Lançado em maio, o concurso reuniu escritores de todo o Estado e terá leitura pública das obras vencedoras no auditório da Academia.

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) promove nesta quinta-feira (16/07), a cerimônia de premiação do Concurso de Contos Ulysses Serra. Marcado para as 19h30min, o evento acontece no Auditório da ASL, na Rua 14 de Julho, nº 4653, no bairro Altos do São Francisco, e reúne entrega de prêmios, certificados e a leitura pública das obras vencedoras.
Na disputa, o conto ‘Joana Rezadeira’ conquistou o primeiro lugar. A segunda colocação ficou com ‘O Roubo’, enquanto ‘Dona Bela’ completou o pódio na terceira posição.
Como funcionou o concurso
Lançado em maio pela ASL, o certame recebeu inscrições gratuitas de escritores residentes em diversas regiões de Mato Grosso do Sul. Os textos foram avaliados por uma comissão formada por escritores integrantes da ASL, que analisou critérios como originalidade, qualidade narrativa, domínio da linguagem e construção literária. O nome da premiação presta homenagem a Ulysses Serra, fundador da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.
Prêmios e reconhecimento
Os três primeiros colocados recebem premiação em dinheiro: R$ 3 mil para o primeiro lugar, R$ 2 mil para o segundo e R$ 1 mil para o terceiro. Além disso, os dez autores mais bem classificados serão contemplados com certificados durante a cerimônia. No dia 16, integrantes da ASL também farão a leitura dos três contos premiados diante do público.
Sobre o alcance da iniciativa, Henrique de Medeiros afirmou: ‘Queremos ampliar o acesso à literatura e dar visibilidade aos talentos locais. É uma forma de fortalecer autores experientes e revelar novas vozes.’
Trechos das obras
Entre os contos classificados, alguns trechos revelam a diversidade de vozes reunidas no concurso. Um deles traça uma paisagem de origem: ‘Nasci numa comunidade de pescadores. Meus pais viviam dos peixes pescados e da agricultura familiar. As casas ficavam próximas ao mar e as roças nas encostas dos morros. Lembro-me que perto de casa havia uma comunidade quilombola, o Sítio dos Pretos. Ela situava-se na descida do morro, bem no meio do caminho entre a chapada e a praia.’
Outro trecho mergulha na travessia de um rio à noite: ‘Aproveitei o momento de tanta filha para pouco olho de mãe no escuro da noite e corri até a beira do rio. Ouvi o canto de Joana, dessa vez mais baixo, chegando gostoso para mim. Ousei o proibido, me joguei ao abraço das águas amigas, dessa vez, não para ficar e brincar. Atravessei, nadando como pude, e pisei a outra margem, o canto me chamando, quase que num sussurro agora.’
A memória e a água aparecem ainda em outra passagem: ‘A água faz um barulho bom, né? Quando eu era criança eu ficava deitado do lado desses córgo, ouvindo. Fazendo nada, só ouvindo. Fechava o olho e ficava, escutando, respirando. Até dormia. Seu pai às vezes vinha comigo. Esse córgo era maior, bem cheião, foi secando. Era água, hein guri. Água, água, água.’






