Exército ignora Lula e proíbe acesso a documentos de Eduardo Pazuello

A Força impôs cem anos de sigilo ao caso sob a alegação de que os documentos tratam apenas da vida privada do general

O Exército ignorou uma promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e decidiu manter em segredo o processo que apurou a participação do general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello em um ato político em maio de 2021 sem autorização do comando.

No governo Bolsonaro, a Força impôs cem anos de sigilo ao caso sob a alegação de que os documentos tratam apenas da vida privada do general. Lula já determinou à Controladoria-Geral da União (CGU) que revise os sigilos irregularmente determinados pelo antecessor. Entre os casos está o de Pazuello.

Pazuello participou de um ato político ao lado de Bolsonaro em 2021 Foto: Wilton Junior/Estadão – 23/5/2021 / Estadão

O Estadão apresentou ao Exército um pedido com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) no início de dezembro de 2022, com Pazuello já na reserva e eleito deputado federal pelo Rio. Em 2021, durante o governo Bolsonaro, foram feitas outras tentativas para obter acesso aos documentos. Todas negadas.

O novo requerimento foi rejeitado duas vezes em um intervalo de menos de 15 dias. No dia 26 de dezembro, foi feito um terceiro recurso à Força militar. O caso teria de ser examinado pelo comandante do Exército. Quatro dias depois, tomou posse no posto o general Júlio Cesar de Arruda, o escolhido pela gestão petista para o cargo e que assumiu antes mesmo de Lula.

Nesta segunda, 2, já com o petista no primeiro dia útil de governo, o comando analisou o caso e manteve a decisão do sigilo. A resposta foi assinada pelo coronel Emílio Ribeiro, subchefe do gabinete do comandante. O oficial se limitou a dizer que ratificava as decisões anteriores e que elas estavam “em conformidade” com a LAI.

Manifestação

Em maio de 2021, Pazuello participou de uma manifestação no Aterro do Flamengo, no Rio, ao lado de Jair Bolsonaro. O ato serviu para o então presidente criticar o uso de máscara e ainda dizer que “seu Exército” jamais iria obrigar as pessoas a ficarem em casa durante a pandemia da covid-19. Como o regulamento do Exército proíbe a participação de militares em atos políticos, foi instaurado um procedimento disciplinar. O general apresentou sua defesa e o caso foi arquivado. O processo tornou-se sigiloso.

Capitão Contar foi para a reserva remunerada após 12 anos de serviço

O militar recebe aposentadoria mensal de R$ 7,6 mil da Forças Armadas, acima do teto do INSS

O candidato a governador pelo PRTB, Capitão Contar, trabalhou apenas 12 anos no Exército antes de ir para a reserva remunerada, em 2018. Ele recebe salário mensal de R$ 7.673,56 de aposentadoria, acima do teto do INSS pago a trabalhadores com carteira assinada, hoje estabelecido em R$ 7.087,22.

A informação sobre a aposentadoria precoce do Capitão Contar, que abandonou o Exército para viver da política – ele recebe hoje, como deputado estadual, R$ 25,3 mil – veio à público na manhã desta segunda-feira em debate promovido pelo SBT/Top Mídia News. Os dados foram apresentados pelo candidato a governador Adonis Marcos, do Psol.

Nascido em 25 de dezembro de 1983, Contar completa 39 anos em 2022. De acordo com dados constantes do site da Assembleia Legislativa, ele cursou a Escola Preparatória de Cadetes para o Exército (EsPCEx) até o ano de 2002, em Campinas, São Paulo. Formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras – AMAM, em 2006, na cidade de Resende, no Rio de Janeiro.

Na AMAN, onde estudou durante 4 anos até se formar, recebeu salário, assistência médica e odontológica, uniforme, alimentação e moradia gratuitos. Já na condição de capitão, trabalhou de 2007 até o final de 2018, tendo ido para a reserva por meio de ato assinado pelo coronel Átilla Queiróz de Barros, com salário hoje de R$ 7.673,56, no dia 7 de janeiro de 2019. No dia 1º de fevereiro do mesmo ano ele assumiu o mandato de deputado estadual.

Caso esteja recebendo tanto o salário de deputado quanto o de reservista do Exército, faz jus atualmente a R$ 32,9 mil mensais, mesmo tendo trabalhado efetivamente durante apenas 12 anos antes de ser eleito.

Privilegiado

A maioria esmagadora da população brasileira não tem o mesmo privilégio do Capitão Contar. Hoje, o teto da aposentadoria pago pelo INSS é de apenas R$ 7.087,22. Mas para fazer jus a esse valor, o trabalhador tem que contribuir com a previdência pública durante 35 anos, se homem, e 30 anos, se mulher.

No entanto, poucos conseguem a aposentadoria pelo teto. Para ter direito a esse valor, a pessoa terá de pagar 20% de R$ 7.087,22 (teto do INSS em 2022), o que equivale a R$ 1.417,44 por mês como segurado facultativo. Esse pagamento deve perdurar até que o trabalhador complete o tempo de contribuição necessário para a aposentadoria – 35 ou 30 anos, se homem ou mulher.

Onça-pintada de 115 kg se esconde em banheiro de quartel do Exército

Militares do 17º Batalhão de Fronteira, no centro de Corumbá (MS), receberam uma visita inusitada, na noite de segunda-feira (27). O visitante inesperado se tratava de uma onça-pintada, de aproximadamente 115 kg, que passeava pelas dependências do local e acabou se escondendo em um banheiro da unidade.

Animal foi capturado sem ferimentos e foi solto em área de mata — Foto: Reprodução

Para o resgate foram acionadas equipes do Corpo de Bombeiros, veterinários e biólogos. A força-tarefa permitiu que o macho recebesse todo os cuidados necessários.

De acordo com os bombeiros, o animal foi localizado dentro de um banheiro, que estava com a porta aberta. A ocorrência foi registrada por volta das 20h. Como o local é bastante movimentado, a onça foi encontrada bastante agitada e precisou ser anestesiada.

“Como o quartel é muito movimentado, o primeiro procedimento foi isolar a área e reter o animal em uma sala. A onça estava muito agitada, esperamos o momento mais oportuno e fizemos um disparo de dardos com tranquilizantes para realizar a captura. A partir do momento que ela adormeceu, fizemos toda a contenção, com apoio veterinários”, explicou o primeiro-tenente Silvanei Barbosa Coelho.

Os bombeiros relataram que o animal estava saudável e em condição de ser devolvido para seu habitat natural. Ainda anestesiada, a onça-pintada foi levada até uma região afastada da cidade para evitar qualquer conflito com ser humano e solta.

Os bombeiros ainda aguardaram por cerca de meia hora, até o animal acordar e seguir pela mata.

“Aqui em Corumbá temos várias ocorrências com animais silvestres, para a captura tivemos apoio para garantir a segurança e saúde do animal. Verificamos que a onça-pintada tinha condição de retornar para o habitat natural”.
O resgate contou com apoio da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, Polícia Militar Ambiental, Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Corpo de Bombeiros e do próprio Exército Militar.