Manifestantes organizaram ato para pedir implementação de projetos que evitem atropelamentos nas rodovias
Restos mortais de nove animais silvestres estão estendidos sobre lonas em frente ao Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), em Campo Grande, na manhã desta segunda-feira (15).
Ato ocorre em frente ao Dnit, na Avenida Mato Grosso
Para diminuir mortes de animais silvestres em rodovias federais do Estado, SOS Pantanal juntamente com outras organizações se reuniram em frente ao DNIT para cobrar soluções em relação as mortes em estradas de Mato Grosso do Sul envolvendo animais silvestres.
A exposição de corpos de tatu, tamanduá-bandeira, quati e lobo-guará em estado deplorável não é nenhuma ação pública de pesquisadores, e sim um protesto para chamar atenção para a demora na execução de um plano do próprio Dnit, que poderá frear o atropelamento de fauna nas estradas e rodovias.
O movimento “Estrada Segura Para Todos”, conversou com o presidente do DNIT, Euro Nunes Varanis Junior, e pediu agilidade nos processos envolvendo melhorias nas estradas.”Não temos nada oficinal da parte do IBAMA, alguns projetos foram repassados a bancada federal”, ressalta o presidente.
O presidente do DNIT, explica que já tem um plano de mitigação mostrando os pontos mais críticos das estradas Sul-Mato-Grossense. “Tem um projeto pronto para a estrada que liga a cidade de Aquidauana e Corrumbá, como cerca em volta da rodovia, falta apenas a bancada federal aprovar”, finalizou.
Entre as ações implantadas para reduzir atropelamentos de animais, a obra de pavimentação da MS-345 é destaque por ser um projeto piloto em MS
O monitoramento permanente das rodovias estaduais MS-040, MS-339, MS-178, MS-382, MS-345, MS-180, MS-473, MS-450 e MS-258, além da Estrada do Turismo em Bonito, é realizado como parte do programa “Estrada Viva – a fauna pede passagem”, com ações de mitigação de atropelamentos de animais silvestres para proteger a fauna e garantir a segurança das pessoas que utilizam as estradas.
As rodovias ligam Campo Grande e Santa Rita do Pardo (MS-040), Miranda e Bodoquena (MS-339), Juti e Iguatemi (MS-180), Nova Andradina a Taquarussu (MS-473), Estrada Parque de Piraputanga (MS-450) e ainda que dão acesso a Bonito (MS-178, Bodoquena; MS-382, Guia Lopes/Jardim e o trecho da Baía das Garças; MS-345, Anastácio – conhecida como Estrada do 21, a partir da BR-419), além do trecho entre Sidrolândia e o distrito de Anhanduí (MS-258, entre a BR-060 e BR-163) e a Estrada do Turismo em Bonito, que é municipal e dá acesso ao Rio Formoso.
Piraputanga, é uma das rodovias incluídas no Programa Estrada Vida
Entre as ações implantadas para reduzir os atropelamentos dos animais silvestres, a obra de pavimentação da MS-345 é destaque por ser um projeto piloto em Mato Grosso do Sul. A rodovia é a primeira construída considerando as normas do programa, com seis pontos de passagem específicos ao longo da estrada, que tem pouco mais de 100 quilômetros – entre a Estrada do 21 (saindo da BR-419) e Bonito.
A rodovia, quando estiver concluída, será o principal acesso ao município de Bonito, diminuindo do tráfego na MS-382 e MS-178
“É uma rodovia adequada para o trânsito seguro da fauna. Desde a base ela foi pensada e segue as diretrizes do programa Estrada Viva, com os locais para que os animais passem. A partir de 2021, todas as rodovias que foram construídas pelo Estado, passaram a seguir essas regras”, pontuou o professor Afrânio José Soares, da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) de Aquidauana, coordenador do “Estrada Viva”.
As ações nas rodovias são desenvolvidas desde 2016 em parceria com o Cemap/UEMS (Centro de Estudo em Meio Ambiente e Áreas Protegidas), que cataloga as espécies atropeladas e identifica os principais pontos de passagem dos animais para propor medidas preventivas e de mitigação dos incidentes.
O trabalho foi expandido a partir de dezembro de 2021, quando o Governo do Estado iniciou o processo de criação de um manual com orientações técnicas para proteger animais silvestres de atropelamentos, elaborado em parceria com ONGs (Organizações Não-Governamentais) ambientais.
Atualmente as orientações técnicas para a elaboração dos projetos de pavimentação e revitalização de rodovias no Estado são colocadas em prática com o uso do “Manual de orientações técnicas para mitigação de colisões veiculares com a fauna silvestre nas rodovias de Mato Grosso do Sul”. O documento é utilizado como base na contratação de projetos viários para que novas obras tenham dispositivos de segurança para os animais previstos em projetos executivos.
“Todos os projetos executados pelo Governo do Estado têm que respeitar esse manual. Proteger a vida silvestre de atropelamentos é muito importante, assim como dar segurança às pessoas que transitam pelas rodovias. Faz parte do plano de governo, os investimentos na infraestrutura de Mato Grosso do Sul, mas também no cuidado com a vida silvestre”, destacou o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Hélio Peluffo.
O “Estrada Viva” é um programa ligado a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). Três rodovias estão em obras no Estado, e utilizam as diretrizes do manual de orientações técnicas, a MS-345 (Estrada do 21), da MS-382 (Baía das Garças) e a Rodovia do Turismo, todas em Bonito. Entre as principais ações desenvolvidas para a proteção dos animais estão as passagens superiores e inferiores para a fauna ao longo das rodovias e as cercas guias em pontos específicos.
“Além do monitoramento outras ações são importantes, como o hospital veterinário para animais silvestres em Campo Grande, para atender a fauna. E também, nos três últimos anos, muitas áreas foram transformadas em parques. Além da questão da estrada, tem o local para os animais habitarem”, explicou o veterinário que atua no programa, Márcio César Seixas.
Adaptações em rodovias pavimentadas
Além de passarem a valer para novos projetos viários, as orientações do manual foram colocadas em prática em estradas estaduais já pavimentadas e que possuem problemas com atropelamentos de animais de espécies ameaçadas de extinção.
Este foi o caso na MS-450, conhecida como Estrada Parque, que passa pelos distritos de Palmeiras, Piraputanga e Camisão, até chegar em Aquidauana. O monitoramento da região é continuo e por meio de parceria com a PMA (Polícia Militar Ambiental), os técnicos do “Estrada Viva” também realizam o transporte de animais silvestres para o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Campo Grande.
“É um trabalho importante que é realizado, garantindo que os animais recebam o atendimento adequado”, afirmou o professor Afrânio. Quando a equipe de reportagem do Governo do Estado esteve na região de Aquidauana, três araras foram transportadas para a Capital.
Para o monitoramento das dez rodovias que fazem parte do “Estada Viva” são empregadas três caminhonetes – que foram entregues ao programa, em dezembro de 2021 – que ficam nas bases de Jardim, Aquidauana e Campo Grande.
Ações efetivas
O promotor de Justiça no município de Bonito, Alexandre Estuqui Júnior – com atuação na área de Meio Ambiente –, afirma que algumas ações implantadas já ajudaram a garantir a segurança dos animais, porém pontua situações preocupantes na região. “Telas e lombadas foram instaladas e aparentemente diminuíram os atropelamentos. Minha preocupação maior é nas estradas que vão para pontos turísticos, como a Gruta, e ainda nas que serão asfaltadas para outros locais de visitação. Caso não seja feito nada, muitos animais podem morrer”.
As estradas apontadas pelo promotor são municipais, a primeira – a Gruta do Lago Azul – dá acesso a MS-178 e a segunda – balneários ao longo do Rio Formoso – a MS-382. “Tem que ter esses programas de mitigação de fauna, é necessário. O Estado tem muita área verde, e o atropelamento de animais é intenso. Por isso ações para que animais e pessoas não sejam feridas e mortas, são importantes”.
“É um processo. O programa do Estado pretende mapear todas as estradas quanto ao risco e fazer um plano de ação para atuar nas estradas já construídas na questão da diminuição desses riscos. A gente vai ter um mapa de alerta que vai informar a Agesul aonde atuar conforme a necessidade, onde é mais importante. Os monitoramentos estão sendo feitos, porém é necessário fazer as avaliações da eficiência da intervenção, os estudos”, finalizou o professor Afrânio.
A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Unidade de Bem-Estar Animal (UBEA), abriu vagas para castração de animais, sendo 300 para felinos e 300 para caninos por mês, de tutores que possuem o Número de Identificação Social (NIS). Os interessados devem comparecer ao local com comprovante de residência, documento com foto e o Número de Identificação.
Aberta desde o dia 8 de dezembro, a Ubea disponibiliza senhas distribuídas nos períodos matutino e vespertino
Segundo informações do médico veterinário responsável, Edvaldo dos Santos Sales, os animais passam por avaliação clínica e, se aptos, são encaminhados às clínicas credenciadas para a castração. As 300 vagas ainda serão divididas entre 150 machos e 150 fêmeas. Além da castração, o animal sai da Unidade vermifugado, vacinado contra a raiva e microchipado.
“O microchip tem o tamanho de um grão de arroz, com aplicação subcutânea e finalidade de registrar as informações desse animal, como doenças e tratamentos e também as informações do tutor caso esse animal se perca, por exemplo”, descreve.
Atualmente, a Unidade realiza atendimentos de baixa complexidade como avaliação clínica, administração de medicamentos injetáveis, vacinação antirrábica, vermifugação, controle de carrapato e pulgas e encaminhamento para castração em clinicas credenciadas.
Aberta desde o dia 8 de dezembro, a Ubea disponibiliza senhas distribuídas nos períodos matutino e vespertino e conta com três consultórios, com capacidade de atendimento para até 30 animais, sendo 15 no período da manhã (8h às 10h30) e 15 no período da tarde (13h30 às 16h30).
Os atendimentos ocorrem às segundas, terças, quintas e sextas-feiras. Às quartas, a equipe irá realizar as visitas in loco de ONGs e protetores independentes.
Serviço
Endereço: Rua Rui Barbosa, 3538 – Centro. Horário de funcionamento: Administrativo é das 7h30 às 11h e das 13h às 17h30. Atendimentos clínicos serão das 8h às 10h30 e das 13h30 às 16h30. Informações: 67 2020-1397
Com dívidas de R$ 19 mil em clínicas veterinárias, protetora pede ajuda para arcar com despesas de animais resgatados
Sônia Marly Gonçalves Palhano dedica boa parte do dia para cuidar de 80 cães em sua casa, em Campo Grande. Os animais foram resgatados da rua e estão disponíveis para adoção. Ela se considera uma “protetora de animais independente”. Ela não é a única, outras pessoas na cidade têm a mesma paixão e devoção. “O que falta em nossa cidade é sermos reconhecidos. Em outras localidades essas pessoas recebem, mensalmente, ração do município para manter cães e gatos em suas propriedades, até que os bichinhos ganhem um lar definitivo” argumenta.
Sônia com um de seus 80 cães. Este o Maromba foto Divulgação
Aposentada de órgão público, onde trabalhava no setor de Recursos Humanos, Sônia revela que desde criança já se preocupava com os animais. “Eu recolhia e levava para casa. Meu pai apoiava a ação e minha mãe relutava, mas depois ajudava. Certa feita nós nos mudamos para Brasília e lá, dos meus 10 aos 14 anos, intensifiquei o resgate de animais. Não podia ver um cachorro ou um gato abandonado que levava para casa”, conta.
Pitoco no resgate e hoje depois do tratamento
Ela afirma que acolhe animais há 14 anos. “As pessoas perguntam: por que tanto cachorro? Não tem explicação. É uma coisa que vai acontecendo”, explica. Todos os dias, pela manhã, Sônia lava o quintal, troca a água e coloca ração para os animais acomodados em baias apropriadas.
“Só depois de limpar tudo e dar água e comida para os cães é que fico tranquila”, comenta. Segundo a aposentada, cuidar dos animais representa uma troca. “Sou o anjo da guarda desses animais. Por outro lado, cuidar deles faz bem para mim. Não sei se é destino, mas sou feliz com os meus animaizinhos”, diz.
Os cães estão disponíveis para adoção. No entanto, Dona Sônia avisa que só entrega os animais quando tem certeza de que eles serão cuidados. “Fico em cima de quem for levar os bichinhos. Pego endereço e telefone. Seu eu duvidar da pessoa, não entrego”.
Juna se esbalda na grama
Ela mantém, ainda, 18 gatos na casa do filho. “Eu amo muito o que eu faço. Enquanto tiver força, eu vou cuidar dos bichinhos”, diz, emocionada.
Hebe foi resgatada com a ninhada e ela correndo risco de morte, hoje todos estão bem
A protetora revela que desde quando começou a recolher os cachorros, nunca passou por fase pior que vive agora. “Em dezembro e agora houve uma redução muito grande das doações, precisamos muito de ração. Me desdobro, participo de feiras onde me dão barracas, faço rifas, tudo em prol dos animais, mas sem ajuda é impossível continuar”.
“Na maioria das vezes, quando adoto um cachorro e está à beira da morte, com cuidados veterinários e amor eles são recuperados. Meu primeiro, há 14 anos, é o Pitoco. Como podemos ver na foto o estado dele antes e hoje, parece um milagre”, diz orgulhosa.
São inúmeros casos, como o da Donatela, por exemplo. “Quando foi trazida para casa parecia qualquer coisa menos um cachorro e olha como ela está bem hoje. Não posso me esquecer da Hebe, que prenha foi atropelada e abandonada. Resgatei e hoje ela e a ninhada passam bem”.
Também tem casos de câncer em animais. Dona Sônia mostrou a Vivi, que quando foi resgatada estava em situação lastimável, a doença tinha consumido uma pata dela. “Mas depois de tratamento veterinário e muitos cuidados, hoje ela está pronta para viver bem”, desabafa.
Veja a Donatela como está agora
Em geral, nas veterinárias o serviço é pago, uma protetora ajuda a outra. “Não posso deixar de citar a Stella Vasques, sempre que precisamos uma da outra estamos a postos”, diz. “Já banquei operações que custaram mais de R$ 10 mil e os remédios não são baratos”, emendou.
Ela mostra a Donatela, que quando foi resgatada a aparência, para muitos, seria melhor sacrificar, mas Sônia não abriu mão de tentar. “Com a Donatela foram gastos enormes e ainda hoje muitos cachorros lá de casa tomam medicamentos. Os gastos são altos, mas o que mais me preocupa é a ração mesmo, por isso quero pedir a quem, como eu, gosta dos animais, que me ajude”.
A luta é árdua, não tem hora pra acabar e a angústia de ver faltar comida causa desespero em não acabar com o sonho ou deixar cães e gatos desamparados. Muitos deles foram abandonados na pandemia e as doações caíram 80%.
Vivi era consumida por um câncer, mas foi salva por Sônia
Se você é simpatizante da causa animal, some suas forças com Sônia. Para isso, ela divulga o PIX e coloca sua casa à disposição para quem quiser acompanhar seu trabalho, conhecer e até adotar um dos animais. “É o meu telefone [67 99291-1741], mas prefiro olhar para a pessoa que vai fazer a doação. Acredito que eles queiram ver os animais. Entrando em contato comigo a gente se entende”, finaliza.
Ao longo do ano passado, a Polícia Militar Ambiental autuou 50 infratores por maus-tratos a animais em 2022 e aplicou R$ 1.221.844,00 em multas – quase o dobro do que no ano anterior, quando foram R$ 630.621,20.
Quem comete o crime de maus-tratos está sujeito a pena de três meses a um ano de detenção para qualquer tipo de bicho, a exceção para gatos e cachorros, para os quais a pena é maior, de dois a cinco anos de reclusão.
Além da penalidade criminal, o infrator será multado administrativamente em valor que pode variar de R$ 500,00 a R$ 3.000,00 por animal.
No ano de 2022 o número de pessoas autuadas praticamente não sofreu alteração. Foram 50 autuadas e em 2021 haviam sido 48.
A diferença está em relação a quantidade de animais e valores das multas. Foram 3.521 bichos em situação de maus-tratos, número 413% superior a 2021, quando foram registrados 686 maltratados.
O animal com maior número de ocorrências em 2022 foi o bovino, diferentemente do ano de 2021, quando os cães estavam em primeiro lugar. De acordo com a PMA, a discrepância nos números relativos a multas e autuados e até de bichos é comum, em razão de cada tipo de ocorrência.
Os casos de maus-tratos a bovinos, normalmente, envolvem muitos animais que, no período de seca, são deixados sem alimento e até sem água pelos proprietários e alguns não sobrevivem.
Serviço – Quem souber de maus-tratos a animais deve procurar a PMA do município. Em Campo Grande, o telefone é o (67) 99984-5013. Quem não souber o telefone ou tiver dificuldade de falar com a Polícia Militar Ambiental também pode acionar o telefone 190.