Imasul atesta que 87% dos rios de MS têm água de qualidade ótima ou boa

Análises dos laboratórios do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), feitas durante o ano passado, atestam que 74,5% das amostras de águas dos rios de Mato Grosso do Sul foram consideradas boas e 13,2% ótimas. O Imasul, órgão ambiental do Estado vinculado à Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), mantém desde 1994 o Programa de Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais e a Rede Básica de Monitoramento da Qualidade das Águas, mecanismos que permitem acompanhar a situação dos rios e subsidiar políticas públicas e a gestão eficiente dos recursos hídricos no Estado.

O Programa de Monitoramento foi implantado pelo órgão ambiental em 1994 (Foto Saul Schramm)

O gerente de Recursos Hídricos do Imasul, Leonardo Sampaio, explica que o monitoramento da qualidade da água com ênfase em seus múltiplos usos é uma atividade indispensável, tendo em vista a importância biológica, econômica e social da água, que por isso mesmo requer sua preservação e conservação. “Essa importância se traduz na capacidade técnica do órgão em fornecer informações que permitam o controle da degradação da qualidade das águas, como também para subsidiar a investigação tanto dos processos naturais e consequências das ações humanas no meio ambiente.”

O Programa de Monitoramento foi implantado pelo órgão ambiental em 1994 e, desde então, a Rede Básica de Monitoramento vem sendo ampliada de forma gradual, no início eram 24 estações de monitoramento e hoje somam 194, todas georreferenciadas e distribuídas de forma estratégica em 76 principais rios do Estado. Na Bacia do Rio Paraguai estão 85 estações e na Bacia do Rio Paraná, outras 109.

Nessas estações de monitoramento são analisados, em média, 40 parâmetros físicos, químicos e biológicos (qualitativos), de vazão e medição (quantitativos) que permitem traçar o perfil da qualidade das águas superficiais. Os dados constam no Relatório de Gestão dos Recursos Hídricos 2022 e resultam na qualificação das águas superficiais em cinco níveis: ótima, boa, aceitável, ruim ou péssima. As análises buscam detectar a presença de metais pesados (chumbo, cobre, cromo, mercúrio, manganês), quantidade de oxigênio dissolvido, nitrogênio, temperatura, turbidez, Ph, entre outros dados.

Durante o ano de 2022 foram analisadas 675 amostras, sendo que 89 alcançaram nível ótimo de qualidade (13,2%), 503 foram consideradas boas (74,5%), 40 se enquadraram no nível aceitável (5,9%), 31 no nível ruim (4,6%) e 12 péssimas (1,8%). “Esses números indicam que, de maneira geral, as águas superficiais no Mato Grosso do Sul permaneceram durante a maior parte do tempo nas qualidades ótima e boa”, disse o secretário da Semadesc, Jaime Verruck.

O diretor-presidente do Imasul, André Borges, lembra que, desde 2013, Mato Grosso do Sul mantém termos de cooperação com a Agência Nacional de Águas para custear o Programa Nacional da Qualidade da Água (Qualiágua), o Programa de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas (Progestão), o Programa Nacional de Fortalecimento dos Comitês de Bacias Hidrográficas (Procomitê), que visam fortalecer a gestão das águas em todo território nacional.

“Todos os anos apresentamos relatórios das ações desenvolvidas em cada programa e recebemos aprovação da ANA, que renova os convênios e dessa forma, o Imasul mantém e aperfeiçoa os mecanismos de monitoramento e gestão dos recursos hídricos”, pontuou.

Entre as atividades ajustadas nos acordos com a ANA, em 2022 foram realizadas 88 cursos de capacitação totalizando 476 participações nos eventos promovidos pelo órgão ambiental e por parceiros, nas modalidades EaD, presencial e semipresencial, para servidores do próprio instituto ou voltados ao público externo.

Imasul faz alerta de risco de transbordamento do Rio Miranda

O aumento do nível do rio Miranda, que nas duas semanas passadas causou preocupação à população e as autoridades da região de Bonito, agora é motivo de atenção redobrada ao município de Miranda: o volume de água na porção que passa pela região urbana está perto dos 7 metros, podendo causar transbordamentos.

Hoje a medida verificada no local era de 6,91 metros – ou seja, faltam nove centímetros para que o nível de 7 metros Foto: Saul Schramm

Conforme o Aviso de Evento Crítico de número 24/2023 feito pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), existe “potencial para provocar significativos danos materiais e com riscos à integridade humana”.

Na região urbana de Miranda, a medida níveis entre 6 e 7 metros do rio colocam as autoridades em status de alerta. Qualquer aferição superior aos 7 metros já passa a ser considerada nível de emergência – que para uma área urbana traz mais preocupações, devido a maior densidade de população que pode ser atingida.

“O gerente de Recursos Hídricos do Imasul, Leonardo Sampaio, acompanhado de técnicos, deslocam-se para Miranda a fim de acompanhar de perto a situação”, frisa nota emitida pelo Imasul. A Cedec (Coordenadoria Estadual de Defesa Civil) segue a situação.

Faltam poucos centímetros

A aferição diária feita pela Sala de Situação do Imasul mostra uma crescente do nível do rio Miranda na região urbana de Miranda. Lá, a régua na quarta-feira (1) marcava 6,82 metros, subindo para 6,88 metros na quinta (2). Já nesta sexta-feira (3), a medida verificada no local era de 6,91 metros – ou seja, faltam nove centímetros para que o nível de 7 metros seja atingido ali.

Recentemente também houve transbordamentos em outros trechos do rio Miranda, mais especificamente no distrito de Águas do Miranda, localizado no território municipal de Bonito. Ali, passa a Estrada MT-738, onde há outra régua de aferição.

Por vários dias a checagem apontava o rio em nível de emergência no local. Ali, valor acima de 6,5 metros é considerado emergencial e, entre 27 de fevereiro e 2 de março, todas verificações estavam acima dos 8 metros. O ápice da cheia foi o dia 1º, quando a marca chegou aos 9,63 metros em média – pontualmente, chegou até 9,68 metros.

Já a média de ontem ficou na casa dos 8,06 metros, descendo para 6,22 metros nesta sexta-feira (3). Assim, a queda de 1,84 metros fez com que também houvesse mudança do estágio de atenção naquele ponto, que saiu do nível de emergência para o de alerta.