rio Pardo.

Esta é mais uma denúncia envolvendo o ex-secretário estadual de Obra, Edson Giroto, o empresário João Amorim, dono da Proteco Construções, o ex-deputado Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano, e a ex-presidente da Agesul, Maria Wilma Casanova Rosa.

A audiência vai começar no dia 12 de maio com o depoimento das testemunhas arroladas pelo MPE. No dia 19 do mesmo mês, o magistrado começará a oitiva das testemunhas de defesa e começará pelas indicadas por Maria Wilma e Êolo Genovês Ferrari.

As audiências para ouvir as testemunhas serão realizadas nos dias 26 de maio, 2 e 23 de junho. As testemunhas de João Amorim, da sócia, Elza Cristina Araújo dos Santos e de Rômulo Tadeu Menossi serão ouvidas ao longo de seis audiências marcadas para os meses de julho, setembro e novembro deste ano.

 

Suspeito de executar jornalista brasileiro é absolvido pela Justiça do Paraguai

As investigações apontaram que Léo Veras foi morto por dois homens encapuzados enquanto jantava com a família, em 2020. O jornalista sofria ameaças antes de ser morto

O principal suspeito de executar a tiros o jornalista brasileiro Léo Veras foi absolvido nesta quinta-feira (3). Conforme apontado pela Justiça do Paraguai, Waldemar Pereira Rivas foi inocentado por unanimidade após o “ato punível não ser comprovado com provas”.

Principal suspeito de matar jornalista brasileiro é absolvido por justiça paraguaia — Foto: Divulgação

O crime aconteceu no quintal da casa da vítima, que fica na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, que faz divisa com Ponta Porã, cidade sul-mato-grossense a 342 km de Campo Grande.

Léo Veras morreu com 12 tiros enquanto jantava com a família, em fevereiro de 2020. De acordo com a Polícia Nacional do Paraguai, um dos disparos acertou a cabeça dele no momento em que ele tentou correr dos assassinos. O jornalista chegou a ser socorrido e encaminhado para um hospital particular da cidade paraguaia, mas não resistiu.

Léo Veras se tornou conhecido em Mato Grosso do Sul pelo trabalho jornalístico feito na região de fronteira. O jornalista era dono de um site policial que produzia notícias da região fronteiriça em português e espanhol. Frequentemente, Léo noticiava situações relacionadas ao tráfico de drogas.

EXECUÇÃO

Léo Veras era paraguaio e tinha nacionalidade brasileira. Ele tinha um site de notícias em Ponta Porã, cidade que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, no Paraguai. O jornalista foi executado por pistoleiros em Pedro Juan Caballero.

De acordo com a Polícia Nacional do Paraguai, Léo foi atingido por cerca de 12 tiros de pistola 9 milímetros. Um dos disparos acertou a cabeça dele no momento em que ele tentou correr dos assassinos. O jornalista chegou a ser socorrido e encaminhado para um hospital particular da cidade paraguaia, mas não resistiu.

Segundo a ocorrência, Léo estava jantando com a família no quintal de sua casa. Por volta das 21 horas, dois pistoleiros encapuzados chegaram em uma caminhonete branca, entraram pelo portão que estava aberto e invadiram o local. Eles direcionaram os disparos contra o jornalista e foram atrás dele quando Veras tentou correr para a rua.

O promotor paraguaio responsável pelo caso, Marco Amarilla, informou ao g1 que apurou que o jornalista vinha sofrendo ameaças. Nos últimos dias de vida, segundo o promotor, Léo Veras estava com medo.