Falta de segurança alimentar indica como a prefeita trata os estudantes e “acompanha” sua política de educação.
A boa política pública de educação é mais do que fazer escola e distribuir material didático. Há outras condições indispensáveis, que vão desde o aprendizado, passa pela valorização dos educadores e chega nas questões mais simples, como a higiene e a segurança alimentar. Basta um desses quesitos falhar para ficar evidente que algo está errado.
Entretanto, se a falha causar riscos à saúde ou à vida humana, aí a questão deixa de ser simples falha e torna-se um deslize gravíssimo. Foi o que ocorreu semana passada, quando alunos passaram mal depois de ingerirem a merenda da Escola Municipal de Tempo Integral Hilda de Souza Ferreira, no Coophatrabalho.
O caso criou acalorada uma calorosa polêmica, reforçada cinco dias depois, quando a direção do estabelecimento admitiu, com base em análise técnica, que houve um erro no preparo dos alimentos. A nota da escola não detalha como ocorreu a falha, apenas generaliza, frisando que uma “falha pontual no processo de manipulação e preparo” provocou a fermentação do molho do macarrão servido aos alunos.

Foram os pais que denunciaram possíveis casos de intoxicação, ao verem os filhos chegar em casa vomitando e com fortes enjoos. O portal Midiamax publicou que uma inspeção teria encontrado vários alimentos mal armazenados, alguns jogados no chão.
Duas mães, continua o Portal, dizem que os filhos passaram mal e um deles contou que não conseguiu comer na escola, “pois o macarrão, que foi a merenda do dia, estaria com cheiro de vômito”.
A escola informa que, após identificar o problema, reforçou os procedimentos de segurança alimentar, orientou a equipe responsável pelo preparo das refeições e anunciou monitoramento permanente do quadro de funcionários da unidade. O que mais espanta, no resumo deste caso, é que a informação da escola reconhecendo a falha no preparo do alimento foi desmentida pela Secretaria Municipal de Educação (Semed).
Pasmem: conforme a secretaria, não havia qualquer confirmação de contaminação alimentar e os relatos dos pais não tinham respaldo de evidências técnicas ou laudos conclusivos sobre os sintomas dos alunos. É como se a política pública de ensino da prefeita Adriane Lopes obrigue seus subalternos de primeiro escalão a desmentir diretores de escola e desfazer, de forma humilhante, a sabedoria de pais e mães que convivem com os filhos e não precisam ser especialistas para identificar se estão ou não enjoados ou vomitando por problemas alimentares.
Pressão
Mães estão denunciando que foram pressionadas e ameaçadas pela direção da escola, depois de denunciaram a oferta de merenda estragada aos estudantes. Uma dessas mães salientou que a própria diretora ligou de seu número pessoal para fazer ameaças.
Uma vistoria encontrou irregularidades e vácuos estruturais na escola, entre os quais a presença de uma única merendeira trabalhando havia 15 dias.
Quando acontece um caso de intoxicação alimentar, é preciso tomar algumas providências, como a investigação, a perícia e, se for o caso, a interdição da cozinha, com coleta de amostras de comida e de sobras. A validade e o armazenamento dos produtos também devem ser conferidos. Se for comprovada falha humana, o Município deve arcar com danos morais e médicos, havendo necessidade.






