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Campo Grande, 22 de setembro de 2026

Ponte Rota Bioceânica: Encontro entre lados brasileiro e paraguaio deve acontecer em junho

  • 1 de junho, 2026
  • Geral, Transporte
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Um vão de 20 metros ainda separa as estruturas. A etapa conhecida como ‘beijo das aduelas’ foi adiada por questões técnicas.

O corredor representa uma oportunidade significativa de redução de custos logísticos e ampliação do comércio exterior, especialmente para o agronegócio sul-mato-grossense. (Foto: Toninho Ruiz).

A junção das estruturas do lado brasileiro e do lado paraguaio na Ponte da Bioceânica deve ocorrer ainda neste mês de junho. A etapa, chamada de ‘beijo das aduelas’, marca o encontro físico das duas metades da ponte que liga Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai.

Os dois lados da estrutura devem ser unidos neste mês de junho (Foto: Toninho Ruiz).

O marco estava originalmente previsto para maio, mas precisou ser reprogramado em razão de ajustes técnicos e de novas avaliações realizadas na obra. Atualmente, as duas extremidades da ponte ainda estão separadas por um vão de aproximadamente 20 metros.

As equipes seguem trabalhando nos acessos e nas rampas em ambos os lados da estrutura. As obras avançam simultaneamente no território brasileiro e no paraguaio, com cada frente em diferentes estágios de execução.

Obras do acesso no lado brasileiro da Ponte da Bioceânica (Foto: Toninho Ruiz).

A Ponte da Bioceânica é uma das obras mais estratégicas para o desenvolvimento do Mato Grosso do Sul e do Centro-Oeste brasileiro. Quando concluída, a travessia vai integrar o chamado Corredor Bioceânico, rota que conecta o Atlântico ao Pacífico passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Para Campo Grande, o corredor representa uma oportunidade significativa de redução de custos logísticos e ampliação do comércio exterior, especialmente para o agronegócio sul-mato-grossense.

Sobre a obra

A construção da Ponte da Bioceânica entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho está sendo executada pelo MOPC (Ministério de Obras Públicas e Comunicações) do Paraguai, com investimento de US$ 100 milhões da administração paraguaia da Itaipu Binacional. A obra foi iniciada em janeiro de 2022 e já superou 90% de execução.

Além da construção da ponte, o governo paraguaio também implanta um acesso pavimentado de 3,8 quilômetros, que vai conectar a estrutura à PY-15, uma das rodovias que integram o traçado da Rota Bioceânica.

Conforme o MOPC, as obras começaram em outubro de 2025, também com financiamento da Itaipu no lado paraguaio, com investimento de US$ 20 milhões e prazo de 12 meses para conclusão, previsto para outubro deste ano. Entre as intervenções já executadas estão a limpeza da área e a instalação de cercas na faixa de domínio.

Em contrapartida, as obras do acesso brasileiro começaram apenas em setembro de 2024. Segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), com investimento de aproximadamente R$ 500 milhões, a obra prevê a implantação de um trecho de 13,1 quilômetros de rodovia que vai ligar a BR-267 à Ponte da Bioceânica.

O Brasil estima entregar somente em dezembro de 2027 o acesso rodoviário à estrutura internacional e o Centro Unificado de Fronteira Brasil–Paraguai no lado sul-mato-grossense.
O cronograma informado pelo DNIT evidencia um descompasso superior a um ano entre a conclusão da ponte e da estrutura brasileira necessária para conexão com a Rota Bioceânica.

O departamento informa que já foram executados o canteiro de obras, instalações industriais como central de concretagem e pátio de concretagem e proteção de vigas, limpeza da faixa de domínio ao longo do trecho, implantação de cercas de limite da faixa de domínio e cercas condutoras de fauna.

Conforme o DNIT, o projeto prevê ainda a construção de um viaduto na BR-267, atualmente na etapa de execução da infraestrutura com estacas e blocos, além de seis pontes. Duas delas, uma sobre o Rio Amonguijá e outra sobre uma vazante, já foram concluídas.

O departamento explica que também prevê a construção de um Centro Aduaneiro Integrado entre Brasil e Paraguai, nos moldes do que já existe na fronteira entre São Borja (RS) e Santo Tomé.

A construção da Ponte da Bioceânica é uma das obras fundamentais para viabilizar o Corredor Bioceânico, também chamado de RILA (Rota de Integração Latino-Americana) ou Corredor Rodoviário de Capricórnio.

A rota terá mais de 3,2 mil quilômetros, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Porto Murtinho será a porta de entrada da rota no Brasil. A expectativa dos quatro países é transformar o corredor em uma grande via de escoamento de produtos e circulação de mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos, com potencial de reduzir em até 30% os custos logísticos e em até 15 dias o tempo de transporte em relação às rotas marítimas tradicionais, como a do Canal do Panamá.

Com informações de Toninho Ruiz, de Porto Murtinho.

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