Moraes determina prisão e multa caso golpistas obstruam vias em novo ato

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou às autoridades públicas de todos os níveis federativos, em especial os órgãos de segurança pública, que adotem as providências necessárias para impedir quaisquer tentativas de ocupação ou bloqueio de vias publicas.

O Ministro Alexandre Moraes foto Pedro Ladeira Folhapress

O ministro também determinou a proibição de interrupção à liberdade de trafego de carros em todo o território nacional, bem como o acesso a prédios públicos, sob pena de aplicação de multa de R$ 20 mil a pessoas físicas e R$ 100 mil a pessoas jurídicas.

A decisão acata um pedido da Advocacia-Geral da União que se baseou em notícias de que grupos extremistas estão convocando novas manifestações em todas as capitais do país. O chamamento, segundo a AGU, está ocorrendo em grupos do Telegram.

O ministro determinou ainda que os agentes dos órgãos de segurança pública deverão, sob pena de responsabilidade pessoal, executar a prisão em flagrante de pessoas que ocupem ou obstruem vias.

Além disso, Moraes determinou que o Telegram, no prazo de duas horas, bloqueie canais, perfis e contas de grupos.

“Absolutamente NADA justifica e existência de acampamentos cheios de terroristas, patrocinados por diversos financiadores e com a complacência de autoridades civis e militares em total subversão ao necessário respeito à Constituição Federal”, escreveu Moraes.

“E absolutamente NADA justifica a omissão e conivência das autoridades locais com criminosos que, previamente, anunciaram que praticariam atos violentos contra os Poderes constituídos, tal como agora é anunciado em nova sucessão de postagens em grupos da aplicação digital Telegram, com a chamada para a ‘RETOMADA DO PODER’”, acrescentou.

Ex-prefeito, médica e influencer bolsonarista são alvos de operação da PF

A influenciadora Juliana Gaioso Pontes, a médica Sirlei Faustino Ratier e o ex-prefeito de Costa Rica, Waldeli dos Santos são alvos da Polícia Federal na operação contra apoiadores radicais do presidente Jair Bolsonaro (PL) suspeitos de organizar atos antidemocráticos.

A ação acontece nesta quinta-feira (15) e foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). São mais de 100 mandados em todo o país, entre busca e apreensão e prisão, sendo 17 em Mato Grosso do Sul.

Ex-prefeito, médica e influencer são alvos de investigação em MS — Foto: Redes Sociais

A médica e ex-candidata a deputada federal por Mato Grosso do Sul, Sirlei Faustino Ratier, está entre os alvos de mandado de busca e apreensão. A defesa da médica confirmou que os agentes federais estiveram em sua casa e apreenderam o passaporte e celular.

Em sua rede social, Sirlei se apresenta como fundadora e coordenadora do “QG voluntários do Bolsonaro” e “bolsonarista raiz”.

Sirlei Faustino Ratier, médica alvo de busca pela PF no inquérito dos atos golpistas — Foto: Redes Sociais

Em novembro, o serviço de inteligência da secretaria estadual de Segurança Pública (Sejusp) enviou ao STF documentos que apontam Sirlei como principal peça de mobilização dos manifestantes no estado. Conforme apurado, a bolsonarista deve prestar depoimento nos próximos dias.

A influenciadora Juliana Gaioso Pontes também é apontada pela Sejusp como financiadora e organizadora dos atos antidemocráticos em frente a quartéis do Exército no estado. Nas redes sociais, exibe postagens antidemocráticas em que questiona o resultado das eleições e a atuação do TSE.

“Estamos fazendo TUDO que for humanamente possível. Deus, pátria, família e liberdade”, diz Juliana em uma publicação.
A defesa confirmou que a residência da influenciadora foi alvo de busca e apreensão por policiais federais. Em nota, o advogado da influenciadora negou que ela seja financiadora dos atos.

Juliana Gaioso em foto postada em rede social (Foto: reprodução / rede social)

Outro alvo da operação é o ex-prefeito de Costa Rica (MS), Waldeli dos Santos, que já vem sendo investigado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pelo envolvimento com atos antidemocráticos no município do nordeste do estado.

Os agentes federais estiveram em sua casa, mas não há informação sobre o que foi apreendido. O ex-prefeito também foi intimado para prestar esclarecimentos. Em nota, afirma que “sempre se expressará para apoiar e defender a democracia, o estado democrático de direito e as liberdades individuais e coletivas previstas na Constituição do Brasil”.

Waldeli dos Santos Rosa é alvo de investigação do MPMS — Foto: Redes Sociais

Atos antidemocráticos em MS

Desde o dia 31 de outubro, um dia após o segundo turno das Eleições de 2022, bolsonaristas se concentram em frente ao CMO de Campo Grande. No local, as pessoas pedem intervenção federal e expõe placas com dizeres inconstitucionais.

Mato Grosso do Sul registrou ainda bloqueios de estradas e manifestações antidemocráticas de bolsonaristas que não aceitam o resultado das urnas. Caminhoneiros fizeram a barricada com vários pneus e colocaram fogo no objetos em diversas rodovias.

Zeca do PT denuncia Contar, João Henrique e Sandro Benites por instigar atos golpistas no MS

O deputado estadual eleito Zeca do PT, irá apresentar ao Ministério Público Federal (MPF) notícia crime contra os deputados bolsonaristas Capitão Contar, do PRTB e João Henrique Cantan, do PL, além do vereador de Campo Grande, Sandro Benites, do Patriota.

João Henrique Catan, Sandro Benites e Capitão Contar – Fotomontagem

O petista alega que os três incentivam atos golpistas e levaram prejuízos ao Estado.

Conforme o documento, primeiro, o petista cita que o trio estimulou o bloqueio feito por caminhoneiros nas rodovias que cortam o MS, iniciado na noite de domingo, 30 de outubro, e que provocou prejuízos ao Estado. Ele detalhou que o parlamentar incorreu no crime previsto no artigo 23.

”Instigar, preparar, dirigir ou ajudar a paralisação de serviços públicos ou de abastecimento da cidade. Pena: reclusão de 2 a 5 anos”, diz Zeca no pedido.

Entre os crimes praticados por Contar, Catan e Sandro, Zeca do PT diz que o discurso dos três, em frente a unidades das Forças Armadas, em Campo Grande, estimulou a violência contra as cortes superiores e seus membros.

”Nesses desvarios, o magistrado mais atacado foi Alexandre de Moraes, Presidente do TSE e membro do STF, exigindo os manifestantes a sua prisão pelos militares, imputando-lhe injustamente a prática de crimes… ”, diz outra parte da notícia crime.

O petista cita outros artigos do código penal para acusar os adversários políticos. Neste caso, diz que os três se uniram para a prática de crimes e promoveram desobediência coletiva à Constituição Federal.

O documento do deputado eleito foi apresentado com data de 4 de novembro.