Moeda americana opera em baixa a R$ 5,093 na contramão do exterior, enquanto investidores avaliam chances de Flávio Bolsonaro e Lula na disputa presidencial e aguardam sinais sobre política monetária do Fed.

Cotação e movimento do dólar nesta quinta
O dólar perdeu força ante o real e virou para o território negativo no fim da manhã desta quinta-feira (10/09), na contramão do exterior, em meio à expectativa pela divulgação de nova pesquisa sobre a disputa presidencial.
Às 12h20 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,37%, a R$ 5,093 na venda. O dólar futuro para outubro – atualmente o mais negociado no mercado brasileiro – caía 0,30% na B3, aos R$ 5,111.
Dólar comercial
-Compra: R$ 5,091
-Venda: R$ 5,093
Eleições e reação do mercado financeiro
A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg está programada para esta quinta-feira. Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que a especulação no mercado é de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecerá bem posicionado na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Planalto.
No mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, Flávio passou a superar Lula, com 52% das apostas de vitória, contra 45% do petista.
Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio têm favorecido a queda do dólar.
Crise no STF também no radar
Além da disputa eleitoral, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) segue no foco dos investidores. Na véspera, o presidente da corte, ministro Edson Fachin, cassou decisões liminares concedidas anteriormente pelos colegas André Mendonça e Flávio Dino que discutiam a permanência ou não no cargo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Além disso, retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news.
Cenário externo pressiona moeda
O recuo do dólar no Brasil ocorre na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana avança ante boa parte das demais divisas, em um dia marcado pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pelo avanço do petróleo Brent LCOc1 para acima dos US$105 o barril.
Mais cedo, os EUA informaram que os preços ao produtor no país em agosto subiram 0,4% e os pedidos de auxílio-desemprego caíram 1.000 na última semana, para 206.000 em dado com ajuste sazonal, ante projeção dos economistas ouvidos pela Reuters de 205.000 pedidos.
Às 12h05, o índice do dólar =USD — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,12%, a 98,901.
BC atua com ‘casadão’
No início do dia, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso — neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.
As duas operações simultâneas são conhecidas como “casadão” pelos investidores e dão liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro.
Ibovespa vira e sobe mais de 1%
O Ibovespa passou de queda expressiva para alta de mais de 1% na sessão desta quinta-feira (10), em meio a novas especulações sobre o cenário eleitoral. Às 12h27 (horário de Brasília), o índice subia 1,43%, a 188.282 pontos; mais cedo, o Índice Bovespa recuou 0,55%, aos 184.601,20 pontos, ante abertura estável em 185.622,19 pontos.
Posicionamento do mercado financeiro hoje
O mercado financeiro opera hoje com aversão ao risco político associado a Lula e otimismo cauteloso com a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, visto como mais alinhado a uma agenda pró-mercado. A reação imediata se traduziu em:
-Dólar em queda no Brasil, mesmo com a moeda americana forte no exterior
-Ibovespa em alta expressiva, revertendo perdas iniciais
-Juros futuros pressionados, com traders precificando menor risco fiscal em caso de vitória de Flávio
Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, apontou que o Ibovespa virou devido às recentes pesquisas eleitorais que colocam Flávio Bolsonaro à frente de Lula no 2º turno e, principalmente, devido à pesquisa da Atlas/Intel, que pode corroborar com as outras pesquisas.
“Na Polymarket, Flávio e Lula estão quase empatados, coisa que nunca havia sido indicado antes. O mercado vem se balizando nisso para reajustar as posições com uma tendência de um governo pró-mercado”, aponta o especialista.
Os índices de inflação dos EUA serão acompanhados de perto em busca de pistas sobre a próxima decisão de política monetária do Fed, mas no Brasil o foco principal segue sendo a disputa eleitoral e seus desdobramentos fiscais.






