Informações revelam que com menor tempo de governo a prefeita torrou mais dinheiro do contribuinte que seu antecessor.

Se houvesse uma competição entre as duas últimas gestões públicas de Campo Grande para aferir qual a mais perdulária, a resposta certa aponta épocas distintas, embora estejam cruzadas num curto espaço de tempo.
Se ontem com Marquinhos Trad (prefeito por cinco anos e três meses) ele foi, para os adversários, o maior gastador, hoje, sem medo de errar, a resposta é fácil: não existe quem ganhe da prefeita Adriana Lopes (PL) em matéria de gastança e desperdício de dinheiro público.
De acordo com as informações colhidas e publicadas pelo portal “O Jacaré”, mesmo com um período de poder bem menor que seu antecessor, Adriane realizou uma avassaladora sangria nas finanças de Campo Grande. Só num cursinho de 25 horas sobre licitações, pelo Senacop (Serviço Nacional de Compras Públicas), ao qual concorreram 222 candidatos no governo de Marquinhos, ela inscreveu 300, um aumento de 1.263%.
Em auditoria, o Tribunal de Contas (TCE-MS) constatou a diferença, que representou nas contas de desembolsos da era “Adrianista” R$ 1 milhão 599 mil aos cofres da municipalidade. Na gestão anterior o mesmo processo absorveu só R$ 114 mil. Outras informações estão publicadas.
Em 2021, com Marquinhos, a prefeitura pagou R$ 114.378 por 22 inscrições no Senacop. Já em 2023, Adriane queimou R$ 109.179 para 21 inscrições. Em 2023, a prefeita saltou para 47 convites, com custo de R$ 244.353 e no ano passado o absurdo volume de 300 inscrições.
Pontos cegos
A auditoria menciona mais detalhes sobre o aumento expressivo do número de inscrições contratadas. “A ANA – DFContratações– 9559/2024 demonstrou que nas edições anteriores do Senacop, a Prefeitura adquiriu um número significativamente menor de inscrições. No comparativo entre 2023 e 2024, houve um acréscimo de 538,3% no quantitativo de inscritos, passando de 47 para 300 inscrições”, destacou.
Na auditagem, consta que a prefeita definiu o valor a ser pago para a Atrea Premium, do Sr. Rodrigo Rodrigues Barbosa, diretor da Escola do Legislativo da Câmara Municipal, antes de saber quantos servidores atuam na área de compras e licitações.
Os auditores frisam: “Como mencionado no item precedente, quando do levantamento dos servidores aptos a participar do evento (Ofício n. 4.999/GAB/Seges) o número de inscrições já estava definido em 300 vagas, demonstrando a ausência de um estudo técnico prévio para justificar a demanda real da administração municipal”.
Até música teve no aprendizado. O portal lembra ter antecipado que “muitos servidores inscritos no cursinho de 25h, que incluía o show de Nando Reis, não atuavam na área de licitações nem compras”.
Também foi questionado o fato de a prefeitura ter informado que ganhou 65 cortesias para o evento. No entanto, o documento com os convites extras teria sido confeccionado dois meses após o curso, em 20 de janeiro deste ano. O Senacop teve lugar nos dias 14 e 16 de novembro do ano passado.
Mais um termo incisivo do relatório do TCE: “Quanto às 65 cortesias mencionadas na defesa, a declaração apresentada não se revela apta a comprovar a negociação, pois além de não constar nos autos do processo administrativo, referido documento foi produzido em 20 de janeiro de 2025, ou seja, data posterior à ocorrência do evento que se deu em novembro de 2024”.
O relator do caso TCE é o conselheiro Márcio Monteiro. O processo deve ser julgado em plenário e resultar ao menos em condenação obrigando a prefeita a devolver o dinheiro indevidamente utilizado.








